Livro: A Bruxinha Duda

A ideia de escrever um livro infantil surgiu quando minha amiga Lili de São Paulo me pediu um texto para explicar a Duda, o que é ser uma Bruxa. O texto que escrevi ficou muito longo e cansativo, até mesmo para mim. Assim acabei por transformar o texto em um diálogo entre mãe e filha. O texto se encorpou a acabou por se tornar um livro.

Como a literatura infantil nessa área é escassa ou quase inexistente, busquei escrever em uma linguagem bem simples, de fácil entendimento, com analogias com as quais não só as crianças irão se identificar. Portanto esse livro não é exclusivamente para crianças. Contém também assuntos diversos que são interessantes para aqueles que estão iniciando esse caminho.

Espero que aqueles que vierem a ler tirem o máximo de proveito. Sei também que receberei críticas e elogios de diversas pessoas, o que não me preocupa, já que meu intuito é oferecer informações para crianças, jovens e adultos. Abaixo segue o primeiro capítulo para que tenha uma ideia do que esperar.

Capítulo 01

Quarta-feira — 27/04 — Lua Cheia

Noite clara com céu limpo, sem nuvens. As luzes de São Paulo não conseguem esconder o brilho da lua cheia. Lili estava sentada no jardim de sua casa, fazendo um ritual para a lua, quando a porta se abre e Duda, sua filha de oito anos (muito inteligente, como todas as crianças dessa época), sai e vem ao seu encontro.

— Mamãe, o que está fazendo?

— Estou olhando a lua — responde Lili.

— Por quê?

Fazendo um gesto com a mão, Lili diz:

— Senta aqui do meu lado.

Duda sentou-se e olhou para o céu, para a lua brilhante. Ficou em silêncio um momento e quando ia dizer alguma coisa, Lili se vira para ela e pergunta:

— Duda, você acredita em Bruxas?

Pega de surpresa, Duda fica em silêncio, pensando. Depois de alguns minutos ela responde com um pouco de cautela:

— Já vi desenhos na televisão onde as bruxas são sempre más.

— Mas você acredita que elas existem? — Lili pergunta novamente.

— Acredito sim, mas não igual as dos desenhos.

— E o que acha da Natureza? — Lili pergunta novamente, curiosa com o rumo da conversa.

— Ah! Minha professora disse que ela é importante e que sem ela tudo ia ser seco e que nada ia existir. E eu adoro os bichinhos, as plantinhas e os passarinhos.

— E se eu te disser que as bruxas amam a Natureza, que gostam também dos bichinhos, dos passarinhos, das plantinhas, o que você diria?

— Que elas então não são más, se gostam de tudo o que eu gosto — responde Duda com firmeza.

Lili fica por um tempo pensando na resposta de Duda, e o silêncio se prolonga. Então Duda pergunta:

— Mamãe, você é uma bruxa?

Lili olha para Duda com um sorriso nos lábios, pensando em uma maneira suave para responder.

— Sim, meu amor, eu sou — reponde Lili, olhando diretamente nos olhos de Duda.

— Mas você não pode ser uma bruxa — diz Duda com convicção. — Elas são todas velhas, tem um nariz grandão e usam um chapéu esquisito.

Sorrindo com a ingenuidade de Duda, Lili responde com carinho:

— Nem sempre. As bruxas que você vê nos desenhos da TV são feias porque se fossem bonitas os príncipes as escolheriam para se casarem. E as pessoas que fazem os desenhos não sabem o que é uma bruxa de verdade.

Duda pensa um pouco e pergunta:

— O que é uma bruxa de verdade?

Tendo cuidado com as palavras, Lili responde:

— Uma bruxa de verdade não faz mal a ninguém. Ama a Natureza e os animais, gosta da lua, de tomar banho de cachoeira, das florestas onde moram os animaizinhos. E responde às perguntas de menininhas curiosas.

— E não precisam ser feias — diz Duda, — porque você não é.

Lili sorri e pega na mão de Duda. Por alguns minutos ficam em silêncio, olhando para a lua no céu claro.

— E por que você está olhando pra lua?

— Porque ela representa a Deusa — diz Lili se perdendo em pensamentos. — Ela nos dá sua luz através da lua cheia e assim podemos sentir a energia que vem Dela. Essa energia nos ajuda a entender a nós mesmos mais profundamente.

— Não entendi — diz Duda.

Lili volta sua atenção à conversa e busca palavras mais simples para explicar.

— Você já viu como a lua muda? — Lili pergunta.

— Sim. Ela parece a sanfona que ganhei do Papai Noel.

Rindo com a comparação simples de Duda, Lili começa a explicar.

— Você já viu que ela muda. Veja a lua como nossa família. Quando aparece só um pedacinho da lua no céu e depois começa a crescer, olhe para ela como se fosse você, uma criança bonita que tem muito a aprender. Quando a lua está cheia — Lili apontou para a lua — ela é igual à mamãe. E quando ela começa a diminuir de novo, olhe para ela como a vovó. Está entendendo?

— Tô sim — responde Duda.

— Para nós bruxas a lua tem um significado especial porque representa a Deusa em que acreditamos e que nos ajuda durante nossa vida. Então temos você, eu e a vovó que representamos a lua. Você que é jovem e tem muito a aprender, eu que sou a mãe e que te protejo, e a vovó que tem muito para ensinar.

Lili se cala por um instante, e Duda aproveita para perguntar:

— E onde fica o Papai do Céu?

— Bem, — diz Lili com muito cuidado — nós acreditamos na Mamãe do Céu que chamamos de Deusa. O Deus que acreditamos não fica no céu.

— Se não fica no céu, onde fica?

— Fica nas florestas, nos rios, nos mares, nas montanhas e em outros lugares. Ele é quem cuida para que a Natureza cuide de nós.

— E eu posso ver?

— Pode, mas de uma maneira diferente. Você já viu como o tempo também muda? Tem época que está quente, e nós vamos para o sítio nadar na cachoeira. Depois as folhas das árvores começam a ficar amarelas e o tempo começa a esfriar. Então, quando as folhas caem de vez das árvores, o tempo está bem frio. Quando passa o frio, as flores se abrem novamente. E é assim que você pode ver o Deus, através da Natureza.

Duda ficou pensativa por um tempo.

— E os bichinhos? Como eles ficam quando o tempo muda?

— O Deus toma conta para que nada aconteça com eles — responde Lili.

O silêncio toma conta novamente entre as duas. Então, pegando Lili de surpresa, Duda pergunta:

— Mamãe, as bruxas fazem mágicas? Igual o mágico do circo?

— Fazemos Magia, mas não como o mágico do circo — responde Lili sorrindo.

— E como é?

— Quando desejamos algo, que vai ser bom para nós ou para alguém que amamos, nós pensamos no que queremos como uma imagem. É como se você pegasse a televisão e ligasse dentro da sua cabeça onde você assiste, mesmo de olhos fechados. Para isso acontecer mais fácil, usamos incensos, aqueles ‘pauzinhos’ que acendo de vez em quando e que solta um cheirinho gostoso, lembra?

— Lembro sim.

— Esse cheirinho gostoso ajuda a criar a imagem dentro de nossa cabeça. E quando a criamos, vendo que já conseguimos o que queremos, estamos trabalhando a magia. Deu para entender?

— Deu sim — responde Duda, fechando os olhos.

— O que foi? — Lili pergunta curiosa.

— Estou fazendo magia para conseguir a boneca que quero — responde Duda bem séria.

Lili sorri em silêncio e aguarda. Depois de algum tempo Duda abre os olhos e olha à sua volta.

— Acho que fiz errado. A boneca não apareceu — diz Duda com uma voz desapontada.

— Eu te disse que a magia que fazemos é diferente da mágica do circo. Você fez a sua magia para conseguir o que deseja. Agora tem que esperar para ela fazer o efeito que você quer.

— Como? — Duda pergunta.

— Agora que fez a magia, você tem que fazer com que ela funcione. É como se fosse uma troca em que você dá algo para receber algo. Por exemplo, se eu faço uma magia para conseguir um carro novo eu tenho que trabalhar para dar chance à magia para me ajudar. O que você pode fazer para ganhar o que pediu?

— Hum! Não sei. Ser boazinha? — Duda diz, o sono se fazendo presente.

— Isso não vale porque você já é boazinha — responde Lili sorrindo.

— Vou pensar e depois te falo — diz Duda dando um bocejo e com os olhos começando a se fechar.

Lili então fecha os olhos e mentalmente desfaz o círculo criado agradecendo aos Deuses. Pega Duda no colo, olha mais uma vez a lua no céu e entra em casa para colocar Duda na cama.

 

Como não consegui uma editora para sua publicação, acabei por mandar fazer alguns exemplares em uma gráfica. Assim estou fazendo essa promoção aqui, colocando o livro impresso à venda pelo valor de R$ 20,00 (vinte reais), podendo ser enviado para qualquer parte do Brasil, via correio. O valor da despesa de envio fica em R$ 10,00 (dez reais) para um ou dois exemplares e R$ 15,00 (quinze reais) para três ou quatro. Uma maior quantidade tem que ser avaliado junto aos correios. O prazo de entrega é de 12 dias em média, segundo informações dos correios. Os pedidos podem ser enviados para os e-mails: mcsette@gmail.com ou mcsette@yahoo.com.br  com o e-mail intitulado A BRUXINHA DUDA e, caso prefira entrar em contato direto pelo celular (Zap) (91) 98010-8188. O pagamento será feito através de crédito em conta, que será informada quando do pedido.