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Um Manifesto Pagão…

Farrar/Bone © 1998

(Postado na íntegra)

Existe, na sociedade actual, um grupo de pessoas que se autodenominam Pagãos, os quais, sabendo que existem muitos mal entendidos quanto a suas crenças e práticas, desejam que este documento seja disponibilizado ao público, para que se promova um melhor entendimento das bases da crença Pagã.

1 .. O termo “Pagãos” deriva do vocábulo latino “Pagus”, que significa “Campo”, e portanto literalmente significa “moradores do campo” (Pagão é um termo geral utilizado para descrever diversas manifestações modernas de práticas religiosas antigas e pré-cristãs).

Daí que o Paganismo é uma religião baseada na Natureza, que respeita e busca compreender as necessidades do planeta e sua ecologia como um todo. Foi transmitida desde tempos remotos.

2.. Os Pagãos têm consciência dos Ciclos da Natureza e observam a mudança da Terra, marcando os ciclos, com Festivais celebrados através do ano.

3.. Os Pagãos vêm a magia na Natureza, manifesta na forma de Equilíbrio e Harmonia, o que tentam introduzir diariamente em suas vidas através do culto a aspectos equilibrados da Divindade, ou seja, a Deusa e o Deus em uníssono.

4.. Os Pagãos, em sua busca por desenvolvimento moral e espiritual, interessam-se pelo estudo de religiões comparadas e alternativas, para promover a tolerância às crenças dos demais. Não existe “o Caminho Único”, muitos Caminhos levam ao mesmo – e os Pagãos respeitam as crenças dos outros desde que “não prejudiquem ninguém”.

5.. Os Pagãos defendem e respeitam os direitos individuais, e esperam que os demais retribuam a mesma consideração. Eles não são gurus, nem buscam converter os outros à sua fé, mas a explicam quando questionados.

6.. Os verdadeiros Pagãos consideram sagradas todas as formas de vida, e vêem os humanos como os guardiões do Planeta, responsáveis pelo seu bem-estar. Eles não causam mal a nenhuma criatura viva, nem incentivam os outros a fazê-lo.

7.. Os Pagãos levam em conta as consequências de todos os seus actos, na crença de que eles podem efectivar mudanças no campo material que se manifestam no nível espiritual e vice-versa. Muitos Pagãos crêem no Efeito-Tríplice, pelo qual tudo o que fazemos, de bom ou de ruim, receberemos triplicado – para bem ou para mal.

8.. As crianças dos Pagãos são incentivadas a respeitar a Natureza e a ver a vida como sagrada e aprendem a respeitar as pessoas, as crenças e propriedades dos outros, e a ser bons cidadãos.

9.. Os Pagãos vêem “Satã”, no sentido geralmente usado, como um paradoxo cristão. O Demónio como Anti-cristo é um conceito totalmente cristão.

Os Pagãos nem mesmo crêem nessa existência do mal, portanto certamente não cultuam Satã.

10.. A regra e dogma comum de todos os verdadeiros grupos Pagãos é:

“Não Cause Mal A Nada, Nem A Ninguém”.

Estes dez pontos são cruciais para as crenças de todos os Pagãos.

Segundo os pontos acima, os verdadeiros pagãos opõem-se ao abuso de qualquer indivíduo – sejam crianças ou adultos – e opõem-se mais ainda ao abuso da Natureza, incluindo-se os animais, a Humanidade e o próprio Planeta.

Por abuso entende-se abuso físico, violência e crueldade mental, manipulação psicológica e abuso de poder, abuso sexual, qualquer abuso através de terceiros visando a lucro comercial, abuso financeiro através de qualquer actividade desonesta ou ilegal, intolerância religiosa ou política.

Os verdadeiros Pagãos não prejudicam ninguém – nem deveriam os verdadeiros cristãos, judeus, muçulmanos, hindus e seguidores de qualquer religião baseada fundamentalmente nos bons valores humanos.

Artigo 18 das Nações Unidas.

A Declaração dos Direitos Humanos afirma:

Todos têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Este direito inclui a liberdade para mudar de religião ou crença e também a liberdade para, solitariamente ou em grupo, em particular ou em público, manifestar sua religiosidade ou crença através de ensinamentos, prática, culto e observação.