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Cabala Mística – Dion Fortune – Parte 03 de 03

  • Tiphareth, a Sexta Sephirah
  • As Quatro Sephiroth Inferiores
  • Netzach
  • Hod
  • Yesod
  • Malkuth
  • As Qliphoth
  • Conclusão

 TIPHARETH, A SEXTA SEPHIRAH

  • Título: Tiphareth, Beleza. (Em hebraico, n-iNDn: Tau, Pé, Aleph, Resh, Tau.)
  • Imagem: Um rei majestoso. Uma criança. Um deus sacrificado.
  • Localização na Árvore: No centro do Pilar do Equiliíbrio.
  • Texto Yetzirático: O Sexto Caminho chama-se Inteligência Mediadora, pois nele se multiplicam os influxos das emanações, fluindo essas influências para todos os reservatórios das bênçãos com que se unem.
  • Títulos conferidos a Tiphareth: Zoar Anpin, o Rosto Menor. Melekh, o Rei. Adão. O Filho. O Homem.
  • Nome Divino: Tetragrammaton Aloah Va Daath.
  • Arcanjo: Rafael.
  • Coro Angélico: Malachim, mensageiros.
  • Chakra Cósmico: Shemesh, o Sol.
  • Experiência Espiritual: Visão da harmonia das coisas. Mistérios da crucificação.
  • Virtude: Devoção à Grande Obra.
  • Vício: Orgulho.
  • Correspondência no Microcosmo: O peito.
  • Simbolos: O lámen. A Rosa-cruz. A cruz do Calvário. A pirámide truncada. O cubo.
  • Cartas do Tarô: Os quatro seis: Seis de Paus: vitória; Seis de Copas: alegria; Seis de Espadas: sucesso merecido; Seis de Ouros: sucesso material.
  • Cor em Atziluth : Rosa-claro.
  • Cor em Briah : Amarelo.
  • Cor em Yetzirah: Rosa-salmão intenso.
  • Cor em Assiah : Ambar-dourado.

I

  • Há três importantes chaves para a natureza de Tiphareth. Em primeiro lugar, ela é o centro de equilíbrio de toda a Árvore, estando no meio do Pilar Central; em segundo lugar, é Kether num arco inferior a Yesod num arco superior; em terceiro lugar, é o ponto de transmutação entre os planos da força a os planos da forma. Os títulos que lhe são conferidos na nomenclatura cabalística confirmam esses três aspectos. Do ponto de vista de Kether, ela é uma criança; do ponto de vista de Malkuth, é um rei; e, do ponto de vista da transmutação de força, é um deus sacrificado.
  • Macrocosmicamente, ou seja, do ponto de vista de Kether, Tiphareth é o equiliôrio de Chesed a Geburah; microcosmicamente, ou seja, do ponto de vista da psicologia transcendental, é o ponto em que os tipos de consciência característicos de Kether e Yesod são concentrados num foco. Hod a Netzach encontram igualmente sua síntese em Tiphareth.
  • As seis Sephiroth, de que Tiphareth é o centro, são às vezes chamadas de Adão Cadmo, o homem arquetípico; de fato, Tiphareth não pode ser corretamente compreendida senão como o ponto central dessas seis esferas, que ela govema como um rei em seu domínio. São essas seis que, para todos os propósitos práticos, constituem o reino arquetípico que repousa atrás do reino da forma em Malkuth a domina a determina completamente a passividade da matéria.
  • Quando temos de considerar uma Sephirah em relação às suas vizinhas, a fim de tentar interpretá-la à luz de sua localização na Árvore, não é possível proceder a uma exposição inteiramente metódica a ordenada do sistema cabalístico, pois que, se desejamos nos fazer compreendidos, devemos neeessariamente começar por explicações parciais. Devemos, por conseguinte, adiantar algumas explicaçóes sobre as trés Sephiroth inferiores agrupadas em tomo de Tiphareth: Netzach, Hod a Yesod.
  • Netzach relaciona-se com as forças da natureza a com os contatos elementais; Hod, com a magia cerimonial a com o conhecimento oculto; e Yesod, com o psiquismo e o duplo etéreo. Tiphareth, assistida por Geburah e Gedulah, representa a vidência, ou o psiquismo superior da individualidade. Cada Sephirah, naturalmente, tem seus aspectos subjetivos a objetivos – seus fatores na psicologia a seu plano no universe.
  • As quatro Sephiroth sob Tiphareth representam a personalidade ou o eu inferior; as quatro Sephiroth acima de Tiphareth são a individualidade, ou o eu superior, a Kether é a centelha divina, ou núcleo de manifestação.
  • Tiphareth, por conseguinte, jamais deve ser encarada como um fator isolado, a sim como um vínculo, um ponto focal, um centro de transição ou transmutação. O Pilar Central relaciona-se sempre com a consciência. Os dois Pilares laterais, com os diferentes modos de operação da força nos diferentes níveis.
  • Em Tiphareth, encontramos os ideals arquetípicos concentrados num foco a transmutados em ideias arquetípicas. Ela é, na verdade, o Lugar da Encarnaçao. Por essa razão, chama-se A Criança. E porque a encamação do ideal de Deus também implica a desencarnaçáo sacrifical, atribuem-se a Tiphareth os Mistérios da crucificação, a todos os deuses sacrificados são colocados nessa Esfera quando se sobrepõem os panteões à Árvore. Deus Pai é atribuído a Kether; mas Deus Filho, pelas razões dadas acima, é atribuído a Tiphareth.
  • A religião exotérica jamais ultrapassa Tiphareth na Árvore. Ela nada compreende dos mistérios da criação representados pelo simbolismo de Kether, Chokmah a Binah, ou dos modos de operação dos Anjos das Trevas e dos da Luz representados no simbolismo de Geburah a Gedulah; nem dos mietérios da consciência a da transmutação de força representados na Sephirah invisível, Daath, que não tem nenhum simbolismo.
  • Em Tiphareth, Deus se manifesta na forma a habita entre nós; isto é, penetra no ámbito da consciência humana. Tiphareth, o Filho, “mostranos” Kether, o Pai.
  • Para que a forma possa estabilizar-se, as forças que a compôem devem estar equilibradas. Por conseguinte, a ideia do Mediador, ou Redentor, é inerente a essa Sephirah. Quando a divindade, seu próprio eu, se manifesta na forma, essa forma precisa estar perfeitamente equilibrada. Poder-seia corretamente inverter a proposição a dizer que, quando as forças que edificam uma forma estão perfeitamente equilibradas, a divindade, seu próprio eu, se manifesta nessa forma de acordo com seu tipo. Deus manifesta-se entre nós quando as condições permitem a manifestaçâo.
  • Vindo à manifestação, nos planos da forma, no aspecto de Criança de Tiphareth, o deus encarnado chega à maturidade a torna-se o Redentor. Em outras palavras, tendo obtido a encamação por meio da matéria num estado virginal, isto é, Maria, Marah, o Mar, a Grande Mãe, Binah, a Suprema, distinta da Mãe Inferior, Malkuth, a manifestação de Deus em desenvolvímento procura para sempre reter o Reino de suas Sephiroth centrais num estado de equilíõrio.
  • Quando se representa na Árvore o hieróglifo da Queda, é interessante notar que as cabeças da Grande Serpente que provém do Caos chegam até Daath a não a ultrapassam.
  • O Redentor, portanto, manifesta-se em Tiphareth, a faz um esfor. ço incessante para redimir o seu Reino, reunindo-o às Esferas Supremas através do abismo aberto pela Queda, que separou as Sephiroth inferiores das superiores, a procurando equilibrar as diversas forças do reino sêxtuplo.
  • Para esse fim, sacrificam-se os deuses encarnados, morrendo pelo povo, a fim de que a tremenda força emocional libertada por esse ato possa compensar a força desequilibrada do Reino e, assim, redin-ii-to ou equilibrálo.
  • Essa Esfera da Árvore recebe o nome de Centro Cristológico, e é aqui que a religião cristã tem seu ponto focal. As fés panteístas, tais como a grega e a egípcia, centralizam-se em Yesod; a as fés metafísicas, tais como a budista e a confucionista, visam a Kether. Mas, assim como todas as religiões dignas do nome têm um aspecto esotérico ou místico, a um aspecto exotérico ou panteísta, o Cristianismo, embora seja essencialmente uma fé tipharéthica, tem seu aspecto místico centralizado em Kether, a seu aspecto mágico, como se vê no Catolicismo popular, centralizado em Yesod. Seu aspecto evangélico visa à concentração em Tiphareth como Criança e Deus Sacrificado, a ignora o aspecto do Rei no centro de seu Reino, rodeado pelas cinco Sephiroth sagradas da manifestação.
  • Consideremos, agora, a Árvore do ponto de vista macrocósmico, observando os diferentes arquétipos da força manifestante que entra em ação a edifica o universo, analisando-as apenas remotamente, do ponto de vista microcósmico, em seu aspecto psicológico, como fatores da consciência. Mas, com Tiphareth, nosso modo de aproximação se modifica, pois doravante as forças arquetípicas estão encerradas em formas, a só podemos nos aproximar delas do ponto de vista de seu efeito sobre a consciência; em outras palavras, nosso modo de aproximação deve se fazer por meio da experiência direta dos sentidos, embora esses sentidos não pertençam apenas ao plano físico, mas funcionam tanto em Tiphareth como em Yesod, cada um de acordo com o tipo que lhe corresponde. Enquanto estávamos nos níveis superiores, tivemos de contar com a analogia metafísica a raciocinar por dedução a partir dos primeiros princípios; estamos agora no campo legítimo da ciência indutiva, a devemos nos submeter à sua disciplina e expressar nossas descobertas em seus termos; mas, ao mesmo tempo, devemos manter nosso vínculo com o transcendental através de Tiphareth; podemos fazê-to expressando o simbolismo de Tiphareth nos termos da experiência mística. Todas as experiências místicas do tipo em que a visão termina numa luz cegante são atribuídas a Tiphareth, pois a dissolução da forma no influxo opressivo da força caracteriza o modo transitório da consciência dessa Esfera na Árvore. As visões que mantêm claramente a forma definida são características de Yesod. As iluminações que não têm forma, como as descritas por Plotino, dizem respeito a Kether.
  • Em Tiphareth, reúnem-se a recebem iüterpretação as operações da magia natural de Netzach e a magia hermética de Hod. Ambas essas operações realizam-se em termos de forma, embora a forma predomine na operaçáo de Hod num grau maior do que nas de Netzach. Todas as visões astrais de Yesod devem ser traduzidas em termos de metafísica através das experiências místicas de Tiphareth. Se essa tradução não é feita, caímos nas alucinações, pois acreditamos que os reflexos projetados no espelho da mente subconsciénte a traduzidas aqui em termos de consciência cerebral são as coisas reais – de que elas são, na verdade, apenas as representações simbólicas.
  • Kether é metafísica; Yesod é psíquica; a Tiphareth é essencialmente mística, compreendendo-se o termo “místico” como um modo de operação mental em que a consciência cessa de trabalhar nas representaçôes subconscientes simbólicas, ganhando conhecimento por meio de reações emocionais.
  • Os diferentes títulos adicionais e o simbolismo atribuído às várias Sephiroth, a especialmente os nomes divinos, dão-nos uma chave importantíssima para a compreensão dos mistérios da Bíblia, que é essencialmente um livro cabalístico. De acordo com a maneira pela qual a Divindade é referida, sabemos a que Esfera da Árvore o modo particular de manifestação deve ser referido. As referências ao Filho concernem sempre a Tiphareth; as referências ao Pai referem-se a Kether; as referências ao Espírito Santo referem-se a Yesod; a os mistérios mais profundos são secretos, pois o Espírito Santo é o aspecto da Divindade que é adorado nas lojas ocultas; a adoração das forças naturais panteístas a as operações elementais ocorrem sob o governo de Deus Pai; e o aspecto ético a regenerativo da religião, que é o aspecto exotérico destinado à sua época, está sob o governo de Deus Filho em Tiphareth.
  • O iniciado, contudo, transcende sua época, a visa à união dos três modos de adoração em seu culto à Divindade enquanto trindade na unidade; o Filho redime o culto panteísta da natureza da degradação a torna o Pai transcendental compreensível à consciência humana, pois “aquele que Me viu viu o Pai”.
  • Tiphareth, contudo, não é apenas o centro do Deus Sacrificado, mas também o centro do Deus Inebriador, o Dador de Iluminação. Dionísio refere-se a esse centro, assim como Osíris, pois, como já vimos, o Pilar Central diz respeito aos modos de consciência; e a consciência humana, elevando-se de Yesod pelo Caminho da Flecha, recebe a iluminaçáo em Tiphareth; por conseguinte, todos os dadores de iluminação nos Panteões são atribuídos a Tiphareth.
  • A iluminação consiste na introdução da mente num modo de consciência mais elevado do que aquele que é edificado a partir da experiência sensorial. Na iluminação, a mente muda de marcha, por assim dizer. Mas, a não ser que o novo modo de consciência seja vinculado ao anterior a traduzido em termos de pensamento finito, esse modo manifesta-se como um raio de luz que cega por seu brilho. Não vemos por meio do raio de luz que brilha sobre nós, mas por meio do reflexo desse raio, que se projeta sobre os objetos de nossa própria dimensão. A não ser que nossas mentes possuam ideias que possam ser iluminadas por esse modo superior de consciência, elas serão simplesmente esmagadas e, após essa experiência cegante com um modo superior de consciência, a escuridão será muito mais intensa para os nossos olhos, do que o era antes. Na verdade, não mudamos exatamente de marcha, mas deixamos o mecanismo de nossa mente como que desembreado. Esse é, de modo geral, o significado da iluminação. Por mais breve que seja o relâmpago, ele é suficiente para convencer-nos da realidade da existência suprafísica, mas não para ensinar-nos algo a respeito de sua natureza.
  • A importância do estágio de Tiphareth na experiência mística reside no fato de que a encamação da Criança ocorre aqui; em outras palavras, a experiência mística engendra gradualmente um corpo de imagens que se ilnminam a se tomam visíveis quando ocorrem as iluminaçôes.
  • O aspecto de Criança de Tiphareth é também um aspecto muito importante para nós no trabalho prático dos Mistérios relativos à iluminação. Pois devemos aceitar o fato de que a Criança-Cristo não nasceu, como Minerva, da cabeça de Deus Pai, mas começa com uma pequena coisa, deitada humildemente entre os animais a sem mesmo ser admitida na hospedaria com os humanos. Os primeiros raios da experiência mística devem ser obrigatoriamente muito limitados, pois não tivemos tempo para construir, graças à experiência, um corpo de imagens a de ideias que possam representá-las. Precisamos de muito tempo para reunir essas imagens a ideias às experiências transcendentais, acrescentando sua quota e a subseqüente meditação racional que as organiza.
  • Os místicos cometem com freqüência o erro de pensar que estão seguindo a Estrela até o lugar do Sermão da Montanha a não à manjedoura de Belém, onde ocorreu o nascimento. E aqui que o método da Árvore revela toda a sua utilidade, permitindo ao transcendental expressar-se em termos de simbolismo, a que o simbolismo se expresse em termos de metafísica, unindo assim o psiquismo com o espiritual por meio do intelecto, e iluminando os três aspectos de nossa consciência temária.
  • É em Tiphareth que essa tradução se faz, pois é nessa Esfera que se reúnem as experiências místicas da consciência direta que iluminam os símbolos psíquicos.

II

  • O Pilar Central da Árvore é essencialmente o Pilar da Consciência, assim como os dois Pilares laterais são os Pilares dos poderes ativos a passivos. Quando considerada microcosmicamente, ou seja, do ponto de vista da psicologia a não da cosmologia, Kether, a Centelha Divina em torno da qual se organiza o ser individualizado, deve ser encarada antes como o núcleo da consciência do que como a própria consciência. Daath, a Sephirah invisível, é também o Pilar Central, embora, falando estritamente, ela pertença sempre a um plano diferente daquele em que a Árvore está sendo considerada. Por exemplo, como no momento estamos considerando a Árvore microcosmicamente, Daath seria o ponto de contato com o macrocosmo. É só com Tiphareth que alcançamos a consciência claramente defuvda a individualizada.
  • Tiphareth é o ápice funcional da Segunda Tríade da Árvore, cujos dois ângulos básicos consistem em Geburah a Gedulah (Chesed). Essa Segunda Tríade, emanando da Primeira Tríade das Três Supremas, forma a individualidade evolutiva, a alma espiritual. É ela que perdura a se repete através da evolução, é dela que emanam as sucessivas personalidades, as unidades da encamação, e é nela que a essência ativa da experiência se reabsorve ao final de cada encarnação, quando a unidade encarnada volta ao pé a ao éter.
  • É essa Segunda Tríade que forma a Sobrealma, o Eu Superior, o Santo Anjo da Guarda, o Primeiro Iniciador. É essa voz desse eu superior que com freqüência se ouve, a não a voz de entidades desencamadas, ou do próprio Deus, como pensam aqueles que foram treinados na tradição.
  • Ofuscada a dirigida pela Segunda Tríade, a Terceira Tríade organiza-se através da experiência da encarnação, com Malkuth como seu veículo físico. A consciência cerebral pertence a Malkuth, e é a única de que dispomos enquanto estamos aprisionados em Malkuth. Mas as portas de Malkuth náo estáo rigorosamente fechadas nos dias de hoje, a são muitos aqueles que podem enxergar através dos estalidos da fantasmagoria do plano astral, experimentando a consciência psíquica de Yesod. Quando essa Esfera é alcançada, o Caminho se abre para o psiquismo superior – a verdadeira vidência, que é característica da consciência de Tiphareth.
  • Nossa primeira experiência do psiquismo superior, portanto, expressa-se normalmente, no início, em termos do psiquismo inferior, pois, ao nos livrarmos de Malkuth, contemplamos o Sol de Tiphareth da Esfera lunar de Yesod. Por conseguinte, ouvimos vozes com o ouvido interior a vemos visões com o olho interior, mas elas diferem da consciência psíquica comum porque não são as representações diretas das formas astrais, mas apresentaçôes simbólicas das coisas espirituais em termos de consciência astral. Essa é uma função normal da mente subconsciente, e é muito importante que seja plenamente compreendida, pois a má interpretação desse ponto dá origem a seriíssimos problemas, podendo até mesmo conduzir ao desequilíbrio mental.
  • Aqueles que estão familiarizados com a terminologia cabalística sabem que a primeira das iniciaçóes maiores consiste no poder de desfrutar do conhecimento a da conversação de nosso Anjo da Guarda Sagrado; este, lembremos, é, na verdade, nosso próprio eu superior. A característica desse modo superior de operação mental não consiste em vozes nem visões, mas é consciência pura; é uma intensificação da consciência, a dessa atividade da mente provém um poder peculiar de compreensão a penetração que partilha da natureza da intuição superdesenvolvida. A consciência superior nunca é psíquica, mas intuitiva, a não contém nenhuma imagética sensorial. É essa ausência de imagética sensorial que informa o iniciado experiente de que ele está no nível da consciência superior.
  • Os antigos sabiam disso, a estabeleciam uma diferença entre os métodos mântricos que provocam os contatos ctónicos e a divina inebriação dos Mistérios. As Mênades que dançavam no cortejo de Dionísio pertenciam a uma ordem de iniciação totalmente diferente da ordem das pitonisas; as pitonisas eram sensitivas a médiuns, mas as Mênades, as iniciadas dos Mistérios Dionisíacos, experimentavam uma exaltação da consciência a uma aceleração da vida que lhes permitiam realizar surpreendentes proezas de força.
  • Todas as religiões dinâmicas têm seu aspecto dionisíaco; muitos santos da religiâo cristã relataram que o Cristo Crucificado de sua devoção lhes veio na forma do Esposo Divino; e, quando falam dessa inebriação divina de que participaram, sua linguagem utiliza as metáforas do amor humano como sua expressão apropriada – “Como és adorável, minha irmã, minha esposa”; “Aturdido pelos beijos dos lábios de Deus (. . .)”. Essas coisas dizem muito para aqueles que sabem compreendê-las.
  • O aspecto dionisíaco da religião representa um fator essencial na psicologia humana, e é a má compreensáo desse fato que, por um lado, impede a manifestação das experiências espirituais superiores em nossa moderna civilizaçáo e, por outro, permite as estranhas aberrações do sentimento religioso que, de tempos em tempos, dá origem ao escândalo e à tragédia nas posiçáes mais elevadas de movimentos religiosos bastante dinâmicos.
  • Há uma certa concentração a exaltação emocional que possibilita as fases superiores de consciência, a sem a qual é impossível atingi-las. As imagens do plano astral se transformam numa emoção com a intensidade do fogo ardente e, quando toda a escória da natureza se transforma em chamas, a fumaça se clareia, a somos deixados com o fogo branco da consciência pura. Pela própria natureza da mente humana, que tem o cérebro como seu instrumento, esse fogo branco não pode durar por muito tempo; mas, no breve espaço de sua duração, o temperamento sofre mudanças, e a própria mente recebe novos conceitos a experimenta uma expansão que nunca se retrai por completo. A tremenda exaltação da experiência desaparece, mas somos deixados com uma permanente expansão da personalidade, uma capacidade intensificada para a vida em geral a um poder de compreensão das realidades espirituais que nunca seriam nossas se não nos balançássemos forçosamente por sobre o grande abismo da consciência no momento do êxtase.
  • Os líderes espirituais de hoje não têm qualquer conhecimento da técnica da produção deliberada do êxtase a nenhuma ideia de como dirigilo quando ocorre espontaneamente. Os revivalistas conseguiram produzir uma forma híõrida de êxtase entre as pessoas de pouca instrução, utilizando o magnetismo pessoal, e o valor de um revivalista é medido por seu poder de inebriar os ouvintes. Mas as conseqüências dessa inebriação equivalem às de qualquer outra inebriação, e a vida parece extremamente velha, tediosa e inútil quando o revivalista se volta para outros campos de atividade. Quando a inebriação tem fim, o converso pensa que perdeu Deus; ninguém parece compreender que o êxtase é um relâmpago de magnésio na consciência e que, se fosse prolongado, queimaria o cérebro e o sistema nervoso. Mas, embora ele não possa ser prolongado, a não se pense em prolongá-lo, graças a ele atravessamos o centro morto da consciência a despertamos para uma vida superior.
  • A técnica da Árvore oferece uma definição precisa para essas experiências espirituais, a aqueles que são treinados nessa técnica não tomam o despertar de sua própria consciência superior como a voz de Deuz. Da consciência sensorial de Malkuth, por meio do psiquismo astral de Yesod, às intuições informes e à consciência ativada de Tiphareth, eles sobem e descem suave a habilmente, nunca confundindo os planos ou sofrendo a sua mistura, mas concentrando-os numa consciência centralizada.

III

  • Os cabalistas chamam Tiphareth de Shemesh, ou Esfera do Sol, e é interessante notar que todas as divindades solares são deuses curadores, e que todos os deuses curadores são deuses solares – fato em que devemos meditar.
  • O Sol é o ponto central de nossa existência. Sem o Sol não haveria o sistema solar. A luz do Sol exerce um papel importantíssimo no metabolismo, ou processo vital, das criaturas vivas, a toda a nutrição das plantas verdes depende dele. Sua influência está intimamente ligada à das vitaminas, o que é comprovado pelo fato de certas vitaminas poderem ser utilizadas para suplementar a sua ação. Vemos, por conseguinte, que a luz solar é um fator muito importante em nosso bem-estar; poderíamos it mais longe e dizer que ele é essencial à nossa existência a que nossa associação com o Sol é muito mais íntima do que compreendemos.
  • O símbolo do Sol no reino mineral é o ouro, puro a precioso, que todas as nações concordaram em chamar de metal solar a reconhecer como metal precioso a unidade básica de troca. O papel exercido pelo ouro na política das nações excede bastante a sua utilidade intrínseca como mental. O ouro é, ademais, a única substância na Terra que é incorruptível a imaculável. Ele pode embaçar devido à acumulação de impurezas em sua superfície, mas o metal em si, ao contrário da prata a do ferro, não sofre alteração ou decomposição química. Nem a água consegue corroê-lo.
  • O Sol é para nós o Dador de Vida e a fonte de todo ser; é o único símbolo adequado de Deus Pai, que pode apropriadamente ser chamado de Sol atrás do Sol, sendo Tiphareth, na verdade, o reflexo imediato de Kether. É por meio da mediação do sol que a vida se originou na Terra, e é por meio da consciência tipharética que entramos em contato com as fontes da vitalidade a as assimilamos, tanto consciente quanto inconscientemente.
  • O Sol é, acima de todas as coisas, o símbolo da energia manifestante; são as efusões súbitas a excepcionais da energia espiritual a solar que causam a inebriação divina do êxtase; é o ouro, como base monetária, o representante objetivo da força da vida exteriorizada; pois, na verdade, o dinheiro é vida a vida é dinheiro, pois sem dinheiro não podemos viver plenamente a vida. A força vital, que se manifesta no plano físico como energia e no plano mental como inteligência a conhecimento, pode ser transmutada, pela alquimia apropriada, em dinheiro, que é a prova da capacidade ou energia de alguém. O dinheiro é o símbolo da energia humana, por meio da qual podemos acumular, hora após hora, o produto de nosso trabalho, recebendo-o como salário no final do mês, a gastando-o em coisas necessárias ou guardando-o para a utilização futura que considerarmos conveniente. O ouro que garante as cédulas monetárias é um símbolo da energia humana, a só pode ser obtido por um gasto dessa energia; embora ela possa ser a energia de um pai ou de um marido, transmitida por herança, não obstante é o símbolo da atividade de algum ser humano em alguma esfera, mesmo se esta for apenas a da sociedade de ladrões.
  • Os movimentos secretos a subterrâneos do ouro atuam na política das nações como os hormônios no corpo humano; a há leis cósmicas que lhe governam os movimentos cíclicos a fortuitos, sobre as quais os economistas não fazem a menor ideia.
  • Kether, o Espaço, a fonte de toda existência, reflete-se em Tiphareth, que age como um transformador a distribuidor da energia espiritual primordial. Recebemos essa energia diretamente por meio da luz solar, e indiretamente por meio da clorofila nas plantas verdes, que lhes possibilita utilizar a luz solar, a que ingerimos em primeira mão nos alimentos vegetais e em segundo lugar, nos tecidos dos animais hérbívoros.
  • Mas o deus solar é mais do que a fonte da vida. Ele é também o curador que age quando a vida vai mal. Pois é a própria vida, seus excessos, falta, ou maldirecionamento, que constitui a atividade nos processos da enfermidade; a enfermidade não tem energia, a não ser a que rouba à vida do organismo. É, por conseguinte, pelos ajustamentos na força vital que a cura pode ser realizada, a os deuses solares são os deuses naturais que devem ser evocados a esse respeito, pois a vida e o Sol estão intimamente associados.
  • É por meio do conhecimento da manipulação da influência solar que os antigos sacerdotes-iniciados realizavam suas curas, e a adoração do Sol está na raiz do culto de Esculápio na Grécia antiga.
  • Nós, os modernos, aprendemos o valor da luz solar e das vitaminas em nossa economia fisiológica, mas não compreendemos o papel importantíssimo desempenhado pelo aspecto espiritual das influências solares em nossa economia psíquica, utilizando essa palavra em seu sentido dicionarizado. Há um fator tipliarético na alma humana que, de acordo com a tradição antiga, tem sua correspondência física no plexo solar, não na cabeça ou no coração, que é capaz de recolher o aspecto sutil da energia solar da mesma maneira pela qual a clorofila na folha de uma planta recolhe seu aspecto mais tangível. Se nos privamos dessa energia a somos impedidos de assimilá-la, adoecemos a enfraquecemos, tanto na mente como no corpo, como as plantas que crescem num porão, privadas de sua luz.
  • Essa separação do aspecto espiritual da natureza deve-se às atitudes mentais. Quando recusamos reconhecer nosso papel na natureza, e o papel da natureza em nós, inibimos esse fluxo livre de magnetismo vitalizante que circula entre a parte e o todo; a na falta de certos elementos essenciais à função espiritual, a saúde psíquica é impossível.
  • Os psicanalistas atribuem grande importância à repressão como uma causa da enfermidade psíquica; eles aprenderam a reconhecer a repressão porque, em sua forma extrema, de repressão sexual, seus efeitos nocivos são evidentes. Eles não compreenderam, contudo, que a repressão sexual, a não ser quando causada pelas circunstâncias, caso em que não dá origem a dissociações, é apenas o resultado de uma causa que reside muito além do sexo, a tem suas raízes numa falsa espiritualidade, um refinamento a um idealismo espúrio, que conduziu à supressão da simpatia, da franqueza a da gratidão numa criatura viva em face do Dador de Vida, o aspecto superior da natureza. Isso tem como causa a sua vaidade espiritual, que considerava indignos os aspectos mais primitivos da natureza.
  • É por causa de nossos ideais espúrios, com seus falsos valores, que temos tantas enfermidades neuróticas em nosso meio. É por não honrarmos a Priapo e a Cloacina como divindades que fomos amaldiçoados pelo deus do Sol a separados de Sua influência benéfica, pois um insulto aos Seus aspectos inferiores é um insulto á Ele.
  • Quando uma criatura não está num estágio adequado para a reprodução, o chamado do sexo lhe é repugnante; essa é a base natural do pudor, que protege o organismo do desgaste a da exaustão. Como uma acumulação dos excrementos decompostos dá origem à enfermidade, o odor de seus excrementos é repulsivo às criaturas vivas, mesmo àquelas de desenvolvimento mais inferior, de modo que elas evitam a sua proxinúdade. Por causa dessas duas repulsas, tão racionais a úteis sob condições naturais, os diversos modos dos tabus irracionais se desenvolveram sob nossas condições artificiais de vida civilizada.
  • Nossa atitude em face dessas duas importantes seçôes da vida natural implica que elas são desnaturais, degradadas, venenosas. Conseqüentemente, privamo-nos dos contatos terrestres; então, o circuito se quebra e os contatos celestes nos faltam. A corrente cósmica provém de Kether, passa por Tiphareth a Yesod, a chega a Malkuth; se o circuito se quebra em qualquer parte, ele não pode funcionar. Certo, é impossível quebrar totalmente o circuito durante a vida, pois os processos vitais estão tão profundamente enraizados na natureza, que não podemos suprimi-los por completo; mas uma atitude mental pode causar um entupimento do cano, por assim dizer, a pode tanto isolá-la a inibi-la a ponto de permitir que apenas um magro fluxo seja aspirado pelo organismo desesperado.
  • Em Tiphareth, o Sol Central a espiritual se manifesta no natural, a deveríamos reverenciar o deus do Sol como representante da naturalização dos processos espirituais; a espiritualização dos processos naturais teria muito a responder na história do sofrimento humano.

IV

  • Os símbolos atribuídos à Sexta Sephirah tomam-se tema de um estudo muito iluminador quando os examinamos à luz do que agora sabemos sobre o significado de Tiphareth, pois temos aqui um exemplo muito claro da maneira pela qual os símbolos atribuídos a uma dada Sephirah se entrelaçam numa interminável cadeia de associações concatenadas.
  • O significado da palavra hebraica Tiphareth é beleza; a das muitas definiçôes de beleza que foram propostas, a mais satisfatória é a que faz a beleza constituir uma relação de proporçôes harmoniosas, qualquer que seja a coisa bela, moral ou material. Por conseguinte, é interessante descobrir a Sephirah da Beleza como o ponto central de equilrõrio de toda a Ãrvore, constatando que uma das duas experiências espirituais atribuídas a Tiphareth é a visão da harmonia das coisas.
  • É curioso que duas experiências espirituais distintas e, à primeira vista, sem relação recíproca, sejam atribuídas a Tiphareth; ela é, de fato, a única Esfera da Árvore em que isso ocorre. É também a única a que se atribuem diversas imagens mágicas; devemos perguntar, por conseguinte, por que é essa Sephirah central que tem esses múltiplos aspectos. A resposta encontra-se no Texto Yetzirático que lhe corresponde, o qual declara: “O Sexto Caminho chama-se Inteligência Mediadora.” Um mediador é essencialmente um elo unificador, um intermediário; conseqüentemente, Tiphareth, em sua posição central, deve ser encarada como um comutador de duas fases, a devemos considerá-la ao mesmo tempo como receptora dos “influxos das emanaçôes” a como causa das influências que fluem “para todos os reservatórios das bênçãos”. Podemos assim considerá-la como a manifestação exterior das cinco Sephiroth mais sutis, a também como o princípio espiritual que subjaz às quatro Sephiroth mais densas. Se a considerarmos do lado da forma, ela é força; se a considerarmos do lado da força, é forma. Ela é, de fato, a Sephirah arquetípica em que os grandes princípios representados pelas cinco Sephiroth superiores são formulados em conceitos. “Nele se multiplicam os influxos das emanações”, como declara o Sepher Yetzirah.
  • O nome Zoar Anpin, o Rosto Menor, antónimo de Arik Anpin, o Rosto Enorme, um dos títulos de Kether, confirma essa ideia. Pois as formulações informes de Kether tomam forma nessa Sephirah, a esfera da mente superior. Como já observamos anteriormente, Kether se reflete em Tiphareth. O Velho dos Dias vê-se refletido como num espelho, e a imagem refletida do Rosto Enorme chama-se Rosto Menor a Filho.
  • Mas, embora seja uma manifestação menor a uma geração mais jovem quando vista de cima, Tiphareth é também Adão Cadmo, o Homem Arquetípico, quando considerada de baixo – ou seja, do lado de Yesod e Malkuth. Tiphareth é Malek, o Rei, o Esposo de Malkah, a Noiva, que é um dos títulos de Malkuth.
  • É em Tiphareth que encontramos as ideias arquetípicas que formam a estrutura invisível de toda criação manifesta que formula a expressa os princípios primários emanados das Sephiroth mais sutis. Ela é, por assim dizer, um tesouro de imagens num arco superior; mas, ao passo que o plano astral é povoado por imagens refletidas das formas, as imagens da Esfera de Tiphareth são aquelas que se formulam e, por assim dizer, se cristalizam a partir das emanações espirituais das potências superiores.
  • Tiphareth é o mediador entre o microcosmo e o macrocosmo; “Como em cima, tal é embaixo”, essa é a linha mestra da Esfera de Shemesh, na qual o Sol que está atrás do Sol se concentra na manifestação.
  • Encontramos na anatomia do Homem Divino a interpretação do sentido da organização a da evolução; de fato, o universo material consiste literalmente nos órgãos a nos membros desse Homem Divino; e é através de uma compreensão da alma de Adão Cadmo, formado pelos “influxos das emanações”, que podemos interpretar-Lhe a anatomia èm termos de função, que é o único meio no qual a anatomia pode ser apreciada inteligentemente. É porque a ciência se contenta em ser descritiva, esquivando-se das explicaçôes fmalistas, que lhe falta a profundidade filosófica.
  • Na psicologia transcendental, que é a anatomia do microcosmo, o peito é a correspondência atribuída a Tiphareth. No peito estão os pulmões e o coração; imediatamente abaixo desses órgãos, intimamente relacionados com eles a controlando-os, está a maior rede de nervos do corpo, conhecida como plexo solar, nome que foi convenientemente cunhado pelos antigos anatomistas. Os pulmões mantêm um relacionamento singularmente íntimo entre o microcosmo e o macrocosmo, detemminando a entrada e a saída do movimento periódico da atmosfera, que jamais cessa de dia ou de noite, até que o vaso de ouro se quebre e o fio de prata se rompa a cessemos de respirar. O coração determina a circulação do sangue, e o sangue, como afirmou acertadamente Paracelso, é um “fluido singular”. A medicina modema sabe muito bem o que a luz solar significa para o sangue. Ela descobriu também que a clorofila, a substância verde das folhas das plantas a que lhes permite utilizar a luz solar como sua fonte de energia, tem uma poderosa influência sobre a pressão do sangue.
  • As três imagens mágicas de Tiphareth são curiosas, pois, à primeira vista, são tão díspares que cada uma parece invalidar as outras. Mas, à luz do que agora sabemos a respeito de Tiphareth, seu significado a relacionamento aparece claramente, através da linguagem do simbolismo, especialmente quando a estudamos à luz da vida de Jesus Cristo, o Filho.
  • Tiphareth, sendo a primeira coagulação das Supremas, é adequadamente representada como a Criança recém-nascida na manjedoura, em Belém; como Deus Sacrificado, ela se toma o mediador éntre Deus e o homem; e, quando ressuscita dos mortos, Ele o faz como um rei em seu reino. Tiphareth é a Criança de Kether e o rei de Malkuth, a em sua própria esfera Ele é sacrificado.
  • Não compreenderemos corretamente Tiphareth se não tivermos algum conceito do sentido real do sacrifício, que é muito diferente do sentido popular, que o concebe como a perda voluntária de algo querido. O sacrifício é a tradução da força de uma forma a outra. Não existe uma destruiçáo total da força; por mais que ela desapareça de nosso alcance, ela se mantém em alguma outra forma, de acordo com a grande lei natural da conservação da energia, que é a lei que mantém nosso universo em existência. A energia pode ser encerrada na forma, tornando-se, por conseguinte, estática; ou pode ser libertada dessa prisão da forma a posta em circulação. Quando fazemos um sacrifício de qualquer espécie, tomamos uma forma estática de energia e, quebrando a forma que a aprisiona, colocamo-la em livre circulação no cosmo. O que sacrificamos numa forma retoma novamente, no devido tempo, sob outra forma. Aplicando esse conceito às ideias religiosas a éticas do sacrifício, obtemos algumas pistas muito valiosas.
  • O Nome divino dessa Esfera é Aloah Va Daath, que a associa estreitamente com a Sephirah invisível que se encontra entre ela a Kether. Essa Sephirah, como já observamos, explica-se antes como apreensão – a alvorada da consciência; a podemos interpretar a frase “Tetragranunaton Aloah Va Daath” como “Deus manifesto na esfera da mente”.
  • No microcosmo, Tiphareth representa o psiquismo superior, o modo de consciência da individualidade, o eu superior. Ela é essencialmente a Esfera do misticismo religioso, que se distingue da magia a do psiquismo de Yesod; lembremos que as Sephiroth do Pilar Central da Árvore representam poderes a modos de funcionamento. Tiphareth é também a Esfera dos Grandes Mestres; é o templo edificado por mãos não-humanas, eterno nos céus, e a Grande Loja Branca. É aqui que o adepto iniciado opera quando está na consciência superior; é aqui que ele entra em contato com os Mestres, e é por meio do Nome a por uma compreensâo do significado do Nome de Aloah Va Daath que ele se abre a essa consciência superior.
  • Notemos que é apenas na proporção do significado que uma palavra tem para nós que ela se toma uma Palavra de Poder. O nome de sua vítima é uma Palavra de Poder para o assassino. Tal é seu poder que, em alguns países, a polícia, enquanto interroga um suspeito, registra com aparelhos as alteraçôes de sua pressão sangüínea; o nome da vítima e outras palavras relacionadas ao crime são subitamente sussurradas em seu ouvido e, se essas forem “palavras de poder” para ele, o instrumento as registrará sem margem de erro.
  • Acredita-se popularmente que os Nomes de Poder exercem influéncia direta sobre espíritos, anjos, demônios a outros seres, mas isso não é verdade. O Nome de Poder exerce sua influência sobre o mago e, exaltando-lhe a dirigindo-lhe a consciência, torna-o capaz de entrar em contato com o tipo escolhido de influência espiritual; se ele teve experiência desse tipo particular de influência, a Palavra de Poder agitará poderosas lembranças subconscientes; se ele não as teve, abordando o assunto com o espírito sem imaginação a incrédulo do erudito, o “bárbaro Nome de Evocação” será como o hocus-pocus para ele. Notemos, porém, que, para o católico crente, hocus-pocus – que é o nome protestante para a fraude a para a superstição, e de onde deriva a palavra hoax (logro) – significa Hoc est Corpus, o que é uma história totalmente diferente. É o ponto de vista que importa nesses assuntos.
  • É por essa razão que se atribui uma experiência espiritual definida a cada Sephirah; e, enquanto o aspirante não tiver a experiência correspondente, ele não será um iniciado dessa Sephirah, a não poderá utilizar os seus Nomes de Poder, mesmo que os conheça. Segundo a tradição, não basta conhecer um Nome de Poder; é preciso também saber como vibrá-lo. Acredita-se geralmente que a vibração de um Nome de Poder é a nota justa pela qual o cantamos; mas a vibração mágica é algo muito mais que isso. Quando experimentamos uma profunda emoção e, ao mesmo tempo, somos devocionalmente exaltados, a voz desce muitos tons abaixo de seu normal a toma-se ressoante a vibrante; é esse tremor de emoção, combinado com a ressonãncia e a devoção, que constitui a vibração de um Nome, a essa experiência não pode ser aprendida ou ensinada, devendo antes ser espontãnea. É como o vento que sopra onde lhe apraz. Quando ele ocorre, somos sacudidos dos pés à cabeça com uma onda de calor, a todos os que o ouvem prestam-lhe atenção involuntariamente. É uma experiência extraordinária ouvir uma Palavra de Poder vibrada. É uma experiência ainda mais extraordinária vibrá-la.
  • O arcanjo de Tiphareth é Rafael, o “espírito que está no Sol”, e que é também o anjo da cura.
  • Quando o iniciado “trabalha” na Árvore, ou seja, quando edifica em sua imaginação um diagrama da Árvore da Vida em sua aura, ele formula Tiphareth em seu plexo solar, entre o abdome e o peito; se desejar trabaIhar na Esfera da sexta Sephirah, a concentra o poder nesse centro, descobrirá que ele próprio se tomou um espírito imerso no Sol, rodeado pela flamejante fotosfera. Uma coisa é formular a Sephirah na aura, a outra completamente diferente é achar-se situado dentro dessa Sephirah. Embora se possa receber a influência de uma Sephirah por meio da primeira operação -, e esse é um bom método rotineiro para a meditação diária, – somente depois de “virarmos pelo avesso”, de modo que a posição se inverta, ficando não a Esfera dentro de nós, mas nós dentro da Esfera, é que poderemos trabalhar com o poder de uma Sephirah. É essa experiência que constitui a culminação iniciática de uma Sephirah.
  • O coro angélico de Tiphareth são os Malachim, ou Reis. São os princípios espirituais das forças naturais – e ninguém pode controlar, ou mesmo fazer um contato seguro com princípios elementais, a não ser que experimente a iniciação de Tiphareth, que é a de um adepto menor. É preciso que sejamos aceitos pelos Reis Elementais, ou seja, é preciso que compreendamos a natureza espiritual última das forças naturais antes de podermos manipulá-las em sua forma elemental. Em sua forma elemental subjetiva, elas aparecem no microcosmo como poderosos instintos de combate, de reprodução, de autodegradação, de autoexaltação, a todos aqueles fatores emocionais conhecidos pelo psicólogo. É óbvio, portanto, que, se agitamos a estimulamos essas emoções em nossas naturezas, devemos fazê-to para que possamos utilizá-las como servos do eu superior, dirigido pela razão e por princípios espirituais. É necessário, por conseguinte, que, quando operamos as forças elementais, o façamos por meio dos Reis, sob o governo do Arcanjo a pela invocação do Santo Nome de Deus, apropriados à Esfera. Microcosmicamente, isso significa que as poderosas forças elementais motrizes de nossa natureza estão relacionadas com o eu superior, a não dissociadas no submundo qliphótico da inconsciência freudiana.
  • As operações elementais não são, naturalmente, realizadas na Esfera de Tiphareth, mas é essencial que elas sejam controladas da Esfera de Tiphareth, se desejamos nos manter no âmbito da Magia Branca. Não havendo esse controle superior, as operações descambarão rapidamente para a Magia Negra. Afirma-se que, na Queda, as quatro Sephiroth inferiores se desligaram de Tiphareth a foram assimiladas pelas Qliphoth. Quando as forças elementais se desligam de seus princípios espirituais, tomando-se fins em si mesmos ainda que não se vise à experimentação maligna, a Queda tem lugar, e a degradação logo se lhe segue. Mas, quando compreendemos claramente o princípio espiritual que subjaz a todas as coisas naturais, estas permanecem num estado de inocência, para utilizar um termo teológico com uma conotação definida; elas não caem, a podemos operá-las com segurança e desenvolvê-las vantajosamente em nossas próprias naturezas, produzindo, assim, a liberdade e o equilíbrio tão necessários à saúde mental. Essa correlação do natural com o espiritual, que evita a queda deste último, mantendo-o num estado de inocência, é um ponto muito importante em todos os trabalhos práticos em qualquer forma de Magia.

V

  • Como já vimos, duas experiências espirituais concorrem para a iniciação de Tiphareth: a visão da harmonia das coisas e a visão dos Mistérios da Crucificação. Já vimos também que são dois os aspectos de Tiphareth, a que, por conseguinte, duas devem ser as experiências espirituais em sua iniciação.
  • Na visão da harmonia das coisas, percebemos mais profundamente o lado espiritual da natureza; em outras palavras, encontramos os reis angélicos, os Malachim. Por meio dessa experiência, compreendemos que o natural é apenas o aspecto denso do espiritual, o “Manto Exterior do Ocultamento”, que cobre o “Manto Interno da Glória”. É a falta dessa compreensão do significado espiritual do natural que se faz sentir tão lamentavelmente em nossa vida religiosa atual, a que é responsável por tantas enfermidades neuróticas a tanta infelicidade conjugal.
  • É por meio dessa visão da harmonia das coisas que nos unimos à natureza, não por meio dos contatos elementais. Os seres humanos que, pela cultura, se elevaram de uma ou outra maneira acima dos primitivos, não podem unir-se à natureza no nível elemental, pois fazê-to implica a degeneração, a eles se tomariam bestiais, nos dois sentidos da palavra. Os contatos naturais se fazem por meio dos reis angélicos dos elementos na Esfera de Tiphareth – em outras palavras, por meio da compreensão dos princípios espirituais que subjazem às coisas naturais -, e o iniciado encontra, assim, os seres elementais em nome de seu rei governante. Ele desce aos reinos elementais, vindo de cima, por assim dizer, trazendo consigo a sua humanidade; é, portanto, um iniciador para os elementais; mas, se o iniciado os encontra no nível deles, ele abre mão de sua humanidade a retoma a uma fase primitiva de evolução. A força elemental, não-limitada a não-mantida em xeque pelas limitaçôes de um cérebro animal, converte-se numa força desequilibradora quando flui através dos vastos canais de um intelecto humano, e o resultado é o caos, que é um dos reinos das Qliphoth.
  • Os Mistérios da Crucificação são macrocósmicos a microcósmicos. Em seu aspecto macrocósmico, encontramo-los nos mitos dos grandes redentores da humanidade, que nascem de um deus a de uma mãe virginal, enfatizando, assim, a natureza dual de Tiphareth, em que forma a força estão reunidas. Mas não esqueçamos seu aspecto microcósmico, enquanto experiência de consciência mística. É por meio da compreensão dos Mistérios da Crucificação, que diz respeito ao poder mágico do sacrifício, que somos capazes de transcender as limitaçôes da consciência cerebral, limitada à sensaçIo a condicionada à forma, a adentrar a consciência mais ampla do psiquismo superior. Tomamo-nos, assim, capazes de transcender a forma e, por conseguinte, realizar a força latente, transformando-a de estática em cinética a tomando-a disponível para a Grande Obra, que é regeneração.
  • A virtude característica da Esfera de Tiphareth é a devoção a essa Grande Obra. A Devoçáo é um fator muito importante no Caminho da Iniciação que conduz à consciência superior, a devemos, por conseguinte, examiná-to cuidadosamente, analisando-lhe os elementos constitutivos. Poderíamos definir a devoção como o amor por algo que é superior a nós; por algo que evoca nosso idealismo; por algo que, embora não possamos igualar, não obstante nos faz desejar ser como ele; “Contemplando como num espelho a glória do Senhor, eles se transformam na imagem da glória”. Quando um conteúdo emocional mais forte é infundido na devoção, tornando-se adoração, ele nos transporta por sobre o grande abismo existente entre o tangível e o intangível, a nos permite apreender coisas que os olhos não vêem nem os ouvidos ouvem. É essa devoçáo, que se eleva à adoração, na Grande Obra, que nos inicia nos Mistérios da crucificação.
  • O vício atribuído a Tiphareth é o orgulho, a nessa atribuição ternos uma importantíssima verdade psicológica. O orgulho tem suas raízes no egoísmo e, na medida em que estamos centrados em nós mesmos, não podemos nos unir com as coisas do mundo. No verdadeiro desprendimento do Caminho, a alma supera seus limites a penetra a Esfera das coisas por meio da simpatia ilimitada a do amor perfeito; mas no orgulho a alma tenta estender seus limites até possuir tudo o que estiver ao seu alcance, e é uma experiência muito diferente possuir uma coisa para com ela se unir, desejando que ela nos possua igualmente em perfeita reciprocidade. E esse arranjo unilateral é o vício do adepto. Ele deve tanto dar quanto receber, a deve dar-se sem reservas se quiser participar da união mística, que é o fruto do sacrifício da crucificação. “Que aquele que for o maior dentre vós seja o servo de todos”, disse o Senhor.
  • Os símbolos associados a Tiphareth são o lámen, a Rosa-cruz, a cruz do calvário, a piràmide truncada e o cubo.
  • O lámen é o símbolo que o adepto ostenta sobre o peito para indicar uma determinada força. Um adepto que opera na Esfera de Shemesh, por exemplo, utilizará sobre o peito uma imagem do Sol resplandecente. Um lámen é a arma mágica de Tiphareth; por conseguinte, toma-se necessário dizer algo a respeito da natureza das armas mágicas em geral, a fim de que a função de um lámen possa ser entendida.
  • Uma arma mágica é algum objeto adequado, como veículo, para a força de um tipo particular. Por exemplo, a arma mágica do elemento Água é uma taça ou um cálice; a arma mágica do elemento Fogo é uma lamparina acesa. Esses objetos são escolhidos porque sua natureza é congênita à da força a ser invocada; ou, em linguagem moderna, porque sua forma sugere a força à imaginação pela associação de ideias.
  • Tiphareth associa-se tradicionalmente com o peito, tanto em virtude da rede de nervos que se chama plexo solar como pela sua posição quando a Árvore é edificada na aura. Conseqüentemente, a jóia peitoral do adepto é o foco da força tipharética, qualquer que seja a operação realizada. A força real, operando em sua própria Esfera, é representada pela arma mágica que se lhe atribui. Por exemplo, um adepto que realiza uma operação do elemento Água teria como arma mágica a taça, a executaria todos os signos sobre a taça, nela concentrando a força obtida pela invocação. Mas, sobre seu peito, estaria o selo do elemento Água, representando o fator espiritual da operação e o arcanjo que governa esse reino particular. Se o adepto não compreender o significado de seu lámen, que é diferente do de sua arma mágica, ele não será um adepto, a sim um mago.
  • A Rosa-Cruz e a cruz do Calvário são ambas símbolos da Esfera de Tiphareth. Para compreendermos seu significado, cumpre dizer algo a respeito das cruzes em geral, a de como elas são utilizadas nos sistemas simbólicos. Embora a cruz com que tenhamos mais familiaridade seja a cruz do Calvário, devido à sua associação com o Cristianismo, há muitas outras formas de cruz, a cada uma tem o seu próprio significado. A cruz de braços iguais, tal como a cruz vermelha do serviço médico militar, recebe dos iniciados o nome de cruz da natureza, a representa o poder em equilíbrio. Ela costuma figurar no topo de algumas cruzes célticas, encerrada com freqüência num círculo, de modo que a cruz céltica consiste realmente numa haste afilada que termina numa cruz natural, nada tendo em comum com a cruz do Calvário, que é a cruz do Cristianismo. A haste afilada da cruz céltica é, na verdade, uma pirâmide truncada, a os exemplares ainda existentes desse tipo de cruz confirmam essa interpretação. Algumas formas arcaicas sugerem a imposição da cruz a do círculo sobre a pedra fálica cõnica, que é um objeto tão universal na adoração primitiva.
  • A suástica tem também a natureza da cruz, sendo chamada às vezes de “cruz de Thor”, ou “martelo de Thor”, supondo-se que sua forma indique a ação rodopiante de seus relámpagos.
  • A cruz do Calvário é a cruz do sacrifício, a sua cor verdadeira é o preto. A haste deve ser três vezes mais comprida do que os braços. A meditação sobre essa cruz conduz à iniciação por meio do sofrimento, do sacrifício e da auto-abnegação. O crucifixo é, naturalmente, uma elaboração da cruz do Calvário.
  • O círculo sobre a cruz é um símbolo iniciático, especialmente quando a cruz se assenta sobre três pés, como deveria ser neste caso. O círculo indica a vida eterna, a também a sabedoria; o emblema da Sociedade Teosófica, que tem como insígnia a “serpente que morde a própria cauda”, apresenta uma variação dessa forma. Uma cruz do Calvário com o círculo superposto indica a iniciação pelo Caminho da cruz, a os três pés são os três graus de iluminação. É essa cruz que recebe o nome de Rosa-cruz. O objeto de fantasia em que figuram sarças não é um símbolo iniciático. A rosa associada à cruz no simbolismo ocidental é a Rosa Múndi, e é uma chave para a interpretação das forças naturais. Sobre suas pétalas estão gravados os trinta e dois sinais das forças naturais; esses sinais correspondem às vinte a duas letras do alfabeto hebraico a às Dez Sephiroth Sagradas; estas, por sua vez, são atribuídas aos Trinta a Dois Caminhos da Árvore da Vida, a essa é a chave para a compreensão da Rosa Múndi. Os curiosos desenhos que constituem os selos dos espíritos elementais são feitos desenhando-se continuamente as letras de seus nomes sobre a rosa.
  • À luz dessa explicação, podemos compreender o valor das alegações daquelas organizações que tomam um emblema floral como seu símbolo. Elas assemelham-se àquele cavalheiro que pediu ao seu camiseiro uma gravata de magistrado salpicada com um pouquinho de vermelho.
  • O cubo é comumente atribuído a Tiphareth por constituir uma figura hexaédrica, a seis é o número de Tiphareth. Mas o simbolismo do cubo não se limita a esse aspecto. O cubo é a forma mais simples do sólido e, como tal, é o símbolo apropriado de Tiphareth, em cuja Esfera se encontra o primeiro prenúncio da forma. O símbolo de Malkuth é o cubo duplo, que simboliza o axioma “Como em cima, tal é embaixo”.
  • A pirâmide simboliza o homem perfeito, solidamente apoiado na Terra a esforçando-se por unir-se com os céus; em outras palavras, o Ipsissimus. A pirãnnide truncada simboliza o adepto iniciado, ou Adeptus Minor, que atravessou o Véu, mas ainda não completou os seus graus. Essa pirãmide a cujos seis lados correspondem as seis Sephiroth centrais que formam Adão Cadmo, ou o homem arquetípico, é completada pela adição das Três Supremas, que culminam na unidade de Kether.
  • Os seis do baralho Tarô são atribuídos também a Tiphareth e, nessas cartas, a natureza harmoniosa a equilibrada dessa Sephirah se revela claramente. O Seis de Paus é o Senhor da Vitória. O Seis de Copas, o Senhor da Alegria. Mesmo o naipe maléfico de Espadas transforma-se em harmonia nessa Esfera, e o Seis de Espadas é conhecido como o Senhor dos Sucessos Merecidos – ou seja, o sucesso obtido após a batalha. O Seis de Ouros é o Sucesso Material; em outras palavras, o poder em equilíbrio.

AS QUATRO SEPHIROTH INFERIORES

  • As Dez Sephiroth Sagradas, quando dispostas na Árvore da Vida em seu padrão tradicional, enquadram-se em três divisões horizontais principais, assim como nas três divisôes verticais dos Pilares. A mais alta dessas divisões horizontais consiste nas Três Supremas, que, para todos os propósitos práticos, estão além da Esfera de nossa compreensão. Postulamo-las como princípios fundamentais que devem existir para que as manifestações subseqüentes possam ser explicadas. Elas representam o Ser Puro a os princípios opostos da atividade a da passividade, e o nome de Triângulo Supremo cailhes muito bem.
  • O triângulo funcional que vem a seguir na Árvore consiste em Chesed, Geburah a Tiphareth. Essas esferas representam os princípios ativos do anabolismo, do catabolismo a do equiliíbrio, a podemos aplicar-lhes apropriadamente o nome de Triángulo Abstrato.
  • Considerando em detalhe as seis Sephiroth superiores, observamos que os três Princípios Supremos formam a base de manifestação, a que os três Princípios Abstratos dão expressão à manifestação. As três Esferas superiores são latentes a as três inferiores são potentes. Se compreendermos esse ponto, descobriremos que dispomos de um sistema para explicar a infinita diversidade da manifestação dos planos da forma, reduzindo-a aos seus princípios primários, o que toma as relações entre elas e o modo de sua interação a desenvolvimento claramente compreensíveis – resultado totalmente diverso daquele que obteremos se tentarmos reduzir todas as coisas em termos de força, em vez de resolvê-las nesses mesmós termos.
  • A unidade funcional mais baixa sobre a Árvore consiste não de um triângulo, mas de um quadrado, a esse quadrado, segundo dizem os cabalistas, foi afetado pela Queda, erguendo-se a cabeça de Leviatã das profundezas do Abismo, num ponto entre Yesod a Tiphareth. Não lhe é permitido it além, a por isso as seis Sephiroth superiores conservaram a sua inocência. Em outras palavras, as quatro Sephiroth inferiores pertencem aos planos da forma, em que a força não se move livremente, mas está “encerrada, confinada, contida”, sendo libertada apenas por obra da destruição.
  • Tiphareth, como já se observou, é o centro de equilíbrio da Árvore. O equilíbrio dá origem à estabilidade, e a estabilidade, à coesão. De agora em diante, na rota descendente da vida através do Caminho da Involução, encontramos o princípio da coesão que exerce um papel progressivamente predominante, até que em Malkuth encontra seu apogeu.
  • Os princípios ativos do Triángulo Abstrato sofrem uma subdivisão e especialização no curso da descida da vida através de Netzach, a em Yesod atingem um grau considerável de estereotipia, por meio da qual se determinam as formas de Malkuth. Assim que Malkuth – o plano da forma pura atinge o desenvolvimento, a corrente evolutiva começa a voltar-se para o espírito, libertando-se da prisão da forma, embora retendo as capacidades adquiridas pela experiência da disciplina da forma.
  • São numerosos, portanto, os princípios abstratos da função da vida que se revestem de forma devido à influência da experiência de suas manifestações exteriores no Reino da Forma. Ou, na linguágem dos cabalistas, a influência da Queda se irradiou até elas, a elas perderam sua inocência.
  • Essas considerações dão-nos a chave da natureza quatemária dos planos da forma, a permitem-nos trilhar o Caminho do Meio, entre a credulidade e o ceticismo, nesta Esfera da Ilusão, como a chamaram um tanto severamente.
  • A grande maré da vida evolutiva, proveniente de uma emanação de Tipliareth, pane-se na Sephirah Netzach, como num prisma, em diversos raios de manifestação; daí provém a descrição yetzirática dessa Sephirah como “o esplendor refulgente”. Em Hod, essas forças multifárias revestem-se de forma; e, em Yesod, elas agem como moldes etéreos para as emanações finais de Malkuth.
  • A manifestação em Malkuth completa o arco expansivo da involução, e a vida retoma sobre si mesma para seguir um curso paralelo no arco de retomo da evolução. A inteligência humana se desenvolve, a começa a meditar nas causas e a discemir os deuses. Note-se que o homem primitivo não atingiu o monoteísmo numa única pemada, mas imaginou múltiplas causas, a foram necessárias muitas gerações de cultura para reduzir a multiplicidade ao Um.
  • Isso nos leva à grande questão do que poderíamos chamar de Guardião do Tesouro da Ciência Oculta – figura tremenda que defronta todo aventureiro do invisível, unindo em si as funções da esfinge a dirigindo à alma uma pergunta de cuja resposta depende seu destino. Será ela condenada a errar nos reinos da ilusão? Voltará ela aos planos da forma ou ser-lhe-á permitido passar à luz? A questão é: “Acreditas nos deuses?”. Se responder “Sim”, a alma errará nos planos da ilusão, pois os deuses não sâo pessoas reais no sentido em que entendemós a personalidade. Se responder “Não”, será expulsa, pois os deuses não são ilusões. O que deverá ela responder?
  • A intuição de um poeta deu-nos a resposta:

“For no thought of man made Gods to love and honour

Ere lhe song within lhe silent soul began,

Nor might earth in dream or deed take heaven upon her

Till lhe word was clolhed with speech by lips of man.”

 [“Pois nenhum pensamento humano criou deuses para amar a honrar

Senão depois que a canção vibrou no silêncio da alma,

E nem em sonhos pôde a terra unirse aos céus

Antes que a palavra se vestisse de fala pelos lábios do homem”.]

  • Temos aqui a chave do enigma. Os deuses são criaçôes do criado. Nascem da adoração daqueles que o invocam. Não são os deuses que fazem o trabalho da criação, mas sim as grandes forças naturais, cada uma agindo de acordo com a sua natureza; a procissão dos deuses tem início depois de o Cisne do Empíreo depositar o ovo da manifestação na noite cósmica.
  • Os deuses são emanaçôes das almas grupais das raças, a não emanações de Eheieh, o Um, o Eterno. Não obstante, são imensamente poderosos, porque, graças à sua influência na imaginação de seus adoradores, eles unem o microcosmo ao macrocosmo; meditando sobre a beleza ideal de Apolo, a alma humana abre-se à beleza em geral.
  • Quando os homens analisaram a discemiram, fator por fator, as causas primeiras, eles as endeusaram. Ao descobrir que em todas as partes do globo as mesmas necessidades a os mesmos motivos atuavam sobre eles, desenvolveram panteões semelhantes. Mas, visto que os temperamentos diferem, desenvolveram panteões tão diferentes quanto os bandoleiros do México a os radiantes seres da Hélade.
  • Podemos perguntar, portanto, se os deuses são completamente subjetivos; se vivem sua vida apenas na imaginação de seus adoradores, ou se têm uma vida independente. A respota a essa questão reside num aspecto da experiência oculta que náo pode ser explicado por aquilo que conhecemos modemamente como ciência natural, mas que deve ser admitido por todo ocultista prático que deseje obter resultados. Poder-se-is dizer que os resultados por ele obtidos estão na proporção direta de sua fé, uma vez que eles são de fato obtidos porque o adepto neles acredita. A razão disso é que apenas uma proporção muito pequena do estofo mental existente no universo, qualquer que seja ele, está organizado nos cérebros a nos sistemas nervosos das criaturas sensíveis. A vasta massa do que, na falta de um nome melhor, chamamos de “matéria mental” – porque essa é a sua analogia mais próxima entre as coisas conhecidas – move-se livremente no que os ocultistas chamam de plano astral, organizado em formas, mas não necessariamente vinculado à matéria. Ocultistas diferentes referem-se a esse estofo mental livre por diferentes nomes. Mme. Blavatsky chama-o de “Akasha”; Éliphas Lévi drama-o de “éter refletor”. Netzach representa o aspecto da força, a Hod, o aspecto da forma desse Akasha.
  • Os moldes de todas as formas provêm desse estofo mental; a nesses moldes ergue-se a estrutura das correntes etéreas que funcionam na Esferya de Yesod, a em que estão suspensas as moléculas da matéria que formam o corpo da manifestação no plano físico.
  • Normalmente, essas formas são constituídas pela consciência cósmica a expressas como forças naturais, funcionando cada uma de acordo com a sua natureza; mas, quando a consciência começou a desenvolver-se nas criaturas do Criador, ela exercitou suas funções em vários graus na matéria mental astral, que, por sua natureza, era suscetível às influências da consciência; conseqüentemente, “o pensamento humano engendrou deuses para amar a honrar”. Essas formas, uma vez constituídas, tomaram-se canais de expressão dessas forças especializadas que as formas tinham por missão representar, concentrando-se sobre seus adoradores. Nesse sentido particular, os iniciados não apenas acreditam nos deuses, mas também os adoram.

NETZACH

  • Título: Netzach, Vitória. (Em hebraico: Nun, Tzaddi, Cheth.)
  • Imagem Mágica: Uma bela mulher nua.
  • Localização na Árvore: Na base do Pilar da Misericórdia.
  • Texto Yetzirático: O sétimo Caminho chama-se Inteligência Oculta porque é o esplendor refulgente das virtudes intelectuais percebidas pelos olhos do intelecto a pelas contemplações da fé.
  • Título Conferido a Netzach: Firmeza.
  • Nome Divino: Jehovah Tzabaoth, o Senhor dos Exércitos.
  • Arcanjo: Haniel.
  • Coro Angélico: Elohim, deuses.
  • Chakra Cósmico: Nogah, Vênus.
  • Experiência Espiritual: A visão da beleza triunfante.
  • Virtude: Desprendimento.
  • Viéio: Impudor. Luxúria.
  • Correspondência no Microcosmo: Os rins, os quadris, as pernas.
  • Stmholos: A lâmpada e o cinto. A rosa.
  • Cartas do Tarô: Os quatro setes:
  • Sete de Paus: valor;
  • Sete de Copas: sucesso ilusório;
  • Sete de Espadas: esforço instável;
  • Sete de Ouros: sucesso incompleto.
  • Cor em Atziluth: Ambar.
  • Cor em Briah: -Esmeralda.
  • Cor em Yetzirah: Verde-amarelado brilhante.
  • Cor em Assiah: Oliva salpicado de ouro.

I

  • Compreenderemos melhor Netzach contrastando-a com Hod, a Esfera de Mercúrio, pois ambas representam, como já vimos, a força e a forma num arco inferior. Netzach representa os instintos a as emoções a Hod simboliza a mente concreta. No Macrocosmo, elas representam dois níveis do processo de concretização da força na forma. Em Netzach, a força ainda se move com certa liberdade, detendo-se apenas nas formas extremamente fluídicas a de movimento incessante, a em Hod ela toma pela primeira vez uma forma defmida a permanente, embora de natureza extremamente tênue. Em Netzach, uma forma particular de força se manifesta, traduzida em seres que se movem para a frente a para trás nos limites da manifestação, de maneira extremamente indefinida. Tais seres não têm personalidades individualizadas, mas são como exércitos com bandeiras que podem ser vistos nas nuvens do Sol poente. Em Hod, contudo, cada unidade se individualiza, e a existência apresenta continuidade. A mente é grupal em Netzach, mas Hod inicia o processo da mente humana.
  • Consideremos, agora, Netzach em si, tanto nos aspectos microcósmicos como nos macrocósmicos, não esquecendo que estamos agora na Esfera da ilusão, a que o que é descrito em termos de forma são aparências representadas pelo intelecto para si mesmo a projetadas na luz astral como formas mentais. É essencial compreender esse ponto, se queremos evitar a queda na superstição. Tudo que é percebido pelos “olhos do intelecto a pelas contemplações da fé”, como afirma pitorescamente o Texto Yetzirático, tem sua base metafísica em Chokmah, a Sephirah Suprema no topo do Pilar da Misericórdia. Mas, em Netzach, ocorre uma grande mudança em nosso modo de entender os diferentes tipos de existência atribuídos a cada Esfera. Até agora, percebemos por meio da intuição; nossas apreensôes eram informes, ou, pelo menos, representadas por símbolos altamente abstratos; estes não se manifestam depois de Tiphareth, a chegamos a símbolos concretos como a rosa, atribuída a Vênus, para Netzach, e o caduceu, atribuído a Mercúrio, para Hod.
  • Como já vimos, concebemos as Sephiroth superiores sob o aspecto dos fatores de manifestação a funções. Vimos, em nosso estudo de Tiphareth, como a Inteligência Mediadora, como a chama a Sepher Yetzirah, decompõe a Luz Branca da Vida única, tal como um prisma, de modo que ela se toma o Esplendor Refulgente de inúmeros matizes em Netzach. Aqui não temos força, mas forças; não vida, mas vidas. Muito apropriadamente, portanto, o coro angélico atribuído a Netzach é o dos Elohim, ou deuses. O Um foi reduzido ao múltiplo para os fins da manifestação na forma.
  • Esses raios não são representados como a pura luz branca pela qual vemos todas as coisas em suas cores verdadeiras, mas como uma cor de diversas nuanças, cada uma das quais revela a intensifica algum aspecto de manifestação especializado, assim como um raio de luz azul só mostrará as cores que lhe são harmônicas, fazendo as cores complementares parecerem negras. Toda vida ou forma de força que se manifesta em Netzach é uma manifestação parcial, mas especializada; por conseguinte, nenhum ser que tem como Esfera de evolução a Esfera de Netzach poderá experimentar um desenvolvimento completo, mas será sempre uma criatura de uma ideia, de uma única função, simples a estereotipada.
  • É o fator Netzach em nós a base de nossos instintos, cada um dos quais, em sua esséncia não-intelectualizada, dá origem a reflexos apropriados, assim como os lábios de um recém-nascido sugam tudo que é inserido entre eles.
  • Os seres de Netzach, os Elohim, não são inteligências, mas encamações de ideias.
  • Os Elohim, para dar-lhes o seu nome hebraico, são as influências formativas por meio das quais a força criativa se expréssa na Natureza. Seu verdadeiro caráter pode ser percebido em Chesed, onde são descritos pela Sepher Yetzirah como os “Poderes Sagrados”. Em Netzach, contudo, que representa o superestrato do éter refletor, eles sofrem uma mudança, a mente humana que formula imagens começa a operar sobre eles, moldando a luz astral em formas que os representarão à consciência.
  • É muito importante para nós compreender que essas Sephiroth inferiores do plano da ilusão são densamente povoadas pelas formas mentais; que tudo o que a imaginação humana foi capaz de conceber, embora confusamente, tem uma forma revestida de luz astral, a que, quarto mais a imaginação humana se aplicar em idealizá-la, mais definida essa forma se tornará. É por essa razão que as gerações de videntes, quando procuraram discemir a natureza espiritual e a essência íntima de qualquer forma de vida, encontraram essas imagens, as “criações do criado”, a foram iludidos, tomando-as erroneamente pela própria essência abstrata, que não se encontra em qualquer plano que fornece imagens à visão psíquica, mas apenas naqueles que são percebidos pela intuição pura.
  • Quando sua mente era ainda prinútiva, o homem adorou essas imagens; por meio das quais representou para si mesmo as grandes forças naturais íão importantes para o seu bem-estar material, estabelecendo, assim, um vínculo entre elas, por meio das quais se desenvolveu um canal por onde as forças que representavam eram derramadas em sua alma, estimulando, assim, o fator correspondente em sua própria natureza, para, dessa forma, desenvolvé-la. As operações dessa adoração, especialmente quando se tomaram altamente organizadas a intelectualizadas, como na Grécia a no Egito, deram origem a imagens extremamente definidas a potentes, a são elas que geralmente se tomam por deuses. Gerações de adoração a culto constroem uma imagem fortíssima na luz astral e, quando o sacrifício é acrescentado à adoração, a imagem desce um passo a mais nos planos da manifestação, a adquire uma forma nos éteres densos de Yesod, tomando-se um objeto mágico muito potente, capaz de ação independente quando animado pelas ideias concretas geradas em Hod.
  • Vemos, assim, que todo ser celeste concebido pela mente humana tem como base uma força natural, mas que sobre a base dessa força natural, se ergue uma imagem simbólica que lhe corresponde a que é animada a ativada pela força que representa. A imagem, portanto, é apenas um modo de representação adotado pelo espírito humano para a sua própria conveniência, mas a força que a imagem representa a que a anima é uma coisa muito real, a que, sob certas circunstâncias, pode ser extremamente poderosa. Em outras palavras, embora a forma sob a qual o deus é representado seja pura imaginação, a força que se lhe associa é real a ativa.
  • Esse fato é a chave não apenas da Magia Talismãnica em seu sentido mais amplo, que inclui todos os objetos consagrados utilizados no cerimonial a na meditação, mas de muitas coisas na vida que não podemos deixar de observar, mas para as quais não temos nenhuma explicação. Isso explica muitas coisas na religião organizada que são muito reais para o devoto, mas muito estranhas para o incrédulo, que é incapaz de explicá-las a tampouco de negá-las.
  • Em Netzach, contudo, temos a forma mais tênue dessas coisas, e elas são percebidas muito mais pelas “contemplações da fé” do que pelos “olhos do intelecto”. Na Esfera de Hod, executam-se todas as operações mágicas em que o próprio intelecto surge para conferir forma a permanência a essas imagens tênues a flutuantes; mas, na Esfera de Netzach, tais operações não ocorrem em qualquer grau; todas as formas divinas em Netzach são reverenciadas por meio das artes, a não concebidas por meio de filosofias. Não obstante, para todos os propósitos práticos, é impossível separar as atividades de Hod a Netzach, que são um par funcional, assim como Geburah e Chesed constituem os doffs aspectos do metabolismo, o catabólico e o anabólico. As funções de Netzach estão implícitas em Hod porque Netzach emana Hod, a os poderes desenvolvidos pela evolução na Esfera de Netzach são a base das capacidades de Hod. Conseqüentemente, todas as operações mágicas da Esfera de Hod operam sobre a base das tênues formas de vida de Netzach; e, como o intelecto humano trabalha de Esfera a Esfera, muitos poderes de Hod são transferidos a Netzach pelas almas iniciadas que se encontram no caminho da evolução. As duas Esferas, portanto, não estão claramente divididas a classificadas, mas em cada uma delas predomina definitivamente um certo tipo de função.
  • Os contatos com Netzach não se fazem concebendo-se a vida filosoficamente, nem por meio do psiquismo ordinário criador de imagens, mas pelo “sentimento adequado”, como expressou pitorescamente Algernon Blackwood em suas novelas, nas quais tanto transparece a Esfera de Netzach. É por meio da dança, do som a da cor que entramos em contato com os anjos de Netzach a podemos evocá-los. O adorador de um deus na Esfera de Netzach entra em comunhão com o objeto de sua adoração por meio das artes; a na medida em que seja um artista, de uma ou de outra maneira, e possa representar simbolicamente sua divindade, ele será capaz de fazer o contato a atrair a vida para si. Todos os ritos que têm ritmo, movimento e cor trabalha na Esfera de Netzach. E, como Hod, a Esfera das operações mágicas, extrai sua força de Netzach, segue-se que toda operação mágica da Esfera de Hod precisa ter um elemento Netzach em si para ser animada eficazmente; e, para conceder a base da manifestação, a substáncia etérea precisa ser fornecida por alguma forma de sacrifício, mesmo que este seja apenas a queima de incenso. Essa questão será mais aprofundada quando estudarmos a Esfera de Yesod, à qual diz respeito. Mas foi necessário fazermos referência a ela aqui, pois o significado dos ritos de Netzach não pode ser compreendido sem que se entendam os meios pelos quais a manifestação se efetua, e o deus se aproxima de seus adoradores.

II

  • Consideremos, agora, Netzach do ponto de vista da Árvore da Vida microcósmica – ou seja, da Árvore subjetiva na alma, em que os Sephiroth são fatores de consciência.
  • As Três Supremas e o primeiro par de Sephiroth manifestas, Chesed a Geburah, representam o Eu Superior, tendo Tiphareth como ponto de contato com o Eu Inferior. As quatro Sephiroth inferiores, Netzach, Hod, Yesod a Malkuth, representam o Eu Inferior, ou personalidade, a unidade de encarnação, tendo Tiphareth como ponto de contato com o Eu Superior, que é às vezes chamado de Anjo da Guarda Sagrado.
  • Do ponto de vista da personalidade, Tiphareth representa a consciência superior, ciente das coisas espirituais; Netzach representa os instintos, a Hod, o intelecto. Yesod representa o quinto elemento, o Éter, a Malkuth, os quatro elementos, que são o aspecto sutil da matéria. O intelecto humano médio só pode compreender a natureza da matéria densa, Malkuth, e do intelecto, Hod, ambos aspectos concretos da existência. Ele não pode apreciar as forças que edificam as formas, representadas por Netzach, a Esfera dos Instintos, a Yesod, ou duplo etéreo ou corpo sutil. Consequentemente, devemos fazer um cuidadoso estudo de Netzach, porque sua natureza a importância são muito pouco compreendidas.
  • Entenderemos melhor a natureza de Netzach se lembrarmos que ela é a Esfera de Vênus. Traduzida em linguagem comum, a linguagem simbólica da Cabala, isso significa que tratamos aqui da função da polaridade, que é muito mais do que apenas o sexo, como se concebe popularmente.
  • É importante notar, a esse respeito, que Vênus, ou, na sua forma grega, Afrodite, não é, em absoluto, uma deusa da fertilidade, tal como Ceres a Perséfone; ela é a deusa do amor. Ora, no conceito grego da vida, o amor abrange muito mais do que o relacionamento entre os sexos, incluindo a camaradagem dos guerreiros e o relacionamento entre professor e aluno. As heteras gregas, ou mulheres cuja profissão era o amor, diferiam muito de nossas prostitutas modernas. O grego reservava a simples relação física dos sexos para sua esposa legal, que era mantida em reclusão no gineceu, ou harém, a que servia simplesmente para os fins da procriação. A esposa, embora de sangue puro, não recebia educação, nem era encorajada a tornarse atraente ou praticar as artes do amor. E muito menos era encorajada a adorar a deusa Afrodite, que regia os aspectos superiores do amor; as divindades de sua adoração eram as da familia a do lar; Ceres, a Mãe Terra, era a regente dos Mistérios das mulheres gregas.
  • O culto de Afrodite era muito mais do que o cumprimento de uma função animal, relacionando-se, ao contrário, com a interação sutil da força vital entre dois fatores; o curioso fluxo a refluxo, o estímulo e a reação, que exerce um papel tão importante nas relações dos sexos, mas que ultrapassa, a muito, a Esfera do sexo.
  • A hetera grega era uma mulher culta; evidentemente, havia distinções entre elas, desde a categoria mais baixa, semelhante à da gueixa japonesa, à mais elevada, que mantinha salões, à maneira das famosas escritoras francesas, a eram mulheres de reconhecida virtude física, a quem nenhum homem ousava fazer propostas sensuais; devido à reverência com que a função do sexo era encarada entre os gregos, é provável que, em sua época e sociedade, a vida da hetera grega em nada se aproximasse da degradação da moderna prostituta.
  • A função da hetera consistia em satisfazer tanto o intelecto de seus clientes como seus apetites; ela era tanto uma anfitriã quanto uma cortesã, e a ela recorriam os filósofos a poetas para receber inspiração a aguçar o espírito; pois considerava-se não existir inspiração maior para um homem intelectual do que o convívio com uma mulher culta a vital.
  • Nos templos de Afrodite, a arte do amor era cuidadosamente cultivada, sendo as sacerdotisas treinadas desde a infãncia em sua habilidade. Mas essa arte não consistia apenas em provocar a paixão, mas em satisfazê-la adequadamente em todos os níveis de consciência; não simplesmente pela gratificação das sensaçôes físicas do corpo, mas pela troca etérea sutil de magnetismo a de polarização intelectual a espiritual. Tal processo elevava o culto de Afrodite acima da esfera da simples sensualidade a explica por que as sacerdotisas do culto inspiravam respeito a não eram em absoluto consideradas como prostitutas vulgares, embora recebessem todos os que chegassem. Elas procuravam suprir certas necessidades mais sutis da alma humana por meio de suas hábeis artes. Nós, os modernos, superamos em muito os gregos na arte de estimular o desejo, criando o cinema, os espetáculos e a música, mas não temos a menor noção da arte muito mais importante de despertar as necessidades da alma humana por um intercâmbio etéreo a mental de magnetismo, e é por essa razão que nossa vida sexual, tanto fisiológica como socialmente, é tão instável a insatisfatória.
  • Não podemos compreender corretamente o sexo se não compreendermos que ele é um dos aspectos do que o esoterista chama de polaridade, a que esse é um princípio que percorre toda a criação, sendo, de fato, a base de manifestação. Ele é representado na Árvore pelos Pilares da Severidade a da Misericórdia. Toda a atividade da força está compreendida no princípio da polaridade, assim como toda a função da forma está compreendida no princípio do metabolismo.
  • A polaridade significa essencialmente o fluxo de força de uma Esfera de alta pressão para uma Esfera de baixa pressão, sendo os termos “alto” a “baixo” relativos. Toda Esfera de energia precisa receber o estímulo de um influxo de energia da pressão superior a enviá-to a uma Esfera de pressão inferior. A fonte de toda energia está no Grande Imanifesto, a ela segue seu Caminho para baixo, de nível em nível, alterando sua forma de uma Esfera a outra, até se converter, finalmente, em força “terrestre”, em Malkuth. Em toda vida individual, em toda forma de atividade, em todo grupo social organizado para qualquer propósito, exército, igreja ou companhia comercial, vemos a exemplicação desse fluxo de energia percorrendo o circuito. O ponto capital que devemos entender é que, na Árvore microcósmica, há um fluxo descendente a ascendente dos aspectos positivo a negativo de nossos níveis subjetivos de consciência, em que o espírito inspira a mente, e a mente dirige as emoções, a as emoções formam o duplo etéreo, e o duplo etéreo molda o veículo físico, que é o “fio terra” do circuito. Esse ponto é fácil de compreender, a podemos confirmá-to facilmente quando lhe prestamos a devida atenção.
  • Mas um ponto que não compreendemos facilmente é que há um fluxo a refluxo entre cada “corpo”, ou nível de consciência, a seu aspecto correspondente no macrocosmo. Assim como há uma entrada a uma saída no nível de Malkuth por onde o corpo recebe alimento a água como nutrição a os expulsa com excreções, que são o alimento do reino vegetal sob o polido nome de “adubo”, assim também há uma entrada a uma saída entre o duplo etéreo e a luz astral, a entre o corpo astral e o lado mental da natureza, a assim por diante nos planos, sendo os fatores sutis representados pelas seis Sephiroth superiores. A essência da Cabala Mágica, que é a aplicação prática da Árvore da Vida, consiste em desenvolver esses circuitos magnéticos de níveis diferentes, a assim fortalecer a reforçar a alma. Assim como o corpo físico se nutre comendo a bebendo, a se mantém saudável pela excreção adequada – processos que poderiam receber o nome de “operações da Esfera de Malkuth” -, assim é a alma do homem vitalizada pelas operações da Esfera de Tiphareth, que se chama também de Esfera dd Redentor, que confere saúde à alma. Sabemos como a iniciação desenvolve os poderes do psiquismo superior a permite a percepção das verdades superiores; o que não compreendemos é que, para percorrer a escala plena do desenvolvimento humano, precisamos também desenvolver nosso poder para entrar em contato com a energia natural em sua forma essencial representada pela Esfera de Netzach. Estamos acostumados a admitir que o espiritual e o natural são mutuamente antagônicos a que devemos despir um santo para vestir o outro, a concluímos que, se o espiritual é o Bem superior, o natural deve ser necessariamente o Mal inferior; não compreendemos que a matéria é espírito cristalizado, a que o espírito é matéria volatizada, a que não existe diferença substancial entre eles, assim como não existe entre a água e o gelo, sendo ambos estágios diferentes da Coisa única, como os alquimistas a chamam; esse é o grande segredo da Alquimia, que constitui a base filosófica da doutrina secreta da transmutação.
  • Mas a trasmutação dos metais tem uma importãncia meramente acadêmica se comparada à transmutaçâo da energia na alma. É com essa que o iniciado opera por meio da técnica da Ãrvore da Vida; e, assim como a consciência se transmuta no Pilar Central da Cordura, ou Equiliôrio, assim também a energia se transmuta no Pilar da Misericórdia, do qual Netzach é a base, e a forma se transmuta no Pilar da Severidade, do qual Hod, o intelecto, é a base.
  • Em Chokmah, portanto, temos o tremendo impulso da vida, que é a grande potência masculina do universo; em Chesed, temos a organização das forças em complexos interativos; a em Netzach, temos uma esfera em que a evolução, ascendendo de Malkuth como força organizada que anima a forma vivificada, é capaz de fazer contato mais uma vez com a força essencial. Netzach, a Esfera de Nogah, que é o nome hebraico de Vênus-Afrodite, é, portanto, uma Esfera extremamente importante do ponto de vista do trabalho prático do ocultismo. Como a maior parte dos ocultistas aprendizes trabalha apenas no Pilar Central, que é o Pilar da Consciência, a não prestam nenhuma atenção aos pilares laterais, que são os Pilares da Função, eles obtêm resultados insignificantes no que diz respeito à iniciaçáo. O cego guia o cego, e o pretenso iniciador médio das modernas fraternidades ocultistas não compreende que precisa iniciar tanto a subconsciência quanto a consciência, a iluminar tanto os instintos quanto a razão.

III

  • Até agora, consideramos Netzach do ponto de vista objetivo e subjetivo; resta-nos estudar o simbolismo atribuído a essa Sephirah à luz do conhecimento obtido.
  • Observaremos, de imediato, que o simbolismo contém duas ideias distintas: a ideia do poder e a ideia da beleza; o que evoca o amor que existia entre Vênus a Marte de acordo com o velho mito. Ora, esses mhos não são fabulosos, a não ser no sentido histórico, mas representam verdades do espírito; e, quando descobrimos a mesma ideia presente em diferentes panteões, quando descobrimos que o cabalista hebreu e o poeta grego, cujas mentalidades eram tão distantes quanto os pólos, apresentaram o mesmo conceito em formas diferentes, devemos concluir que isso não é acidental, mas merece uma cuidadosa atenção.
  • Não utiiizaremos nosso método habitual de analisar os símbolos numa dada ordem, mas vamos classificá-los de acordo com os dois tipos a que pertencem.
  • O título hebraico da Sétima Sephirah é Netzach, que significa Vitória. Seu título adicional é Firmeza, que evoca a mesma ideia do domínio e da energia vitoriosa. O Nome divino é Jehovah Tzabaoth, que significa o Senhor das Hostes, ou Deus dos Exércitos. O coro angélico atribuído a Netzach é o dos Elohim, ou deuses, os regentes da natureza.
  • As quatro cartas do Tarô atribuídas a essa Sephirah contêm a ideia da batalha, ainda que numa forma negativa. É curioso notar, contudo, que apenas o Sete de Paus tem um significado bom ou positivo, sendo as outras sete cartas de má sorte. A razão desse fato se esclarece, contudo, quando compreendemos o simbolismo como um todo, de modo que vamos deixá-to de lado por enquanto, reconsiderando-o mais adiante.
  • Analisemos agora o outro grupo de imagens simbólicas. O chakra cósmico de Netzach é o planeta Vênus, e a imagem mágica é, com bastante propriedade, “uma bela jovem desnuda”. A experiência espiritual atribuída a essa Esfera é a visão da beleza triunfante. A virtude é o desprendimento, ou seja, a capacidade de adotar o pólo negativo. Os vícios são os causados pelo abuso do amor – o impudor e a luxúria.
  • A correspondência no microcosmo indica os rins, os quadris a as pemas, os quais, como podemos observar, formam o enquadramento dos órgãos geradores, a confirmam a ideia, já esboçada, de que a Deusa do Amor e a Deusa da Fertilidade não são idênticas.
  • Os símbolos atribuídos a Netzach são a lãmpada, o cinto e a rosa. O cinto e a rosa explicam-se por si mesmos, pois estão tradicionalmente associados a Vênus. A lãmpada, contudo, requer uma explicação adicional, pois as associaçôes clássicas não nos dão pista alguma a esse respeito. Devemos voltar à Alquimia.
  • Os quatro elementos estão associados às quatro Sephiroth inferiores, e o elemento Fogo está associado a Netzach. A lâmpada é a arma mágica utilizada nas operações do elemento Fogo. Daí a associação com Netzach. O elemento Fogo está associado à energia ígnea no coração da natureza, e vincula-se ao aspecto marciano da Sephirah Vênus.
  • Vemos, assim, pelo estudo do simbolismo precedente, que o simbolismo de Marte, ou da vitória, está associado ao macrocosmo, e o simbolismo de Vênus, o amor, ao aspecto microcósmico ou subjetivo. Temos aqui a chave de uma verdade muito importante, que os antigos compreendiam muito bem, mas que precisou esperar a obra de Freud para encontrar uma interpretação em linguagem moderna. Para dizê-to em outras palavras, a energia elemental, ou, dinamismo fundamental de um indivíduo, está estreitamente associada com a vida sexual desse indivíduo.
  • Esse é um aspecto muito importante de nossa vida psíquica que os psicólogos conhecem muito bem, embora os místicos a os sensitivos não o considerem apropriadamente, pois tendem geralmente a um idealismo que procura escapar da matéria a de seus problemas. Mas escapar assim é deixar uma fortaleza não-conquistada à retaguarda; e o meio mais sábio – o único meio que pode produzir a plenitude de vida a um temperamento equilibrado – é dar o devido lugar a Netzach, que equilibra o intelectualismo de Hod e o materialismo de Malkuth, lembrando sempre que a Árvore consiste nos dois Pilares da Polaridade, com o Caminho do Equilíbrio entre eles.
  • O verdadeiro segredo da virtude natural reside no conhecimento dos direitos litigantes dos pares de opostos; não existe qualquer antinomia entre Bem a Mal, mas apenas o equilíbrio entre dois extremos; cada um deles é mau quando levado ao excesso; ambos dão origem ao mal se perdem o equilíbrio. A licença não-controlada conduz à degradação, mas o idealismo desequilibrado conduz à psicopatologia.
  • Há três tipos de pessoas que passam pelo Véu: o místico, o sensitivo e o ocultista. O místico aspira à união com Deus, a atinge seu fim pondo de lado tudo que não é de Deus em sua vida. O sensitivo é um receptor de vibraçôes sutis, mas não um transmissor. O ocultista precisa ser, pelo menos em certa medida, um receptor, mas seu objetivo primário é obter o controle a dirigir os reinos invisíveis, da mesma maneira que o homem de ciência aprendeu a controlar a dirigir o reino da Natureza.
  • Para alcançar esse objetivo, ele precisa trabalhar em harmonia com as forças invisíveis, da mesma maneira que o cientista domina a Natureza, compreendendo-a. Dessas forças invisíveis, algumas sâo espirituais, originárias de Kether, a algumas são elementais, operando de Malkuth. As forças Kether do Macrocosmo são recolhidas no Microcosmo por meio do centro Tiphareth, para utilizar a terminologia cabalística; as forças elementais são recolhidas pelo centro Yesod, mas – e este é o ponto capital – dirigidas a controladas na medida em que o equilíbrio é mantido entre Netzach e Hod.
  • Netzach, no Microcosmo, representa o dado instintivo a emocional de nossa natureza, a Hod representa o intelecto; Netzach é o artista em nós, a Hod é o cientista. De acordo com a variação de nosso humor entre dinamismo a restrição, assim será a polaridade de Hod a Netzach no Microcosmo, que é a alma. Se não há influência de Netzach para introduzir um elemento dinâmico, o predomínio de Hod conduzirá a muita teoria e a nenhuma prática nos assuntos ocultos. Ninguém pode manipular a magia na qual a Esfera de Netzach não tem funçôes, pois o ceticismo de Hod matará todas as imagens mágicas antes de seu nascimento. Como todas as coisas na Natureza, Hod, não-fertilizada por sua polaridade oposta, é estéril. É necessário que, em todo ocultista que queira trabalhar praticamente haja um artista. Embora poderoso, o intelecto, por si só, não confere poderes. É por meio de Netzach, em nossa natureza, que as forças elementais tem acesso à consciência; sem Netzach, elas permanecem na Esfera subconsciente de Yesod, trabalhando cegamente. Ensinam os Mistérios que todo nível de manifestação tem sua própria ética, ou padrão de certo a errado, a que não devemos confundir os planos esperando, de um, o padrão do outro que não lhe é aplicável. No reino da mente, a ética é verdade; no plano astral, que é a Esfera das emoções a dos instintos, a ética é a beleza. Precisamos aprender a compreender a justiça da beleza, assim como a beleza da justiça, se quisermos que todas as províncias de nosso reino interior obedeçam ao poder central da consciência unificada.
  • Ao penetrar a região das quatro Sephiroth inferiores, entramos na Esfera da mente humana. Consideradas subjetivamente elas constituem a personalidade a seus poderes. O objetivo da iniciação oculta é desenvolver esses poderes e, considerados do ponto de vista superior, como deveria ser sempre, sob pena de degenerar na Magia Negra, uni-los com Tiphareth, que é o ponto focal do eu superior, ou individualidade. Ao discutir Netzach, ultrapassamos, por conseguinte, definitivamente, o portal dos Mistérios, e trilhamos o campo sagrado reservado aos iniciados.
  • Não estou advogando um sigilo, que é simplesmente política clerical, mas há certos segredos práticos dos Mistérios que não convém divulgar para que não ocorram abusos. Existe também a tendéncia inveterada da natureza humana em aplicar suas próprias definições a termos familiares, a em recursar-se a reconhecê-las fora de suas associações familiares. Se levantamos uma ponta do Véu do Templo a revelamos o fato de que o sexo é simplesmente uma instância especial do princípio universal da polaridade, a dedução imediata é que a polaridade e o sexo são termos sinónimos. Se digo que, embora o sexo seja uma parte da polaridade, há muito na polaridade que nada tem a ver com o sexo, minha explicação será ignorada. Talvez eu seja mais bem compreendida se substituir a terminologia dos psicólogos pela dos físicos mais apropriada, a dizer que a vida só flui através de um circuito; isolemo-la, a ela se tornará inerte. Encaremos a personalidade como uma máquina elétrica: ela precisa estar ligada à casa de força, que é Deus, a Fonte de Toda Vida, ou não funcionará; mas ela precisa igualmente estar em contato com a Terra, do contrário seu mecanismo não poderá ser posto em movimento. Todo ser humano precisa estar em contato com a Terra, tanto no sentido literal como no metafórico. O idealista tenta induzir uma completa isolação de todos os contatos terrestres, a fim de que o poder afluente não se disperse; ele não compreende que a Terra é um grande ímã.
  • A tradição declara, desde a mais remota antigüidade, que a chave dos Mistérios foi escrita na Tábua de Esmeralda, de Hermes, onde estavam inscritas as palavras “Como em cima, tal é embaixo”. Apliquemos os princípios da física à psicologia a teremos a solução do enigma. Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça.
  • Consideremos, por fim, o significado das cartas do Tarô associadas a Netzach. São os quatro setes do baralho.
  • Como chegamos à Esfera de influência do plano terrestre, consideramos oportuno explicar o que representam essas cartas menores do Tarô na adivinhação. Elas simbolizam os diferentes modos de funcionamento das diferentes forças sephiróticas nos Quatro Mundos dos cabalistas. O naipe de Paus corresponde ao nível espiritual; Copas, ao nível mental; Espadas, ao plano astral; a Ouros, ao piano físico. Conseqüentemente, se o Sete de Ouros sai na adivinhação, ele signif`ica que a influência ,de Netzach exerce um papel no plano físico. Reza um velho adágio, “Feliz no amor, infeliz nas cartas”, o que não é senão outra maneira de dizer que a pessoa que é atraente ao sexo oposto está perpetuamente em apuros. Vênus exerce uma influência perturbadora nos assuntos terrestres. Ela distrai dos negócios sérios da vida. Assim que sua influência chega a Malkuth, ela deve entregar a palma a Ceres e desaparecer. São os filhos, a não o amor, que mantêm o lar unido. O nome cabalístico do Sete de Ouros é Sucesso Incompleto, a devemos apenas passar em revista as vidas de Cleópatra, Guinevere, Isolda a Heloísa para compreender que Vênus no plano físico tem por divisa “Pelo amor, renuncio ao mundo”.
  • O naipe de Espadas é atribuído ao piano astral. O título secreto do Sete de Espadas é Esforço Instável, o qual expressa bastante bem a ação de Vênus na Esfera das emoções, com sua intensidade efêmera.
  • O título secreto do Sete de Copas é Sucesso Ilusório. Essa carta representa a operação de Vênus na Esfera da mente, onde sua influência em nada contribui para tornar claras as concepções. Acreditamos no que queremos acreditar quando estamos sob a influência de Vênus. Nesse plano, sua divisa deveria ser “O amor é cego”.
  • Apenas na Esfera do espírito, Vênus está em seu lugar adequado. Aqui, sua carta, o Sete de Paus, recebe o nome de Valor, que descreve convenientemente a influência dinâmica a vitalizante exercida quando seu significado espiritual é compreendido a empregado.
  • As quatro cartas de Tarô atribuídas a Netzach revelam de maneira muito interessante a natureza da influência venusiana quando esta atinge os planos. Elas nos ensinam uma lição muito importante, mostrando como essa força é essencialmente instável, quando não tem raízes num princípio espiritual. As formas inferiores do amor são as emoções, a nestas não nos podemos liar; mas o amor superior é dinâmico a energizador.

HOD

  • Título: Hod, Glória. (Em hebraico, zt1: Hé, Vau, Daleth.)
  • Imagem Mágica: Um hermafrodita.
  • Localização na Árvore: Na base do Pilar da Severidade.
  • Texto Yetzirático: O oitavo Caminho chama-se Inteligência Absoluta ou Perfeita, pois é o instrumento do Primordial, a não possui raízes, com as quais possa penetrar a implantar-se, salvo nos lugares ocultos de Gedulah, da qual emana sua essência característica.
  • Nome Divino: Elohey Tzebaoth, o Deus das Hostes.
  • Arcanjo: Miguel.
  • Coro Angélico: Beni Elohim, Filhos de Deus.
  • Chakra Cósmico: Kokab, Mercúrio.
  • Experiência Espiritual: Visão do esplendor.
  • Vitude: Veracidade.
  • Vício: Falsidade. Desonestidade.
  • Correspondéncia no Microcosmo: Os quadris a as pernas.
  • Símbolos: Nomes a versículos. Avental.
  • Cartas do Tarô: Os quatro oitos: Oito de Paus: rapidez; Oito de Copas: sucesso abandonado; Oito de Espadas: força diminuída; Oito de Ouros: prudência.
  • Cor em Atziluth: Violeta-púrpura.
  • Cor em Briah: Laranja.
  • Cor em Yetzirah: Vermelho-roxo.
  • Cor em Assiah: Preto-amarelado, salpicado de branco.

I

  • Os dois poderes primordiais do universo estão representados na Árvore da Vida por Chokmah e Binah, forças positiva e negativa. Afirmam os cabalistas que, embora toda Sephirah emane a Esfera que se lhe segue em ordem numérica, essas duas Supremas, uma vez estabelecida a Árvore, se refletem diagonalmente de um modo particular: Essa característica é claramente indicada no Texto Yetzirático dessa Sephirah, o qual afirma que Hod “não possui raízes com as quais possa penetrar a implantar-se, salvo nos lugares ocultos de Gedulah, da qual emana sua essência característica”. Gedulah, lembremos, é outro nome de Chesed.
  • Binah é o Dador de Forma. Chesed é anabolismo cósmico, a organização das unidades formuladas por Binah em estruturas complexas e interatuantes; Hod, o reflexo de Chesed, é por sua vez uma Sephirah de Forma, e representa esse princípio coagulador em outra Esfera.
  • Chokmah, por outro lado, é o princípio dinâmico; ela se reflete em Geburah, que é o Catabolismo Cósmico, representando a ruptura do complexo no simples, a qual libera energia latente; a isso se reflete novamente em Netzach, a força vital da Natureza.
  • É importante notar, para a compreensão das cinco Sephiroth inferiores, que o presente estágio de evolução representou algum grau de desenvolvimento da consciéncia humana nessas Esferas. Tiphareth representa a consciência superior, em que a individualidade se une à personalidade; Netzach e Hod simbolizam, respectivamente, os aspectos da força a da forma da consciéncia. Porque a consciência humana avançou um grau de desenvolvimento nessas Esferas, sua natureza puramente cósmica é consideravelmente excedida por suas influências; e, como a consciência humana, desenvolvendo-se em Malkuth, é uma consciência de formas derivada da experiência das sensações físicas, as condições de Malkuth se refletem, numa forma rarefeita, em Hod a Netzach, a em grau menor em Tiphareth; Yesod está ainda mais marcadamente condicionada pela influência amplificadora da Malkuth.
  • Isso se deve ao fato de que a mente de qualquer ser, tendo obtido um grau suficiente de desenvolvimento para alcançar uma vontade independente, opera objetivamente sobre seu meio e, dessa forma, o modifica. Ilustremos esse ponto por meio de um exemplo. As criaturas de desenvolvimento inferior, como as formas simples de vida que não têm poder motor, como as anêmonas, só podem exercer uma influência muito limitada sobre seu meio; mas uma criatura de tipo superior a mais inteligente pode exercer uma influência muito grande sobre o meio ambiente, forçando-o, por sua inteligência a energia, a conformar-se à sua vontade, como quando um castor constrói um dique. Os seres humanos, a mais elevada de todas as criaturas da matéria, aprenderam a exercer uma influência profunda sobre seu meio, de modo que o globo terrestre está gradualmente se sujeitando à vontade do homem.
  • No que concerne a cada nível de consciência, as condiçôes são exatamente análogas. A mente realiza suas construções por meio do estofo mental a da natureza das forças espirituais do cosmo, exatamente como a anêmona retira sua substância da nutrição que a água lhe traz. Os tipos supepores de personalidade, contudo, são análogos aos tipos superiores de animals, porque podem, num grau crescente, de acordo com a sua energia a capacidade, influenciar o seu meio sutil; a mente edificada no estofo mental faz sentir seu poder no plano mental.
  • Observamos, ao tratar do plano astral – que é essencialmente o nível de função dos aspectos mais densos da mente humana -, que as forças e fatores desse plano se apresentam à consciência como formas etéreas de um tipo distintamente humano; e, se abordarmos o assunto filosoficamente, e não credulamente, teremos dificuldades para explicar como isso se dá. O iniciado, contudo, tem sua explicação. Ele declara que foi a própria mente humana que criou essas formas, representando para si mesmo essas forças naturais inteligentes como formas portadoras de um tipo humano, a raciocinando por analogia que, como elas são individualizadas, sua individualidade deve ter a mesma espécie de veículo para a manifestação que a sua própria individualidade.
  • Essa não é, naturalmente, uma constatação óbvia. De fato, essas formas de vida, quando deixadas a si próprias, terminam sua encamação nos fenômenos naturais, constituindo seus veículos coordenações de forças naturals, tais como um rio, uma cadeia de montanhas ou uma tempestade. Sempre que o homem entra em contato com o astral, seja como um sensitivo ou um mago, ele cria as formas à sua semelhança, para representá-las como forças sutis, fluídicas, a assim entrar em contato com elas, compreendendo-as e submetendo-as à sua vontade. Ele é uma verdadeira criança da Grande Mãe, Binah, a leva suas propensões naturais para organizar a construir forma a qualquer plano que seja capaz de exaltar-lhe a consciência.
  • As formas percebidas no plano astral por aqueles que são capazes de vê-las são as formas produzidas pela imaginação humana para representar essas forças naturais sutis que pertencem a formas de evolução diferentes da nossa. As inteligências de outras formas de evoluçâo que não a humana, se entram em contato conosco, podem às vezes ser persuadidas a fazerem use dessas formas, assim como um homem pode pôr um escafandro a descer para outro elemento. Um certo tipo fundamental de magia se dedica a fazer essas formas e a induzir as entidades a animá-las.
  • Consideremos o que ocorre quando tal processo está em ação. O homem primitivo, que é muito mais sensível do que o homem civilizado, devido ao fato de sua mente não estar tão elaboradamente organizada pela educação, percebe intuitivamente que há algo sutil atrás de uma unidade altamente complexa de força natural que a diferencia de qualquer outra unidade. Os homens percebem subconscientemente esse aspecto num grau muito maior do que querem admitir; a não é por obra do simples acaso que damos nomes femininos aos furacões, ou chamamos, em inglês, os rios de “pal”. Um selvagem, que sente essa vida que existe por trás dos fenômenos, tenta fazer contato com ela para poder aliar-se-lhe. Como não pode, obviamente, esperar conquistá-la, ele precisa achegar-se a ela, assim como o faria com outras vidas estranhas animadas nos corpos de outra tribo. Para entrar em acordo com alguém, precisamos parlamentar. Não se pode entrar em acordo com pessoas que não parlamentam. O selvagem imagina, raciocinando por seu próprio método primitivo de analogia, que os seres por trás dos fenômenos repousam num reino semelhante àquele em que sua própria vida onínca ocorre; como os sonhos diurnos são estreitamente afros aos sonhos noturnos, a têm a vantagem de estar submetidos à vontade, ele tenta aproximar-se desses seres de outra esfera penetrando-lhes o reino; ou seja, ele fabrica no sonho diurno ou na fantasia a aproximação mais estreita de que é capaz com as visões da noite, e, se consegue alcançar um alto grau de concentraçâo, é capaz de fechar sua consciência desperta a penetrar voluntariamente no estado onírico, formulando um sonho regido por sua própria vontade.
  • Para conseguir esse propósito, ele formula em sua imaginação um retrato mental que visa representar o ser que é o gêmo governante do fenômeno natural com que deseja entrar em acordo; ele o formula muitas e muitas vezes; ele o adora; ele o reverencia; ele o invoca. Se a invocação é suficientemente fervorosa, o ser que está buscando o ouvirá telepaticamente e poderá interessar-se pelo que ele está fazendo; se sua adoração a os sacrifícios lhe são agradáveis, poderá obter sua cooperação. Aos poucos, ele pode ser domado a domesticado; e, por fim, pode ser persuadido a animar, de tempos em tempos, a forma que se construiu com o estofo mental à guisa de veículo. O sucesso dessa operação depende, naturahnente, do grau em que o adorador aprecia a natureza do ser invocado, a ele só pode fazê-to na medida em que o seu próprio temperamento partilhar dessa natureza.
  • Se esse processo tem êxito, conseguimos, então, a domesticação de uma parte da vida da Natureza, encamando-a na forma pela qual os seus adoradores a conhecem. Enquanto a forma astral se mantém viva pelo tipo apropriado de adoração empreendido pelos adoradores com a necessária capacidade para entrar em comunhão com essa espécie de vida, dispomos de um deus encarnado, que desceu ao âmbito da percepção humana. Cessando a adoraçáo, o deus se retira para sua morada no seio da Natureza. Se existem outros adoradores, contudo, que possuem o conhecimento necessáno para edificar uma forma em consonância com a natureza da vida que deve ser invocada, e a simpatia imaginativa necessária para invocá-la, é algo relativamente simples atrair uma vez mais à forma a vida que estava acostumada a animá-la; não mais difícil, do que apanhar, com uma cesta de aveia, um cavalo que vive em estado selvagem nos pastos.
  • Poder-se-á dizer que tudo isso não passa de especulação fantástica a puro dogmatismo. Como posso eu saber que é esse o modo pelo qual agia o homem primitivo? Porque é esse o método de ação que a tradição secreta dos Mistérios nos transmitiu desde tempos imemoriais, a porque, quando esse método é empregado por alguém que adquiriu o grau necessário de habilidade na concentração a conhece os símbolos que são utilizados para constituir as diferentes formas, esse mesmo método mostra sua validade, e a chama do altar atrai novamente os Velhos Deuses. Resultados definidos se produzem na consciência dos adoradores; e, se eles emprestam a técnica do espiritista a se podem recorrer a um médium materializador, fenômenos de um tipo bem definido podem ser produzidos.
  • Esse método é empregado nos trabalhos da Missa pelos sacerdotes que têm o conhecimento. Existem dois tipos de sacerdotes na Igreja Romana: o clérigo paroquial a os homens que pertencem a ordens monásticas. Esses monges empregam freqüentemente, no trabalho da Missa, um altíssimo grau de poder mágico, como qualquer sensitivo pode testemunhar. O ato da transubstanciação é, na verdade, a animação de uma forma astral com força espiritual. É no conhecimento dessas coisas a na posse de corpos organizados de homens a mulheres treinados em sua utilização nas ordens monásticas que reside a força da Igreja Católica a Apostólica; é a ausência Jesse conhecimento interior que constitui a fraqueza Jas comunhões cismáticas, ausência que toma os rituais anglicanos, mesmo quando operados com todo o cerimonial, tão diferentes como a água do vinho, quando comparados com os rituais romanos; pois os homens que os operam não têm qualquer conhecimento das operações secretas tradicionais da comunhão romana, a não são treinados na técnica da visualização. Não sou católica, a jamais o serei, porque não me submeteria à sua disciplina, nem acredito que haja apenas Um Nome sob os céus por meio do qual os homens se possam salvar, embora eu reverencie esse Nome, mas reconheço o poder quando o vejo, e o respeito.
  • Mas o poder da Igreja Romana não repousa nos documentos, e sim na função. Ela é poderosa não porque Pedro recebeu as Chaves (e é provável que ele não as tenha recebido), mas porque ela conhece seu trabalho. Não há razão que impeça os sacerdotes da Comunhão Anglicana de operarem com o poder se eles aplicarem os princípios que expliquei nestas páginas. Na Sociedade do Mestre Jesus, que é parte de minha própria organização, a Fratemidade da Luz Interior, rezamos a Missa com o poder porque aplicamos esses princípios. Quando começamos, ofereceram a Sucessão Apostólica aos nossos oficiantes, mas nós a recusamos, porque sentimos que seria melhor utilizar nosso conhecimento para fazer novamente os contatos por nossa conta do que receber a Sucessão Apostólica de uma fonte que não estava acima de suspeitas – e a experiência justificou a nossa escolha.

II

  • Para compreendermos plenamente a filosofia da Magia, devemos lembrar que uma Sephirah isolada não é funcional; a função supõe sempre um par de opostos em equilíbrio, que resulta numa terceira Esfera equilibrada que é funcional. O par de opostos em si não é funcional porque ele se neutraliza mutuamente; só quando se une com a força equilibrada para fluir por uma terceira Esfera, segundo o simbolismo do Pai, da Mãe a do Filho, alcança o par a atividade dinâmica, distinta da força latente que está encerrada nele à espera da invocação.
  • O triângulo funcional da Tríade Superior consiste em Hod, Netzach a Yesod. Hod a Netzach, como já observamos, são, respectivamente, Forma a Força no plano astral. Yesod é a base da substância etérea, Akasha, ou a Luz Astral, como é às vezes chamada. Hod é especialmente a Esfera da Magia, porquanto é a Esfera da formulação de formas, a é, por conseguinte, a Esfera na qual o mago realmente opera, pois é sua mente que formula as formas a sua vontade que reúne as forças naturais da Esfera de Netzach que animam essas formas. Note-se, contudo, que sem os contatos de Netzach, o aspecto da força do astral, a animação não poderia ocorrer; e, em Netzach, sendo essa a Esfera das emoções, os contatos se fazem por meio da simpatia. O poder da vontade projeta o mago para fora de Hod, mas apenas o poder da simpatia pode colocá-to em Netzach. Uma pessoa fria a de vontade dominadora não pode se tomar um adepto que trabalha com o poder, assim como não o pode uma pessoa fluidicamente simpática de pura emoção. O poder da vontade concentrada é necessário para que o mago enfrente sua obra, mas o poder da simpatia imaginativa é essencial para que esses contatos se façam. Pois é apenas através de nosso poder para entrar imaginativamente na vida dos tipos de existência diversos do nosso que podemos entar em contato com as forças da natureza. Tentar dominá-las pela Aura vontade, amaldiçoando-as pelos poderosos Nomes de Deus se elas resistem, é pura feitiçaria.
  • Como já observamos, é por meio dos fatores correspondentes em nossos próprios temperamentos que entramos em contato com as forças da Natureza. É a Vênus interior que nos põe em contato com as influências simbolizadas por Netzach. É a capacidade mágica de nossa própria mente que nos pôe em contato com as forças da Esfera de Hod-Mercúrio-Thoth. Se em nossa própria natureza não existe Vênus a nenhuma capacidade para responder ao chamado do amor, as portas da Esfera de Netzach jamais se abrirão para nós a nunca receberemos a sua iniciação. Da mestna maneira, se não temos qualquer capacidade mágica, que é o trabalho da imaginação intelectual, a Esfera de Hod será um livro fechado para nós. Só podemos operar numa Esfera depois de termos recebido a iniciação dessa Esfera, a qual, na linguagem dos Mistérios, confere os seus poderes. Na operação técnica dos Mistérios, essas iniciações são concedidas no plano físico por meio do cerimonial, que pode ou não ser efetivo. O ponto fundamental da questão reside no fato de que não podemos despertar uma atividade que já não existe em estado latente. A vida é o verdadeiro iniciador; as experiências da vida estimulam o funcionamento das capacidades de nossos temperamentos no grau em que as possuímos. A cerimônia da iniciação a os ensinamentos dadòs nos diversos graus têm por objetivo apenas tornar consciente o que era anteriormente subconsciente, a submeter ao controle da vontade, dirigida pela inteligência superior, as capacidades de reação desenvolvidas que até então só responderam cegamente aos estímulos apropriados.
  • Cumpre lembrar que é apenas na proporção em que nossas capacidades de reação se elevam acima da Esfera dos reflexos emocionais a se colocam sob o controle racional que podemos transformá-las em poderes mágicos. Apenas quando o aspirante – tendo a capacidade de responder em todos os planos, ao chamado de Vênus, pode recusar-se com facilidade a sem esforço à vontade de responder é que ele pode se iniciar na Esfera de Netzach. Eis por que se diz que o adepto utiliza todas as coisas, mas não depende de nada.
  • Esses conceitos são claros para aqueles que têm olhos para ver o simbolismo de Hod. O Texto Yetzirático declara que Hod é a Inteligência Perfeita porque é o instrumento do Primordial. Em outras palavras, é o poder em equilíbrio, pois a palavra “instrumento” implica uma posição intermediária entre dois extremos.
  • O conceito da reação a da satisfação inibidas está expresso no título do Oito de Copas do Tarô, cujo nome secreto é “Sucesso Abandonado”. O naipe de Copas do Tarô, no simbolismo do Tarô, está sob a influência de Vênus a representa os diferentes aspectos a influências do amor. O “Sucesso Abandonado”, a inibição da reação instintiva, que daria a satisfação – em outras palavras, a sublimação -, é a chave dos poderes de Hod. Mas lembremos que a sublimação não é a mesma coisa que a repressão ou a erradicação, e se aplica ao instinto de autopreservação, assim como ao instinto de reprodução, com o qual a mente popular a associa exclusivamente.
  • O mesmo conceito reaparece no título secreto do Oito de Espadas, que é “O Senhor da Força Diminuída”. Temos, nessas palavras, uma clara imagem da suspensão a retenção do poder dinâmico que procuramos controlar.
  • No Oito de Ouros, que representa a natureza de Hod manifesta no plano material, temos o Senhor da Prudência – que é também uma influência restritiva. Mas essas três cartas negativas se resumem sob o governo do Oito de Paus, que representa a ação da Esfera de Hod no plano espiritual, e essa carta recebe o nome de Senhor da Rapidez.
  • Vemos, pois, que é pelas inibições a restriçôes nos planos inferiores que á energia dinámica do plano superior pode ser utilizada. É na Esfera de Hod que a mente racional impõe essas inibições à natureza animal dinámica da alma, condensando-as, formulando-as a dirigindo-as por meio de sua linútação a impedindo-lhes a difusão. É essa operação da Magia que trabalha com os símbolos. Por meio dela, as forças naturais livres são reprimidas a dirigidas aos fins desejados. Esse poder de direção a controle só pode ser obtido pelo sacrifício da fluidez, a Hod é, por conseguinte, justamente considerado como o reflexo de Binah através de Chesed.
  • Tendo considerado os princípios gerais da Esfera de Hod, podemos agora considerar em detalhes o seu simbolismo.
  • O significado da palavra hebraica Hod é Glória, o que sugere de pronto à mente que, nessa Sephirah, a primeira Esfera em que as formas estão definitivamente organizadas, o esplendor do Primordial se revela à consciência humana. Os físicos nos dizem que a luz só se manifesta como azul no céu devido à refração das partículas de pó na atmosfera. Uma atmosfera absolutamente sera pó seria completamente negra. Ocorre o mesmo na metafísica da Árvore. A glória de Deus só pode brilhar na manifestação quando existem formas que a manifestam.
  • A Imagem Mágica de Hod concede um tema muito interessante para meditação. Aqueles que compreenderam o signiflcado das páginas anteriores verão até que ponto a natureza dinámica a formal do trabalho mágico está resumida no símbolo do ser em que se combinam os elementos masculino a feminino.
  • Hod é essencialmente a Esfera das formas animadas pelas forças da natureza; e, inversamente, é a Esfera em que as forças da natureza assumem uma forma sensível.
  • O Texto Yetzirático já foi extensamente comentado e, quanto a esse assunto, o leitor deverá reportar-se a ele.
  • O Nome Divino de Hod, Elohim Tzabaoth, Deus das Hostes, contém o símbolo hermafrodita de modo muito interessante, pois a palavra Elohim é um substantivo feminino com um plural mascuiino, indicando, assim, segundo a maneira dos cabalistas, que ela representa um tipo duplo de atividade ou de força que funciona por meio de uma organização. As três Sephiroth do Pilar Negativo da Árvore têm a palavra Elohim como parte do Nome Divino. Tetragrammaton Elohim em Binah; Elohim Gebor em Geburah; e Elohim Tzabaoth em Hod.
  • A palavra Tzabaoth significa hoste, ou armada. Temos, assim, a ideia da Vida Divina que se manifesta em Hod por meio de uma hoste de formas animadas com força, em oposição à atividade fluídica de Netzach.
  • A atribuiçáo do poderoso Arcanjo Miguel a Hod oferece-nos um tema muito interessante para reflexão. Esse arcanjo é comumente representado pisoteando uma serpente a atravessando-a com uma espada, a tendo em mãos um par de balanças, símbolo do equilíbrio, que expressa a mesma ideia do Texto Yetzirático, “Instrumento do Primordial”.
  • A serpente pisoteada pelo grande Arcanjo é força primitiva, a serpente fálica dos freudianos; a esse hieróglifo nos ensina que é a “prudência” restritiva de Hod que “amortece” a força primitiva, impedindo-a de ultrapassar os seus limites. A Queda, devemos lembrar, é representada na Árvore pela Grande Serpente, que ultrapassa os limites colocados para ela e ergue suas sete cabeças coroadas até Daath. É muito interessante observar a maneira pela qual os símbolos se interpenetram, reforçando-se a esclarecendo-se mutuamente, a fornecendo os seus frutos à contemplação do cabalista.
  • O coro angélico que opera em Hod é o dos Beni Elohim, os Filhos dos Deuses. Temos novamente o conceito dos “Deuses das Hostes”, ou armadas. Um dos conceitos mais importantes da ciência arcana diz respeito à operação do Criador por meio dos intermediários. O não-iniciado e o profano imaginam que Deus trabalha como um pedreiro, juntando tijolos com as próprias mãos a levantando o edifício; mas o iniciado concebe Deus como o Grande Arquiteto do Universo, que desenha Seus projetos no plano dos arquétipos e a Quem recorrem os videntes, os arcanjos, em busca de instrução, dirigindo as armadas dos operários humildes que assentam pedra sobre pedra de acordo com o plano arquetípico do Superior. Constrói o arquiteto com as suas próprias mãos? Não; a tampouco assim foi quando o universo estava sendo edificado.
  • O chakra cósmico, como já observamos, é Mercúrio, a já analisamos o seu simbolismo como Hermes-Thoth.
  • A experiência espiritual atribuída a essa Sephirah é a Visão do Esplendor, que é a compreensão da glória de Deus manifesta no mundo criado. O iniciado de Hod vê além das aparências das coisas criadas a percebe o seu Criador; e, na compreensão do esplendor da Natureza como a veste do Inefável, ele recebe a sua iluminação a se toma um co-operador do Grande Artífice. É essa compreensão das forças espirituais que manipulam todas as manifestações a aparições que é a chave dos poderes de Hod tal como são eles considerados na Magia da Luz. É formando-se um canal para essas forças que o Mestre da Magia Branca ordena as Esferas de Força Desequilibrada, não utilizando os poderes para sua vontade pessoal. Ele é o equilibrador do desequilibrado, não o manipulador arbitrário da natureza.
  • Nessa esfera, que é a Esfera de Mercúrio-Hermes, deuses da ciência a dos livros, vemos claramente que a virtude suprema é a veracidade, e que o aspecto contrário dessa Sephirah é aquele que Mercúrio revela em seu aspecto como deus dos ladrões a dos trapaceiros astutos. Na ética esotérica, acredita-se que cada plano tem o seu padrâo de certo a errado. O padrão do plano físico é a força; o padrão do plano astral é a beleza; o padrão do plano mental é a verdade; e o padrão do plano espiritual é o certo e o errado, tal como entendemos esses termos; portanto não existe ética, a não ser em termos de valor espiritual; tudo o mais é transitório. Na Esfera que é essencialmente a Esfera da mente concreta, é lógico que a Cabala lhe atribua como virtude suprema a veracidade.
  • A correspondência no Microcosmo estabelece-se entre os quadris e as pernas, de acordo com a regência astrológica do planeta Mercúrio.
  • Os símbolos associados a Hod são os nomes, os versículos e o avental. Os nomes são as Palavras de Poder por meio das quais o mago resume a evoca na consciência as potências multiformes dos Beni Elohim. Esses nomes não são, em absoluto, vocábulos arbitrários a bárbaros, sem etimologia ou significado. São fórmulas filosóficas. Em alguns casos, sua interpretação é etimológica, como no caso das divindades egípcias, cujos nomes se baseiam nos nomes das forças que servem para designar forças complexas. Em todos os sistemas mágicos, contudo, que têm sua raiz na Cabala, os nomes mágicos se baseiam no valor numérico das consoantes deste ou daquele alfabeto sagrado; há uma Cabala grega, uma árabe a uma copta, além da bem conhecida hebraica. Essas consoantes, quando substituídas pelos números apropriados, fornecem uma cifra, que pode ser manipulada matematicamente de diversas maneiras. Alguns desses meios estáo de acordo com os métodos da matemática pura, e o resultado volta a se traduzir em letras, revelando correspondências muito interessantes com os nomes das forças similares ou conexas. Esse é um aspecto muito curioso da tradição cabalística, e, nas mãos de mestres experientes, fornece resultados interessantes; mas pode, ao contrário, conduzir o inexperiente ao abismo, porque não há limite para as combinações, a apenas um profundo conhecimento dos princípios pode dizer-nos quando as analogias são legítimas ou não, impedindo-nos de cair na credulidade a na superstição.
  • Os versículos são frases mântricas, a um mantra é uma frase sonora que, quando repetida indefinidamente à maneira de um rosário, opera sobre a mente como uma forma especial de auto-sugestão – cuja psicologia é por demais complexa para que dela possamos aqui nos ocupar.
  • O avental evoca associações imediatas para os iniciados do Sábio Salomão; ele é o traje característico do iniciado nos Mistérios Menores, que é sempre qualificado figurativamente como um pedreiro, isto é, um construtor de formas, a como a Sephirah Hod é a Esfera das operações dos construtores de formas mágicas, o símbolo que lhe corresponde é bastante pertinente. O avental cobre a oculta o centro lunar de Yesod, que estudaremos em seu devido tempo. Como já observamos, Yesod é o aspecto funcional do par de opostos do plano astral.
  • Já estudamos, em páginas anteriores, os quatro oitos das cartas do Tarô, atribuídos a essa Sephirah.
  • Para concluir, temos em Hod a Esfera da Magia Formal, distinta do simples poder mental. As formas que são construídas pelo mago que trabalha com as forças da Natureza são os Beni Elohim, os Filhos dos Deuses.

YESOD

  • Título: Yesod, o Fundamento. (Em hebraico: Yod, Samech, Vau, Daleth.)
  • Imagem Mágica: Um belo homem desnudo, muito forte.
  • Localização na Árvore: Na base do Pilar do Equilíbrio.
  • Texto Yetzirático: O Nono Caminho chama-se Inteligência Pura, porque purifica as Emanaçôes. Ele prova a corrige o desenho de suas representações, a dispõe a unidade em que elas estão desenhadas, sem diminuição ou divisão.
  • Nome Divino: Shaddai el Chai, o Deus Vivo Todo-poderoso.
  • Arcanjo: Gabriel.
  • Coro Angélico: Kerubim, os Poderosos.
  • Gtakra asmico : Levanah, a Lua.
  • Experiência Espiritual: A visão do mecanismo do universo.
  • Vitude: Independência.
  • Vício : Ociosidade.
  • Correspondência no Microcosmo: Os órgãos reprodutores.
  • Símbolos: Os perfumes a as sandálias.
  • Cartas do Tarô: Os quatro noves. Nove de Paus: grande força; Nove de Copas: felicidade material; Nove de Espadas: desespero a crueldade; Nove de Ouros: ganho material.
  • Cor em Atziluth: Índigo.
  • Cor em Briah: Violeta.
  • Cor em Assiah: Citrino salpicado de azul.
  • Cor em Yetzirah: Púrpura muito escura.

I

  • O estudo do simbolismo de Yesod revela dois grupos de símbolos aparentemente incongruentes. Por um lado, temos a concepção de Yesod como o fundamento do universo, estabelecido na força, a que é indicada pela recorréncia da ideia da força, como na imagem mágica de um belo homem desnudo, muito forte, no Nome divino de Shaddai, o Todo-poderoso, nos Kerubim, os anjos poderosos, a no Nove de Paus, cujo nome secreto é o Senhor da Grande Força. Mas, por outro lado, temos o simbolismo da Lua, que é essencialmente fluida a que apresenta um estado contínuo de fluxo a refluxo, sob o govemo de Gabriel, o arcanjo do elemento Água.
  • Como podemos reconciliar esses conceitos conflitantes? A resposta encontra-se nas palavras do Texto Yetzirático, que afirma a respeito do Nono Caminho: “Ele purifica as Emanações. Prova a corrige o desenho de suas representações, a dispôe a unidade em que elas estão desenhadas sem diminuição ou divisão.” Esse conceito é esclarecido, ademais, pela natureza da experiência espiritual atribuída a Yesod, que é descrita como “a visão do mecanismo do Universo”.
  • Temos, então, a ideia das águas fluidas do caos reunindo-se a organizàndo-se por meio das “representações” que foram “desenhadas” em Hod; a “prova, correção a disposição da unidade” final dessas “representaçôes” ou imagens formativas resultam na organização do “mecanismo do Universo”, cuja visão constitui a experiéncia espiritual dessa Sephirah. De fato, Yesod poderia ser corretamente descrita como a Esfera do mecanismo do universo. Se comparássemos o reino da Terra a um grande navio, Yesod seria a casa das máquinas.
  • Yesod é a Esfera dessa substãncia peculiar, que participa tanto da natureza da mente quanto da da matéria, a que se chama o Éter do Sábio, o Akasha, ou Luz Astral, de acordo com a terminologia empregada. Não se trata do mesmo éter do físico, que é um elemento ígneo da Esfera de Malkuth, a que representa para esse éter o mesmo que este représenta para a matéria densa; ele é, na verdade, a base dos fenômenos que os físicos atribuem ao seu éter empírico. Poderíamos chamar o Éter do Sábio de raiz do éter dos físicos.
  • O universo material é um enigma insolúvel para o materialista, porque ele insiste em tentar explicá-to nos termos de seu próprio plano. Eis uma coisa que jamais poderá ser feita em qualquer Esfera de pensamento. Nada pode ser explicado em termos de si mesmo; só se pode fazé-lo, relacionandose uma coisa num todo maior. Os quatro elementos dos antigos encontram sua explicação num quinto elemento, o Éter, como sempre afirmaram os iniciados. Reza uma doutrina da filosofia esotérica que os quatro estados visíveis tém sua raiz num quinto estado, que é invisível. Por exemplo, os Quatro Mundos dos cabalistas radicam num ponto além dos Véus do Imanifesto. É apenas quando postulamos esse quinto imanifesto a lhe atribuímos certas qualidades deduzidas dos quatro manifestos como essenciais à primeira causa, que somos capazes de chegar a qualquer compreensão da natureza dos quatro estados. Assim, encontramos em Yesod o quinto imanifesto dos quatro elementos de Malkuth, correspondendo o fogo dos antigos ao éter dos modernos, e a terra, a água e o ar, aos estados sólidos, líquido a gasoso da matéria.
  • Devemos conceber Yesod, portanto, como o receptáculo das emanações de todas as outras Sephiroth, como ensinam os cabalistas, a como o único a imediato transmissor dessas emanaçôes a Malkuth, o plano físico. Como diz o Texto Yetzirático, é função de Yesod purificar as emanações, e prová-las a corrigi-las; conseqüentemente, é na Esfera de Yesod que ocorrem as operações destinadas a corrigir a Esfera da matéria densa, ou dispor sua unidade de desenho. Yesod, portanto, é a Esfera essencial de qualquer magia que pretende agir no mundo físico.
  • É essencial notar que todas as Esferas operam de acordo com a sua natureza, a que essa natureza não pode, de maneira alguma, ser alterada por qualquer influência mágica ou milagrosa, embora cheia de poderes; podemos “corrigir” o “desenho” das representações. As coisas representadas permanecem firmes. As condiçôes do mundo material não podem, por conseguinte, ser arbitrariamente alteradas, nem mesmo pela força espiritual superior, como acreditam aqueles que pedem a Deus para intervir em seu próprio meio, curando-lhes as enfermidades ou fazendo a chuva cair sobre a terra; essas condições não podem igualmente ser influenciadas pelo mago mais poderoso com seus encantamentos. Só podemos nos aproximar de Malkuth por meio de Yesod, a só podemos nos aproximar de Yesod por meio de Hod, onde as “representações” são “desenhadas”. Libertemos de uma vez por todas nossas mentes da ideia de que o espírito pode agir diretamente sobre a matéria. Isso jamais acontece. O espírito opera por meio da mente, e a mente opera por meio do Éter; e o Éter, que é a estrutura da matéria e o veículo das forças vitais, pode ser manipulado nos limites de sua natureza, que não são de maneira alguma estreitos. Todos os acontecimentos miraculosos a sobrenaturais ocorrem, portanto, pela manipulação das qualidades naturais do Éter e, se compreendêssemos a natureza do Éter, deveríamos compreender a racionalidade da produção desses acontecimentos. Não devemos atribuí-los à intervenção direta de Deus ou às atividades dos espíritos dos mortos, assim como não atribuímos hoje os fenômenos da combustão às atividades do flogisto, que as gerações anteriores acreditavam ser o princípio do fogo, cuja presença ou ausência determinava se uma dada substáncia queimaria ou não. Ainda vivem hoje algumas pessoas que ouviram falar da escola do flogisto, a que testemunharam a mudança de pensamento; da mesma maneira, virá o dia em que os homens considerarão os fenômenos psíquicos e a cura “espiritual” do mesmo ponto de vista que hoje encaramos o flogisto.
  • No estágio atual de nosso conhecimento, não é possível descrever de maneira detalhada a natureza do Éter Yesódico. Não obstante, podemos adiantar algumas coisas a seu respeito, ensinadas pela experiência. Entre elas, figuram as experiências com o ectoplasma, que é muito semelhante a esse Éter quanto à natureza; de fato, poderíamos descrevê-to como Éter orgánico, em contraposição ao Éter dos físicos, que é Éter inorgánico. Sabemos que o ectoplasma assume formas a as retém a as abandona com igual facilidade, o que mostra que não é a forma que confere a vida, mas a vida que determina a forma. Sabemos também que o ectoplasma pode ser emanado e absorvido, embora não conheçamos as condiçôes que governam esse fenômeno. O ectoplasma é, na verdade, uma espécie de protoplasma etéreo; e podemos conceber que o Éter ou a Luz Astral’tem com o ectoplasma a mesma relação que o ectoplasma tem com o protoplasma.
  • Embora não conheçamos a natureza última do Éter Astral, da mesma forma como não conhecemos a natureza última da eletricidade, não obstante sabemos, pela observação, que ele possui certas propriedades; sabemos, por experiência, que estas existem, porque nos permitem manipular essa substância sutil em certos modos definidos – como já explicamos – nos limites de sua própria natureza. Duas dessas propriedades são importantíssimas para o trabalho do ocultista prático, a formam, de fato, a base de todo o seu sistema.
  • A primeira dessas propriedades é a capacidade que o Éter astral apresenta de ser moldado pela mente; a segunda é a capacidade de sustentar as moléculas da matéria densa em seus raios parecidos a fios, como numa rede. Alguém poderá perguntar de que maneira sabemos que o Éter possui essas qualidades, tão vitais para nossas hipóteses mágicas. Respondemos que a existência dessas propriedades é a única explicação para as propriedades da matéria viva a da mente consciente. Não podemos explicar a mente ou a matéria apenas em seus próprios termos, nem podemos explicar a mente sem empregar os termos da consciência. A sensação é tanto um caso da mente quanto da matéria, inexplicável em si. Para explicar a sensação nervosa, devemos postular uma substãncia que é intermediária entre a mente e a matéria; para compreender o moviunento precisamos igualmente afirmar a existência de tal substância – isto é, que possui o poder de receber a manter a marca do pensamento a influenciar a posição no espaço das unidades atômicas da matéria. Essas são propriedades que atribuímos ao nosso hipotético Éter astral, empregando, para justificar esse procedimento, os mesmos argumentos que foram aceitos em benefício de um procedimento similar no caso do Éter dos físicos. Defenderemos o que precede em favor de nossa hipótese; a se os argumentos em favor do éter dos físicos são aceitos, é difícil entender por que um Éter não deveria ser admitido na psicologia. Diz uma velha máxima que não se devem multiplicar desnecessariamente as hipóteses, mas, quando uma hipótese como a do Éter prova ser tão frutífera, estamos amplamente justificados em experimentar uma hipótese similar na ciência irmã da psicologia. Uma coisa é certa: a psicologia jamais fez qualquer progresso enquanto se lirnitou ao ponto de vista materialista a encarou a consciência como um epifenômeno, isto é, como um subproduto irrelevance a sem propósito da atividade fisiológica – se é que se pode dizer que algo na natureza é irrelevante a sem propósito. Aprendamos uma lição com o alcatrão, subproduto irrelevante a sem utilidade da produção do gás, que inicialmente desprezado revelou-se depois a fonte de muitos produtos químicos, tinturas a drogas.

II

  • Do ponto de vista da Magia, Yesod é a Sephirah importante, assim como Tiphareth é a Esfera funcional do misticismo, com seus contatos transcendentes com o Supremo. Se considerarmos a Árvore da Vida como um todo, veremos claramente que ela opera em tríades, tendo as Três Supremas suas correspondências num arco inferior em Chesed, Geburah a Tiphareth. Quem quer que tenha alguma experiência do cabalismo prático, Babe que, para todos os propósitos práticos, Tiphareth é Kether para nós, enquanto habitamos esta casa de carne, pois nenhum homem pode ver a face de Deus a sobreviver. Só podemos ver o Pai refletido no Filho, a Tiphareth “mostra-nos o Pai”.
  • Netzach, Hod e Yesod formam a Tríade Superior, ofuscada por Tiphareth, assim como o Eu Inferior é ofuscado pelo Eu Superior. Poder-seia dizer, de fato, que as quatro Sephiroth inferiores formam a personalidade, ou unidade de encamação da Árvore; que a Tríade Superior de Chesed, Geburah a Tiphareth forma a individualidade, ou Eu Superior; a que as Três Supremas correspondem à Centelha Divina.
  • Embora cada Sephirah emane sua sucessora, as Tríades são sempre representadas, uma vez emanadas a em equilíbrio, como um par de opostos manifestando-se numa Terceira Funcional. Na Tríade inferior, encontramos Netzach a Hod equilibradas em Yesod, que é concebida como a receptora de suas emanações. Mas ela recebeu também as emanações de Tiphareth, e, por meio de Tiphareth, as de Kether, porque há sempre uma linha de força operando em sentido descendente num Pilar; conseqüentemente, como ela recebeu também de Netzach a Hod as influências que estas por sua vez receberam de seus respectivos Pilares, ela pode ser corretamente chamada, nas obras dos cabalistas, de “receptáculo das emanações”; e é de Yesod que Malkuth recebe o influxo das forças divinas.
  • Yesod é também de suprema importância para o ocultista prático, porque ela é a primeira Esfera com que entra em contato quando começa a “elevar-se nos planos”, a ergue a consciência acima de Malkuth. Tendo trilhado o terrível Trigésimo Segundo Caminho do Tau, ou Cruz do Sofrimento, a de Saturno, ele penetra em Yesod, a Casa do Tesouro das Imagens, a Esfera da Maia, a Ilusão. Yesod, considerada em si mesma, é inquestionavehnente a Esfera da Ilusão, porque a Casa do Tesouro das Imagens não é outra coisa senão o Éter Refletor da Esfera da Terra, a corresponde, no microcosmo, ao inconsciente dos psicólogos, repleto de coisas velhas a esquecidas, reprintidas desde o alvorecer da raça. As chaves que fecham as portas da Casa do Tesouro de Imagens a nos permitem comandar seus habitantes acham-se em Hod, a Esfera da Magia. Afirma-se corretamente nos Mistérios que nenhum grau se toma funcional antes de se alcançar o próximo. Todo aquele que tenta operar como um mago em Yesod logo aprende seu erro, pois, embora possa perceber as Imagens na Casa do Tesouro, ele não tem nenhuma palavra de poder para comandá-las. Por conseguinte, na iniciação no Caminho Ocidental pelo menos (não posso afirmá-to quanto ao Oriental, pois não o conheço), os graus dos Mistérios Menores seguem pelo Pilar Central até Tiphareth, a não a linha do Relâmpago Brilhante. Em Tiphareth, o iniciado toma o primeiro grau de adepto, a daí retoma, se o desejar, para aprender a técnica da Magia relativa à personalidade da Árvore, ou seja, a unidade macrocósmica da encamação. Se ele não o deseja, mas quer libertar-se da Roda do Nascimento a da Morte, ele avança pelo Pilar Central, que os cabalistas chamam de Caminho da Flecha, a passa por sobre o Abismo e atinge Kether. Aquele que penetra nessa luz não pode mais voltar.
  • Yesod é também a Esfera da Lua; por conseguinte, para compreender-lhe o significado, devemos saber algo a respeito de como a Lua é vista no ocultismo. Sustentam os iniciados que a Lua se separou da Terra num período em que a evolução estava no ápice entre a fase etérea de seu desenvolvimento e a fase da matéria densa. Aqueles que estão familiarizados com a terminologia astrológica sabem que a cúspide é a fase entre dois signos em que a influência de ambas se interpenetra. A Lua, então, tem algo de material em sua composição, daí o globo luminoso que vemos no céu; mas a parte realmente importante de sua composição é etérea, porque foi durante a fase da evolução em que a vida desenvolveu a forma etérea que a Lua teve o seu apogeu e, por essa razão, tal fase é chamada por alguns ocultistas de Fase Lunar da evolução. Aqueles que desejarem saber mais sobre esse assunto lerão com proveito Lhe Rosicnucian Cosmo-conception, de Max Heindel, e A doutrina secreta, de Mme. Blavatsky. Como os cabalistas utilizam um sistema diferente de classificação do dos vedantistas, não podemos tratar do vasto assunto dos “Raios a Rondas” nestas páginas. Limitar-nos-emos a afirmar dogmaticamente certos fatos conhecidos dos ocultistas, indicando onde o leitor poderá encontrar, se o desejar, informações mais completas.
  • A Lua e a Terra, de acordo com a teoria ocultista, partilham um duplo etéreo comum, embora seus dois corpos físicos estejam separados e a Lua seja o elemento mais velho; ou seja, nos assuntos etéreos, a Lua é o pólo positivo da bateria, e a Terra é o pólo negativo. Yesod, como já observamos, reflete o Sol de Tiphareth, que por sua vez é Kether num arco inferior. Os astrónomos já nos falaram que a Lua brilha por causa da luz alheia, refletida do Sol, a eles estão começando agora a descobrir que o Sol pode receber sua energia ígnea do espaço exterior. Traduzido na terminologia cabalística, o espaço exterior seria o Grande Imanifesto, a os cabalistas têm ensinado essa doutrina desde os dias em que Enoch passeava com Deus e desapareceu, pois Deus o tomou – em outras palavras, Enoch recebeu a iniciação de Kether.
  • Viu-se mais acima que Yesod-Luna está sémpre num estado de fluxo a refluxo, por causa da quantidade de luz solar recebida a refletida, que brilha a se apaga num ciclo de vinte a oito dias. Malkuth-Terra está também num estado de fluxo a refluxo num ciclo de vinte a quatro horas, e pela mesma razão. Malkuth-Terra tem também um ciclo de trezentos a sessenta a cinco dias, cujas fases são assinaladas pelos equinócios a solstícios. É o conjunto de interações dessas marés que importa para o ocultista prático, porque muito de seu trabalho depende delas. Os mapas dessas marés foram sempre mantidos em segredo, a alguns são extremamente complexos. Como essas informaçôes dizem respeito aos trabalhos secretos – os genuínos a legítimos segredos ocultos, que são transmitidos apenas após a iniciação -, não podemos comunicá-las nestas páginas. Já dissemos o bastante, contudo, para indicar que certas marés no Éter lunar existem a são importantes, a que os estudantes do oculto perdem seu tempo se tentam operálas sem os necessários mapas.
  • Essas marés lunares exercem um papel importantíssimo nos processos fisiológicos das plantas a dos animais, a especialmente na germinação a crescimento das plantas a na reprodução dos animais, como testemunha o ciclo sexual de vinte a oito dias lunares da fêmea humana. O macho tem um ciclo sexual baseado no ano solar, mas, em casas iluminadas e aquecidas artificialmente esse ciclo não é tão marcado; embora o poeta nos tenha chamado a atençáo para o fato de que “Na primavera, a fantasia de um jovem volta luminosa para os pensamentos de amor”, e a referência é tão correta que basta apenas citá-la.
  • É a luz da Lua o fator estimulante dessas atividades aéreas e, como a Terra e a Lua partilham de um duplo etéreo, todas as atividades etéreas sâo mais ativas quando a Lua está em sua fase cheia. Da mesma maneira, durante a Lua nova, a energia etérea está em sua fase mais baixa, e as forças desequilibradas tendem a elevar-se a causar problemas. O Dragão das Qliphoth ergue suas múltiplas cabeças. Em conseqüência, é melhor abandonar o trabalho oculto prático durante a Lua nova, a só os trabalhadores experientes devem executá-lo. As forças que dão vida estão relativamente fracas a as forças desequilibradas relativamente fortes; o resultado, em mãos inexperientes, é o caos.
  • Todos os sensitivos estáo conscientes dessas marés cósmicas, e mesmo aqueles que não são deliberadamente sensitivos se vêem afetados muito mais por elas do que geralmente se reconhece, especialmente durante as enfermidades, quando as energias físicas estão em baixa.
  • Não se pode dizer muitas coisas a respeito de Yesod, porque nela estão ocultas as chaves dos trabalhos mágicos. Devemos, por conseguinte, nos contentar em elucidar o simbolismo numa forma um tanto quanto criptológica, embora aquele que tenha ouvidos para ouvir esteja livre para utilizá-las.
  • Já observamos a curiosa natureza dupla de Netzach a Hod, pois a imagem mágica de Hod é um hermafrodita, a os antigos representavam Vênus-Afrodite como uma mulher barbada. Encontramos novamente em Yesod esse simbolismo dual e, mais uma vez, como veremos depois, em Malkuth. Lsso indica claramente que nessas Sephiroth, que pertencem aos níveis inferiores da Árvore, devemos reconhecer definitivamente, em cada uma, um lado da força a um lado da forma. Esse aspecto se toma muito clam tanto em Yesod quanto em Malkuth, às quais se atribuem deuses e deusas.
  • Yesod é essencialmente a Esfera da Lua e, como tal, está sob o govemo de Diana, a deusa lunar dos gregos. Ora, Diana era no início uma deusa casta, etemamente virgem e, quando o ousado Acteão a importunou, foi ele destroçado por seus cães de caça. Diana, contudo, foi representada em Éfeso provida de muitos seios a reverenciada como uma deusa da fertilidade. Além disso, Isis é também uma deusa lunar, como o indica o crescente lunar sobre sua testa, que, em Hathor, se converte nos cornos da vaca, sendo a vaca, entre todos os povos, o símbolo especial da maternidade. No simbolismo cabalístico, os órgãos geradores são atribuídos a Yesod.
  • Tudo isso é muito enigmático à primeira vista, pois os símbolos parecem ser mutuamente exclusivos. Quando dermos um passo a mais, contudo, começaremos a descobrir os elos unificadores entre as ideias.
  • Três deusas são atribuídas à Lua: Diana, Selene ou Luna a Hécate. Esta é a deusa da feitiçaria a dos encantamentos, que preside também os partos.
  • Há também um deus lunar muito importante: Thoth, o Senhor da Magia. Portanto, quando descobrimos que Hécate na Grécia a Thoth no Egito são ambos atribuídos à Lua, não podemos deixar de reconhecer a importãncia da Lua nos assuntos mágicos. Qual é então a chave da Lua mágica, que é às vezes uma deusa virgem a às vezes uma deusa da fertilidade?
  • Não é preciso buscar muito longe a resposta. Ela se encontra na natureza rítmica da Lua, e, de fato, na natureza rítmica da vida sexual da mulher. Há ocasiôes em que Diana tem muitos seios; há ocasiões em que seus cães reduzem o intruso a pedaços.
  • Ao tratar dos ritmos de Luna, tratamos de estados etéreos, não de estados físicos. O magnetismo das criaturas vivas cresce a diminui com um ritmo definido. Isso é de fácil observação quando se conhece a meta almejada. A força magnética revela-se com clareza nas relações entre pessoas em quem o magnetismo está em perfeito equilíôrio. Às vezes, uma estará em ascensão e, às vezes, a outra.
  • Mas, poder-se-is perguntar, se a Esfera de Yesod é etérea, por que são os órgãos geradores atribuídos a essa Esfera, uma vez que a sua função é sem dúvida física? A resposta a essa questão reside no conhecimento dos aspectos mais sutis do sexo, conhecimento, aliás, que parece estar totalmente perdido no mundo ocidental. Não podemos aqui comentar esse tema em detalhes, mas basta assinalar que todos os aspectos mais importantes do sexo são etéreos a magnéticos. Podemos compará-to a um iceberg, cuja maior parte está sob a superfície. As reações físicas do sexo são apenas uma parcela muito pequena, de maneira alguma a parte mais vital de seu funcionamento. É por ignorarmos esse fato que muitos casamentos não conseguem cumprir o propósito de unir duas metades num todo perfeito.
  • Conferimos pouca importância ao lado mágico do casamento, a despeito do fato de a Igreja o classificar entre os sacramentos. Ora, um sacramento é definido como um signo exterior a visível de uma graça interior e espiritual, e é essa graça interior a espiritual que é tão raro encontrar no ato matrimonial das raças anglo-saxônicas, com seu temperamento relativamente frígido a seu desrespeito pelo corpo. Essa graça interior a espiritual que faz do matrimônio um sacramento verdadeiro em seu gênero não é a graça da sublimação ou da renúncia, ou a pureza da negação a da abstinência; é a graça da bênção de Pã na alegria das coisas naturais, muito bem expressa por Walt Whitman em sua série de poemas Children of Adam.
  • A atribuição de perfumes a sandálias a YeSQd é muito significativa. Essas duas coisas exercem um papel muito importante nas operações mágicas. As sandálias, ou chinelos sem salto a confortáveis, são utilizadas no trabalho cerimonial para trilhar o círculo mágico. Elas são tão importantes no equipamento do ocultismo prático quanto a sua vara de poder. Deus disse a Moisés: “Retira os sapatos, pois o lugar em que estás é local sagrado.” O adepto faz um campo sagrado para si mesmo colocando em seus pés as sandálias consagradas. O tapete de cor apropriada a gravado com símbolos adequados é também uma peça importante na mobffia das lojas ocultas. Ele concentra o magnetismo da Terra utilizado na operação, da mesma maneira como o altar é o foco das forças espirituais. Através de nossos pés, tocamos o magnetismo da Terra; e, quando esse magnetismo é de um tipo especial, utilizamos chinelos que não o inibem.
  • Os perfumes são também muito importantes nas operações cerimoniais, pois representam o lado etéreo. Sua influência psicológica é bem conhecida, mas a fina arte de utilizá-los psicologicamente tem sido pouco estudada fora das lojas ocultas. O use de perfumes é o meio mais efetivo de tirar proveito das emoções e, conseqüentemente, de alterar o foco da consciência. Como nossos pensamentos fogem rapidamente das coisas terrestres quando a fumaça errante do incenso chega a nós vinda do altar superior! E como retomam eles novamente quando sentimos um odor de patchuli vindo do banco que está à nossa frente!
  • E nas quatro cartas do Tarô atribuídas a essa Sephirah vemos claramente os efeitos do magnetismo etéreo. Possuímos uma Grande Força quando estamos em contato com a Terra, abençoados por Pã; há também a Alegria Material; de fato, sem a bênção de Pã, não pode haver nenhuma felicidade material, porque não há paz dos nervos. Nesse lado negativo, contudo, encontram-se as profundidades do desespero a da crueldade; mas, nos contatos terrestres firmes sob nossos pés, obtemos o Ganho Material, porque estamos prontos para trabalhar o plano material.

MALKUTH

  • Título: Malkuth, o Reino. (Em hebraico: Mem, Lamed, Kaph, Vau, Tau.)
  • Imagem Mágica: Uma jovem coroada, sentada no trono.
  • Localizafâo na Árvore: Na base do Pilar do Equilíbrio.
  • Texto Yetzirático: O Décimo Caminho chama-se Inteligência Resplandecente, porque é exaltado sobre todas as cabeças a tem por assento o trono de Binah. Ele ilumina os esplendores de todas as luzes, fazendo emanar a influência do Príncipe dos Rostos, o Anjo de Kether.
  • Títulos Conferidos a Aklkuth: A Porta. A Porta da Morte. A Porta das Trevas da Morte. A Porta das Lágrimas. A Porta da Justiça. A Porta da Oração. A Porta da Filha dos Poderosos. A Porta do Jardim do Éden. A Mãe Inferior. Malkah, a Rainha. Kallah, a Noiva. A Virgem.
  • Nome Divino: Adonai Malekh, ou Adonai ha Aretz.
  • Arcanjo: Sandaephon.
  • Coro Angélico : Ashin, Almas de Fogo.
  • Chakra Cósmico: Cholem ha Yesodoth; Esfera dos Elementos.
  • Experiência Espiritual: Visão do Anjo da Guarda Sagrado.
  • Virtude: Discriminação.
  • Yício: Avareza. Inércia.
  • Correspondências no Microcosmo: Os pés. O ânus.
  • Stmbolos: O altar do cubo duplo. A cruz de braços iguais. O círculo mágico. O triângulo de arte.
  • Cartas do Tarô: Os quatro dez: Dez dePaus: opressão; Dez de Copas: sucesso completo; Dez de Espadas: ruína; Dez de Ouros: riqueza.
  • Cor em Atziluth: Amarelo.
  • Cor em Briah: Citrino, oliva, castanho-avermelhado a preto.
  • Cor em Yetzirah: Citrino, oliva, castanho-avermelhado a preto, salpicado de ouro.
  • Cor em Assiah : Preto, com listras amarelas.

I

  • Já se terá observado que a conformação da Árvore abrange três triãngulos funcionais, mas que Malkuth não participa de nenhum deles, estando isolado; dizem os cabalistas que ela recebe as influências ou emanações de todas as outras Sephiroth. Mas, embora Malkuth seja a única Sephirah que não participa de um triãngulo, ela é também a única Sephirah representada por diversas cores em vez de uma única, pois ela se divide em quatro quadrantes, que são atribuídos aos quatro elementos: Terra, Ar, Fogo e Água. E, embora não seja funcional em nenhum triângulo, ela representa o resultado final de todas as atividades da Árvore. Malkuth é o nadir da evolução, o ponto mais afastado do arco em expansão, pelo qual passa toda a vida antes de retomar à sua origem.
  • Malkuth recebe o nome de Esfera da Terra; mas não devemos cometer o erro de pensar que os cabalistas designam por Malkuth apenas a Esfera terrestre. Eles designam também a alma da Terra – isto é, o aspecto sutil a psíquico da matéria, o número subjacente do plano físico que dá origem a todos os fenômenos físicos. Ocorre o mesmo com os quatro elementos. Eles não são a terra, o ar, o fogo, e a água dos físicos, mas os quatro estados em que a energia pode existir. O esoterista os distingue de suas contrapartes mundanas referindo-se a eles como o Ar do Sábio, ou a Terra do Sábio, conforme o caso. Ou seja, o elemento Ar ou Terra, como os conhece o iniciado.
  • O físico reconhece a existência da matéria em três estados. Em primeiro lugar, o sólido, em que as partículas componentes aderem firmemente umas às outras; em segundo lugar, o líquido, em que as partículas se movem livremente umas sobre as outras; em terceiro lugar, o gasoso, em que as partículas tentam separar-se o mais possível umas das outras, ou, em outras palavras, difundir-se. Esses três estados da matéria correspondem aos três elementos Terra, Água, a Ar, a os fenômenos elétricos correspondem ao elemento do Fogo. A ciência esotérica classifica todos os fenômenos que se manifestam no plano físico sob essas quatro rubricas, pois acredita que estas ofereçam a chave para a compreensão verdadeira de sua natureza; a ela reconhece que qualquer força dada pode passar de um estágio ao outro sob certas condiçôes, assim como a água pode existir tanto mum estado de gelo e vapor como em sua fluidez normal.
  • O esoterista vê em Malkuth o resultado final de todas as operações; só depois de os pares opostos terem alcançado o equilíbrio que estabelece o estado de Terra, ou coerência, é que se pode dizer que eles completaram um ciclo de experiência. Quando este é alcançado, eles constroem um veículo permanente de manifestação a estereotipam suas reações; o mecanismo de expressão assim desenvolvido torna-se auto-regulador, a continuará a funcionar sem alarde, assim como o coração humano abre a fecha suas válvulas com perfeita regularidade, em resposta a um ciclo estereotipado de impulsos e à pressão sangüínea.
  • O ponto capital concemente a Malkuth é que nela se completa a estabilidade. É na inércia de Malkuth que repousam suas virtudes. Todas as outras Sephiroth são dinâmicas em vários graus; mesmo o Pilar central só atinge o equiliôrio quando em funcionamento, como um equilibrista que caminha sobre um arame.
  • Como as demais Sephiroth, Malkuth só pode ser entendida se a considerarmos em sua relação com as vizinhas. Mas, nesse caso, só há um vizinho – Yesod. Não se pode compreender Malkuth a não ser por meio do entendimento de Yesod.
  • Embora Malkuth seja essencialmente a Esfera da forma, a coerência das partes, salvo as correntes mecânicas a as atrações a repulsões eletromagnéticas, depende das funçôes de Yesod. E Yesod, embora seja essencialmente uma Sephirah que produz formas, depende, para a manifestação de suas atividades, da substáncia fomecida por Malkuth. As formas de Yesod são “a tela com que se tecem os sonhos”, que absorvem as partículas materiais de Malkuth para incorporar-lhes as formas. São sistemas de correntes em cuja estrutura se erguem as partículas físicas.
  • É semelhante a situação de Malkuth. Ela é matéria inanimada até que os poderes de Yesod a animem.
  • Deveríamos conceber o plano material como o signo exterior e visível da atividade etérea invisível. Malkuth, em sua essência primeira, só é conhecida com a ajuda dos instrumentos do físico. Não é necessário dizer que onde há vida, lá está Yesod, porque Yesod é veículo da vida; mas devemos compreender também que, onde há qualquer espécie de atividade elétrica ou condutividade, seja de cristais, metais ou químicos, há força yesódica em funcionamento. É esse fato que toma certas substâncias adequadas para a utilização como talismãs, porque elas se carregam de força astral.
  • Não é possível compreender nestas páginas um estado detalhado da física esotérica; cumpre, no entanto, dar ao estudante uma compreensão dos princípios que explicam esse conceito do mundo material, que parece serum manto visível lançado sobre uma estrutura invisível.
  • A natureza exata da relação entre Yesod a Malkuth precisa ser claramente entendida, pois é muito importante para o trabalho oculto prático. Yesod é, naturalmente, o princípio que confere as formas, a toda forma que é edificada nessa Sephirah tomará corpo na Esfera de Malkuth, a menos que contenha incompatibilidades, pois tenderá a atrair as condições da expressão material. As partículas materiais, contudo, são extremamente resistentes e inertes em sua natureza, e é apenas operando o aspecto mais tênue da matéria – que o iníciado chama de elemento Fogo – que as forças yesódicas podem produzir qualquer efeito. Assim que se obtém uma resposta desse Fogo elemental, os outros elementós podem por sua vez serem influenciados.
  • O Fogo elemental, contudo, é uma espécie de sobreestado da matéria com que apenas os físicos mais avançados têm qualquer familiaridade. Poderíamos chamá-to antes de estado de relações do que de uma coisa em si. O Ar elemental poderia ser descrito como a capacidade para obter essas relações e, como tal, ele é o princípio da vida física, pois é apenas na medi. da em que a matéria tem uma capacidade para a organização que a substância orgánica é possível. A Água elemental, a Água do Sábio, é na verdade protoplasma; e a Terra elemental é matéria inorgãnica.
  • Ora, cada um desses tipos.de força organizada a de capacidade de reação tem a sua própria natureza defmida, da qual não se afasta por qualquer força no cosmo manifesto. Mas, como há inter-relações definidas de influência a expressão entre esses quatro estados elementais, é possível, utilizando suas influências recíprocas, obter resultados que por falta de compreensão são chamados de “mágicos”. Esse é, na verdade, o método mágico de manipular as tênues formas elementais, mas é também o método ao qual a vida recorre para fazer a mesma coisa; a sea Magia é algo mais do que auto-sugestão, ela deve utilizar os métodos da vida – isto é, ela precisa operar por meio da intermediação do protoplasma, pois o protoplasma, em sua curiosa estrutura reticular, serve de veículo para a força magnética sutil do Fogo do Sábio, transmitido pelo Ar elemental. Em outras palavras, o operador precisa utilizar o seu próprio corpo como um arranque automático, pois é o magnetismo de seu próprio protoplasma que fornece a base de manifestação de qualquer força que é introduzida na Esfera de Malkuth. Levado à sua conclusão lógica, esse é o princípio de geração tanto dos protozoários como dos espermatozóides.
  • O conceito moderno da matéria aproxima-se bastante daquele que tem sido sustentado pela ciência esotérica desde tempos imemoriais. O que os nossos sentidos percebem são os fenómenos que se podem atribuir à atividade de diferentes tipos de forças, comumente organizados a combinados. Apenas por meio de uma compreensão da natureza dessas forças é que podemos entender a natureza da matéria. A ciência exotérica está procurando resolver o problema refinando sua concepção da matéria, no sentido de extrair-lhe toda a substãncia. O que o físico agora conhece como matéria está muito longe do cònceito comum que se tem desse aspecto da natureza.
  • O esoterista, observando o problema do ponto de vista oposto, assinala que matéria a mente são dois lados da mesma moeda, mas que há um ponto de investigação em que é proveitoso mudar a terminologia, a falar de forças a formas em termos de psicologia, como se elas fossem conscientes e finalistas. Segundo sua óptica, isso nos permite lidar muito melhor com os fenómenos que encontramos do que se nos limitássemos aos termos que se aplicam apenas à matéria inanimada e à força cega a não-direcionada. Devemos sempre, pela natureza do nosso intelecto, utilizar a analogia como uma ajuda para a compreensão; se as analogias que utilizamos nesse nível de investigação são as analogias da matéria inanimada, descobriremos que elas são táo limitadas que conduzirão ao erro e à limitação e, em vez de esclarecer, darão lugar à confusão.
  • Se, contudo, utilizarmos as terminologias da vida, da inteligência e da vontade consciente, tendo o cuidado de adaptá-las às necessidades do estado muito rudimentar de desenvolvimento com que temos de lidar, descobriremos que temos uma analogia que é iluminadora em vez de limitadora, e que nos permitirá avançar em nossa compreensão.
  • É por essa razão que o esoterista personifica as forças mais sutis e as chama de Inteligências. Ele as aborda como se de fato fossem inteligentes, e descobre que há um lado sutil em sua própria natureza a consciência que responde a elas, a ao qual, como acredita convictamente, elas respondem. Pelos menos, haja uma resposta mútua ou não, seus poderes para tratar com elas ficam, por else meio, muito mais desenvolvidos do que quando ele as encara como um “concurso fortuito de acidentes sem relação”.

II

  • Malkuth é o nadir da evolução, mas devemos encará-la não como o abismo último da não-espiritualidade, a sim como a bóia de sinal de uma corrida de barcos. Todo barco que retoma ao ponto de partida sem ter dado a volta pela bóia é desclassificado. Ocorre o mesmo com a alma. Se tentarmos escapar da disciplina da matéria antes de termos dominado suas lições, não avançaremos na direção do céu, mas sofreremos um atraso em nosso desenvolvimento. São esses desertores espirituais que saltam de um rebanho a outro nas inúmeras organizações que nos chegam do Extremo Oriente a do Extremo Ocidente. Eles descobrem no idealismo vulgar uma escapatória para as rigorosas leis da vida. Mas else não é um meio de progresso, a sim um meio de retirada. Mais cedo ou mais tarde, eles terão de enfrentar o obstáculo a explicá-lo. A vida os agrupa a os coloca novamente à frente dal dificuldades, a utiliza o chicote e a espora da enfermidade psicológica, pois aqueles que não querem enfrentar a vida se dissociam, e a dissociação é a causa primária de muitas enfermidades de que a mente é a herdeira.
  • Se estudarmos as lições da história, veremos que muitos problemas morais a espirituais se esclarecem de um ãngulo imprevisto. Constataremos que a civilização e a inspiração surgiram no Oriente – fato que os orientais ou os seguidores de uma tradição oriental assinalam orgulhosamente, afirmando que o Ocidente deverá curvar-se aos pés do Oriente se desejar aprender os segredos da vida.
  • Ora, é inegável que há muitas coisas – especialmente os aspectos mais ocultos da psicologia – a respeito das quail o Oriente tem muito mais a dizer do que o Ocidente, a que seríamos sábios se as aprendêssemos; mas é inegável também que, tendo nascido no Oriente, o ponto focal da evolução agora se encontra no Ocidente, a que, no que toca ao avanço na arte de viver neste nosso planeta, é o Oriente que deve olhar para o Ocidente, a menos que se contente em retroceder ao padrão de vida da roda de fiar. Mas não esqueçamos que o padráo de vida primitivo corre paralelamente ao padrão de morte primitivo. Uma cultura primitiva só pode suportar uma população escassa. Muitas pessoas devem morrer, especialmente os velhos a os jovens. Quando retomamos à natureza, ela nos trata à sua própria maneira, com seus dentes a garras vermelhas. O impacto rude da Natureza não é uma coisa agradável. Quando os seres humanos se multiplicam na Terra, esta os ceifa com doenças a fome. A civilização do homem branco implica o saneamento do homem branco. Abstendo-se de todas as ações, o indivíduo pode libertarse do corpo mais iápida a efetivamente do que aquele que nelas se engaja, mormente se entre as ações refreadas estão aquelas relacionadas com a higiene comunitária numa terra densamente povoada.
  • Os gregos compreenderam melhor do que ninguém o princípio de Malkuth, e foram eles os fundadores da cultura européia. Eles nos ensinaram a ver a beleza na proporção a no funcionamento perfeito, em nenhuma outra parte. As frisas da figura na urna grega lançaram a mente de Keats na contemplaçáo da verdade a da beleza ideais. Esse é o ideal mais elevado da contemplação a que pode aspirar a mente finita, pois nesse ideal a lei a os profetas se erguem muito mais acima das severas proibições do código mosaico, levando-o à inspiração de um ideal a ser seguido.
  • Foi na Esfera de Malkuth que a civilização se desenvolveu durante o último milênio. Não é preciso que um astrólogo nos diga que a Primeira Guerra Mundial assinalou o fim de uma época, a que estamos agora na aurora de uma nova fase. De acordo com a doutrina cabalística, o Relâmpago Brilhante, alcançando seu ponto terminal em Malkuth, é substituído pelo simbolismo da Serpente da Sabedoria, cujas espirais sobem pelos Caminhos até que sua cabeça repouse atrás de Kether. O Relâmpago Brilhante representa a descida inconsciente da força, que edifica os planos de manifestação e passa do ativo ao passivo, retomando ao ponto de partida para que o equilíbrio possa ser mantido. A Serpente que se enrosca nos Caminhos representa a aurora da consciência objetiva, e é o símbolo da iniciação; no Caminho trilhado pelos iniciados, que estão sempre à frente de sua época, a evolução se põe em marcha, conduzindo consigo a raça como um todo. É agora normal para o homem comum fazer o que apenas os iniciados costumavam fazer.
  • Vemos, por conseguinte, que o ponto focal da evolução começa a elevar-se de Malkuth a se dirige para Yesod. Isso significa que a ciência, tanto a pura como a aplicada, ultrapassa o estado da matéria inanimada a começa a ter em conta o lado etéreo a psíquico das coisas. Essa fase de transformação é visível em nosso redor para aqueles que podem ler os sinais dos tempos. Vemo-la na medicina, nas relações internacionais, na organização industrial. Por fim, a com muita relutância, vemo-la fazer-se sentir nas ciências da fisiologia a da psicologia, que se aferram tenazmente às explicações materialistas de todas as coisas, a especialmente dos processos vitais, mesmo depois de os físicos, que tratam reconhecidamente da matéria inanimada, terem abandonado a posição materialista a preferido falar em termos de matemática.
  • A divisão oculta de Malkuth nos quatro elementos dá-nos uma chave preciosa. Deveríamos encarar a matéria como a Terra de Malkuth. Os tipos diferentes de atividade física, nas massas ou nas moléculas, classificamse sob as rubricas do anabolismo a do catabolismo, ou seja, os processos de edificação a destruição, que se podem classificar, na terminologia esotérica, como a Água e o Ar de Malkuth. Tudo o que a filosofia esotérica ou a mitologia pagã pode dizer a respeito desses elementos será aplicável a esses dois processos a funções metabólicas. O Fogo de Malkuth é aquele aspecto eletromagnético da matéria que estabelece o vínculo com os processos de consciência a vida, aos quais se aplicam os mitos da vida.
  • Quando se compreende esse princípio de classificação, a terminologja alquimista toma-se menos abstrusa a absurda, pois então se vê que a classificação em quatro elementos se refere realmente aos quatro modos de manifestação no plano físico. Esse método de classificação é muito valioso, pois permite-nos compreender o relacionamento e a correspondência entre o plano físico e o processo vital subjacente. Ele é especialmente importante no estudo da fisiologia a da patologia, a representa, em sua aplicação prática, uma chave importantíssima para a terapêutica. Os médicos mais avançados estão começando a voltar-se para esse método, a as classificações de Paracelso estão sendo citadas por mais de uma autoridade médica. O conceito da diátese, ou predisposição constitucional, está merecendo uma atenção especial. A psicoterapia está novamente começando a compreender que a velha classificação em quatro temperamentos nos concede um guia proveitoso para o tratamento, a que não se deve tratar todos da mesma maneira, a que tampouco os resultados similares nascem sempre de causas similares nos reinos da mente, porque o temperamento intervém a falsifica os resultados. Por exemplo, a apatia no tipo fleumático pode significar um mero aborrecimento, ao passo que o mesmo grau de apatia no tipo sangüíneo pode significar um colapso completo de toda a personalidade. As analogias entre as coisas materiais a mentais podem conduzir a grandes enganos, ao passo que as analogias entre as coisas mentais a materiais podem ser muito esclarecedoras.
  • Os quatro elementos correspondem aos quatro temperamentos descritos por Hipócrates, aos quatro naipes do Tarõ, aos doze signos do Zodíaco a aos sete planetas. Se estudarmos as implicações dessa afirmativa, veremos que nela se ocultam algumas chaves muito importantes.
  • O Elemento Terra corresponde ao Temperamento Fleumático; ao naipe de Ouros; aos signos de Touro, Virgem a Capricómio; a aos planetas Vênus a Lua.
  • O Elemento Água corresponde ao Temperamento Linfático; ao naipe de Copas; aos signos de Câncer, Escorpião a Peixes; a ao planeta Marte.
  • O Elemento Ar corresponde ao Temperamento Colérico; ao naipe de Espadas; aos signos de Libra, Gêmeos a Aquário; a aos planetas Saturno e Mercúrio.
  • O Elemento Fogo corresponde ao Temperamento Sangüíneo; ao naipe de Paus; aos signos de Áries, Sagitário a Leão; a aos planetas Sol a Júpiter.
  • Portanto, se classificarmos os assuntos do mundo a os fenômenos em termos dos quatro elementos, veremos imediatamente sua vinculação com a Astrologia e o Tarô. Ora, a classificação é o estágio que segue imediatamente a observação no método científico. Boa parte do trabalho científico consiste simplesmente nesses dois processos; de fato, para os soldados rasos da ciência, eles representam toda a sua atividade. Se a ciência se limitasse a essas duas atividades, como de fato o faria se prestássemos ouvidos aos nossos cientistas mais prosaicos, ela seria apenas uma compilação dos fenómenos naturais, como se os agentes estivessem no universo. Mas o cientista imaginativo, o único que merece o nome de pesquisador, utiliza a classificação não tanto como meio para ordenar as coisas, mas para conhecer-lhes as relações.
  • A distância que vai do cientista imaginativo (que percebe) ao cientista filosófico (que interpreta) é muita pequena; e a distância que vai do cientista filosófico (que interpreta em termos de causa) ao cientista esotérico (que interpreta em termos de propósito e, assim, une a ciência à ética) é menor ainda. A tragédia da ciência esotérica consiste no fato que seus expoentes nunca estiveram convenientemente apetrechados no plano de Malkuth, sendo, conseqüentemente, incapazes de coordenar seus resultados com aqueles obtidos pelos trabalhadores de outros campos. Enquanto tolerarmos esse estado de coisas, continuaremos a ter pensamentos confusos e suposiçôes crédulas como nosso quinhão inalienável. A ciência esotérica precisa observar a regra da corrida de barcos, a fazer com que cada operação mágica contorne a bóia de marcação de Malkuth antes de poder vangloriarse de um êxito completo.
  • Tratemos agora de interpretar essa metáfora do ponto de vista do ocultismo técnico. Toda operação mágica tem por objetivo fazer com que o poder desça aos planos a pô-to a serviço do operador, que, então, o aplica à finalidade desejada. Muitos operadores se contentam em obter resultados puramente subjetivos – ou seja, uma sensação de exaltação; outros visam à produção de fenômenos psíquicos. No entanto, todos deveriam reconhecer que nenhuma operação é completada antes de o processo ser expresso em termos de Malkuth, ou, em outras palavras, antes de pôr-se em ação no mundo físico. Se isso não é feito, a força então gerada não se torna convenientemente “terrestre”, e é essa força perdida, dispersada, que causa os problemas dos experimentos mágicos. Tal força pode não causar problemas num único experimento, pois poucos operadores geram bastante poder para fazer qualquer coisa, muito menos problemas; mas, numa série de experiências, o efeito pode ser cumulativo, a resultar em transtorno psíquico, em má sorte a em acontecimentos estranhos, relatados com freqüência pelos experimentadores. São essas coisas que dão má fama à Magia Experimental, fazendo-a ser vista como perigosa a comparada ao use de drogas. A verdadeira analogia, contudo, seria com os perigos da pesquisa dos raios X em seus primórdios. É a técnica errada que causa a perturbação, como ocorre sempre que se operam poderes ativos. Aperfeiçoemos nossa técnica para evitarmos os problemas e, assim, teremos uma poderosa força à nossa disposição.

III

  • O único meio de transição entre Yesod a Malkuth é a mediunidade das substâncias vivas. Ora, há vários graus de vida. O esoterista reconhece a vida em qualquer parte em que haja forma organizada, pois ele diz que só a vida pode organizar a forma, embora naquilo que chamamos vulgarmente de “substâncias inorgânicas” a proporção de vida seja muito pequena, a em alguns casos infinitesimal. Em algumas formas de matéria orgânica, contudo, a proporção de vida não é, em absoluto, negligenciável, assim como nas plantas a proporção de inteligência não é em absoluto descartável. Só os mais recentes progressos do trabalho experimental, notadamente os de Sir Jagindranath Bhose, puderam demonstrar esse fato, mas ele é conhecido empiricamente há muito pelo ocultista prático. Este sempre fez use de substâncias cristalinas a metálicas como acumuladores de forças sutis, considerando a seda como um isolador a aproveitando-se das propriedades das mesmas substâncias que o eletricista emprega hoje. Os melhores talismãs são os discos de metal puro gravados com frases adequadas a recobertos em seda de cor apropriada com que o talismã está carregado. Uma pedra preciosa, que é naturalmente um cristal colorido, desempenha um papel muito importante em certas operaçôes, porque age como um foco para a força, a também em certos tipos de receptores sem fio. A influência das cores nos estados mentais é bem conhecida. Nenhum trabalhador permaneçe muito tempo nas salas vermelhas dos laboratórios fotográficos, pois sabe-se que esses trabalhadores estarão sujeitos a distúrbios emocionais a mesmo a um desequiliôrio mental temporário. Redescobrimos todas essas coisas por meio do moderno método científico a seus instrumentos, mas eles eram bem conhecidos dos antigos, a suas aplicaçôes práticas foram aproveitadas numa extensão com que hoje não sonhamos, exceto entre aqueles que são popularmente conhecidos como “excêntricos”.
  • Também entre as plantas encontramos um grau variável de “atividade psíquica”, atribuído especialmente às plantas aromáticas. Os antigos tinham um elaborado sistema de atribuição das plantas às diferentes formas de força sutil. Algumas dessas atribuiçôes são, evidentemente, fantasiosas, mas há certos princípios gerais que podem nos servir de guia. Onde quer que encontremos uma planta tradicionalmente associada a qualquer divindade, podemos estar certos de que essa planta tem afinidades com o tipo de força que aquela divindade representa. Essa associação pode parecer superficial a irracional, como aquelas que Freud afirmou existirem na mente do sonhador, mas os adoradores da divindade, se a associação é consagrada pela tradição, terão estabelecido a conecção psíquica entre a planta e a força, e, como em todas as associações tradicionais, o vínculo, uma vez estabelecido, pode ser facilmente recuperado por aqueles que sabem como fazer use da imaginação criadora. Se existe qualquer relação intrínseca entre a natureza da planta e a natureza da força à qual é atribuída (como no caso da rosa a Vênus a do lírio à Virgem Maria), ela é estabelecida rapidamente pelos adoradores de um culto a também rapidamente recuperada por aqueles que lhe seguem as pegadas, mesmo após um lapso de séculos. Por conseguinte, para todos os propósitos práticos, há sempre uma relação; existente não apenas entre plantas a determinada divindade, mas, igualmente, também entre animais a divindades.
  • Uma atribuição que tem uma especial importância prática é a dos perfumes a das cores. As atribuições coloridas já foram indicadas nas tabelas no cabeçalho de cada capítulo. A respeito dos perfumes, é menos fácil formular regras precisas, pois os perfumes existentes são inumeráveis, a as forças no trabalho prático tendem a confundir-se com outras. Por exemplo, é difícil, a na verdade indesejável, manter as forças de Netzach separadas das de Tiphareth, ou as de Hod das de Yesod, ou de Yesod das de Malkuth; e todo aquele que tentar operar Geburah sem Gedulah “queimará os dedos”.
  • Os perfumes não são empregados apenas para permitir a manifestação, mas para sintonizar a imaginação do operador. Para esse fim, eles são muito eficazes, como o poderá descobrir aquele que tentar executar uma cerimônia sem o perfume apropriado. Nos operadores inexperientes, é aconselhável dispensar a utilização dos perfumes, caso o efeito psíquico seja muito drástico para a sua tranqüilidade ou conveniência.
  • Falando de modo geral, podemos dividir os perfumes em dois grupos: aqueles que exaltam a consciência a aqueles que despertam a atividade da subconsciência. Entre os primeiros, as gomas aromáticas ocupam um lugar à parte, e são empregados exclusivamente na manufatura de incenso eclesiástico. Podemos acrescentar a essas gomas, certos óleos essenciais que possuem propriedades similares, especialmente aqueles que estâo mais para aromáticos a adstringentes do que para ácidos. Essas substâncias sáo muito úteis em todas as operaçôes em que o objetivo é o aumento da clareza intelectual ou a exaltação do tipo místico.
  • Os perfumes que despertam a mente subconsciente são de dois tipos: os dionisíacos a os venusianos. Os odores dionisíacos são do tipo aromático a ácido, como a essência de cedro ou sándalo ou de pinho. Os odores venusianos são de natureza aromática a penetrante, como a baunilha. Na prática atual, esses dois tipos de odores se confundem, a os odores florais característicos encontram-se em ambas as divisôes. No trabalho prático de compor os perfumes quase sempre se faz uma mistura de ingredientes, pois eles se realçam mutuamente. Muitos perfumes que em si são acres a crus, ou adocicados a pesados, tomam-se admiráveis quando misturados.
  • Já se afirmou alhures que os perfumes sintéticos são inúteis para o trabalho mágico. Em minha opinião experiente, esse não é o caso, desde que a essência seja de boa qualidade. As boas essências sintéticas em nada diferem dos produtos naturais, a não ser nos testes químicos. Como o valor dos perfumes é psicológico, a sua ação se exerce sobre o operador a não sobre o poder invocado, a natureza química da substãncia é irrelevante, desde que produza os efeitos apropriados.
  • A mesma observação se aplica às pedras preciosas, embora isso pareça uma heresia. Tudo de que precisamos é um cristal de cor apropriada e, se ele é um rubi desta ou daquela classe, isso pouca diferença faz, a não ser na conta bancária. Que esse fato era bem conhecido pelos antigos, provamno as listas de pedras preciosas consagradas às divindades, nas quais figuram diversas classes de pedras. Por exemplo, Crowley, em 777, consagra as pérolas, as selenitas, o cristal e o quatzo às forças lunares, e o rubi ou qualquer pedra vermelha a Marte.
  • Acreditam os ocultistas que a concentração mental de uma corrente de vontade, apoiada pela imaginação, exerce um efeito sobre certos cristais, metais a óleos. Eles utilizam essa propriedade para conservar nesses objetos as forças de um tipo particular, de modo que essas forças possam ser facilmente despertadas à vontade, ou mesmo exercer ininterruptamente a sua influência por meio de uma emanação constante. Muitas cerimônias dependem, em algum grau pelo menos, do princípio das armas mágicas consagradas. É digno de menção que todo equipamento mais importante de uma igreja, antes de ser utilizado, é sempre consagrado. Não se pode duvidar de que essa consagração é efetiva. Todo bom sensitivo será capaz de distinguir um objeto consagrado de outro não-consagrado, desde que, é claro, essa consagração tenha sido efetiva. Todo ocultista prático sente por experiência a mudança marcante que o assalta quando manipula seus instrumentos mágicos ou veste as roupas consagradas. Ele pode realizar coin tais objetos o que de outro modo seria incapaz de executar. Ele também sabe que leva tempo para “domar” um novo instrumento mágico. É interessante notar a esse respeito que não consigo escrever nada sobre a Cabala Mística sem minha velha a gasta “Árvore da Vida” atrás de mim. É igualmente interessante notar que, quando essa Árvore da Vida – que foi originalmente preparada para mim por uma certa pessoa – se tomou tão encardida a ponto de ser indecifrável, eu a repintei, a descobri que ela aumentou consideravelmente o seu magnetismo, comprovando assim a velha tradição de que, na medida do possível, devemos preparar nossas armas mágicas coin nossas próprias mãos.
  • O grande problema no trabalho prático consiste em trazer as coisas à Esfera de Malkuth. Os antigos descreveram muitos métodos – cuja veracidade não temos meios de comprovar. Até que ponto eram reais as materializações obtidas pelo método do sacrifício de sangue descrito por Virgílio, a até onde a imaginação exaltada dos participantes desses impressionantes ritos fornecia a base da manifestação?
  • Mas, quaisquer que sejam os fatos, os holocaustos dos antigos não constituem um método prático que os experimentadores possam seguir. A base da ideia, contudo, repousa no fato de quvsangue fresco derramado fornece ectoplasma. Na verdade, existem médiuns materializadores que também produzem ectoplasma sem o derramamento de sangue. Mas aqueles que são capazes de fornecer uma grande quantidade dessa substãncia sâo muito raros. Quando um número de pessoas psiquicamente desenvolvidas se reúne num círculo para os fins da evocação, elas podem produzir uma quantidade suficiente de ectoplasma para formar a base necessária dos fenômenos físicos. Esse método não está isento de dificuldades, para não dizer de riscos, e o esoterista, que é antes um filósofo do que um experimentador, raramente lança mão dele. Basta-lhe obter manifestações na Esfera de Yesod e percebê-las coin sua visão interior.
  • O único canal de evocação satisfatório é o próprio operador. No método egípcio de evocação, conhecido como “ascensão das formas divinas”, o operador identifica-se coin o deus a se oferece como canal de manifestação. É seu próprio magnetismo que vence o abismo entre Malkuth e Yesod. Não existe outro método tão satisfatório, pois a quantidade de magnetismo num ser vivo é maior do que em qualquer metal ou cristal, mesmo precioso.
  • Esse antigo método é também conhecido modernamente como “mediunidade”. Quando o espírito fala através do médium em transe, ocorre o mesmo que ocorria no Egito antigo quando o sacerdote, coin a máscara de Hórus, falava coin a voz de Hórus.
  • Quando analisamos a Árvore microcósmica, o corpo físico é malkuth, o duplo etéreo é Yesod; o corpo astromental é Hod a Netzach; e a mente superior é Tiphareth. Tudo que a mente superior é capaz de conceber pode facilmente ser trazido à manifestação na esfera subjetiva de Malkuth. Deveríamos, sem dúvida, confiar antes nesse método de evocação do que nos meios estranhos de extrair ectoplasma ou de derramar os fluidos vitais, mesmo que esses métodos pudessem ser praticados em nossa moderna civilização.
  • A melhor arma mágica é o próprio mago, a todos os demais expedientes não passam de meios para um fim, a este é a exaltação a concentraçâo da consciência que transforma o homem comum num mago. “Não sabeis que sois o templo do Deus vivo?”, disse um Grande Ser. Se sabemos como utilizar os objetos simbólicos desse templo vivo, temos as chaves do céu em nossas mãos.
  • A chave para essa utilização encontra-se nas atribuições microcósmicas da Árvore. Interpretando-as em termos de função, e a função em termos de princípios espirituais, podemos entreabrir a porta do “armazém de força”. A melhor a mais completa manifestação do poder de Deus se produz por meio do entusiasmo energizado do homem treinado a devoto. Seríamos mais sábios se esperássemos o resultado final da operação mágica produzida por canais naturais do que se esperássemos uma interferência no curso da natureza – espera que, na própria natureza das coisas, está fadada ao desapontamento.
  • Procuremos esclarecer esse ponto por um exemplo. Supondo-se que a meta seja uma cura, deveríamos empregar, de acordo coin o método da Árvore, um rito ou uma meditação sobre Tiphareth. Mas devemos, por essa razão, limitar nossas operações à Esfera de Tiphareth a fazer da cura um assunto exclusivamente espiritual, como o fazem os cientistas cristãos? Ou devemos modificar o nosso método, de modo a utilizar a imposição das mãos e a unção do óleo, que são operações da Esfera de Yesod, planejadas para conduzir a força magnética? Ou deveríamos, de acordo coin o que me parece ser o método mais sábio, utilizar também uma operação de Malkuth, trazendo assim o poder para os planos da manifestação sem interrupção ou lapso na transmutação a condução?
  • E o que é uma operação da Esfera de Malkuth? Simplesmente uma ação no plano físico. Numa invocação de cura, por conseguinte, penso que deveríamos antes invocar o Grande Médico para que nos manifeste Seu poder por meio do médico humano, visto que esse é o canal natural, do que contar com uma força espiritual para a qual o único canal de evocação é a natureza espiritual do paciente, que pode ou não ser capaz de responder ao chamado.
  • É fora de questão que grandes forças espirituais podem atuar eficazmente na cura de nossas doenças, mas elas precisam ter um canal de manifestação; a por que deveríamos fazer um esforço sobre-humano para construir um canal psíquico quando temos outro ao alcance das mãos? Deus manifesta Seus milagres de uma maneira misteriosa apenas enquanto a lei natural é um livro selado para nós; mas, quando compreendemos os meios do trabalho da natureza, vemos que Deus age de uma maneira perfeitamente natural, por meio de canais regularmente estabelecidos; a diferença entre o natural e o sobrenatural não reside nos canais de manifestação empregados, mas na quantidade de força que se manifesta através deles. O que varia não é a qualidade, mas a quantidade do fluxo de força quando as forças espirituais são evocadas com sucesso.
  • Todo problema de MaIkuth consiste numa questão de canais e elos de conexão. O resto do trabalho é realizado pela mente nos planos mais sutis; a dificuldade real repousa na transição do sutil ao denso, pois o sutil está mal-equipado para operar no denso. Essa transição se efetua por meio do magnetismo das coisas vivas, orgánicas ou inorgânicas. Ce n ést que le demier pas qui c~e nas operações mágicas.

IV

  • Três ideias surgem da meditação sobre o Texto Yetzirático relativo a Malkuth – o conceito da Inteligência Resplandecente, que ilumina o esplendor de todas as luzes; a relação entre Malkuth a Binah; e a função de Malkuth em fazer uma influência emanar do Anjo de Kether.
  • Talvez pareça curiosa a ideia de que Malkuth, o mundo material, é o iluminador das luzes, mas poderemos entender o sentido dessa sentença se nos referirmos à analogia física, segundo a qual o céu só parece ser azul e luminoso devido à refração luminosa de inúmeras partículas de pó que flutuam na atmosfera; o ar absolutamente limpo carece de luz, a nosso céu teria a escuridão do espaço interestelar se não fosse a ação dessas partículas. Aprendemos também, pelo estudo da física, que vemos os objetos graças apenas aos raios de luz que suas superfícies refletem. Quando há pouco ou nenhuma refração, como ocorre com um objeto negro, este é quase invisível sob luz diminuta, propriedade de que se servem os prestidigitadores e ilusionistas.
  • É a função formadora a concretizante de Malkuth que toma finalmente tangível a definido o que era, nos planos superiores, intangível e indefinido, e é esse seu grande serviço à manifestação a seu poder característico. Todas as luzes, ou seja, as emanações de todas as outras Sephiroth, tornam. se luminosas a visíveis quando refletidas nos aspectos concretos de Malkuth.
  • Toda operação mágica deve chegar a Malkuth antes de poder completar-se, pois somente em Malkuth a força se aloja na forma. Portanto todo trabalho mágico se cumpre melhor na forma de um ritual executado no plano físico – ainda que o operador trabalhe só – do que por qualquer forma de meditação que opere apenas no plano astral. Deve haver algo no plano físico, mesmo que sejam apenas as linhas traçadas num talismã, ou os sinais traçados no ar, que traz a ação ao plano de Malkuth. A experiência prova que uma operação assim executada é muito diferente de uma operação que começa a termina no astral.
  • A relação entre Malkuth a Binah é claramente indicada nos títulos atribuídos a ambas essas Sephiroth. Binah é a Mãe Superior a Malkuth, a Mãe Inferior. Como já vimos, Binah é o Dador de Forma primordial. Sendo Malkuth a Esfera da Forma, a relação é óbvia. O que se iniciou em Binah encontra sua cuIminação em Malkuth. Este ponto nos dá uma importante chave por meio da qual podemos guiar nossas pesquisas entre as ramificaçôes dos panteões politeístas. O sistema cabalístico é explícito a respeito da doutrina das Emanaçôes, por meio das quais o Um se transforma no Múltiplo, e o Múltiplo é reabsorvido no Um. Nenhum outro sistema é específico sobre esse ponto, embora se encontre em todos eles uma alusão ao método à guisa de genealogia. As uniões a as descendências de deuses a deusas – de modo algum realizadas sempre no âmbito do sagrado matrimbnio – apresentam uma indicação definida das doutrinas implícitas da emanação a da polaridade, a não são apenas fantasias grosseiras do homem primitivo, que criou os deuses à sua imagem a semelhança.
  • Uma cuidadosa comparação das informações que temos sobre os ritos pelos quais os amigos reverenciavam suas inúmeras divindades revela que os mitos bem delineados que tanto deleitam as crianças tinham pouca ascendéncia sobre a religião real dos povos que os utilizavam como meio de expressão para os ensinamentos espirituais. Os deuses a deusas fundem-se de modo enigmático, de sorte que temos Vénus Barbada, a Hércules, o herói viril entre todos, com trajes femininos.
  • Fica claro, no estudo da arte antiga, que as pessoas a as características dos vários deuses a deusas eram utilizadas como uma forma pictográfica para indicar ideias abstratas defmidas, cuja convenção era bem conhecida pelos sacerdotes. Tendo de lidar com uma população na maior parte analfabeta, pois o ensino era limitado a pouquíssimas pessoas naqueles dias, os sacerdotes diziam sabiamente: “Observem este símbolo a reflitam sobre ele; vocês podem não saber o que ele significa, mas estão olhando na direção certa, a direção de onde provém a luz; e, na medida em que puderem recebé-la, a luz fluirá para suas almas, se contemplarem essas ideias.” É certamente provável que a iluminação conferida nos Mistérios incluía a elucidação metafísica desses mitos.
  • Perséfone, Diana, Afrodite, Hera mudam seus símbolos, funçôes, características, a mesmo títulos acessórios, de maneira desconcertante nos mitos a na arte grega. Também Priapo, Pã, Apolo a Zeus. O melhor que podemos dizer deles é que todas as deusas são Grandes Mães a que todos os deuses são Dadores de Vida; a diferença entre eles reside não na função, mas no nível em que funcionam. Existe uma distinção entre Vênus Celestial e a deusa do amor terreno de mesmo nome; aquele qué sabe ler saberá notar uma igual distinção a uma mesma identidade secreta entre Zeus, o Pai de Todos, a Priapo, igualmente inclinado à paternidade, mas de outra maneira, sendo um terrestre e o outro celeste. Não obstante, eles não são dois deuses, mas um só: assim como Binah a Malkuth não são dois tipos distintos de força, mas a mesma força funcionando em níveis diferentes. Essa é a chave da compreensão do significado do culto fálico, que exerce um papel tão importante em todas as fés antigas a printitivas – papel, aliás, tão pouco compreendido por seus intérpretes escolásticos. Seu sentido real é a descida da divindade até a humanidade, na esperança de elevar a humanidade à divindade. Esse processo é a base igualmente da terapia freudiana.
  • A afirmação de que Malkuth faz uma influência emanar do Anjo de Kether confirma plenamente essa ideia. Vemos que a Grande Mãe, que é Malkuth, se polariza com o Pai Universal, que é Kether.
  • Essa classificação, contudo, é demasiadamente simples para servir-nos adequadamente, seja porque queiramos reduzir um panteão pagão aos seus termos mais simples, seja porque tratamos das vicissitudes a das faces da vida pessoal. Mas encontramos, nos quatro quadrantes em que Malkuth se divide, a chave de que precisamos.
  • Esses quatro elementos são a Terra, o Ar, o Fogo e a Água do Sábio – ou seja, os quatro tipos de atividade. A notação da ciência esotérica os representa por quatro diferentes tipos de triângulo. O Fogo é representado por um triángulo, do qual uma das pontas está voltada para cima; o Ar, por um triãngulo semelhante atravessado por uma barra, indicando assim que o Ar tem uma natureza semelhante à do Fogo, porém mais densa. Aliás, não estaríamos errados se chamássemos o Ar de “Fogo Negativo”, ou o Fogo de “Ar Positivo”. A Água é representada por um triângulo voltado para baixo, e a Terra, pelo mesmo triãngulo atravessado por uma barra; e a esses dois símbolos se aplicam os mesmos princípios anteriores.
  • Supondo-se que consideremos o triângulo do Fogo como representante da força incondicionada e o triângulo do Ar como representante da forma totalmente inerte, e o triângulo da Água como representante de um tipo ativo de forma, teremos outra forma de classificação disponível. Nos mitos mais antigos, o ar, ou o deus do espaço, é o pai do Sol, o fogo celestial, e a água é a matriz da Terra. Isso fica bem clam no Pilar Central da Ãrvore da Vida, onde Kether, o espaço, ofusca Tiphareth, o centro solar, e a Esfera aquática de Yesod, o centro lunar, ofusca a Esfera terrestre de Malkuth.
  • Supondo que ordenemos os símbolos compondo o hieróglifo de outra maneira (uma das glórias da Arvore é permitir-nos fazé-lo), a coloquemos como os quatro elementos o citrino, a oliva, o castanho-avermelhado e o preto na Esfera de Malkuth, a consideremos que a forma vital que desce de Kether opera como uma corrente elétrica altemante, como a doutrina da polaridade altemante nos ensina a fazer, descobriremos que a força flui às vezes de Malkuth a Kether a às vezes de Kether a Malkuth.
  • Esse é um ponto capital quando aplicado ao microcosmo, pois nos ensina que precisamos estar em circuito com a alma da Terra, assim como com o Deus do céu; há uma inspiração que surge da inconsciência, assim como há uma inspiração que flui da supraconsciência.
  • Isso fica muito claro nos mitos gregos, em que encontramos forças terrestres positivas como Pã, que, graças ao seu simbolismo caprino, só pode ser atribuído à Esfera da Terra, pois Capricómio é o signo mais terrestre da triplicidade terrestre. Pã representa o magnetismo positivo da Terra que volta, em seu retomo, ao Pai Universal. Ceres, por outro lado, ou Diana de Muitos Seios, ambas Vénus muito terrestres a de modo algum virginais, representam a encamação final da força celeste na matéria densa. Hera, que foi chamada de Vênus Celestial ou Afrodite Celeste, representa o retomo da força terrestre ao céu, e é terra positiva num nível celestial.
  • Essas são coisas difíceis de elucidar para aqueles que não viram o Sol da meia-noite. Elas se revelam claramente na meditação, a muito pouco pela discussão.

V

  • As adivinhações se operam na Esfera de Malkuth. Ora, o objeto de todo método de adivinhação é descobrir um grupo de coisas no plano físico que corresponda precisa a compreensivamente às forças invisíveis, da mesma maneira pela qual os movimentos dos ponteiros de um relógio correspondem à passagem do tempo.
  • Para revelar tendências a condições gerais, a experiência universal daqueles que estudaram essas matérias concorda em que a Astrologia é o meIhor sistema de correspondências. Mas, para obter respostas a uma questão isolada, ela não é suficientemente específica, pois muitos fatores podem entrar em jogo, modificando o resultado. O adivinho iniciado faz uso, por conseguinte, de sistemas mais específicos, como a adivinhação pelo Tarô ou pela geomancia, quando deseja obter uma respota a uma questão específica.
  • Mas não vale a pena entrar numa loja a comprar um baralho de Tarô, a menos que se tenha o conhecimento necessário para construir as correspondências astrais de cada carta. Isso leva tempo, pois é preciso utilizar setenta a duas cartas. Uma vez isso feito, contudo, o operador poderá manipular as cartas com a plena certeza de que sua mente subconsciente, de qualquer maneira, escolherá as cartas que se referem ao assunto em questão. Não sabemos exatamente como isso se produz, mas uma coisa é certa, quando entramos em contato com o Grande Anjo do Tarô, as cartas são extremamente reveladoras.
  • Havendo considerado os princípios gerais da Esfera de Malkuth, estamos agora em posição de estudar-lhe, com proveito, o simbolismo.
  • Malkuth recebe o nome de Reino – em outras palavras, a Esfera governada por um rei – e Rei é o título de Microprosopos, que consiste nas seis Sephiroth centrais, com exclusão das Trés Supremas. Podemos considerar Malkuth, ou a Esfera material, como a Esfera da manifestação dessas seis Sephiroth centrais, as quais, por sua vez, emanam das Três Supremas. Portanto, tudo termina em Malkuth, assim como tudo começa em Kether.
  • A imagem mágica de Malkuth é uma jovem mulher, coroada a velada; trata-se de Ísis da Natureza, cuja face velada indica que as forças espirituais estão ocultas pela forma exterior. Essa ideia está presente também no simbolismo de Binah, que se resume no conceito do “manto exterior de ocultamento”. Malkuth, como o indica o Texto Yetzirático, é Binah num arco inferior.
  • Binah recebe o nome de Mãe Celestial Obscura, a Malkuth, o de Noiva do Microprosopos, ou Mãe Fértil Brilhante, a ambos os títulos correspondem aos aspectos duais da deusa lunar egípcia, Isis a Hathor, sendo aquela o aspecto positivo da deusa a esta o aspecto negativo. No simbolismo grego, corresponderiam a Afrodite a Ceres. Ora, Afrodite é o aspecto positivo da potência feminina, pois lembremos que, sob a lei da polaridade alterrrante, o que é negativo no plano exterior é positivo no plano interior, e viceversa. Afrodite, a Vênus Celestial, é quem confere o estímulo magnético ao masculino espiritualmente negativo; pelo fato de sua função não ser compreendida na vida moderna é que tanta coisa nela está errada. Binah, o aspecto superior de Isis, é, contudo, estéril, porque o pólo positivo é sempre o dador do estímulo, a nunca o produtor do resultado. O aspecto Malkuth de Isis é a Mãe Fértil Brilhante, a deusa da fecundidade, indicando assim o resultado final da operação de Isis no plano físico.
  • A posição de Malkuth na base do Pilar do Equilíbrio a coloca na linha direta da descida do poder que provém de Kether, transmuda-se em Daath, a Sephirah Invisível, a passa aos planos da forma via Tiphareth. Esse é o Caminho da Consciéncia, ao passo que os dois Pilares Laterais são Caminhos de Furrção; mas os dois Pilares Laterais também corfvergem para Malkuth via o Trigésimo Primeiro e o Vigésimo Nono Caminhos. Conseqüentemente, tudo termina em Malkuth.
  • Nós, que estamos encarnados em corpos físicos, achamo-nos em Malkuth e, quando abraçamos o Caminho da Iniciação, nossa rota segue pelo Trigésimo Segundo Caminho até Yesod. Esse Caminho, que sobe a linha reta para o Pilar Central, chama-se Caminho da Flecha, lançada por Qesheth, o Arco da Promessa; é por essa rota que o místico se eleva aos planos; o iniciado, contudo, acrescenta à sua experiência os poderes dos Pilares Laterais, juntamente com as realizações do Pilar Medial.
  • Esse aspecto do Pilar Central é expresso no Texto Yetzirático, que afirma que Malkuth faz uma influéncia emanar do Príncipe dos Rostos, o Anjo de Kether.
  • Os títulos adicionais atribuídos a Malkuth explicam claramente seus atributos. Ela é a Porta e a Esposa. Essas duas ideias representam na verdade uma única ideia, pois o útero da Mãe é a Porta da Vida. Ela é também a Porta da Morte, pois o nascimento no plano da forma é a morte para as coisas superiores.
  • Malkuth é também Kallah, a Noiva de Microprosopos, a Malkah, a Rainha de Malekh, o Rei. Isso indica claramente a função na polaridade que prevalece entre os planos da forma a os planos da força, sendo os planos da forma o aspecto feminino, polarizado a fertilizado pelas influências dos planos da força.
  • O Nome divino de Malkuth é Adonai Malekh, ou Adonai ha Aretz, que significa “O Senhor que é Rei”, a “O Senhor da Terra”. Vemos aqui claramente a afirmação da supremacia do Deus único nos Reinos da Terra, a toda operação mágica, em que o operador toma o poder em suas próprias mãos, deveria começar corn a evocação a Adonai para habitar seu templo da Terra a govemá-lo, para que nenhuma força possa desviar de sua obediência ao Um.
  • Aqueles que invocam o Nome de Adonai invocam o Deus manifesto na Natureza, que é o aspecto de Deus adorado pelos iniciados dos Mistérios da Natureza, seja os de Dionísio ou os de fsis – que concemem aos diferentes meios de abrir a supraconsciência por meio da subconsciência.
  • O arcanjo é o grande anjo Sandalphon, que os cabalistas chamam às vezes de Anjo Negro, ao passo que Metraton, o Anjo do Rosto, é o Anjo Brilhante. Esses dois anjos, como se diz, permanecem atrás dos ombros direito a esquerdo da alma em suas horas de crise. Eles poderiam representar o born Carma e o mau Carma. É relativamente à função de Sandalphon como o Anjo Negro, que preside sobre a dívida cármica, que Malkuth recebe o título de Porta da Justiça a Porta das Lágrimas. Disse um humorista, corn mais verdade do que poderia ele supor, que este planeta é atualmente o inferno de outro planeta. Ele é, na verdade, a esfera em qpe se cumpre normalmente o carma. Onde há suficiente conhecimento, contudo, o carma pode ser operado nos planos mais sutis, a esse método é uma das formas da cura espiritual.
  • O coro angélico atribuído a Malkuth é o dos Ashim, as Almas do Fogo, ou Partículas Ígneas, sobre as quais Mme. Blavatsky diz algumas coisas muito interessantes. Uma Alma do Fogo é, na verdade, a consciência de um átomo; os ~ por conseguinte, representam a consciência natural da matéria densa; sáo eles que lhe dáo suas características. São as Vidas Ígneas, essas cargas elétricas infinitesimais, que ondulam sem cessar para frente a para trás corn tremenda atividade na estrutura da matéria a lhe formam a base. Tudo que conhecemos como matéria baseia-se nessa estrutura. É corn a ajuda dessas Vidas fgneas que certos tipos de magia são operados. São pouquíssimas as pessoas que podem operar essa magia, pois quanto mais denso o plano a ser manipulado, maior deve ser o poder do mago.
  • O chakra cósmico de Malkuth é a Esfera dos Elementos, a qual já foi considerada em detalhes nestas páginas.
  • A experiência espiritual de Malkuth é a visão do Anjo da Guarda Sagrado. Esse anjo, que, de acordo corn os cabalistas, é atribuído a cada alma que nasce a que a acompanha até a morte, quando então a toma e a apresenta diante da face de Deus para julgamento, é na realidade o Eu Superior de cada um de nós, que formula a Centelha Divina – o núcleo da alma – e persiste por uma evolução, estabelecendo um processo na matéria a cada encamação para formar a base da nova personahdade.
  • Quando o Eu Superior e o Eu Inferior se unem, pela completa absorção do inferior pelo superior, alcança-se o verdadeiro Adeptado; é a Grande Iniciação, a União Divina Menor. É a suprema experiência da alma encarnada; e, quando isso ocorre, ela está hvre de qualquer compulsão para reencarnar na prisão da carne. Ela está hvre para subir aos planos a entrar em seu repouso, ou, se assim escolher, para permanecer na Esfera Terrestre a funcionar como um Mestre.
  • É essa, pois, a experiência espiritual atribuída a Malkuth – a descida da Divindade na humanidade, assim como a experiência espiritual de Tiphareth é elevar a humanidade à Divindade.
  • A virtude especial de Malkuth é a discriminação. Essa ideia é bem exemplificada no curioso simbolismo dos antigos, que declararam que a correspondência no microcosmo se estabelece corn o ânus. Tudo o que na vida está corrompido deve ser excretado, e a excreção macrocósmica se dá nas esferas qliphóticas, que dependem de Malkuth, de onde os excrementos cósmicos não podem retomar aos planos da forma organizada sem antes encontrar o equilibrio. Há, portanto, no mundo qhphótico, uma Esfera que não é o inferno, mas o purgatório; é um reservatório de forças desorganizadas emanadas de formas destruídas a expulsas pela evolução; é o caos num arco inferior. É desse receptáculo de fomias voltadas à destruição que as Conchas, ou entidades imperfeitas, extraem seus veículos. Essa Esfera serve também para os tipos inferiores de magia de má espécie. A tendência dessas forças que se encontram na Esfera qliphótica é sempre a de assumir uma vez mais as formas a que estavam acostumadas antes de sua desintegração a redução ao seu estado primordial; como essas formas eram pelo menos antiquadas, se não ativamente más, segue-se naturalmente que essa matéria de caos não é uma substância desejável corn a qual se possa trabalhar. Seria melhor deixá la até que sua purificação seja completa a que ela tenha sido filtrada pela Esfera da Terra pelos canais naturais a lançada umá vez mais no fluxo da evolução. É por essa razão que todos os cultos subterrâneos e a evocação dos mortos são indesejáveis, pois as formas que as entidades manifestas assumem devem ser construídas em parte corn essa substância do caos.
  • Portanto, a virtude especial de Malkuth é agir como uma espécie de filtro cósmico, expulsando a excreção a preservando o que ainda tenha alguma utilidade.
  • Os vícios característicos de Malkuth são a avareza e a inércia. É fácil ver como a estabilidade de Malkuth pode ser levada ao excesso, a dar origem à lerdeza e à inércia. O conceito de avareza, embora não seja tão óbvio na superfície, revela rapidamente seu significado à investigação, pois o apego excessivo da avareza é uma espécie de constipação espiritual, o oposto exato da discriminação que rejeita as excreçôes da vida por meio do ánus cósmico deitando-as no esgoto cósmico das Qliphoth. É interessante notar que Freud declara que o avarento está invariavelmente constipado, associando, ademais, o sonho da moeda às fezes.
  • Uma das coisas mais importantes que temos de fazer antes de podermos nos elevar das limitações da vida em Malkuth a respirar uma atmosfera mais leve é aprender a nos desapegarmos das coisas; a sacrificar o inferior em função do superior, construindo, assim, a preciosa pérola. É a discriminação que nos permite saber qual é o valor menor que deve ser abandonado, a fim de se obter o maior, pois não há ganho sem sacrifício. O que não compreendemos é que todo sacrifício deve ter uma utilidade substancial para o céu, onde nem a traça nem a ferrugem corrompem, pois, do contrário, ele representará uma perda inútil.
  • 1á observamos uma das correspondências atribuídas a Malkuth no microcosmo. Contudo, diz-se também que Malkuth corresponde aos pés do Homem Divino. Temos aqui novamente um importante conceito, pois, a menos que os pés estejam firmemente plantados na Mãe Terra, nenhuma estabilidade é possível. Há, não obstante, muitíssimos místicos desequilibrados que gostam de pensar que o Homem Divino termina no pescoço como um querubim, a não dão lugar aos órgãos geradores de Yesod, ou ao ânus de Malkuth. Eles precisam aprender a lição que o sonho celestial ministrou a São Pedro – ou seja, de que nada que Deus fez é impuro, a não ser que nós o tomemos impuro. Deveríamos reconhecer a Vida Divina em todas as suas funções, a assim elevar a humanidade até a Divindade a santiflcá-la. A pureza está próxima à Divindade, especialmente a pureza interna. Se fugimos de uma coisa e a evitamos, como podemos mantê-la pura a saudável? Os tabus dos povos primitivos foram completamente esquecidos em nossa vida civilizada, com desastrosas conseqüéncias para a saúde e o bem-estar da humanidade.
  • Os símbolos de Malkuth são o altar do cubo duplo e a cruz de braços iguais, ou cruz dos elementos.
  • O altar do cubo duplo simboliza a máxima hermética “Como em cima, tal é embaixo”, a ensina que o que é visível é o reflexo do que é invisível, a lhe corresponde exatamente. Esse altar cúbico é o altar dos Mistérios, em oposição ao altar horizontal, que é o altar da Igreja. Pois o altar horizontal permanece no léste, ao passo que o altar cúbico permanece no centro. Afirma-se que ele está bem proporcionado quando a altura do centro é de seis pés, e a largura e a profundidade são a metade da altura.
  • A cruz de braços iguais, ou cruz dos elementos, representa os quatro elementos em perfeito equilíbrio, que é a perfeição de Malkuth. Ela é representada na Árvore da Vida pela divisão de Malkuth em quatro quadrantes, nas cores citrino, oliva, castanho-avermelhado a preto, estando o citrino voltado para Yesod e o negro para as Qliphoth, o oliva para Netzach e o castanho-avermelhado para Hod. São os reflexos dos Três Pilares a da Esfera Qhphótica, atenuados a filtrados pelo véu da Terra.
  • Todas as coisas se resumem, desse modo, em Malkuth, embora vistas num cristal turvo, por reflexo, a não face a face.
  • As quatro cartas do Tart produzem curiosos resultados quando sujeitos à meditação à luz do que sabemos sobre Malkuth. O Dez de Paus chama-se Senhor da Opressâo; o Dez de Copas, o Senhor do Sucesso Completo; o Dez de Espadas, o Senhor da Ruína; e o Dez de Ouros, o Senhor da Riqueza.
  • Como já vimos, é em Malkuth que as forças espirituais atingem sua perfeição no plano da forma e, tomando essas formas completas a “sacrificando-as”, podemos reconduzi-las ao estado de poderes espirituais.
  • Essas quatro cartas do Tarô, note-se, são alternadamente boas e más em seu significado; de fato, o Dez de Espadas é a pior carta que se pode tirar numa adivinhação. A esse propósito, poderíamos lembrar uma curiosa doutrina alquímica, a qual ensina que os signos dos planetas são compostos de três símbolos: o disco solar, o crescente lunar e a cruz da corrosão ou do sacrifício. Esses símbolos, quando corretamente interpretados, dão a chave da natureza alquímica do planeta a da sua utilidade prática na Grande Obra da transmutação. Por exemplo, Marte, em cujo símbolo a cruz encima o círculo, é, como se afirma, externamente corrosivo a internamente solar; Vênus, em que o círculo encima a cruz, é externamente solar a internamente corrosiva, ou, nas palavras da Escritura, “doce nos lábios, mas amarga nas entranhas”.
  • Nos quatro dez do Tarô prevalece o mesmo princípio. Cada carta representa a operação de um certo tipo de força espiritual, no plano da matéria densa. A carta mais espiritual, o dez do naipe cujo ás é a Raiz dos Poderes do Fogo, chama-se Senhor da Opressão. Isso nos ensina que as forças espirituais superiores podem ser externamente corrosivas quando operam sobre o plano da matéria. Os Poderes do Fogo, em sua potência mais elevada, no dez de paus, são os do fogo refinador. “Assim como o ouro se prova pela chama, assim o coração se prova pela dor.”
  • Por outro lado, todo o simbolismo do naipe de Copas, ou Cálices, manifests claramente a influência venusiana; é nesse naipe que encontramos os Senhores do Prazer, da Felicidade Material a da Abundância. Mas encontramos também os Senhores do Sucesso Ilusório, do Sucesso Abandonado, da Perda no Prazer, o que mostra claramente que esse naipe, embora externamente solar, é internamente corrosivo.
  • As Espadas estão sob a influência marciana, e o Senhor da Ruína indica o sacrifício total de todas as coisas materiais.
  • Mas, em Ouros, Terra da Terra, a combinação é inversa, a descobrimos que o dez de Ouros é o Senhor da Riqueza.
  • Observamos, dessa maneira, que as cartas de naipes de natureza primordialmente espiritual são externamente corrosivas no plano físico; a as cartas de naipes de natureza primordialmente material são externamente solares, ou benéficas, no plano material. Isso ensina uma lição muito útil, a dá uma importante chave quando utilizada nos sistemas de adivinhação em que se procura discemir a ação dos poderes espirituais que agem num determinado caso.
  • Todos os assuntos do mundo sobem a descem como as ondas do mar, uma crista seguindo a outra em progregão rítnrica; por conseguinte, quando uma situação cósmica está no zênite ou no nadir sabemos que uma mudança de maré deve ser esperada no futuro próximo. Essa noção se acha expressa em muitos ditados populares: “Não há mal que sempre dure”; “A hora mais negra é a que precede a aurora”. Harriman, o grande milionário norte-americano, dizia que fez sua fortuna comprando sempre nos mercados em baixa a vendendo em alta – procedimento oposto à prática normal. Não obstante, é um procedimento engenhoso, pois a alta transforms-se em depressão, e a depressão resulta em alta. Isso ocorre tão freqüentemente que deveríamos esperar que os especuladores conhecessem essa lição histórica, mss eles não conhecem. Foi o conhecimento desse fato que permitiu à Sociedade da Luz Interior seguir firmemente sua marcha em meio às dificuldades do pós-guerra, a atravessá-las sem ter de restringir nenhuma de suas atividades. Há ocasiões em que é necessário ser modesto para continuar solvente, mss há ocasiôes em que se pode ser arrojado, a despeito de todas as indicações em contrário, porque se sabe que a maré está subindo.
  • Essas quatro cartas, portanto, dão uma indicação muito exata da natureza da operação das forças em Malkuth e, quando elas se apresentam numa adivinhação, podemos esperar que o ouro material irá corromperse, e a corrosão exterior se voltará ao ouro, mais cedo ou mais tarde, sendo conveniente conduzir os negócios de acordo com essa situação.
  • É a verdadeira utilidade da adivinhação permitir-nos discernir as forças espirituais implicadas em qualquer acontecimento, para agirmos adequadamente. Qual seria a utilidade, então, da adivinhação executada por alguém que não tem discernimento espiritual? E podemos esperar encontrar discernimento espiritual no ocultismo mercenário que fornece um tanto por uma certa quantia a muito mais por uma quantia maior? As coisas espirituais não se fazem dessa maneira. Entre os antigos, a adivinhação era um rito religioso, a deveria sê-to para nós, a não ser que desejemos semear a má sorte.

AS QLIPHOTH

  • No capítulo anterior, fizemos referência às Qliphoth, as Sephiroth malignas a adversas; é hora, portanto, de estudá-las em detalhe, embora elas sejam “forças terríveis, havendo perigo até mesmo em pensar nelas”.
  • Poder-se-á perguntar então por quê, sendo essas formas tão perigosas, será preciso estudá-las. Não seria melhor desviar a mente a impedir que as imagens de tais forças se formem na consciência? Em resposta a essa quetão, podemos citar os preceitos de Abramelin, O Mago, cujo sistema de magia é o mais completo a poderoso que possuímos. De acordo com esse sistema, o operador, depois de um prolongado período de purificação a preparação, evoca não apenas as forças angélicas, mas também as demoníacas.
  • Muitas pessoas queimaram os dedos com o sistema de Abramelin, e por uma razão muito simples, pois, se examinarmos seus relatos, descobriremos que elas nunca seguiram o sistema por completo, escolhendo uma ceri• mônia aqui a uma invocação acolá, segundo seus humores. Conseqüentemente, o sistema de Abramelin ganhou má reputação por ser uma fórmula singularmente perigosa, ao passo que, executada por completo, é singularmente segura, porque trata de todas as reações das forças evocadas sob o que poderíamos chamar de “condições de laboratório” neutralizando-as, assim.
  • Todo aquele que tenta manipular o aspecto positivo de uma Sephirah precisa lembrar que ela tem também um aspecto negativo, a que, a não ser que ele possa manter o necessário equilíbrio de forças, esse aspecto negativo pode tomar-se dominante a arruinar a operação. Há um ponto em toda operação mágica em que se encontra o aspecto negativo da força e, a não ser que seja enfrentado, ele jogará o experimentador na fossa que abriu. Há uma sábia máxima mágica que aconselha a não evocarmos qualquer força a não ser que estejamos preparados para enfrentar o seu aspecto adverso.
  • Ousaríamos, por acaso, evocar a energia ígnea de Marte (Geburah) em nós mesmos, se não nos tivéssemos disciplinado a purificado para podermos impedir a força marciana de chegar aos extremos a induzir à crueldade e à destrutividade? Se temos alguma compreensão da natureza humana, devemos saber que todo indivíduo tem os defeitos de suas qualidades – ou seja, se ele é vigoroso a enérgico, ele está predisposto a incorrer na crueldade e na opressão; se é calmo a magnãnimo, está predisposto às tentações do laissez faire a da inéreia.
  • As Qliphoth recebem corretamente o nome de Sephiroth malignas e adversas, porque não são princípios ou fatores independentes no esquema cósmico, a sim o aspecto desequilibrado a destrutivo das próprias Estações Sagradas. Não existem, na verdade, duas Árvores, mas apenas uma, a uma Qliphah é o reverso de uma moeda cujo lado oposto é uma Sephirah. Todo aquele que utiliza a Árvore como um sistema mágico deve necessariamente conhecer as Esferas das Qliphoth, porque ele não tem outra opção senão enfrentá-las.
  • Só o plano de Atziluth possui um Nome de Poder associado a uma única Sephirah, a ele é o Nome de Deus. Ao arcanjo corresponde o diabo e, ao coro angélico, a corte de demônios; a as Esferas sephiróticas têm suas correspondências nas Moradas Infernais.
  • O estudante deve fazer uma cuidadosa distinção entre o que o ocultista chama de Mal positivo a negativo. Esse é um ponto capital na filosofia esotérica, e a não-compreensão de seu significado conduz a erros práticos posteriores, danificando a vida a obra do iniciado, ou, pelo menos, do ser humano que tenta desenvolver uma quantidade módica de livre escolha a autodomínio. Esse é um ponto pouco compreendido, mas singularmente importante na prática, porque influencia imediatamente nossos pontos de vista, de julgamento a de conduta.
  • O Mal positivo é uma força que se move contra a corrente da evolução; o Mal negativo é simplesmente a oposição de uma inércia que ainda não foi superada, ou de um movimento que ainda não foi neutralizado. 11ustremos essas definições por um exemplo. O conservadorismo natural de uma mente amadurecida é encarado como mau pelo futuro reformador; a iconoclastia natural da juventude é encarada como má pelo administrador que estabeleceu seu sistema. Não obstante, nenhum desses fatores oponentes pode ser dispensado ‘se queremos que a sociedade se mantenha num estado saudável; entre esses extremos, obtemos um progresso firme que não desorganiza a sociedade, nem permite arrojá-la na inércia a na decadência. Ambos esses fatores são indispensáveis ao bem-estar social, e a ausência de qualquer um deles conduziria a sociedade à ruína.
  • Não podemos considerá-los, portanto, como um mal social, a não ser que haja um excesso. Deveríamos, por conseguinte, na terminologia da filosofia esotérica, classificar o conservadorismo como um Mal negativo, quando considerado do ponto de vista do reformador, e a iconoclastia como um Mal negativo quando considerada do ponto de vista do conservador.
  • O Mal positivo é algo completamente diverso. Poderá ele ter a natureza de uma iconoclastia excessiva, que beira à anarquia pura a simples; ou a natureza do conservadorismo excessivo, que se toma um privilégio de classe, interesse petrificado que milita contra o bem comum. Ou pode tomar a forma da corrupção política atual, que destrói a eficiência da máquina administrativa, ou de corrupção social, tal como a prostituição organizada ou a exploração do trabalho de crianças, que mina a saúde do corpó-nacional.
  • O impulso conservador e o impulso radical atrairão aqueles que simpatizam com esses pontos de vista, a seus partidários organizar-se-ão rapidamente em partidos políticos; esses partidos não são maus, a não ser aos olhos preconceituosos de seus adversários políticos; o corpo principal da nação contrapõe-se a eles a os suporta imparcialmente, reconhecendo que eles representam fatores complementares. Da mesma forma, os elementos corruptos a criminais da sociedade tenderão a organizar um Tammany Hall próprio. Ora, os partidos Conservador a Radical’ poderiam ser associados a Chesed a Geburah, respectivamente. O Tammany Hall poderia ser comparado à Qliphah correspondente de Geburah, as forças incendiárias e opositoras; a os reacionários organizados, à Qliphah de Chesed, os engendradores da destruição.
  • O mal negativo é o corolário prático do princípio do Equilíbrio. O equilíbrio é o resultado do equilíbrio das forças opostas; conseqüentemente, elas devem combater-se mutuamente. Não devemos incorrer no erro de classificar uma força de um par de forças oponentes como boa e a outra como má, pois fazê-to é cair na heresia fundamental do dualismo.
  • Os comentadores instruídos a esclarecidos de todas as religiões encaram o dualismo como uma heresia; somente os adeptos ignorantes de uma fé acreditam no conflito entre luz a trevas, espírito a matéria, que resultará eventuahnente no triunfo de Deus a na abolição a eliminação total de todas as influências opostas. O Protestantismo esquece que Lúcifer é o Dador-de-Luz, que Satã é um anjo caído, a que o Senhor não limitou Seu ministério à humanidade, mas desceu ao inferno a pregou aos espíritos cativos: Não podemos lidar com o Mal cortando-o a destruindo-o, mas apenas absorvendo-b a colocando-nos em harmonia com ele.
  • Em todos os nossos cálculos a conceitos, devemos fazer uma clara distinção entre a resistência da Sephirah compensadora e a influência da Qliphah correspondente. As duas Árvores, a Divina e a Infernal, a Sephirótica e a Qliphótica, são comumente representadas como apareceriam se a Árvore adversa fosse um reflexo da Árvore Celestial num espelho colocado em sua base, igualando assim, proporcionalmente, a altura da outra. Obteríamos, então, um conceito mais exato se concebêssemos os dois hieróglifos como inscritos em cada lado de uma Esfera, de modo que, se um pêndulo balançasse entre Geburah a Gedulah (Marte a Júpiter), ele atingiria o lado oposto do globo, girando na direção da influência da Sephirah adversa correspondente. Se ele se afastar em demasia de Geburah (Severidade), ele chegará à Esfera das forças incandescentes a destrutivas a do ódio; se ele se afastar na direção da Misericórdia, chegará à Esfera dos engendradores da destruição, a esse nome é muito significativo.
  • O místico diz-nos que seu objetivo é operar na Esfera do espírito puro sem qualquer combinação com a Terra e, por isso, ele evoca apenas o Nome de Deus; mas o ocultista replica: “Enquanto estiveres num corpo terrestre, és um filho da Terra, a para ti o espírito não pode ser puro. Quando evocas o amor de Deus, este não pode it até ti a não ser por meio de um Redentor. A Esfera do Redentor é Tiphareth a seu arcanjo é Rafael, O Curador, pois não reconhecemos a influência do Redentor por meio de sua influência curadora sobre o corpo e a alma? Mas o oposto do Redentor que harmoniza são os Zourmiel, Os Querelantes, “os grandes gigantes negros que combatem sem cessar”. Não vemos a sua influência nas doutrinas mais sombrias do Cristianismo, na ideia do castigo eterno sob o domínio do Demônio, contrastado com a recompensa eterna sob o domínio do vingativo a venal Jehovah? Se essas não são Forças Duais Contrárias, o que são? O moderno pensamento religioso comete um grande erro ao não compreender que o excesso de um Bem é afinal de contas um excesso.
  • O único período durante o qual há perfeito equilíbrio de força é durante um Pralaya, uma Noite dos Deuses. A força em equilíbrio é estática, potencial, jamais dinâmica, porque a força em equilíôrio implica duas forças opostas que se neutralizaram perfeitamente e, assim tomaram-se inertes a inoperantes. Destrua-se o equilíbrio, a as forças serão libertadas para a ação, dando margem à mudança, ao crescimento, à evolução e à organização. Não há possibilidade alguma de progresso no equilíbrio perfeito; é um estado de repouso. Ao final de uma Noite Cósmica, o equilíbrio é destruído e, em cónseqüência, ocorre mais uma vez uma efusão de força, dando origem novamente à evolução.
  • O equilíbrio do universo poderia ser mais bem comparado antes ao movimento de um pendulo do que à apreensão de uma tenaz. O equilíbrio não é imóvel, a há muita difereXiça entre esses dois conceitos. Pois, no controle, há sempre uma pequena vibração, um tremor entre as forças opos tas que o mantém firme; é uma estabilidade, não da inércia, mas do esforço.
  • Esse aspecto é representado na Árvore pelos dois Pilares da Mise ricórdia a da Severidade, que se opõem mutuamente. Geburah (Severidade; se opõe a Gedulah (Misericórdia). Binah (Forma) se opõe a Chokmah (For ça). Se essa oposição cessasse, o universo entraria em colapso, tal como un homem que está puxando uma corda cai se essa corda se rompe. Devemo; compreender claramente que essa tensão, essa resisténcia contra a qual devemos nos debater em cada uma de nossas ações, não é má; é o contrapeso ne cessário de toda força que empregamos.
  • Como já observamos num capítulo anterior, cada Qliphah nascei primordialmente como uma emanação da força desequilibrada no curso d< evolução da Sephirah correspondente. Houve um período em que as força: de Kether se expandiram para formar Chokmah, e o Segundo Caminho esta va em vias de existir, sem se ter, porém, totalmente estabelecido; Kelhe~ encontrava-se, portanto, em desequiliôrio – expandido, mas não compen sado. Vemos esse mesmo fenômeno do estado de transição patológica cla ramente ilustrado no caso do adolescente que deixou de ser uma crianç~ sob controle a ainda não se tornou adulta a capaz de controlar-se a si mesma.
  • Foi esse inevitável período de força desequilibrada, a patologia d, transição, que deu origem a cada uma das Qliphoth. Segue-se, portanto que a solução do problema do Mal a sua erradicação do mundo não serãc obtidas por meio de sua supressão, cortando-o ou extirpando-o, mas po meio de sua compensação a conseqüente absorção na Esfera de onde proveio. A força desequilibrada de Kether, que deu origem às Forças Duai: Compensadoras, precisa ser neutralizada por um aumento correspondente da atividade de Chokmah, a Sabedoria.
  • A força desequilibrada de cada Sephirah, portanto, que surgiu sem controle durante as fases temporárias do desequilíbrio que ocorre perio dicamente no curso da evolução, forma o núcleo em tomo do qual se or ganizaram todas as formas mentais do Mal que surgem na consciéncia do; seres perceptivos ou por meio da operação das forças cegas que se encon travam desequilibradas, buscando cada espécie de desarmonia o lugar que lhe correspondesse. Podemos deduzir então que um mero excesso de força; embora pura a boa em sua natureza intrínseca, pode, quando não-compen sada, tomar-se, no curso das eras, um centro altamente organizado a desenvolvido do Mal positivo a dinâmico.
  • Um novo exemplo nos ajudará a compreender esse ponto. Um excesso da energia necessária de Marte (Geburah), a energia que destrói a inércia a faz desaparecer o excremento e a substância usada, deveria necessariamente ocorrer durante o período que precede a emanaçáo de Tiphareth, o Redentor. Assim que é emanado, o Redentor compensa as severidades de Geburah, assim como disse o Senhor: “Dou-vos uma nova lei. Já não direis: olho por olho, dente por dente (. . .)”. Ora, essa severidade unilateral de Geburah deu-nos o ciumento Deus do Velho Testamento a todas as perseguições religiosas que se fizeram em Seu desequilibrado Nome. Ele forma as Qliphah de Geburah, a toda natureza cruel a opressora está sintonizada com essa divindade. Para sua Esfera flui todo excesso de força que emana e que não é absorvido pela força oposta no universo – toda vingança insatisfeita, toda sede de crueldade não-satisfeita, a essas forças, sempre que encontram um canal de expressão aberto, se manifestam por meio dele. Conseqüentemente, o homem que se deixa arrastar pela crueldade descobre cedo que não está expressando os impulsos de sua própria natureza não-desenvolvida ou disforme, mas que uma grande força, tal como uma corrente em jorro, corre por ele, levando-o de um ultraje a outro, até que ele perca finalmente seu autocontrole a discrição, a destrua a si mesmo por alguma expressão incauta de seus impulsos.
  • Toda vez que nos tomamos um canal de alguma força pura, ou seja, qualquer força que é simples a não-diluída pelos motivos ulteriores e considerações secundárias, descobrimos que há um rio caudaloso atrás de nós – o fluxo das forças Sephiróticas a Qliphóticas correspondentes – que abre um canal, utilizando-nos como seu intermediário. É isso que dá ao fanático ignorante o seu poder anormal.

CONCLUSÃO

  • Tendo terminado meu estudo desta parte da Sagrada Cabala que concerne às Dez Sephiroth na Árvore da Vida, não posso dizer outras palavras senão estas: “Fizemos tão pouco . . . E quanto resta por fazer1”.
  • Espero que este livro suscite a publicação de outras obras. Os Vinte a Dois Caminhos formam um sistema de psicologia mística concernente às relações entre a alma humana e o universo. Assim como as Dez Sephiroth, que dizem respeito ao macrocosmo, sáo a chave da iluminação, também os Vinte a Dois Caminhos, que dizem respeito às relações entre macrocosmo e microcosmo, sáo a chave da adivinhação; e a adivinhação, tomada em seu sentido verdadeiro, é diagnose espiritual, algo muito diferente da cartomancia.
  • Ás Esferas dos deuses na Árvore representam uma questão de profundo interesse a imediata aplicação prática, pois elas dão a chave dos ritos que foram executados como meio – e meio efetivo, sublinhamos -, de entrar em contato com as diferentes forças personalizadas sob os nomes dos deuses a de equilibrá-las.
  • Todas essas coisas, contudo, requerem um conhecimento detalhado, a este só pode ser alcançado gradualmente. Eis uma tarefa que está além das forças de um único autor, a eu receberia com prazer a correspondência daqueles que estão interessados nesses assuntos, não como estudo da Antiguidade, mas como forças vivas que dizem respeito aos assuntos a ao coração do homem.
  • Tudo que nos restou do cerimonial no Ocidente está nas mãos da Igreja, dos maçons a dos exploradores de cabaré. Os três são efetivos em seu gênero: a Igreja invocando o amor de Deus; a Maçonaria invocando o amor do homem; e o cabaré invocando o amor das mulheres.
  • Visto como meio de invocar o espírito de Deus, o cerimonial não passa de superstição; mas, visto como meio de invocar o espírito do homem, é psicologia pura, e é assim que eu o vejo. Trata-se de uma arte perdida no Ocidente, mas uma arte que valeria a pena reviver.
  • Nestas páginas, ministrei a base filosófica do que resta dessa arte. Sua aplicação prática depende não apenas do conhecimento técnico, mas do desenvolvimento de certos poderes da mente pelo treinamento cuidadoso e prolongado, sendo o primeiro desses poderes o poder da concentração, e o segundo, o poder da imaginação visual. No que respeita ao poder da imaginação visual, nós, ocidentais, nos encontramos numa lamentável ignorância. Coué não cumpriu sua missão ao buscar na atenção prolongada um substituto da emoção espontânea.

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