Cabala Mística – Dion Fortune – Parte 02 de 03

Cabala Mística – Dion Fortune – Parte 01 de 03
16 de maio de 2018
Cabala Mística – Dion Fortune – Parte 03 de 03
21 de maio de 2018
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Cabala Mística – Dion Fortune – Parte 02 de 03

  • Os Caminhos da Árvore
  • As Sephiroth Subjetivas
  • Os Deuses da Árvore
  • O Trabalho Prático Sobre a Árvore
  • Considerações Gerais
  • Kether, a Primeira Sephirah
  • Chokmah, a Segunda Sephirah
  • Binah, a Terceira Sephirah
  • Chesed, a Quarta Sephirah   
  • Geburah, a Quinta Sephirah

  OS CAMINHOS DA ARVORE

  • A Sepher Yetzirah confere tanto às Dez Sephiroth como às linhas que as unem o título de Caminhos; a com muita propriedade, pois os Caminhos são igualmente canais da influência divina; mas é comum, no trabalho prático, as linhas entre as Sephiroth serem consideradas apenas como Caminhos, a as Sephiroth como Esferas da Árvore. Esse é um dos muitos ardis e subterfúgios que encontramos no sistema cabalístico, pois, pensando que os Caminhos perfazem o total de trinta a dois, como se afirma na Sepher Yetzirah, não seríamos capazes de relacioná-los com as vinte a duas letras do alfabeto hebraico, que, com seu valor a suas correspondências numéricas, formam a chave dos Caminhos.
  • Um Caminho representa o equilíbrio entre as duas Sephiroth que une, a devemos estuda-lo à luz de nosso conhecimento dessas Sephiroth, se desejamos estudar-lhe o significado. Certos símbolos são também consignados aos Caminhos. São eles, como já observamos, as vinte a duas Letras do alfabeto hebraico; os signos do Zodíaco, os planetas a os elementos. Ora, há doze signos no Zodíaco, sete planetas a quatro elementos, perfazendo o total de vinte a três símbolos. Como se dispõem eles nos Vinte e Dois Caminhos? Aqui está outro ardil cabalístico que desorienta o não-iniciado. A resposta é muito simples, quando lhe conhecemos a chave. Sendo a nossa consciência do elemento da Terra, não precisamos do símbolo da Terra em nossos cálculos quando fazemos contato com o Invisível, de modo que o descartamos a nos encontramos com o jogo correto de correspondências. Malkuth é toda a Terra de que necessitamos para os propósitos práticos.
  • O terceiro grupo de símbolos que encontramos nos Caminhos são os vinte a dois trunfos a Arcanos Maiores do Tarô. Esses três grupos de símbolos a as cores das quatro escalas coloridas constituem o simbolismo maior; o simbolismo menor consiste nas inúmeras ramificações das correspondências que se espalham por todos os sistemas e planos.
  • A Árvore da Vida, a Astrologia e o Tarô não são três sistemas místicos, mas três aspectos de um mesmo sistema, a um é incompreensível sem os outros. Apenas quando estudamos a Astrologia relativamente à Árvore é que dispomos de um sistema filosófico. O mesmo se aplica ao sistema de adivinhação do Tarô, a este, com suas interpretações abrangentes, fornece a chave da Árvore em sua aplicação à vida humana.
  • A Astrologia é muito impalpável porque o astrólogo não-iniciado trabalha em apenas um plano; mas o astrólogo iniciado, tendo a Árvore como sua fundamentação, interpreta os quatro planos dos Quatros Mundos, e o efeito de Saturno, por exemplo, é muito diferente em Atziluth, onde é a Mãe Divina, Binah, do que o é em Assiah.
  • Todos os sistemas de adivinhações a todos os sistemas de Magia Prática podem fundamentar seus princípios a sua filosofa na Árvore; todo aquele que tenta utilizá-los sem essa chave é como a pessoa imprudente que tem uma farmacopéia de específicos medicinais a procura curar a si mesma e aos seus amigos de acordo com as descrições dadas na bula, onde a dor lombar inclui todas as doenças que não causam dor na parte frontal do corpo. O iniciado que conhece essa Árvore é como o médico-cientista que compreende os princípios da fisiologia a da química das drogas, a as prescreve adequadamente.
  • Vários métodos para utilizar as cartas do Tarô foram elaborados a partir de fontes originais. Em seu pequeno livro, Lhe Key to lhe Tarot [A chave do Tarô], A. E. Waite fornece os métodos principais, mas abstém-se de indicar qual, em sua opinião, é o correto. Em sua valiosa tabulação do simbolismo esotérico, 777, Crowley não é tão reticente, a dá o sistema tal como é conhecido entre os iniciados. Esse é o método que me proponho a seguir nestas páginas, pois acredito que ele é correto, visto que as correspondências se ajustam sem discrepâncias, o que não ocorre em outros sistemas.
  • De acordo com esse método., os quatro naipes do Tarô são atribuídos aos Quatro Mundos dos cabalistas a aos quatro elementos dos alquimistas. O naipe de Paus é atribuído a Atziluth a ao Fogo. O naipe de Copas, a Briah e à Água. O naipe de Espadas, a Yetzirah a ao Ar. O naipe de Ouros, a Assiah e à Terra.
  • Os quatro ases são atribuídos a Kether, a primeira Sephirah; os quatro dois, a Chokmah, a segunda Sephirah; a assim sucessivamente, os quatro dez correspondendo a Malkuth. Observamos, desse modo, que as cartas dos quatro naipes do Tarô representam a ação das forças divinas em cada Esfera a em cada nível da natureza. Do mesmo modo, se conhecemos o significado das cartas do Tarô, compreendemos melhor a natureza dos Caminhos a das Esferas aos quais elas são referidas. Ambos os sistemas, o Tarô e a Árvore, por serem de antiguidade imemorial, mergulham suas origens nas trevas das idades, a uma enorme massa de correspondências simbólicas se acumulou em tomo de ambos. O ocultista prático que trabalha com a Árvore se abastece nesse estoque de associações, vivificando os símbolos no Astral por meio de suas operações. A Árvore a suas chaves são infinitas em sua adaptabilidade.
  • As quatro cartas reais do Tarô chamam-se, nos baralhos modernos, Rei, Dama, Valete a Coringa; mas, nos baralhos tradicionais, são elas, de acordo com Crowley, dispostas a simbolizadas de maneira diferente. O Rei, por ser uma figura a cavalo, indica a ação rápida de Yod do Tetragrammaton na Esfera do naipe, correspondendo, assim, ao Coringa do baralho moderno. A Rainha, como nos baralhos modernos, é uma figura sentada, representando as forças imóveis do Hé do Tetragrammaton; o Príncipe do Tarô esotérico é uma figura sentada, correspondendo ao Vau do Tetragrammaton; e a Princesa, o Valete dos baralhos modernos, corresponde ao Hé final do Nome Sagrado.
  • Os vinte a dois Arcanos Maiores são dispostos de várias maneiras, de acordo com o sistema seguido pelas autoridades; o Sr. Waite selecionou, em seu livro, algumas dessas disposições, mas em nosso sistema seguiremos a ordem adotada por Crowley, pelas razões já aduzidas.
  • Nestas páginas, proponho-me a apresentar a Árvore da Vida filosófica, comunicando as instruções práticas necessárias para a sua utilização nas atividades meditativas. Não apresentarei, porém, a Cabala Prática, que é utilizada para propósitos mágicos; esse aspecto da Cabala só pode ser aprendido a praticado convenientemente a em segurança num Templo dos Mistérios. Devemos fazer referência à Cabala Prática, contudo, a fim de tornar alguns dos conceitos inteligíveis. Aqueles que possuem legitimamente essas chaves não precisam temer que eu as revele nestas páginas ao não-iniciado, pois estou bem a par das consequências que enfrentaria se o fizesse.
  • Se, graças às informações dadas aqui, a como resultado da persistência nos métodos descritos, alguém é capaz de operar por si mesmo as chaves da Cabala Prática, como bem pode ocorrer, poderá alguém objetar-lhe esse direito?
  • A Árvore apresenta um incalculável valor como um hieróglifo meditativo, totalmente à parte de sua utilização na Magia. Graças às meditações, tais como a descrita em meu relato de minhas próprias experiências no Trigésimo Segundo Caminho, podemos equilibrar o elemento belicoso na nossa própria natureza a contrabalança-lo harmoniosamente. Podemos também entrar em relação simpática com os diferentes aspectos da Natureza que esses símbolos representam quando se aplicam ao Macrocosmo, mesmo se não dermos a essas forças uma forma definida na Magia Talismânica. A informação que se obtém do estudo de nosso próprio horóscopo não deve ser aceita passivamente como um decreto do destino contra o qual não há apelação. Deveríamos compreender que a Magia Talismânica, método menos concentrado de meditação sobre a Árvore, deveria ser utilizada para compensar todas as forças em desequilíbrio no horóscopo a colocá-las em equilíbrio. A Magia Talismânica é para a Astrologia o que é a terapêutica para o diagnóstico médico.
  • Não me é possível comunicar aqui quaisquer das fórmulas da Magia Prática; antes de podermos utilizá-las, precisamos ter recebido os graus de iniciação a que correspondem. Sem esses graus, o estudante se assemelharia à pessoa que tenta diagnosticar a tratar sua própria enfermidade após a leitura de um manual médico. O humorista Jerome K. Jerome conta-nos o que acontece em tal caso. O infeliz imagina que tem todas as doenças lá descritas, salvo as do parto, a não consegue descobrir o tratamento apropriado, pois tudo que imagina é contra-indicado.
  • As iniciações rituais dos Mistérios Maiores da Tradição Esotérica ocidental baseiam-se nos princípios da Árvore da Vida. Cada grau corresponde a uma Sephirah a confere, ou deveria conferir, se a ordem que as manipula é digna do nome, os poderes dessa Esfera da natureza. Assim como ela abre os Caminhos que conduzem a essa Sephirah, também o iniciado se diz ser Senhor do Trigésimo Segundo Caminho quando toma a iniciação que corresponde a Yesod, ou Senhor do Vigésimo Quarto, do Vigésimo Quinto ou do Vigésimo Sexto Caminhos, quando toma a iniciação correspondente a Tiphareth, que o converte num iniciado perfeito. Os graus superiores acham-se mais adiante.
  • O objetivo de cada grau de iniciação dos Mistérios Maiores é introduzir o candidato na Esfera de cada Sephirah ordenadamente, ascendendo de Malkuth até a Árvore. As instruções dadas em cada grau concernem ao simbolismo a às forças da Esfera à qual se refere a aos Caminhos que a equilibram. O signo e a palavra do grau são utilizados quando trilhamos esses Caminhos na visão espiritual ou quando nos elevamos até eles no plano astral. Conseqüentemente, o iniciado é capaz de mover-se com certeza a segurança em qualquer esfera do invisível que queira penetrar, a impedir todos os seres que encontre a todas as visões que veja, pois ele sabe que as cores dos Caminhos existem nas quatro escalas, a ele testa sua visão por essas cores. Se trabalha no Trigésimo Segundo Caminho de Saturno, cujas cores se situam todas nos matizes sombrios do índigo, do azul-escuro a do negro, ele sabe que algo estará errado se uma figura vestida de escarlate se apresentar. Ou essa figura é ilusória ou ele se desviou do Caminho.
  • Para projetar o corpo astral ao longo do Caminho é necessário, por muitas razões, possuir os graus de iniciação ao qual o Caminho corres. Ponde; em primeiro lugar, porque, não tendo alguém recebido o grau, os guardiões dos Caminhos não o conhecerão, portando-se, em conseqüência, antes como inimigos do que como benfeitores, a tudo farão para faze-lo voltar. Em segundo lugar, porque, mesmo que conseguisse ele forçar passagem pelos guardiães, não teria os meios de controlar a visão ou saber se está dentro ou fora do Caminho, a há muitos seres na Esfera inferior que se comprazem em aproveitar da ignorância atrevida.
  • Essas considerações, contudo, não visam desencorajar ninguém que deseja meditar nos Caminhos a nas Esferas na maneira que descrevi; e, no curso de suas meditações, ele pode, assim, entrar no espírito do Caminho para que seu guardião venha até ele a lhe dê boas-vindas. Ele se terá literalmente iniciado a si próprio, a ninguém pode negar-lhe esse direito.
  • A Árvore, considerada do ponto de vista iniciático, é o vínculo entre o Microcosmo, que é o homem, e o Macrocosmo, que é o Deus manifesto na Natureza. Um ritual de iniciação é o ato de unir a Sephirah microcósmica, o chakra, com a Sephirah macrocósmica; é a introdução de um candidato numa Esfera por aqueles que já estão lá. Estes constroem uma representação simbólica da Esfera no plano físico, utilizando a mobília do templo; eles o fazem formulando uma réplica astral da Sephirah por meio da imaginação concentrada; e, por meio da invocação, eles chamam para esse templo mental as forças da Esfera da Sephirah com que estão operando.
  • Essas forças estimulam os chakras correspondentes do iniciado e lhe despertam as atividades na aura. O processo de auto-iniciação por meio das meditações que descrevi é mais lento do que os processos da iniciação ritual, mas será seguro o bastante se a pessoa adequada neles perseverar, mas não se pode ensinar uma medusa a cantar alimentado-a com alpiste.

AS SEPHIROTH SUBJETIVAS

  • Como em cima, tal é embaixo; o homem é um macrocosmo em miniatura. Todos os fatos que integram o universo manifesto estão presentes em sua natureza. Eis por que se diz que, em sua perfeição, ele é maior do que os anjos. No presente, contudo, os anjos são seres plenamente desenvolvidos e o homem não. O homem é inferior aos anjos da mesma maneira, que uma criança de três anos é menos desenvolvida do que um cão de três anos.
  • Até agora, consideramos a Árvore da Vida como um epítome do Macrocosmo, o universo, observando a utilização de seus símbolos como meio de entrar em contato com as diferentes Esferas da natureza objetiva. Vamos considerá-la, agora, em relação com a Esfera subjetiva da natureza do indivíduo.
  • As correspondências tradicionais dadas por Crowley (que, infelizmente, nunca cita suas fontes, de modo que não sabemos quando utiliza o sistema de MacGregor Mathers a quando recorre às suas próprias pesquisas) baseiam-se, em parte, na atribuição astrológica dos planetas às Sephiroth e, em parte, num sumário-esquema anatômico da forma humana que dá as costas à árvore. Essa correspondência muito primitiva para os nossos propósitos, a representa provavelmente o trabalho das últimas gerações de escribas; durante a Idade Média, a Cabala foi redescoberta pelos filósofos europeus, a eles enxertaram nesse sistema simbolismos astrológicos e alquímicos. Além disso, os próprios rabinos utilizavam um grupo extremamente detalhado de metáforas anatômicas, discutindo em detalhes o significado de todos os cabelos sobre a cabeça de Deus, a mesmo as partes mais íntimas de Sua anatomia. Essas referências não devem ser tomadas literalmente quando se aplicam à forma humana.
  • As Sephiroth, tanto em separado como em seu padrão de relações, representam, com referência ao Macrocosmo, as fases sucessivas de evolução, e, com referência ao Microcosmo, os diferentes níveis de consciência a fatores do caráter. É razoável supor que esses níveis de consciência tenham alguma relação com os centros psíquicos do corpo físico, mas não devemos ser primitivos a medievais nas conclusões a que chegamos. A anatomia e a fisiologia oculta foram elaboradas em detalhe na ciência da ioga hindu, e muito podemos aprender de seus ensinamentos. Os avanços mais recentes da Fisiologia propendem à conclusão de que o vínculo entre a mente e a matéria deve ser buscado primar o sistema das glândulas endócrinas e apenas secundariamente no cérebro a no sistema nervoso central. Podemos aprender muito também dessa fonte de conhecimento, e, reunindo todas as informações que pudermos coletar de várias fontes, poderemos finalmente chegar, por raciocínio indutivo, àquilo que os antigos sabiam por meio de métodos intuitivos a dedutivos a que levaram a altíssimo grau de perfeição em suas escolas de Mistério.
  • Concordam geralmente os autores em que os chakras, os centros psíquicos descritos na literatura iogue, não se situam dentro dos órgãos aos quais eles são associados, mas sim no envoltório áurico, nos pontos que lhes correspondem aproximadamente. Não deveríamos, por conseguinte, associar as Sephiroth com os membros a outras partes de nossa anatomia, mas encarar a utilização de tais analogias como metáforas a buscar os princípios psíquicos nas correspondências que possam apresentar.
  • Antes de procedermos a um detalhado estudo de cada Sephirah desse ponto de vista, será muito útil termos uma visão geral da Árvore como um todo, porque a compreensão total do simbolismo depende do mútuo relacionamento entre os símbolos no padrão da Árvore. Este capítulo será necessariamente discursivo a inconclusivo, mas tomará muito mais fácil o estudo em detalhe das Sephiroth individualmente.
  • A primeira a mais óbvia divisão da Árvore é em três Pilares, a isso nos lembra imediatamente os três canais do prana descritos pelos iogues: Ida, Pingala e Sushumna; e os dois princípios, o yin e o yang, da filosofia chinesa, e o Tao ou Caminho, que é o equilíbrio entre eles. O testemunho universal estabelece a verdade e, quando descobrimos três dos grandes sistemas metafísicos do mundo em completa concordância, podemos concluir que estamos tratando com princípios estabelecidos, devendo aceitá-los como tais.
  • O Pilar Central representa, em minha opinião, a consciência, a os dois pilares laterais, os fatores positivo a negativo da manifestação. É digno de menção que, na ioga, a consciência de qual  a Kundalini flue através do canal central do shushumna, a que a operação mágica ocidental da Elevação nos Planos ocorre na area central da Árvore; ou seja, o simbolismo empregado para induzir essa extensão da consciência não toma as Sephiroth em sua ordem numérica, começando por Malkuth, mas vai de Malkuth a Yesod, a de Yesod a Tiphareth, razão pela qual recebe o nome de Caminho da Flecha.
  • Os ocultistas consideram Malkuth, a Esfera da Terra, como a consciência ere al, como se prova pelo fato de que, após qualquer projeção astral, o retorno cerimonial ocorre em Malkuth, restabelecendo-se aí a consciência normal.
  • Yesod, a Esfera de Levanah, a Lua, é a consciência psíquica, e também o centro reprodutivo. Tiphareth é o psiquismo superior, a verdadeira visão iluminada, a associa-se com o grau superior da iniciação da personalidade, como se evidencia pelo fato de que a ela se atribui, no sistema que Crowley toma a Mathers, o primeiro dos graus do caminho do adepto.
  • Daath, a Sephiroth invisível a misteriosa, que nunca é assinalada na Árvore, associa-se, no sistema ocidental, à nuca, o ponto em que a espinha encontra o crânio, o ponto no qual o desenvolvimento do cérebro, a partir do notocórdio, ocorreu em nossos ancestrais primitivos. Daath representa geralmente a consciência de outra dimensão, ou a consciência de outro nível ou plano; denota essencialmente a ideia de mudança da clave.
  • Kether chama-se Coroa. A coroa está acima da cabeça, a Kether representa uma forma de consciência que não é alcançada durante a encarnação, pois está essencialmente fora do esquema das coisas no que diz respeito aos planos da forma. A experiência espiritual que se associa a Kether é a União com Deus, a aquele que atinge essa experiência entra na Luz, dela não mais retomando.
  • Essas Sephiroth têm inquestionavelmente as suas correlações nos chakras do sistema hindu, mas as correspondências são expressas de maneira diversa por autoridades diferentes. Como o método de classificação é diferente – o Ocidente utiliza um sistema quádruplo e o Oriente, um sistema sétuplo -, não é fácil obter a correlação e, em minha opinião, seria melhor antes buscar os princípios primeiros do que obter um padrão ordenado de disposição que violente as correspondências.
  • Os dois únicos escritores que, até onde eu saiba, tentaram estabelecer essa correlação são Crowley e o General J. F. C. Fuller. O General Fuller atribui a Malkuth o Lótus Muladhara, assinalando que suas quatro pétalas correspondem aos quatro elementos. É interessante notar que, na escala de cores da Rainha, dada por Crowley, a Esfera de Malkuth se divide em quatro seções, coloridas respectivamente de citrino, oliva, castanho-avermelhado a preto, para representar os quatro elementos, a tendo uma estreita semelhança com as representações usuais do Lótus de Quatro Pétalas.
  • Esse Lótus situa-se no períneo a associa-se com o ânus e a função excretora. Na coluna XXI da tábua de correspondências dada por Crowley em 777, esse autor atribui as nádegas e o ânus do Homem Perfeito a Malkuth. Considero que, de todos os pontos de vista, a atribuição de X11 refere o Ló é preferível à de Crowley, que, na coluna XVIll, o refere a Yesod, contradizendo, assim, a si próprio. Na mente infantil, de acordo com Freud, as funções de reprodução a excreção estão confundidas, mas não creio que essa atribuição possa ser aceita sem restrições.
  • Malkuth, considerado como o Lótus Muladhara, representa, por assim dizer, o resultado final do processo vital, sua concretização final na forma, a sua submissão às influências desintegradoras da morte para que a sua substância possa ser novamente utilizada. A forma pela qual esse processo foi organizado pelos lentos mecanismos da evolução serviu a seu propósito, e a força deve ser libertada, é esse o significado espiritual do processo de excreção, putrefação a decomposição.
  • O chakra Svadisthana, o Lótus de Seis Pétalas, na base dos órgãos geradores, é atribuído pelo General Fuller a Yesod. Isso está de acordo com a tradição ocidental, que atribui Yesod aos órgãos reprodutivos do Homem Divino; sua correspondência astrológica com a Lua, Diana-Hécate, também concorda com essa atribuição. Crowley, embora atribuindo Yesod ao falo na coluna XXI do 777, atribui o Lótus Svadisthana a Hod, Mercúrio. É difícil compreender essa atribuição e, como ele não cita a sua autoridade, considero melhor aderir ao princípio de referir os níveis de consciência ao Pilar Central.
  • Tiphareth, por consenso universal, representa o plexo solar e o peito; parece razoável, portanto, atribuí-la aos chakras Manipura a Anahata, como o faz Crowley. Fuller atribui esses chakras a Geburah a Chesed, mas, como essas duas Sephiroth encontram seu equilíbrio em Tiphareth, essa atribuição não apresenta dificuldade alguma, nem causa qualquer discrepância.
  • Da mesma maneira, o chakra Visuddha – que, no sistema hindu, corresponde à laringe, a que Crowley atribui a Binah – e o chakra Ajna -, situado na base do nariz, a que corresponde a glândula pineal a que, pela mesma autoridade, é atribuído a Chokmah – unem-se por sua função em Daath, situado na base do crânio.
  • O chakra Sahasrara, o Lótus de Mil Pétalas, situado acima da cabeça, é relacionado por Crowley a Kether, a não há razão alguma para discordar dessa atribuição, pois ela se encontra pré-figurada no próprio nome do Primeiro Caminho, Kether, a Coroa, que repousa sobre a cabeça a acima dela.
  • Os dois pilares laterais, da Severidade a da Misericórdia, representam os princípios positivo a negativo, a as Sephiroth que lhes correspondem simbolizam os modos de funcionamento dessas forças nos diferentes níveis de manifestação.
  • O Pilar da Severidade contém Binah, Geburah a Hod, ou Saturno, Marte a Mercúrio. O Pilar da Misericórdia contém Chokmah, Chesed a Netzach, ou o Zodíaco, Júpiter a Vênus. Chokmah a Binah, no simbolismo da Cabala, são representados por figuras masculinas a femininas a são, e a “e Supremos ou em linguagem mais fácil fica os negativos e positivos, e no universo, o Yin a Yang, cuja masculinidade a feminilidade são apenas aspectos especializados.
  • Chesed (Júpiter) a Geburah (Marte) são antes representados no simbolismo cabalístico como figuras coroadas, a primeira como um legislador em seu trono e a segunda como um rei guerreiro em seu carro. São, respectivamente, os princípios construtivo a destrutivo. É interessante notar que Binah, a Mãe Suprema, é também Saturno, o solidificador, que se une, por meio da foice, com a Morte e a sua ceifeira, e o Tempo com sua ampulheta. Encontramos em Binah a raiz da Forma. Afirma-se, na Sepher Yetzirah, que Malkuth está sentado no trono de Binah – a matéria tem sua raiz em Binah-Saturno-Morte; a forma é o destruidor da força. Esse destruidor passivo harmoniza-se também com o destruidor ativo, a Marte-Geburah acha-se imediatamente abaixo Binah no Pilar da Severidade; a força encerra-se, dessa maneira, na forma libertada pela influência destrutiva de Marte, o aspecto Siva da Divindade. Chokmah, o Zodíaco, representa a força cinética; Chesed (Júpiter), o rei benigno, representa a força organizada; e ambas são sintetizadas em Tiphareth, o centro cristológico, o Redentor e Equilibrador.
  • A trindade seguinte, constituída por Netzach, Hod a Yesod, representa o lado mágico a astral das coisas. Netzach (Vênus) representa os aspectos superiores das forças elementais, o Raio verde; a Hod (Mercúrio) representa o lado mental da Magia. Uma é mística e a outra, ocultista, e ambas se sintetizam no elemental Yesod. Não podemos considerar esse par de Sephiroth em separado, assim como o par superior de Geburah e Gedulah, que é outro nome para Chesed, como podemos inferir do fato de que a Cabala os atribui, respectivamente, aos braços direito a esquerdo a às per. nas esquerda a direita.
  • As três Sephiroth da forma acham-se, portanto, no Pilar da Severidade, a as três Sephiroth da força, no Pilar da Misericórdia; e, entre eles, no Pilar do Equilíbrio, reúnem-se os diferentes níveis de consciência. O Pilar da Severidade, com Binah em seu topo, é o princípio feminino, o Pingala dos hindus e o Yang dos chineses; o Pilar da Misericórdia, com Chokmah em seu topo, é o Ida dos hindus e o Yin dos chineses; e o Pilar do Equilíbrio é Shushumna e o Tao.

OS DEUSES DA ARVORE

  • Todos os estudantes da religião comparada a de seu ramo pobre, o folclore, concordam em que o homem primitivo, quando observa os fenômenos naturais que o cercam a tenta analisá-los, os atribui à ação de seres semelhantes a si próprio quanto à natureza a ao tipo, mas superiores quanto ao poder. Como não os podia ver, ele os chamou, com certa razão, de “invisíveis”; a como não podia ver a sua própria mente durante a vida, ou a alma de seu amigo depois da morte, concluiu que os seres que produziram os fenômenos naturais eram semelhantes, quanto à natureza, à mente e à alma – invisíveis a ativas.
  • Eis uma concepção aparentemente primitiva, como afirmam os antropólogos, mas sua rudeza deve-se ao fato de que estes, ao traduzirem ideias selvagens, escolhem palavras de acepções rudes. Por exemplo, a tradução-padrão de uma das principais escrituras da China refere-se ao venerável filósofo Lao-Tsé como “O Velhote”. Isso soa cômico para os ouvidos europeus, mas não está tão longe de outra escritura que teve a sorte de cair nas mãos de tradutores que a reverenciavam – “A menos que vos convertais numa criança”. Não sou sinóloga, mas creio que a tradução “eterna criança” teria sido igualmente apropriada a de melhor gosto.
  • Há um ditado nos Mistérios: “Cuida para não blasfemares o Nome pelo qual o próximo conhece seu Deus, pois, se não fazes tal coisa por Alá, também não o fazes por Adonai.”
  • E, ademais, estaria o homem primitivo tão longe da verdade quando atribuiu a causa dos fenômenos naturais a atividades da mesma natureza que a dos processos mentais da mente humana, mas num arco superior? Não é esse o ponto para o qual convergem gradualmente a física e a metafísica? Supondo que tivéssemos de reformular a afirmação do filósofo selvagem e dizer “A natureza essencial do homem é semelhante à de seu Criador”, receberíamos nós a pecha de blasfemos a tolos?
  • Podemos personificar as forças naturais nos termos da consciência humana; ou podemos abstrair a consciência humana nos termos das forças naturais; ambos os procedimentos são legítimos na Metafísica oculta, e o processo não só oferece algumas pistas muito interessantes, como também algumas aplicações práticas de muito valor. Não devemos, contudo, cometer o erro do tolo a dizer que A e B quando entendemos que A é da mesma natureza que B. Mas podemos também aproveitar legitimamente o axioma hermético “Como em cima, tal é embaixo”, porque, se A e B são da mesma natureza, as leis que governam A podem ser invocadas em relação a B. O que é verdade para uma gota é verdade para o oceano. Consequentemente, se conhecemos algo a respeito da natureza de A, podemos concluir que, tendo em conta a diferença de escala, esse ponto se aplicará a B. Esse é o método da analogia utilizado na ciência indutiva dos antigos, e, na medida em que é corroborada pela observação a pela experiência, pode oferecer-nos alguns resultados muito frutíferos, dispensando-nos de errar em inúteis divagações.
  • A personificação a deificação das forças naturais foi a primeira tentativa rude a arguta do homem para desenvolver uma teoria monística do universo a salvar-se da influência destrutiva a paralisante de um dualismo insolúvel. E, na medida em que aumentou seus conhecimentos a refinou seus processos intelectuais, pôde ele observar mais a mais significados nas primeiras a simples classificações. Não obstante, ele nunca descartou as classificações originais, porque elas eram fundamentalmente boas a representavam realidades. Ele simplesmente as refinou, desenvolveu e, finalmente, quando chegaram os maus tempos, misturou-as à superstição.
  • Não deveríamos, portanto, considerar os panteões pagãos como outras tantas aberrações da mente humana, nem deveríamos tentar compreende-los do ponto de vista do não-iniciado a do ignorante; deveríamos tentar, antes, descobrir o que podem eles ter significado para os sumos sacerdotes altamente inteligentes a de grande cultura que dirigiam esses cultos em seus tempos. Comparemos os textos da Sra. David-Neel a de W. B. Seabrook a propósito dos ritos pagãos com os relatos de um missionário médio. Seabrook mostra-nos o significado espiritual do vodu, e a Sra. David-Neel apresenta-nos o aspecto metafísico da Magia tibetana. Esses temas aparecem de outra maneira aos olhos do observador simpatizante, que sabe ganhar a confiança dos expoentes desses sistemas a consegue ser recebido em seus recintos sagrados como um amigo, a que procura aprender em vez de meramente observar a ridicularizar. Muito diferente de como os vê o “zelote hipócrita”, que passeia pelo lugar sagrado com suas botas sujas, sendo apedrejado pelos indignados adoradores.
  • Ao julgar essas coisas, consideremos a forma pela qual veríamos o Cristianismo se nos aproximássemos dele da mesma maneira. Os observadores alheios concluiriam provavelmente que adoramos um cordeiro, e o Espírito Santo forneceria algumas interpretações espetaculares. Devemos conceder aos outros o direito de utilizar metáforas se não queremos que as nossas próprias sejam tomadas literalmente. A forma exterior das antigas fés pagãs não é mais rude do que o Cristianismo nos países latinos mais atrasados, onde Jesus é representado de cartola a fraque e a Virgem Maria, com calças de lacinhos. A forma interior das fés antigas suporta perfeitamente uma comparação com as nossas modernas metafísicas. Elas, pelo menos, produziram Platão a Plotino. A mente humana não muda, e o que é verdade para nós é provavelmente verdade para os pagãos. O Cordeiro de Deus que redime os pecados do mundo é apenas outra versão do Touro de Mithra, e a única diferença entre eles consiste no fato de que o iniciado antigo era literalmente “banhado em sangue”, ao passo que o moderno entende metaforicamente essa expressão. Autres temps, autres moeurs.
  • Se nos aproximássemos daqueles a quem chamamos de pagãos tanto antigos como modernos – com um espírito reverente a compreensivo, sabendo que Alá a Brama a Amon Rá são apenas outros nomes para aquilo que adoramos como Deus, aprenderíamos muitas coisas que a Europa esqueceu quando a Gnose foi arrasada e a sua literatura, destruída.
  • Descobriríamos, contudo, que as fés pagãs apresentam seus ensinamentos numa forma que não é imediatamente assimilável pela mente europeia, a que, para compreender-lhes o significado, precisamos reformula-las em nossos termos. Devemos correlacionar a concepção pagã com o símbolo pagão; seremos, então, capazes de aplicar à primeira a enorme massa de experiências místicas que gerações de psicólogos contemplativos a experimentais organizaram em tomo do segundo. E, quando falamos de psicólogos experimentais, não devemos cometer o erro de pensar que eles são um produto exclusivamente moderno, porque os sacerdotes dos antigos Mistérios, com seus sonhos templários a suas visões hipnagógicas deliberadamente induzidas, eram nada mais nada menos do que psicólogos experimentais, embora a sua arte se tenha perdido, como muitas outras artes antigas que estão sendo agora, aos poucos, redescobertas nos laboriosos círculos mais avançados do pensamento científico.
  • O método utilizado pelo iniciado moderno para interpretar a linguagem falada pelos antigos mitos é muito simples a eficaz. Ele descobre na Árvore da Vida cabalística um vínculo entre os sistemas pagãos altamente estilizados a os seus próprios métodos mais racionais; o judeu, asiático por sangue a monoteísta por religião, tem um pé em cada um dos mundos. O ocultista moderno extrai da Árvore da Vida, com suas Dez Sephiroth Sagradas, os fundamentos tanto de uma metafísica quando de uma magia. Ele utiliza uma concepção filosófica da Árvore para interpretar o que ela lhe apresenta à mente consciente, a recorre ao emprego mágico a cerimonial de seu simbolismo para unir esses conteúdos à sua mente subconsciente. O iniciado, consequentemente, tira o melhor partido de ambos os mundos, o antigo e o moderno, pois o mundo moderno, que é todo consciência superficial, esqueceu a reprimiu a subconsciência, para sua própria perda; e o mundo antigo, que era principalmente subconsciência, só recentemente desenvolveu a consciência. Quando os dois mundos se unem a operam de maneira polarizada, eles concedem a superconsciência, que é o objetivo do iniciado.
  • Tendo em mente as concepções anteriores, podemos tentar coordenar agora os panteões da Antiguidade com as Esferas da Arvore da Vida. Há dez Esferas, as Dez Sephiroth Sagradas, e, entre estas, devemos distribuir, de acordo com o tipo, os diferentes deuses a deusas de qualquer panteão que desejamos estudar; estamos, então, em posição de interpretar-lhe o significado à luz do que já sabemos a respeito dos princípios representados pela Árvore, a acrescentar ao nosso conhecimento da Árvore tudo que está disponível a respeito do significado das antigas divindades.
  • Obviamente, isso tudo é de grande valor intelectual. Mas há outro valor que o homem comum, que não teve nenhuma experiência das operações dos Mistérios, não percebe tão prontamente: o desempenho de um rito cerimonial que representa simbolicamente a atuação da força personificada como um deus tem um efeito muito marcante a mesmo drástico sobre a mente subconsciente de qualquer pessoa que seja pelo menos suscetível às influências psíquicas. Os antigos levaram esses ritos a um alto nível de perfeição, a quando nós, modernos, tentamos reconstruir a arte perdida da Magia Prática, podemos recorrer a essas práticas com grande proveito. A filosofia da Magia européia baseia-se na Árvore a ninguém pode esperar compreende-la ou utilizá-la inteligentemente se não foi treinado nos métodos cabalísticos. É essa falta de treinamento que possibilitou a degeneração do ocultismo popular em formas supersticiosas muito rudes. A sentença “Teu número em teu nome” torna-se uma coisa diferente quando entendemos a Cabala Matemática; as sortes tiradas nas taças de chá mudam de aspecto quando compreendemos o significado das imagens mágicas e o método de sua formulação a interpretação como um processo psicológico para penetrar o véu do inconsciente.
  • Falando claramente, então, temos de distribuir os deuses a deusas de todos os panteões pagãos nos dez escaninhos das Dez Sephiroth Sagradas, deixando-nos guiar principalmente por suas associações astrológicas, porque a Astrologia é uma linguagem universal, visto que todos os povos veem os mesmos planetas. O espaço corresponde a Kether; o Zodíaco, a Chokmah; os sete planetas, às sete Sephiroth seguintes; e a Terra, a Malkuth. Conseqüentemente, qualquer deus que tem uma analogia com Saturno será referido a Binah, assim como qualquer deusa que possa ser considerada como a Mãe Primordial, a Eva Superior, em oposição à Eva Inferior, a Noiva do Microprosopos, Malkuth. O Triângulo Supremo composto por Kether, Chokmah e Binah refere-se sempre aos Deuses Antigos, que todo panteão reconhece como sendo os predecessores das formas de divindades adoradas pela fé comum. Assim, Rea e Cronos seriam referidos a Binah a Chokmah, a Júpiter a Chesed. Todas as divindades do milho referem-se a Malkuth, a todas as deusas lunares, a Yesod. Os deuses da guerra a os deuses destrutivos, ou demônios divinos, referem-se a Geburah, a as deusas do amor, a Netzach. Os deuses da sabedoria iniciática referem-se a Hod, a os deuses do sacrifício e os redentores, a Tiphareth. Uma autoridade tão importante como Richard Payne Knight, em seu valioso livro Lhe Symbolic Language of Ancient Art and Mythology, menciona a “notável ocorrência das alegorias, símbolos e títulos da mitologia antiga em favor do sistema místico das emanações”. De posse dessa pista, podemos classificar os panteões, habilitando-nos a comparar e a esclarecer os aspectos semelhantes.
  • No sistema que formula em seu livro de correspondências, 777, Crowley atribui os deuses tanto aos Caminhos como às Sephiroth. Isso, em minha opinião, é um erro a motivo de confusão. Só as Sephiroth representam as forças naturais; os Caminhos são estados de consciência. As Sephiroth são objetivas a os Caminhos, subjetivos. É por essa razão que, no hieróglifo operacional da Árvore, utilizado pelos iniciados, as Sephiroth são sempre representadas numa certa Escala de Cores a os Caminhos em outra. Aqueles que possuem esse hieróglifo saberão a que me refiro.
  • Em minha opinião, os Caminhos estão sob o governo direto dos Nomes Sagrados, que regem as suas atribuições sephiróticas, a não deveriam ser confundidos com outros panteões, pois, embora possamos recorrer a outros sistemas para a iluminação intelectual, não é aconselhável tentar misturar os métodos de trabalho prático a desenvolvimento da consciência.
  • Por exemplo, o Décimo Sétimo Caminho, entre Tiphareth a Binah, é atribuído, pela Sepher Yetzirah, ao Elemento do Ar. É mais sensato opera-lo com o rito do Elemento do Ar a os Nomes Sagrados que lhe são atribuídos, a aproximar-se dele por meio do Tattva apropriado, do que confundir as tentativas com as associações de coleções combinadas de divindades incompatíveis como Pólux, Jano, Apolo, Merti a outras que Crowley lhe atribui – cujas correspondências, alias, apresentam um intrincado labirinto de associações.
  • As Sephiroth devem ser interpretadas macrocosmicamente, a os Caminhos, microcosmicamente; descobriremos, assim, a chave da Árvore, tanto no homem como na natureza.

O TRABALHO PRATICO SOBRE A ARVORE

  • Se, entre os leitores que seguiram até aqui os nossos estudos sobre a Cabala, há algum que esteja bem familiarizado com o ocultismo ocidental, terá ele encontrado, sem dúvida, mais coisas familiares do que novas ou originais. Ao trabalhar com esse depósito de conhecimento antigo, achamo-nos na posição dos escavadores que trabalham no sítio de algum templo soterrado; descobrimos antes fragmentos do que um sistema coerente; pois o sistema, embora coerente em seus dias, se fragmentou a se espalhou, deformando-se por causa das perseguições de vinte séculos de .fanatismo ignorante e de inveja espiritual.
  • No entanto, há muito mais trabalhos a respeito desses fragmentos do que poderíamos imaginar. Mme. Blavatsky reuniu uma enorme massa de dados a os expôs à opinião pública, que os compreendeu tanto quanto uma criança que contempla as vitrinas de um museu a se maravilha com as coisas estranhas que elas contêm. A obra erudita de G. R. S. Mead deu-nos muitas informações a respeito da Gnose, a tradição esotérica do mundo ocidental durante os primeiros séculos de nossa época; o monumental livro da Sra. Atwood revelou-nos o significado do simbolismo alquímico. Nenhum deles, contudo, expôs a tradição ocidental como um iniciado nessa tradição, abordando-a, ao contrário, de fora a juntando-lhe os fragmentos, ou, como no caso de Mme. Blavatsky, interpretando-a por analogia à luz do sistema mais familiar de outra tradição.
  • Aqueles que estudaram o assunto de dentro – isto é, com as chaves iniciáticas – e o empregaram como um sistema prático para a exaltação da consciência, mantiveram, em sua grande maioria, o segredo, comportamento que, embora pudesse ser não apenas justificável, mas mesmo essencial nos dias em que a Sagrada Inquisição recompensava essas pesquisas com a fogueira, não se pode atribuir a qualquer motivo mais crível em nossa era liberal do que ao desejo de criar a manter o prestígio. Um “monopólio” muito efetivo da prática ocultista, se não do conhecimento oculto, se estabeleceu entre os povos de fala inglesa no último quarto de século, “monopólio” que efetivamente minou o impulso espiritual que teria propiciado o renascimento dos Mistérios durante os últimos vinte a cinco anos do último século. Consequentemente, estando a terra pronta para a semeadura mas não tendo recebido o trigo, os quatro ventos trouxeram sementes estranhas à terra, dando nascimento assim a uma flora tropical, a qual, não tendo raízes na tradição racial, murchou ou desenvolveu formas estranhas.
  • O templo soterrado de nossa tradição nativa foi, na verdade, exumado em parte, mas os fragmentos que puderam ser resgatados não foram postos ao alcance dos estudantes de acordo com as honoráveis tradições da erudição europeia, tendo sido, ao contrário, reunidos em coleções privadas, permanecendo as suas chaves em poder de indivíduos que abriram a fecharam as portas de uma maneira inteiramente arbitrária. Não tenho dúvida de que estas páginas causarão rancor em alguns indivíduos cujas coleções privadas ficarão dessa forma depreciadas. Mas também não tenho dúvida de que os inúmeros estudantes que ensaiaram em vão o Caminho ocidental poderão encontrar nestas páginas as chaves para o que não eram capazes de compreender no método no qual foram treinados. Falando por mim mesma, levei dez anos de trabalho nas trevas para encontrar as chaves, a eu apenas as encontrei porque era suficientemente sensitiva para captar os contatos com os planos interiores. É difícil acreditar que, por algum propósito útil, seja conveniente desorientar o estudante ou recusar-lhe as chaves a as explicações que são essenciais à sua obra. Se o estudante é indigno de receber o treinamento, não o treinemos. Se ele o é, treinemo-lo adequadamente.
  • Nas páginas seguintes, fiz o que pude para elucidar os princípios que governam a utilização do simbolismo mágico. A utilização prática do método cerimonial só deve ser tentada sob a direção de alguém que já tenha experiência em sua utilização; trabalhar só ou com colegas igualmente inexperientes é correr riscos desnecessários. Mas não existem razões para que uma pessoa não possa experimentar o método meditativo.
  • Para poder utilizar eficazmente os símbolos mágicos, o estudante deve entrar em contato com cada símbolo em separado. É de pouca utilidade fazer uma lista de símbolos a proceder à construção de um ritual. Na magia, como na execução do violino, precisamos “achar as nossas notas”, pois não as encontramos prontas como no piano. O estudante de violino precisa aprender a “fazer” cada nota individual antes de poder executar uma melodia. Ocorre o mesmo numa operação oculta: precisamos saber como encontrar a construir as imagens mágicas antes de podermos operar com elas.
  • O iniciado emprega os grupos de símbolos associados a cada um dos Trinta a Dois Caminhos para construir as imagens mágicas; é necessário que ele conheça esses símbolos não apenas na teoria, mas também na prática; ou seja, ele precisa não apenas tê-las perfeitamente enraizadas em sua memória, mas precisa também ter realizado meditações sobre elas individualmente até ter-lhes penetrado o significado a experimentado a força que representam. Conhecer o vasto elenco de símbolos associados a cada Caminho é naturalmente trabalho de toda uma vida, mas o estudante deve conhecer os símbolos-chave de cada Caminho como passo preliminar de seu estudo; ele será, então, capaz de desenvolver-se em dois aspectos: em primeiro lugar, no conhecimento do simbolismo em suas infinitas ramificações; e, em segundo lugar, na filosofia da interpretação desse simbolismo. Uma vez que tenha dominado o conhecimento prático dos conceitos da cosmogonia esotérica e tenha fixado em sua memória o esquema geral do simbolismo atribuído a cada Sephirah, estará o estudante equipado com o sistema de classificação e poderá começar a arquivar o material, coletando-o em todas as fontes imagináveis da arqueologia, do folclore, da religião mística, dos relatos dos viajantes a das especulações da filosofia antiga a moderna a da ciência ultramoderna.
  • O não-iniciado poderá indagar como é possível conservar essa enorme massa de dados na memória. Em primeiro lugar, o estudante sério que utiliza a Árvore como seu método meditativo deve trabalhar com ela regularmente todos os dias. Além disso, descobrirá ele, pela experiência, que a atribuição de símbolos a cada Sephirah tem uma peculiar base lógica oculta em alguma profundidade na mente subconsciente, a que as sequências de símbolos não são tão difíceis de memorizar como se poderia supor, especialmente se as utilizamos na meditação. Alguns desses símbolos se referem aos conceitos da filosofia esotérica; alguns outros, aos métodos de projetar a consciência na visão; a outros, ainda, à composição do cerimonial. O estudante deve lembrar, contudo, que os símbolos jamais comunicarão seu significado apenas à meditação consciente, por mais correto a completo que seja o seu conhecimento; devem-se utilizá-los como os iniciados pretendiam que o fossem – para evocar imagens da mente subconsciente na área consciente.
  • Uma sequência de símbolos é atribuída às Dez Sephiroth Sagradas e outra sequência aos Vinte a Dois Caminhos que as unem. Alguns desses símbolos, contudo, aparecem em ambas as sequências, interligando-se por meio das correlações astrológicas a numéricas. Isso pode soar muito complicado, mas, na prática real, é mais simples do que parece, porque o trabalho não é feito com a mente consciente, a sim com a mente subconsciente, e importa muito pouco a maneira pela qual os símbolos são nela introduzidos, porque o estranho demônio que se senta atrás do censor os classifica à sua maneira, tomando aquilo de que precisa a rejeitando tudo o mais, até que, finalmente, um padrão coerente reapareça na consciência, requerendo apenas uma análise para comunicar seu significado, exatamente como num sonho.
  • Uma visão evocada por meio da Árvore é, na verdade, um sonho desperto, artificialmente produzido, deliberadamente motivado a conscientemente relatado por algum assunto escolhido, graças ao qual não apenas a área subconsciente mas também as percepções superconscientes são evocadas a tomadas inteligíveis à consciência. Num sonho espontâneo, os símbolos surgem ao acaso da experiência; na visão cabalística, contudo, a imagem é evocada a partir de um grupo limitado de símbolos ao qual a consciência é rigidamente restringida pelo hábito altamente treinado da concentração. É esse poder peculiar para manter a mente em determinados limites que constitui a técnica da meditação oculta, a ela só pode ser adquirida pela prática constante num período considerável de tempo. É isso que constitui a diferença entre o ocultista treinado e o não-treinado; a pessoa não-treinada pode ser capaz de desvincular a consciência do controle da personalidade diretora a assim permitir o surgimento das imagens, mas ela não tem o poder de restringir a selecionar o que aparecer, e, consequentemente, tudo pode aparecer, inclusive uma proporção variável da área subconsciente. O ocultista treinado, contudo, acostumado a utilizar esse método em suas meditações, é capaz de liberar-se imediatamente da área subconsciente normal, a menos que seja perturbado pela emoção e, nesse caso, ele pode enredar-se em suas malhas; mas, mesmo nesse caso, seu método é sua proteção, pois ele é capaz de reconhecer imediatamente o simbolismo confuso nas imagens, visto que dispõe de um padrão definido com o qual compará-las.
  • Ao estudar a Árvore, o estudante deveria sempre pensar em cada Sephirah sob o aspecto tríplice, que já mencionamos (da filosofia, do psiquismo a da Magia); para esse fim, deveria sempre pensar na Esfera em primeiro lugar como representante de um certo fator na evolução do cosmo no passado imemorial do tempo cósmico, que permanece em manifestação, que desapareceu ou que ainda não chegou ao nível da matéria densa.
  • Com esse aspecto da Árvore também se ocupam os criptotextos da Sepher Yetzirá, dos quais há um para cada Caminho. Essas sentenças desconcertantes têm uma curiosa maneira de comunicar relâmpagos súbitos de iluminação à meditação a não devem jamais ser rejeitadas como tolices, por mais incompreensíveis que possam parecer à primeira vista. Apreender que ele significa, na verdade, a vontade dinâmica, a capacidade executiva, a destruição do fraco a do desequilibrado.
  • Cada Sephirah a cada Caminho têm animais, plantas a pedras preciosas simbólicas. É necessário que o estudante conheça essas atribuições por duas razões: em primeiro lugar, porque elas fornecem importantes chaves para o relacionamento entre os deuses dos diferentes panteões a as Sephiroth; e, em segundo lugar, porque fazem parte do simbolismo dos Caminhos Astrais a servem como pontos de referência quando viajamos na visão espiritual. Por exemplo, se alguém visse um cavalo (Mane) ou um chacal (Lua) na esfera de Netzach (Vênus), saberia que houve uma confusão de plano e que a visão não era digna de fé. Na Esfera de Vênus, só poderíamos ver pombas ou algum felino, como um lince ou um leopardo.
  • Poder-se-ia pensar que a associação dos animais simbólicos aos deuses a deusas nos mitos antigos é inteiramente arbitrária a fruto da imaginação poética, que, como o vento, sopra de qualquer parte. A isso o ocultista responde que a imaginação poética não é uma coisa arbitrária, a remete o cético às obras do Dr. Jung, de Zurique, o famoso psiquiatra, a aos ensaios do poeta irlandês “A. E.”, em particular a Song and its Fountains, em que ele analisa a natureza de suas próprias fontes de inspiração. Pela natureza intrínseca de sua poesia a pelas muitas referências que perpassam por sua obra, penso que esse poeta pertence a um desses grupos que se nutriram da Cabala Mística. Pelo menos o que ele tem para dizer é boa doutrina cabalística e extremamente esclarecedora para o nosso presente argumento.
  • O Dr. Jung tem muito a dizer a respeito da faculdade mitopoética da mente humana, e o ocultista sabe que isso é verdade. Ele sabe também, contudo, que suas implicações têm muito mais alcance do que a psicologia jamais suspeitou. A mente do poeta ou do místico, que reside nas grandes forças a fatores naturais do universo manifesto, penetra, graças à utilização criativa da imaginação, muito mais profundamente nas causas a fontes secretas do ser do que o faz o cientista; não é sem razão que a imaginação racial, operando assim, chegou a associar certos animais a certos deuses; um breve exame dos exemplos citados serve para mostrar a base da associação. Os pombos de Vênus mostram seu aspecto gentil, a os felinos, sua beleza sinistra.
  • A associação das plantas aos diversos Caminhos repousa numa base dupla. Em primeiro lugar, há plantas tradicionalmente associadas às lendas dos deuses, como é o caso do milho com Ceres a do vinho com Dionísio; esses mesmos elementos estão igualmente associados às Sephiroth com que se relacionam as funções desses deuses – o milho com Malkuth e o vinho com Tiphareth, o centro cristológico, com o qual se associam todos os Deuses Sacrificados a Dadores de Luz.
  • As plantas associam-se de maneira diversa às Sephiroth; a antiga doutrina das rubricas atribuía várias plantas à presidência de vários planetas de uma maneira um tanto quanto errática. Em alguns casos, houve uma genuína associação; em outras, ela foi arbitrária a supersticiosa. O velho Culpeper a outros antigos herbanários têm muito a dizer sobre o assunto, e algumas interessantes pesquisas estão sendo feitas nas fazendas experimentais antroposóficas.
  • De maneira similar, certas drogas são associadas às Sephiroth; e aqui precisamos distinguir novamente o supersticioso do místico. A atribuição arbitrária de drogas não pode ser sempre justificada pela experiência real, mas podemos com certeza dizer que todas as classes de drogas estão sob a presidência de certas Sephiroth, pois partilham da natureza de certos modos de atividade que são classificados sob essas Sephiroth. Por exemplo, todos os afrodisíacos poderiam ser justamente atribuídos a Netzach (Vênus), e todos os abortivos a Yesod em seu aspecto Hécate; os analgésicos a Chesed (Misericórdia); a os irritantes a os cáusticos a Geburah (Severidade).
  • Isso abre um aspecto muito interessante do estudo da matéria médica – o aspecto psíquico a psicológico da atividade da droga. Esse aspecto foi especialmente estudado pelos médicos iniciados como Paracelso, a foi o abuso ignorante a supersticioso desse aspecto, pelos médicos não-iniciados, que conduziu às extraordinárias aberrações da medicina popular.
  • O ocultista sabe que há um aspecto psicológico em toda ação e função psicológica; ele sabe também que é possível reforçar poderosamente a ação de todas as drogas por meio da ação mental apropriada, a que certas substâncias quimicamente inertes se prestam eficazmente à transmissão e acumulação de atividades mentais, assim como outras substâncias são condutoras ou isolantes eficazes de eletricidade.
  • Essa consideração leva-nos à questão da associação de certas pedras a metais preciosos às Sephiroth, associação que é determinada tanto pelas considerações astrológicas como pelas químicas. Como bem o sabem os sensitivos, as substâncias cristalinas, os metais a certos líquidos são os melhores meios de acumular a transmitir as forças sutis. A cor exerce um importante papel nas visões induzidas pela meditação sobre as Sephiroth, e descobre-se, pela experiência, que um cristal da cor apropriada é o melhor material com o qual se pode fazer um talismã; um rubi cor de sangue para as ígneas forças marcianas de Geburah; uma esmeralda para as forças naturais do Raio Verde de Netzach.
  • Outra fonte de iluminação encontra-se nos títulos adicionais das Sephiroth, tendo cada um de uma a três dezenas de epítetos. Esses títulos são nomes gráficos descritivos aplicados às Sephiroth pelos antigos rabinos e que se encontram disseminados pela literatura cabalística, a eles nos falam muitas coisas. Por exemplo, os títulos “Segredo dos Segredos” a “Ponto Primordial”, que são aplicados a Kether, revelam muitas coisas a quem saiba buscá-las.
  • Podemos também, depois de nos familiarizarmos com o simbolismo, atribuir às várias Sephiroth os deuses equivalentes de outros sistemas e, quando observarmos os símbolos, as funções, os conceitos cósmicos e o método de adoração atribuído a essas divindades, obteremos uma torrente de iluminação. Utilizando um bom dicionário de mitologia ou uma enciclopédia, o Golden Bough [O ramo dourado], de Frazer, e a A doutrina secreta e Isis sem véu, de Mme. Blavatsky, podemos, pela simples aplicação da diligência, desvendar muitos enigmas que no início pareciam insolúveis, e o exercício é fascinante. Quando é assim utilizada, a Árvore tem um valor peculiar porque sua forma diagramática nos faz ver as coisas em suas relações mútuas, elucidando, desse modo, umas às outras.
  • Para manipular o aspecto psíquico da Árvore a seus Caminhos, o ocultista utiliza imagens, pois é por meio de imagens a dos Nomes que as evocam que a visão é formulada. Ele associa a cada Sephirah um símbolo primário, que é a sua Imagem Mágica. Em seguida, associa a ela, em sua mente, uma forma geométrica que, por diversas maneiras, informa suas características e, quando compõe o símbolo, utiliza essa forma como base. Por exemplo, Geburah, Marte, a Quinta Sephirah, tem um pentágono ou figura de cinco lados. Qualquer símbolo de Geburah, seja ele um talismã, um altar a Marte ou uma imagem mental de um símbolo, deverá ter a forma de um pentágono colorido em uma das cores da escala de cores de Marte.
  • As formas mais importantes da Árvore, contudo, são aquelas associadas aos quatro Nomes do Poder atribuídos a cada Sephirah; a esses são associadas quatro cores que se manifestam simbolicamente em cada um dos quatro Mundos dos Cabalistas. O mais elevado deles é o Nome de Deus, que se manifesta em Atziluth, o plano do espírito, e é o supremo Nome do Poder dessa Esfera Sephirótica que domina todos os seus aspectos, sejam eles cósmicos, evolutivos ou subjetivos. Ele representa a ideia que subjaz ao desenvolvimento da manifestação nessa Esfera; a ideia que percorre toda a evolução subsequente a se expressa em todos os efeitos a manifestações posteriores.
  • O segundo Nome do Poder é o dos Arcanjos da Esfera, a represento a consciência organizada do ser, graças a cujas atividades a evolução dessa fase foi inaugurada a dirigida. Embora esses seres sejam representados pictograficamente como formas humanas, embora etéreas, não se deve acreditar que a vida e a consciência tal como as conhecemos correspondem à sua natureza. Eles são semelhantes em essência às forças naturais, mas, se os considerarmos simplesmente como energia carente de inteligência, não teremos um conceito adequado de sua natureza, porque eles são essencialmente individualizados a inteligentes. Ambas essas ideias devem penetrar nosso conceito, modificando-se mutuamente, até que, finalmente, cheguemos a um entendimento que difira completamente daquele a que o pensamento ocidental está acostumado.
  • O terceiro Nome do Poder denomina não um ser, mas toda uma classe de seres – os coros de anjos, como os chamavam os rabinos -, que representa também forças naturais inteligentes.
  • O quarto denomina o que chamamos de Chakra Cósmico, ou seja, o objeto celestial que consideramos como produto da fase particular de evolução que ocorre sob a presidência dessa Sephirah a que a representa.
  • O terceiro aspecto sob o qual consideramos as Sephiroth é o aspecto mágico, que é essencialmente prático. Para chegar a ele, pensamos no que pode ser experimentado sob a presidência desses diferentes aspectos de manifestação da divindade, a nos poderes que podem ser manipulados pelo mago que dominou suas lições.
  • Cada Sephirah é atribuída a uma virtude, que representa seu aspecto ideal, o dom que concede à evolução; a um vício que é o resultado do excesso de suas qualidades. Por exemplo, Geburah, Marte, tem como virtudes a energia e a coragem, a por vícios a crueldade e a destrutividade. O estudante de Astrologia reconhecerá facilmente que as virtudes a os vícios atribuídos às várias Sephiroth derivam das características dos planetas que lhes são associados, a descobrirá que nessa correspondência se abre toda uma nova linha de abordagem da Astrologia.
  • A experiência espiritual, como prefiro chamá-la, ou poder oculto, como a chama Crowley, consiste numa profunda compreensão de algum aspecto da ciência cósmica a constitui a essência da iniciação do grau atribuído a cada Sephirah, pois nos Mistérios Maiores do Ocidente os graus estão associados às Sephiroth.
  • Os cabalistas medievais atribuíam também uma pane do corpo a cada Sephirah, mas não devemos tomar literalmente essas atribuições; a chave real encontra-se na compreensão de que as Sephiroth representam fatores da consciência e, se tomamos Geburah como o braço direito, devemos com-
  • Os perfumes, especialmente o incenso, também se associam às Sephiroth. Como já observamos, certas experiências espirituais a certos modos de consciência são atribuídos a cada Esfera da Árvore; é bem sabido que nada induz mais eficazmente os estados mentais ou estimula mais a consciência parapsíquica do que os odores. “Os perfumes operam com mais segurança do que a vista ou os sons para vibrar o coração”, afirma o mais objetivo dos poetas, e a experiência dos ocultistas práticos comprova que isso é verdade. Existem certas substâncias aromáticas associadas pela tradição a diferentes deuses a deusas, a elas são muito potentes para estimular o humor que está em harmonia com a função da divindade.
  • As armas mágicas também se incluem nas longas listas dos símbolos a substâncias associados a cada Caminho. Uma arma mágica é um instrumento que se utiliza na evocação de uma força particular, ou é o veículo de sua manifestação, tal como a vara do mago ou a bacia de água ou a esfera de cristal do vidente. A atribuição das armas mágicas aos Caminhos pode-nos dizer muitas coisas sobre a natureza dos Caminhos, pois podemos deduzir delas a espécie de poder que opera na esfera particular em questão.
  • Como já observamos, os vários sistemas divinatórios têm sua relação com a Árvore a nela encontram suas pistas mais sutis. As associações da Astrologia traçam-se facilmente por meio do simbolismo dos planetas, dos elementos a das suas triplicidades, casas a regências; a Geomancia vincula-se à Árvore por meio da Astrologia; e o Tarô, o mais satisfatório de todos os sistemas de adivinhação, surge da Árvore a nela descobre a sua explicação. Essa pode parecer uma afirmação dogmática para o historiador erudito que busca os traços da origem dessas cartas misteriosas, e, podemos acrescentar, sem ter conseguido encontrá-los; mas, quando se compreende que o iniciado opera conjuntamente com o Tarô e a Árvore, a que ambos se completam mutuamente em todos os ângulos imagináveis, descobre-se que a ordem das correspondências não é nem arbitrária, nem fortuita.
  • Um aspecto muito interessante a importante do trabalho prático da Árvore diz respeito à maneira pela qual o cerimonial e a Magia Talismânica são utilizados para compensar as descobertas das ciências divinatórias. Cada símbolo geomantico, cada carta do Tarô a cada fator horoscópico têm seu lugar próprio nos Caminhos da Árvore, e o ocultista, com o necessário conhecimento, pode compor um ritual ou desenhar um talismã para compensar ou reforçar cada um desses aspectos.
  • É por essa razão que a adivinhação praticada por não-iniciados pode acarretar má sorte, uma vez que eles põem em movimento forças sutis, ao concentrarem suas mentes nessa arte, sem compensarem, pelo esforço mágico apropriado, o que está desequilibrado.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

  • Na Parte I, consideramos o esquema geral da Árvore da Vida a estudamos o método pelo qual podemos utilizá-la. Entraremos, agora, no estudo detalhado das Sephiroth individualmente. Esse estudo deve ser necessariamente experimental, pois seria preciso devotar toda uma vida de pesquisas à análise do significado das correspondências que se estendem nas ramificações infindáveis de cada símbolo associado a cada Sephirah. Mas é preciso iniciar tal estudo, a eis a razão destas minhas tentativas, pois não considero que os capítulos seguintes sejam mais do que isso, embora constituam eles o fruto de dez anos de meditação sobre esse extraordinário símbolo compósito.
  • As Tabelas de Correspondências que encabeçam os capítulos seguintes consistem numa seleção dos símbolos a das ideias principais associados a cada Sephirah, a não pretendem em absoluto ser completas. Elas contêm, no entanto, os símbolos mais significativos, possibilitando ao estudante uma boa compreensão filosófica do assunto a permitindo-lhe experimentar por si mesmo o emprego da Árvore como símbolo de meditação.
  • As referências foram tomadas sobretudo do 777, de Aleister Crowley, que as obteve dos manuscritos de MacGregor Mathers. Este, de acordo com o que pude apurar, já que esse autor não menciona suas fontes, as extraiu das obras do Dr. Dee a de Sir Edward Kelly, além das de Cornelius Agrippa, Raymond Lully a Pietro de Abana, entre os escritores antigos. Entre os modernos, o mesmo material se acha disseminado nas obras de Knorr von Rosenroth, Wynn Westcott, Éliphas Uvi, Sra. Atwood, Mme. Blavatsky, Anna Kingsford, Mabel Collins, Papus (Encausse), St. Martin, Gerald Massey, G. R. S. Mead a muitos outros. É possível que Mathers esteja em dívida para com alguns desses autores; outros podem estar em dívida para com ele. Alguns deles foram realmente membros da Ordem da Aurora Dourada, que ele fundou.
  • Outras fontes de informação são o Golden Bough, de Frazer; as obras de Walks Budge; os escritos dos Drs. Jung a Freud; as traduções do Dr. Jowett, do grego; os livros da série Sacred Books of lhe East, da Loeb Classical Library, a tradução de Plotino, por Stephen MacKenna; a tradução do Zohar, pela Soncino Press; e, finalmente, essa valiosa fonte de informação que é a Bíblia Sagrada. (É muito, convenhamos, para a discrição ocultistal)
  • Observará o leitor que os símbolos atribuídos a cada Sephirah são classificados numa ordem regular sob os cabeçalhos e, para que compreenda o significado atribuído pelo ocultista às diferentes seções, bem como a utilização que delas faz, cumpre explicar em detalhes o método de classificação adotado.
  • SEÇAO 1. O título atributdo à Sephirah. Seu nome é dado primeiro em hebraico a depois em português, acrescentando-se, entre parênteses, a grafia hebraica. A cuidadosa grafia de todos os nomes próprios utilizados na Cabala é vitalmente importante, devido ao valor numérico que lhe atribuem os cabalistas a devido à utilização do significado desses números por aqueles que operam os métodos numerológicos. Não sou numeróloga nem matemática e, portanto, não me proponho a comentar sobre o que está fora da esfera de meu conhecimento. Dou simplesmente os dados para a conveniência daqueles que possam apreciar-lhe o significado.
  • SEÇAO 2. A imagem mágica a os símbolos associados a cada Sephirah. A imagem mágica é o retrato mental que o ocultista constrói para representar a Sephirah, a seus detalhes conferem muitos símbolos significativos à meditação. Essas imagens são tão antigas a foram construídas com tal riqueza pela operação mágica que se formam espontaneamente, no mais das vezes, durante a meditação sobre as Sephiroth. No curso de meu próprio trabalho sobre a Cabala, vi a maior parte delas antes de ter acesso às tabelas em que são referidas. No trabalho prático, o adepto iniciado as edifica com detalhado simbolismo, e a visualização das imagens mágicas em todos os seus detalhes constitui um valiosíssimo exercício oculto. Muitos desses detalhes podem ser obtidos dos relatos que dou de cada Sephirah, mas os leitores que tenham algum conhecimento especializado dos panteões orientais ou clássicos poderão elaborar essas imagens com alguma extensão, cercando-as com toda a parafernália dos deuses atribuídos a cada estação da Árvore; tais imagens podem ser identificadas graças às suas associações astrológicas.
  • SEÇÃO 3. A localização na árvore. Esse ponto lança uma imensa luz sobre toda meditação, pois revela o equilíbrio das forças espirituais que operam na natureza. Por exemplo, as Sephiroth Geburah (Mane) a Chesed ou Gedulah (Júpiter) acham-se em oposição na Árvore. O rei guerreiro e o legislador sábio a benigno da paz se equilibram harmoniosamente. Quando em desequilíbrio, Geburah torna-se crueldade a opressão; a Gedulah, quando em desequilíbrio, passa pelo mal para multiplicar-se.
  • SEÇÃO 4. O texto yetzirático. Consiste na descrição da Esfera (ou Caminho) dada na Sepher Yetzirah, ou Livro das Formações. A tradução que utilizei é a de Wynn Westcott.
  • Essas descrições são extremamente criptológicas, mas produzirão, de tempos em tempos, um lampejo de iluminação, pois contém indubitavelmente a essência da filosofia cabalística.
  • SEÇAO S. Títulos descritivos. Consiste num catálogo dos nomes que foram aplicados às diversas Sephiroth na literatura rabínica. Esses nomes lançam uma grande luz sobre o assunto a são também úteis para o estudante que procura reunir as ideias correlatas de uma Sephirah particular.
  • SEÇAO 6. Os Nomes de Poder atribuídos a cada Sephirah. O Nome de Deus representa a forma mais espiritual da força a simboliza o funcionamento dessa força no Reino de Atziluth, o mais elevado dos Quatro Reinos dos cabalistas.
  • Os Nomes arcangélicos representam o funcionamento dessa mesma força em Briah, o Reino da Mente Superior, onde se localizam as ideias arquetípicas.
  • Os coros angélicos correspondem ao Reino de Yetzirah, ou piano astral, a os Chakras Cósmicos são os representantes das diversas forças no Reino de Assiah, o plano material.
  • O que denomino, em minhas tabelas, de “experiência espiritual atribuída a cada Sephirah” corresponde ao que Crowley chama de “poder mágico”. Embora esta última expressão possa ser corretamente atribuída aos Vinte a Dois Caminhos, ela é equívoca quando se aplica às Sephiroth. Por conseguinte, alterei o termo em relação às Sephiroth, mas o mantive em referência aos Caminhos, pelas razões que transcreveremos em seguida.
  • SEÇÃO 7. As virtudes a os vícios atribuídos às Esferas da Árvore. Indicam as qualidades que necessitamos a fim c:e receber a iniciação do grau correspondente à Sephirah, a conhecer a forma adotada pelas forças em desequilíbrio nessa esfera. Nos graus mais elevados, antes do desenvolvimento da forma, não há o vício correspondente.
  • SEÇAO 8. Correspondência no Microcosmo. O microcosmo, que é o homem, corresponde ao macrocosmo Sephirótico, e é importante do ponto de vista da prática, especialmente o da cura espiritual a da Astrologia.
  • SEÇÃO 9. Os quatro naipes do Tarô. A correspondência das cartas do Tarô com a Árvore abre imensos campos de valor prático, a forma a base filosófica da arte divinatória.
  • Se o leitor retiver essas explicações, será capaz de seguir as linhas de raciocínio a alusão desenvolvidas na elucidação do simbolismo atribuído a cada Sephirah.
  • É imenso o trabalho a ser feito para correlacionar os diferentes panteões politeístas a as angelologias das fés cristã, hebraica a muçulmana com as classificações da Árvore. Crowley tentou fazê-to experimentalmente, a seu trabalho é, como acredito, original, nada devendo a Mathers. Mas suas implicações não são totalmente claras para mim, a duvido que possa subscrevê-las integralmente. Para realizar satisfatoriamente essa tarefa, cumpre dispor de imensa erudição – erudição que não possuo. Contentar-me-ei, por conseguinte, em tocar os pontos de que tenho conhecimento, desistindo de articular, nas páginas seguintes, uma classificação ordenada da matéria.
  • SEÇÃO 1O. As cores luminosas. Destina-se apenas à utilização dos estudantes avançados que possuem as chaves necessárias.

KETHER, A PRIMEIRA SEPHIRAH

  • Título: Kether, a Coroa. (Em hebraico: Kaph, Tau, Resh.)
  • Imagem Mágica: Um velho rei barbado, visto’de perfil.
  • Localização na Árvore: No topo do Pilar do Equilíbrio, no Triângulo Supremo.
  • Texto Yetzirático: O Primeiro Caminho chama-se Inteligência Admirável, ou Oculta, pois é a luz que concede o poder da compreensão do Primeiro Princípio, que não tem começo. É a Glória Primordial, pois nenhum ser criado pode alcançar-lhe a essência.
  • Títulos Conferidos a Kether: A Existência das Existências. O Segredo dos Segredos. O Antigo dos Antigos. O Velho dos Dias. O Ponto Primordial. O Ponto no Círculo. O Altíssimo. O Rosto Imenso. A Cabeça Que não Existe. Macroprosopos. Amém. Lux Occulta. Lux Interna. He.
  • Nome Divino: Eheieh.
  • Arcanjo: Metatron.
  • Coro Angélico: As criaturas vivas a sagradas. Chaioth ha Qadesh.
  • Chakra Cósmico: Rashith ha Gilgalim. Primum Mobile. Primeiros Remoinhos.
  • Experiência Espiritual:: A União com Deus.
  • Virtude: Consecução. A Realização da Grande Obra.
  • Correspondência no Microcosmo: O Crânio. O Sah. Yechidah. A Centelha Divina. O Lótus de Mil Pétalas.
  • Símbolos: O ponto. A coroa. A suástica.
  • Cartas do Tarô: Os quatro ases: Ás de Paus: raiz dos Poderes do Fogo; Ás de Copas: raiz dos Poderes da Água; Ás de Espadas: raiz dos Poderes do Ar; Ás de Ouros: raiz dos Poderes da Terra.
  • Cor em Atziluth: Esplendor.
  • Cor em Briah: Esplendor branco, puro. Cor em Yetzirah: Esplendor branco, puro. Cor em Assiah: Branco, salpicado de ouro.

I

  • Kether, a Coroa, localiza-se na cabeça do Pilar Medial do Equilíbrio, e nele estão suspensos os Véus Negativos da Existência. Já comentei a utilização desses Véus Negativos como estrutura para o pensamento, de modo que não repetirei esse ponto, mas lembro ao leitor qúe Kether, a Primeira Manifestação, representa a cristalização primordial na manifestação do que era até então imanifesto e, por conseguinte, incognoscível. Nada podemos saber a respeito da raiz da qual brota Kether; mas, quanto à própria Kether, podemos adiantar alguma coisa. Ela pode representar para nós, em nosso estágio de desenvolvimento, o Grande Desconhecido, mas não é o Grande Incognoscível. A mente do mago pode abarcá-la em suas visões mais elevadas. Em minhas próprias experiências com a operação conhecida como Elevação nos Planos, que consiste em elevar a consciência pelo Pilar Médio, por meio da concentração nos sucessivos símbolos a nos Caminhos, Kether, numa ocasião em que lhe toquei as fímbrias, surgiu como uma cegante luz branca, anulando por completo o pensamento.
  • Não existe forma em Kether, apenas puro ser, qualquer que seja ele. Poderíamos dizer que se trata de uma latência que se encontra a apenas um grau da não-existência. Tais conceitos são necessariamente vagos a não estou capacitada para dar-lhes a precisão que devem ter, mas ficarei satisfeita se pudermos reconhecer os graus do devir, compreendendo que a rude diferenciação entre Ser a Não-Ser não representa os fatos. Quando a existência se toma manifesta, os pares de opostos penetram o ser; mas em Kether não existe divisão nos pares de opostos, pois estes, para se manifestarem, precisam esperar a emanação de Chokmah a Binah.
  • Kether, portanto, é o Um, que existia antes mesmo de dispor de um reflexo de si mesmo, para apresentar-se como imagem na consciência e aí estabelecer a polaridade. Devemos acreditar que ela transcende todas as leis conhecidas da manifestação – apenas existe, sem reação. Cabe lembrar, contudo, que, quando falamos de Kether, não significa uma pessoa, mas um estado de existência, a tal estado de substância existente deve ter sido completamente inerte, puro ser, sem atividade, até iniciar-se a atividade, que emana Chokmah.
  • A mente humana, não conhecendo outro modo de existência além do da forma a da atividade, tem muita dificuldade para conceber um estado inteiramente informe de passividade, o qual é, não obstante, muito distinto do não-ser. Mas precisamos realizar esse esforço, se quisermos compreender os fundamentos da filosofia cósmica. Não devemos lançar os Véus da Existência Negativa à frente de Kether ou nos condenar a uma perpétua dualidade insolúvel; Deus e o demônio lutarão para sempre em nosso cosmo, e não há finalidade em seu conflito. Devemos treinar a mente para conceber o estado de puro ser sem atributos ou atividades; podemos pensar nele como a luz branca cegante, não diferenciada em raios pelo prisma da forma; ou como a escuridão do espaço interestelar, que é nada, embora contenha as potencialidades de todas as coisas. Esses símbolos, sobre os quais repousa o olho interior, constituem um auxilio mais proveitoso para a compreensão de Kether do que todas as definições da filosofia exata. Não podemos definir a Sephirah Kether; só podemos indicá-la.
  • Constitui sempre uma experiência iluminadora descobrir o extraordinário significado das pistas contidas nas tabelas de correspondências, e o modo pelo qual elas conduzem a mente de um conceito a outro. A Primeira Sephirah chama-se Coroa, não cabeça, note-se. A Coroa é um objeto que se põe sobre a cabeça, a esse fato nos dá uma clara indicação de que Kether pertence ao nosso Cosmo, embora não esteja nele. Descobrimos também a sua correspondência microscómica no Lótus das Mil Pétalas, o chakra Sahamsara, que se localiza na aura, imediatamente acima da cabeça. Penso que isso nos ensina claramente que a essência espiritual mais íntima de alguma coisa, seja no homem ou no mundo, nunca está na manifestação real, sendo antes a base ou raiz subjacente de onde tudo brota a pertencendo, na verdade, a uma dimensão diferente – a uma ordem diferente de ser. Esse conceito dos diferentes tipos de existência é fundamental para a filosofia esotérica a devemos tê-to sempre presente quando consideramos os reinos invisíveis do mago ou do ocultista prático.
  • Na filosofia vedanta, Kether equivaleria sem dúvida a Parabrahmâ; Chokmah, a Brahman; a Binah, a Mulaprakriti. Nos outros grandes sistemas do pensamento humano, Kether equivale ao seu conceito primário, correspondendo ao Pai dos Deuses. Se foram estes que criaram o universo no espaço, então Kether é o Deus do céu. Se o universo se originou na água, Kether é o oceano primordial. Kether relaciona-se sempre com o sentido do informe a do eterno. Os deuses de Kether são deuses terríveis que devoram suas crianças, pois Kether, embora seja o pai de todos, reabsorve o universo ao final de uma época de evolução.
  • Kether é o abismo donde se originam todas as coisas, a para onde estas voltarão ao final de sua era. Nos meios exotéricos associados a Kether, descobrimos, por conseguinte, a implicação da não-existência. Nos conceitos esotéricos, contudo, aprendemos que esse conceito é errôneo. Kether é a forma mais intensa de existência, ser puro, não-limitado por forma ou reação; mas essa existência pertence a um tipo diverso daquele a que estamos acostumados, aparecendo-nos, portanto, como não-existência, porque não combina com nenhum dos requisitos que a nosso ver determinam a existência. A ideia da existência de outros modos de ser está implícita em nossa filosofia a devemos tê-la sempre em mente, porquanto é a chave de Kether, a Kether é a chave da Árvore da Vida.
  • O texto yetzirático descritivo de Kether, como todos os dizeres da Sepher Yetzirah, é uma sentença oculta. Afirma ele que Kether se chama Inteligência Oculta, a os diversos títulos conferidos a Kether na literatura cabalística confirmam essa denominação. Kether é o Segredo dos Segredos, a Altura Inescrutável, a Cabeça Que Não É. Temos aqui novamente a confirmaçáo da ideia de que a coroa está acima da cabeça do Homem Celestial, o Adão Cadmo; o ser puro está atrás de toda manifestação, a não é por ela absorvido, sendo antes a causa de sua emanação ou manifestação. Tal como nos expressamos em nossas obras, assim se expressa Kether na manifestação. Mas as obras de um homem não constituem a sua personalidade, sendo, ao contrário, a expressão de sua atividade natural. Ocorre o mesmo com Kether; seu modo de existência não é manifesto, mas constitui a causa da manifestação.

II

  • Temos até agora considerado Kether em Atziluth, isto é, em sua natureza essencial a primordial. Devemos considerá-la agora tal como aparece nos outros três Reinos distinguidos pelos cabalistas.
  • Cada Reino, ou plano de manifestação, tem sua forma primária: a matéria, por exemplo, é, com toda probabilidade, primariamente elétrica, a essa forma primordial, segundo os esoteristas, consiste no subplano etérico que subjaz aos quatro planos elementais: Terra, Ar, Fogo a Água; ou, em outras palavras, os quatro estados da matéria densa: sólido, líquido, gasoso a etéreo.
  • Os cabalistas concebem a Árvore em cada um dos quatro Reinos, a saber: Atziluth, espírito puro; Briah, mente arquetípica; Yetzirah, consciência imagética astral; a Assiah, o mundo material em seus aspectos densos e mais sutis. As operações das forças de cada Sephirah são representadas em cada mundo sob a presidência de um Nome Divino, ou Mundo do Poder, e esses mundos dão as chaves das operações do ocultismo prático nos diversos planos. O Nome de Deus representa a ação da Sephirah no Mundo de Atziluth, espírito puro; quando o ocultista invoca as forças de uma Sephirah pelo Nome de Deus, isso significa que ele deseja entrar em contato com sua essência mais abstrata, pois está buscando o princípio espiritual que sustenta a condiciona esse modo particular da manifestação. Reza uma máxima do Ocultismo Branco que toda operação deve começar pela invocação do Nome Divino na Esfera em que ocorrerá a operação. Isso assegura que a operação estará em harmonia com a lei cósmica. Nunca se deve descurar o equilíbrio da força natural, pois o equilíbrio é essencial para que o mago conduza em segurança as operações de acordo com a lei cósmica; por conseguinte, o mago deve procurar compreender o princípio espiritual envolvido em cada problema a operá-lo convenientemente. Toda operação, por conseguinte, precisa ter sua unificação ou resolução final em Eheieh, o nome de Deus de Kether em Atziluth.
  • A invocação da divindade sob o nome de Eheieh, isto é, a afirmação do ser puro, eterno, imutável, sem atributos ou atividades, que tudo sustém, mantém a condiciona, é a fórmula primária de toda operação mágica. Somente ao ser penetrada pela compreensão desse ser imutável a sem fim, de extraordinária concentração a intensidade, pode a mente ter qualquer compreensão do poder ilimitado. A energia derivada de qualquer outra fonte é uma energia limitada a parcial. A fonte pura de toda energia localiza-se tão-somente em Kether. As operações do mago visando à concentração da energia (e que operação não o faz?) devem sempre começar por Kether, porquanto deparamos nessa Sephirah com a força emergente que brota do Grande Imanifesto, o reservatório do poder ilimitado. É graças a Kether, o Grande Imanifesto oculto atrás dos Véus da Existência Negativa, que o poder tem origem. Se extrairmos poder de qualquer esfera especializada da natureza, estaremos, por assim dizer, tirando de Pedro para dar a Paulo. O poder vem de alguma parte a vai para algum lugar, a deve ser responsável no ajuste de contas fmal. É por essa razão que se diz que o mago paga com sofrimento o que obtém por meios mágicos. Isso é verdade se sua operação é realizada em qualquer uma das esferas inferiores da natureza; mas se tal operação tem início com Kether em Atziluth, o mago estará extraindo força imanifesta para colocá-la na manifestação; ele aumenta as fontes do universo e, desde que as forças se mantenham em equilíbrio, nenhuma reação rebelde ocorrerá, bem como nenhum pagamento em sofrimento pelo use dos poderes mágicos.
  • Esse é um ponto de extraordinária importância prática. Os estudantes aprenderam que as Três Sephiroth – Kether, Chokmah a Binah estão fora do alcance de qualquer obra prática enquanto estamos encarnados. Na verdade, elas estão fora do alcance da consciência cerebral, a constituem a base essencial de todos os cálculos mágicos. Se não operamos a partir dessa base, não temos nenhum fundamento cósmico, colocando-nos entre céu e a terra a não encontrando nenhum lugar de repouso seguro. Devemos, ao contrário, manter a tensão mágica que mantém vivas as formas astrais.
  • A grande diferença entre a ciência cristã a as formas mais rudes do novo pensamento a da autossugestão consiste no fato de que a primeira inicia todas as suas operações pela vida divina; e, por mais irracionais que sejam suas tentativas para filosofar o seu sistema, seus métodos são empiricamente sãos. O ocultismo, a especialmente o praticante da Magia Cerimonial, se não foi instruído nessa disciplina, tende a começar sua operação sem qualquer referência à lei cósmica ou ao princípio espiritual; consequentemente, as imagens mentais que ele forma são como corpos estranhos no organismo do Homem Celestial, ou Macrocosmo, a todas as forças da natureza se dirigem espontaneamente para a eliminação dá substância estranha e para a restauração do equilíbrio normal das tensões. A natureza luta contra o mago com unhas a dentes; consequentemente, todo aquele que recorre à Magia náo-consagrada jamais pode descansar sua espada, pois precisa estar sempre na defensiva a fim de manter o que conquistou. Mas o adepto que inicia sua obra com Kether em Atziluth, isto é, no princípio espiritual, e opera esse princípio de cima para baixo a fim de expressá-lo nos planos da forma, empregando para esse propósito o poder extraído do Imanifesto, integra sua operação no processo cósmico, e a natureza se coloca a seu lado, em vez de hostilizá-lo.
  • Não podemos esperar entender a natureza de Kether em Atziluth, mas podemos abrir nossa consciência à sua influência, a esta é muito poderosa, conferindo-nos uma estranha sensação de eternidade e imortalidade. Podemos saber quando a invocação de Eheieh em seu puro esplendor branco é efetiva, pois compreendemos, com completa convicção, a impermanência a insignificância superior dos planos da forma e a suprema importância da Vida única, que condiciona todas as formas, tal como as mãos do oleiro moldam a argila.
  • A meditação sobre Kether confere-nos a compreensão intuitiva de que o resultado de uma operação tem pouco valor. “Que o sujo brinque com o sujo, se este lhe agrada.” Uma vez obtida essa compreensão, temos domínio sobre as imagens astrais a podemos operá-las à vontade. É apenas quando o operador não tem qualquer interesse pela operação no plano físico que ele atinge esse completo domínio sobre as imagens astrais. Só a manipulação das forças lhe diz respeito, assim como a sua condução por meio da manifestação na forma; mas ele não cuida da forma que as forças podem finalmente assumir, a as deixa por si mesmas, visto que assumirão a forma mais afim a suas naturezas, sendo assim mais fiéis à lei cósmica do que a qualquer desígnio que seu limitado conhecimento poderia conferir-lhes. Essa é a chave real de todas as operações mágicas, a sua única justificativa, pois não podemos alterar o Universo para adaptá-lo ao nosso capricho a conveniência, mas só nos justificamos na operação deliberada da Magia quando operamos com a grande maré da vida evolutiva a fim de chegarmos à plenitude da vida, seja qual for a forma que a experiência ou manifestação possa assumir. “Vim para que eles pudessem ter vida, a para que a tivessem em abundância”, disse o Senhor, a essas poderiam ser as palavras do mago. Vida, a somente a vida, deveria ser a sua divisa, a não qualquer manifestação especializada dela como Sabedoria, Poder ou mesmo Amor.
  • Aqueles que seguiram atentamente a exposição precedente estarão em condições de descobrir algum significado nas palavras criptográficas do Texto Yetzirático atribuído a Kether. As palavras “Inteligência Oculta” dão uma pista da natureza imanifesta da existência de Kether, que é confirmada pela afirmação de que “Nenhum ser criado pode alcançar-lhe à essência”, ou seja, nenhum ser que utiliza, como veículo de consciência, um organismo dos planos da forma. Quando, contudo, a consciência foi exaltada ao ponto de transcender o pensamento, ela recebe da “Glória Primordial” o “poder de compreensão do Primeiro Princípio”; ou, em outras palavras, “Compreenderemos da mesma maneira pela qual somos compreendidos”.

III

  • Eheieh, Eu Sou O Que Sou, ser puro, é o Nome divino de Kether, e sua imagem mágica é um velho rei barbado visto de pèrfil. O Zohar afirma que o velho rei barbado só tem o lado direito; não vemos a imagem mágica de Kether em sua face plena, isto é, completa, mas apenas uma pane dela. Há um aspecto que deve sempre permanecer oculto para nós, como o lado escuro da lua. Esse lado de Kether é o lado que está voltado para o Imanifesto, que a natureza de nossa consciência manifesta nos impede de compreender, a que constitui um livro selado para nós. Mas, aceitando essa limitação, podemos contemplar o aspecto de Kether, o perfil do velho rei barbado, que se reflete para baixo na forma.
  • Velho é esse rei, o Antigo dos Antigos, o Velho dos Dias, que existe desde o início, quando o rosto não contemplava rosto algum. Ele é um rei, porque governa todas as coisas de acordo com sua suprema e inquestionável verdade. Em outras palavras, é a natureza de Kether que condiciona todas as coisas, porque todas as coisas surgiram dela. Ele é barbado porque, no curioso simbolismo dos rabinos, todo pêlo de sua barba tem um significado.
  • A manifestação das forças de Kether em Briah, o mundo da mente arquetípica, efetua-se por meio do arcanjo Metatron, o Príncipe das Faces, a quem a tradição atribui o papel de mestre de Moisés. A Sepher Yetzirah afirma a respeito do Décimo Caminho, Malkuth, que ele “emana uma influéncia do Príncipe dos Rostos, o arcanjo de Kether, e é a fonte de iluminação de todas as luzes do universo”. Aprendemos, assim, claramente, que não apenas o espírito flui para a manifestação na matéria, mas a matéria, por sua própria energia, lança o espírito na manifestação. Esse é um importante ponto para o praticante da Magia, pois afirma que este tem justificativas para as suas operações a que o homem não precisa esperar a palavra do Senhor, podendo invocar a Deus para ouvi-Lo.
  • Os anjos de Kether, operando no Mundo Yetziático, são os Chaioth ha Qadesh, as Criaturas Vivas a Sagradas, a esse Nome traz à mente a visão do Carro de Fogo de Ezequiel a as Quatro Santas Criaturas diante do Trono. O fato de que os quatro ases do Tarô, atribuídos a Kether, representam as raízes dos quatro elementos, Terra, Ar, Fogo a Água, confirma igualmente essa associação. Podemos, pois, considerar Kether como a fonte primordial dos elementos. Esse conceito esclarece muitas das dificuldades ocultas a metafísicas com que nos deparamos se limitamos sua operação ao plano astral a encaramos os elementais como seres pouco melhores do que os demônios, como parecem fazer algumas escolas de pensamento transcendental.
  • A questão dos anjos, archons a elementais é um tema muito discutido a muito importante no ocultismo, porque a sua aplicação prática à Magia é imediata. O pensamento cristão pode tolerar com algum esforço a ideia dos arcanjos, mas os espíritos auxiliares, os mensageiros que são as chamas do fogo a os construtores celestes são estranhos à sua Teologia; Deus, sem ajuda a num átimo, fez os céus e a Terra. O Grande Arquiteto do Universo é também o pedreiro. A ciência esotérica pensa de modo diferente. O iniciado conhece as legiões de seres espirituais que são agentes da vontade de Deus e os veículos da atividade criativa. É por meio desses que ele opera, pela graça de seu arcanjo dirigente. Mas um arcanjo não pode ser conjurado por nenhum encantamento, por mais potente que este seja. Deveríamos mesmo dizer que, quando efetuamos uma operação da Esfera de uma Sephirah particular, o arcanjo opera por meio de nós para o cumprimento de sua missão. A arte do mago repousa, por conseguinte, em alinhar-se à força cósmica, a fim de que a operação que ele deseja realizar possa produzir-se como parte da operação de atividades cósmicas. Se ele for verdadeiramente puro a devoto, esse será o caso de todos os seus desejos; mas, se ele não for verdadeiramente puro a devoto, não será então um adepto, a sua palavra não será uma Palavra de Poder.
  • É interessante notar que, no Mundo de Assiah, o título da Esfera de Kether é Rashith ha Gilgalim, ou Primeiros Remoinhos, indicando, assim, que os rabinos estavam familiarizados com a teoria das nebulosas antes que a ciência tivesse conhecimento do telescópio. A maneira pela qual os amigos deduziram os fatos básicos da cosmogonia graças a meios puramente intuitivos a mercê da utilização do método de correspondências, séculos antes da invenção a aperfeiçoamento dos instrumentos de precisão que permitiram ao homem moderno realizar as mesmas descobertas de outro ângulo, será sempre um assunto de perpétua perplexidade para todo aquele que estuda a filosofia tradicional sem fanatismo.
  • Como em cima, tal é embaixo. O microcosmo corresponde ao macrocosmo, a precisamos, por conseguinte, buscar no homem a Sephirah Kether que está acima da cabeça que brilha com um puro esplendor branco em Adão Cadmo, o Homem Celeste. Os rabinos a chamam Yechidah, a Centelha Divina; os egípcios a chamam Sah; os hindus a chamam Lótus de Mil Pétalas – o núcleo do espírito puro que emana as múltiplas manifestações nos planos da forma, mas nelas não habita.
  • Enquanto estivermos encarnados, jamais poderemos nos elevar à consciência de Kether em Atziluth a reter o veículo físico intato antes de nosso regresso. Tal como Enoch caminhou com Deus a desapareceu, assim também o homem que tem a visão de Kether se desvanece no que respeita ao veículo da encarnação. Isso se explica facilmente se nos lembrarmos que não podemos entrar num modo de consciência a não ser reproduzindo-o em nós mesmos, assim como uma música nada significa para nós a menos que o coração cante com ela. Se, por conseguinte, reproduzimos em nós mesmos o modo de ser daquilo que não tem forma nem atividade, segue-se que devemos nos livrar da forma a da atividade. Se conseguirmos fazê-lo, o que foi reunido pelo modo de forma da consciência desaparecerá a voltará aos seus elementos. Assim dissolvido, ele não pode ser reunido ao retornar à consciência. Por conseguinte, quando aspiramos à visão de Kether em Atziluth, devemos estar preparados para penetrar na Luz a nunca mais sair dela.
  • Lsso não implica ser o Nirvana aniquilação, tal como uma tradução ignorante da filosofia oriental ensinou ao pensamento europeu; mas também náo implica uma completa mudança de modo ou dimensão. O que seremos, quando nos descobrirmos no mesmo nível das Criaturas Vivas a Sagradas, não o sabemos, a ninguém que alcançou a visão de Kether em Atziluth retomou para contar-nos; mas a tradição afirma que existem aqueles que o fizeram, a que eles estão intimamente relacionados com a evolução da humanidade a são os protótipos dos super-homens, a respeito dos quais todas as raças têm uma tradição – uma tradição que, infelizmente, tem sido envilecida a degradada nos últimos anos pelos ensinamentos pseudo-ocultistas. O que quer que seja que esses seres possam ser ou não, é seguro dizer que eles não têm nem forma astral nem personalidade humana, mas são como chamas no fogo que é Deus. O estado da alma que atingiu o Nirvana pode ser comparado a uma roda que perdeu seu aro a cujos raios penetram e interpenetram toda a criação; um centro de radiação, a cuja influência não se pode determinar um limite, exceto o de seu próprio dinamismo, a que mantém a sua identidade como um núcleo de energia:
  • A experiência espiritual atribuída a Kether é a união com Deus. Esse é o fim e o objetivo de toda a experiência mística e, se procurarmos qualquer objetivo, seremos como aqueles que edificam uma casa no mundo da ilusão. Tudo o que pode reter o místico em seu caminho direto para esse objetivo produz-lhe a impressão de um grilhão, que o prende, e, que, como tal, deve ser quebrado. Tudo aquilo que sujeita a consciência à forma, todos os desejos que não sejam o da união com Deus são males para ele e, desse ponto de vista, ele está certo; agir de outra maneira invalidaria sua técnica.
  • Mas essa não é a única prova que o místico deve enfrentar; exige-se-lhe que satisfaça os requisitos dos planos da forma antes de estar livre para começar sua retirada a escapar da forma. Há o Caminho da Mão Esquerda que conduz a Kether, a Kether das Qliphoth, que é o Reino do Caos. Se o adepto aspirante se aventura pelo Caminho Místico prematuramente, é para lá que ele vai, a não ao Reino da Luz. Para o homem que é naturalmente do Caminho Místico, a disciplina da forma é incompatível. E uma das mais sutis tentações é abandonar a batalha da existência na forma, a qual resiste ao seu domínio, a retirar-se pelos planos antes que o nadir tenha sido atravessado a as lições da forma tenham sido aprendidas. A forma é a matriz na qual a consciência fluídica é mantida até adquirir uma organização à prova de dispersão; até tomar-se um núcleo de individualidade diferenciada do mar amorfo do puro ser. Se a matriz for quebrada muito cedo, antes que a consciência fluídica se tenha formado como um sistema organizado de tensões estereotipadas pela repetição, a consciência se retrairá para o amorfo, assim como a argila retomará à lama se libertada do amparo do molde antes de ser queimada. Se há um místico cujo misticismo produz incapacidade mundana ou qualquer tipo de disposição da consciência, sabemos que o molde se quebrou muito cedo para ele, a ele deve retomar à disciplina da forma até que a sua lição tenha sido aprendida a sua consciência tenha alcançado uma organização coerente a coesa que nenhum Nirvana possa destruir. Que ele corte lenha a carregue água a serviço do Templo, se desejar, mas que não profane o local sagrado com suas patologias a imaturidades.
  • A virtude atribuída a Kether é a da consecução; a realização da Grande Obra, para utilizar um termo pedido de empréstimo aos alquimistas. Sem a realização não há consecução a sem consecução não há realização. Boas intenções pesam pouco na escala da justiça cósmica; é por nossa obra completada que somos conhecidos. Temos, é verdade, toda a eternidade para completá-la, mas devemos fazê-lo até o Yod final. Não há misericórdia na justiça perfeita, a não ser a que nos permite tentar novamente.
  • Kether, contemplada do ponto de vista da forma, é a coroa do Reino do Esquecimento. A não ser que compreendamos a natureza vital da Pura Luz Branca, sentiremos pouca tentação de lutar por essa Coroa que não é dessa ordem de ser; e, se tivermos essa compreensão, então estaremos livres da limitação da manifestação a poderemos falar a todas as formas como quem realmente tem a autoridade para fazê-lo.

CHOKMAH, A SEGUNDA SEPHIRAH

  • Título: Chokmah, Sabedoria. (Em hebraico, 1mm: Cheth, Kaph, Mem, Hé.)
  • Imagem Mágica: Uma figura masculina, barbada.
  • Localização na Árvore: No topo do Pilar da Misericórdia, no Triângulo Supremo.
  • Texto Yetzirático: O Segundo Caminho chama-se Inteligência Iluminadora. É a Coroa da Criação, o Esplendor da Unidade, que a iguala. É exaltada sobre todas as cabeças, a os cabalistas a chamam de Segunda Glória.
  • Títulos Conferidos a aokmah: Poder de Yetzerah. Ab. Abba. O Pai Supremo. Tetragrammaton. Yod do Tetragrammaton.
  • Nome Divino: Jehovah.
  • Arcanjo: Ratziel.
  • Coro Angélico: Auphanim, rodas.
  • Chakra Cósmico: Mazloth, o Zodíaco.
  • Experiência Espiritual: A Visão de Deus face a face.
  • Virtude: Devoção.
  • Vício
  • Correspondência no Microcosmo: O lado esquerdo da face.
  • Símbolos: O lingam. O falo. O Yod do Tetragrammaton. O Manto Interno da Glória. O pedestal. A torre. O cetro ereto do poder. A linha reta.
  • Cartas do TarB: Os quatro dois: Dois de Paus: domínio; Dois de Copas: amor; Dois de Espadas: paz restaurada; Dois de Ouros: mudança harmoniosa.
  • Cor em Atziluth: Azul-suave puro.
  • Cor em Briah: Cinza.
  • Cor em Yetzirah: Cinza-pérola iridescente.
  • Cor em Assiah: Branco salpicado de vermelho, azul a amarelo.

I

  • Toda fase de evolução tem início num estado de força instável e caminha, graças à organização, para o equilíbrio. Uma vez este alcançado, nenhum desenvolvimento posterior poderá ocorrer, se a estabilidade não for superada, dando início, mais uma vez, a uma fase de forças em conflito. Como já vimos, Kether é o ponto formulado no vazio. De acordo com a definição euclidiana, um ponto tem posição, mas não dimensões. Se, contudo, concebermos esse ponto movendo-se no espaço, ele se transformará numa linha. A natureza da organização a da evolução das Três Supremas está tão distante da nossa experiência que só podemos concebê-la simbolicamente; mas, se imaginarmos o Ponto Primordial que é Kether estendendo-se pela linha que é Chokmah, teremos a representação simbólica mais adequada que seremos capazes de alcançar em nosso presente estágio de desenvolvimento.
  • Esse fluxo de energia, representado pela linha reta ou pelo cetro ereto do poder, é essencialmente dinâmico. Tráta-se, na verdade, de um dinamismo primário, pois não podemos conceber a cristalização de Kether no espaço como um processo dinâmico; ela partilha, antes, de uma certa estaticidade – a limitação do informe a do liberto, nos moldes da forma, por mais tênue que a forma possa parecer aos nossos olhos.
  • Atingidos os limites da organização dessa forma, a força que flui incessantemente do Imanifesto transcende as suas limitações, demandando modos novos de desenvolvimento a estabelecendo relações a tensões novas. Chokmah é esse fluxo de força desorganizada a desequilibrada, e, sendo Chokmah uma Sephirah dinâmica, que flui incessantemente como energia ilimitada, poderíamos considerá-la, apropriadamente, mais como um canal por onde passa a energia do que como um receptáculo em que a força é armazenada.
  • Chokmah não é uma Sephirah organizada, a sim a Grande Estimuladora do Universo. É de Chokmah que Binah, a Terceira Sephirah, recebe o seu influxo de emanação, a Binah é a primeira das Sephiroth organizadoras e estabilizantes. Não é possível compreender nenhuma Sephirah sem estudar a sua companheira; por conseguinte, para compreender Chokmah, deveremos dizer algo a respeito de Binah. Notemos, preliminarmente, que Binah é atribuída ao planeta Saturno, recebendo o título de Mãe Superior.
  • Em Cholcmah a Binah temos respectivamente, o positivo e o negativo arquetípicos; a masculinidade e a feminilidade primordiais, estabelecidas quando “o rosto não contemplava rosto algum” a quando a manifestação ainda era incipiente. É desses pares de opostos primários que surgem os Pilares do Universo, por entre os quais se tece a rede da manifestação.
  • Como já observamos, a Árvore da Vida é uma representação diagramática do Universo, na qual os aspectos positivos a negativo, masculino a feminino são representados pelos dois pilares laterais, da Misericórdia e da Severidade. Pode parecer estranho que o título de Misericórdia seja conferido ao Pilar masculino a positivo, e o de Severidade ao feminino; mas, quando se compreende que a força dinâmica masculina é a que estimula a elevação e a evolução, a que é a força feminina que edifica as formas, percebe-se que a nomenclatura é adequada, pois a forma, embora seja edificadora a organizadora, é também limitadora; toda forma constituída precisa, por sua vez, ser superada, perdendo sua utilidade a assim, tomando-se um obstáculo à vida evolutiva; por conseguinte, ela é a causadora da dissolução a da desintegração que conduz à morte. O Pai é o Dador de vida; mas a Mãe é a Dadora da morte, porque seu útero é a porta de ingresso para a matéria, a por intermédio dela a vida é animada na forma, a nenhuma forma pode ser infinita ou eterna. A morte está implícita no nascimento.
  • É por entre esses dois aspectos polarizados dá manifestação – o Pai Supremo e a Mãe Suprema – que se tece a rede da vida; as almas vão a vêm entre eles, como a lançadeira de um tecelão. Em nossas vidas individuais, em nossos ritmos fisiológicos, na história da ascensão a queda das nações, observamos a mesma periodicidade rítmica.
  • Nesse primeiro par de Sephiroth, temos a chave para o sexo – o par de opostos biológicos, a masculinidade e a feminilidade. Mas a paridade de opostos não ocorre apenas no tipo; ela ocorre também no tempo, a temos épocas alternadas em nossas vidas, em nossos processos fisiológicos, a na história das nações, durante as quais atividade a passividade, construção a destruição prevalecem alternadamente; o conhecimento da periodicidade desses ciclos integra a antiga sabedoria secreta dos iniciados e é operado astrológica e cabalisticamente.
  • A imagem mágica de Chokmah a os símbolos atribuídos a ela confirma essa ideia. A imagem mágica é a de um homem barbado – barbado para indicar maturidade; o pai que provou sua masculinidade, não o homem virgem inexperiente. A linguagem simbólica fala claramente, e o lingam dos hindus e o falo dos gregos são o órgão gerador masculino em seus respectivos idiomas. O pedestal, a torre e o cetro levantado simbolizam o membro viril em sua potência maior.
  • Não devemos pensar, contudo, que Chokmah é apenas um símbolo fálico ou sexual. Ela é, antes de mais nada, um símbolo dinâmico ou positivo, pois a masculinidade é uma forma de força dinâmica, assim com a feminilidade é uma forma de força estática, latente ou potencial, inerte até que se lhe comunique o estímulo. O todo é maior do que a parte, a Chokmah e Binah são o todo de que o sexo é uma parte. Compreendendo a relação existente entre o sexo e a força polarizante como um todo, descobrimos a chave para a correta compreensão desse aspecto da natureza, a podemos avaliar, no contexto do padrão cósmico, os ensinamentos da psicologia a da moralidade a respeito da sexualidade. Podemos observar também, com os freudianos, os inúmeros símbolos de que se vale a mente subconsciente do homem para representar o sexo, compreendendo, ademais, conforme assinalam os moralistas, o processo de sublimação do instinto sexual. A manifestação é sexual porque ocorre sempre em termos de polaridade; e o sexo é cósmico a espiritual porque suas raízes mergulham nas Três Supremas. Devemos aprender a não dissociar a flor aérea da raiz terrestre, pois a flor que é separada de sua raiz fenece, a suas sementes ficam estéreis, ao passo que a raiz, protegida pela terra-mãe, pode produzir flor após flor a levar o seu fruto à maturidade. A natureza é maior do que a moralidade convencional, que, no mais das vezes, não passa de tabu a totemismo. Felizes são os povos cuja moralidade incorpora as leis da natureza, pois suas vidas serão harmoniosas a eles crescerão e, multiplicados, dominarão a Terra. Desgraçados são os povos cuja moralidade é um sistema selvagem de tabus, concebido para incensar uma divindade imaginária como Moloch, pois eles serão estéreis a pecadores; a desgraçados também são os povos cuja moralidade ultraja a santidade dos processos naturais a que, ao arrancarem a flor, não prestam atenção ao fruto, pois seu corpo será doente e o seu Estado, corrupto.
  • Em Chokmah, portanto, devemos ver tanto a Palavra criadora que disse “Faça-se a luz” como o lingam de Siva e o falo adorado pelas bacantes. Devemos aprender a reconhecer a força dinâmica, e a reverenciá-la, onde quer que a vejamos, pois seu nome divino é Jehovah Tetragrammaton. Vemo-la na cauda aberta do pavão a na iridescência do pescoço do pombo; igualmente, podemos ouvi-la no chamado do gato no cio, e a senti-la no cheiro do bode. Também a encontramos nas aventuras colonizantes das épocas mais viris da história inglesa, especialmente as de Elizabeth a Vitória ambas mulheres! Vemo-la novamente no homem diligente que se esforça em sua profissão para manter o lar. Esses aspectos pertencem todos a Chokmah, cujo título adicional é Abba – Pai. Em todas essas manifestações, devemos ver o pai, o progenitor, que dá vida ao não-nascido, assim como o macho que deseja a sua companheira; teremos, assim, uma perspectiva mais autêntica dos assuntos relativos ao sexo. A atitude vitoriana, em sua reação contra a grosseria da Restauração, atingiu praticamente o padrão de tribos muito primitivas, as quais, como nos contam os viajantes, não associam a união dos sexos com o nascimento da prole.
  • Está dito que a cor de Chokmah é o cinza; em seus aspectos superiores, cinza-pérola iridescente. Essa cor simboliza o velamento da pura luz branca de Kether, que desce, em sua rota de manifestação, até Binah, cuja cor é o preto.
  • O Chakra Cósmico, ou manifestação física direta de Chokmah, é o Zodíaco, que em hebraico se chama Mazloth. Vemos assim que os antigos rabinos compreendiam corretamente o processo da evolução de nosso sistema solar.
  • O Texto Yetzirático atribuído a Chokmah é, como de costume, extremamente obscuro em sua formulação; não obstante, podemos extrair dele algumas pistas esclarecedoras. O Segundo Caminho, como se denomina Chokmah, chama-se Inteligência Iluminadora. Já nos referimos à Palavra criadora que diz “Faça-se a luz”. Entre os símbolos atribuídos a Chokmah no 777 (sistema Malher-Crowley), encontramos o do Manto Interno da Glória, que é um termo gnóstico. Essas duas ideias, tomadas em conjunto, suscitam a ideia da vida animadora – o espírito iluminador. É a força masculina que, em todos os planos, deposita a centelha fecundante no óvulo passivo e transforma a latência inerte deste no desenvolvimento ativo do crescimento a da evolução. É a força dinâmica da vida, que é espírito, que anima a argila da forma física a constitui o Manto Interno da Glória.
  • O Texto Yetzirático confere também a Chokmah o título de Coroa da Criação, implicando assim que essa Sephirah, como Kether, é antes externa ao universo manifesto do que imanente a ele. É a força viril de Chokmah que dá impulso à manifestação e, por conseguinte, é anterior à própria manifestação. A Voz do Logos clamou “Faça-se a luz” muito antes que as águas e o firmamento fossem separados. Essa ideia se destaca ainda mais na frase do Texto Yetzirático que fala de Chokmah como o Esplendor da Unidade, que o iguala, indicando assim claramente a sua afinidade antes com Kether, Unidade, do que com os planos da forma dualística. A palavra esplendor, tal como é aqui empregada, indica claramente uma emanação ou irradiação, a nos ensina a pensar em Chokmah mais como a influência emanante do ser puro do que como uma coisa em si. Isso nos leva a uma compreensão mais verdadeira do sexo. Fique bem clam, contudo, que a esfera de Chokmah nada tem a ver com os cultos da fertilidade como tais, salvo pelo fato de que é a masculinidade, a força dinâmica, que promove a vida primordial a evoca a manifestação. Embora as manifestações superiores e inferiores da força dinâmica sejam da mesma essência, elas são de níveis diferentes; Priapo não é idintico a Jehovah. Não obstante, a raiz de Priapo se encontra em Jehovah, e a manifestação de Deus Pai encontra-se em Priapo, como o indica o fato de que os rabinos chamam Chokmah de Yod do Tetragrammaton, e o Yod, em sua fraseologia, é idêntico ao fngam.
  • É curioso que a Sepher Yetzirah afirme, a respeito das duas Sephiroth, que elas são exaltadas sobre todas as cabeças – o que é uma contradição; no entanto, como essa afirmação diz respeito a Chokmah a Malkuth, poderemos compreender-lhe o significado se meditarmos sobre seu sentido. Chokmah é o Pai Supremo, Malkuth é a Mãe Inferior, e o mesmo texto que declara sua exaltação sobre todas as cabeças afirma que ela se senta no trono de Binah, a Mãe Superior, a contraparte negativa de Chokmah. Ora, Chokmah é a forma mais abstrata da força, a Malkuth é a forma mais densa da matéria, de modo que temos nessa afirmação uma pista de que cada um dos membros desse par de opostos extremos é a manifestação suprema de seu próprio tipo, sendo ambos igualmente sagrados em seus diferentes caminhos.
  • Devemos fazer uma distinção entre o rito da fertilidade, o rito da vitalidade e o rito da iluminação ou inspiração, que invoca as línguas de fogo de Pentecostes. O culto da fertilidade visa à reprodução clara a simples, seja dos rebanhos, dos campos ou das esposas; pertence a Yesod, a nada tem a ver com o culto da vitalidade, que pertence a Netzach, a esfera de Vênus/Afrodite, a que diz respeito a certo ensinamento esotérico muito importante, relativo ao tema das influências vitalizantes a magnéticas que os sexos exercem um sobre o outro a que é distinto do ato sexual, do qual trataremos quando estudarmos Netzach, a esfera de Vênus.
  • O rito de Chokmah, se assim podemos chamá-lo, diz respeito ao influxo da energia cósmica. É informe, por ser o impulso puro da criação dinâmica; e, sendo informe, a criação a que dá lugar pode assumir toda e qualquer forma; daí a possibilidade de sublimar a força criativa, desviando a de seu aspecto puramente priápico.
  • Até onde sei, não existe uma cerimônia mágica formal de qualquer das Trés Supremas. Só podemos entrar em contato com elas participando de sua natureza essencial. Kether, ser puro, é atingido quando alcançamos a compreensão da natureza da existência sem partes, atributos ou dimensões. Essa experiência é apropriadamente chamada de Transe da Aniquilação, a aqueles que a experimentaram caminham com Deus a não mais retomam, pois Deus os arrebata; por conseguinte, a experiência espiritual atribuída a Kether é a União Divina, a aqueles que a experimentam penetram na luz a nela permanecem.
  • Para nos colocarmos em contato com Chokmah, temos de experimentar a precipitação da energia cósmica dinâmica em sua forma pura; uma energia tão imensa que o homem mortal nela se funde a se desagrega. Conta-se que, quando Semele, mãe de Dionísio, viu Deus – seu amante divino sob a forma de Zeus -, foi ela crestada a queimada, dando à luz prematuramente o seu filho. A experiência espiritual atribuída a Chokmah é a Visão de Deus face a face; a Deus (Jehovah) disse a Moisés: “Não podes contemplar minha face a sobreviver.”
  • Mas, embora a visão do Pai Divino queime os mortais com Fogo, o Filho Divino pode ser evocado familiarmente por meio dos ritos apropriados – as Bacanálias, no caso do Filho de Zeus, e a Eucaristia, no caso do Filho de Jehovah. Vemos, assim, que existe uma forma inferior de manifestação, que “nos mostra o Pai”, mas esse rito deve sua validade apenas ao fato de que deriva sua Inteligência fulminadora, seu Manto Interno de Glória, do Pai, Chokmah.

II

  • O grau de iniciação correspondente a Chokmah é o do Mago, a as armas mágicas atribuídas a esse grau são o falo e o Manto Interno da Glória. Esses símbolos têm um significado microcósmico ou psicológico, assim como um significado macrocósmico ou místico. O Manto Interno da Glória significa seguramente a Luz Interna que ilumina todos os homens que vêm ao mundo – a visão espiritual por meio da qual o místico discerne as coisas espirituais, a forma subjetiva da Inteligência Iluminadora a que se refere o Texto Yetzirático.
  • O falo ou lingam é uma das armas mágicas do iniciado que opera o grau de Chokmah. O conhecimento do significado espiritual do sexo a do significado cósmico da polaridade diz respeito a esse grau. Aquele que é capaz de compreender o aspecto mais profundo das coisas místicas a mágicas não pode deixar de perceber o fato de que, na compreensão desse poder tremendo a misterioso (que chamamos sexo em uma de suas manifestações), reside a chave de muitas coisas. Não é por acaso que as imagens sexuais invadem as visões do vidente, desde o Untico dos Cânticos até O Castelo Interior.
  • Não se deve deduzir do que antecede que advogo ritos orgiásticos como Caminho de Iniciação; mas posso dizer claramente que sem a correta compreensão do aspecto esotérico do sexo o Caminho é um beco sem saída. Freud falou a verdade à sua geração quando apontou o sexo como a chave da psicopatologia; mas ele errou, em minha opinião, quando o transformou na única chave da multiforme alma humana. Assim como não pode haver saúde da subconsciência sem harmonia da vida sexual, não pode haver operação positiva ou dinâmica no plano da superconsciência sem a correspondente compreensão a observação das leis da polaridade. Para muitos místicos que buscam refúgio da matéria no espírito, essas palavras poderão parecer duras, mas a experiência provará que elas traduzem a verdade; por conseguinte, é preciso dizê-las, embora isso não suscite muitos agradecimentos.
  • O tremendo fluxo descendente da força Chokmah evocada por meio do Nome Divino de Quatro Letras vai do Yod macrocósmico ao Yod microcósmico, sendo, então, sublimado. Se a mente subconsciente não estiver livre de dissociações a repressões, a todas as partes da multiforme natureza humana não estiverem coordenadas a sincronizadas, as reações a os sintomas patológicos serão o resultado desse fluxo descendente. Isso não significa que o invocador de Zeus é necessariamente um adorador de Priapo, mas significa, isto sim, que nenhum homem pode sublimar uma dissociação. Quando o canal está livre de obstruções, a força descendente pode voltear o nadir a transformar-se numa força ascendente, a qual pode ser dirigida para qualquer esfera ou transformar-se no canal que desejarmos; mas, queiramos ou não, essa força assumirá necessariamente a direção descendente antes de tomar-se ascendente e, a menos que os nossos pés estejam firmemente plantados na terra elemental, rebentaremos como velhos odres de vinho.
  • Os ocultistas práticos sabem que Freud falou a verdade, embora não toda a verdade, mas não ousam afirmá-lo, por medo de serem acusados de adoração do falo a de práticas orgiásticas. Essas coisas têm seu lugar, embora não no Templo do Espírito Santo, a negar-lhe o seu lugar é uma loucura pela qual a era vitoriana pagou bem caro com uma rica colheita de psicopatologia.
  • Quando operamos dinamicamente em qualquer plano, nós o fazemos no Pilar Direito da Árvore, derivando nossa energia primária da força Yod de Chokmah. A esse respeito, devemos nos referir ao fato de que a correspondência microcósmica de Chokmah se estabelece com o lado direito da face. As correspondências macrocósmicas a microcósmicas exercem um papel importante nos trabalhos práticos. O Macrocosmo, ou Grande Homem, é, naturalmente, o próprio universo; e o microcosmo é o homem individual. O homem é o único ser cuja natureza, quádrupla, corresponde exatamente aos níveis do cosmo. Os anjos carecem dos planos inferiores, a os animais carecem dos planos superiores.
  • As referências so microcosmo não devem ser tomadas literalmente em relação às panes do corpo físico; as correspondências referem-se à aura a às funções das correntes magnéticas na aura, a devemos ter sempre em mente, como afirma Swami Vivelcananda, que o que está à direita no macho está à esquerda na fêmea. Além disso, deve-se lembrar que o que é positivo no plano físico é negativo no plano astral; é positivo novamente no piano mental a negativo no plano espiritual, como o indicam as serpentes gêmeas branca a preta do caduceu de Mercúrio. Se colocarmos esse caduceu sobre a Árvore quando pretendermos com ela representar os Quatro Mundos dos cabalistas, formaremos um hieróglifo que revela as operações da lei da polaridade em relação aos pianos. Esse é um hieróglifo muito importante, que fornece aspectos interessantíssimos à meditação.
  • Decorre então que, estando a alma numa encarnação feminina, funcionará ela negativamente em Assiah a Briah, mas positivamente em Yetzirah a Atziluth. Em outras palavras, uma mulher é física a mentalmente negativa, mas psíquica a espiritualmente positiva, sucedendo o contrário no homem. Nos iniciados, contudo, há um considerável grau de compensação, pois cada um aprende a técnica tanto dos métodos psíquicos positivos quanto negativos. A Centelha Divina, que é o núcleo de toda alma viva, é, naturalmente, bissexual, contendo as raízes de ambos os aspectos, como ocorre com Kether, à qual corresponde. Nas almas altamente desenvolvidas, o aspecto compensador está desenvolvido pelo menos até certo ponto. A mulher puramente feminina e o homem puramente masculino estão hipersexualizados, a julgar pelos padrões civilizados, a só podem encontrar um lugar apropriado nas sociedades primitivas, onde a fertilidade é a primeira exigência que a sociedade faz às mulheres, e a caça e a guerra são a ocupação constante dos homens.
  • Isso não significa, contudo, que as funções físicas dos sexos estão pervertidas no iniciado, ou que a configuração de seu corpo apresente qualquer modificação. A ciência esotérica ensina que a forma física e o tipo racial que a alma assume em cada encarnação são determinados pelo destino, ou Carma, a que a vida deve ser vivida de acordo com isso. É muito arriscado para nós introduzir mudanças em nosso tipo, racial ou físico, a deveríamos sempre aceitá-lo como a base de nossas operações, a escolher nossos métodos de acordo com ele. Há certas operações a certas atividades numa loja para as quais o veículo masculino é mais apropriado do que o feminino e, quando é preciso realizar trabalhos práticos numa cerimônia, os oficiantes são selecionados por seu tipo; mas, quando se trata de realizar os rituais referentes ao treinamento de um iniciado, é costume deixar que cada um se ocupe dos diferentes ofícios para que possam aprender a manipular os dife. rentes tipos de força e, assim, alcançar o equilíbrio.
  • Benjamin Kidd, em seu estimulante livro, Lhe Science of Power, assinala que o tipo superior do ser humano se aproxima ao da criança. Observamos que o tamanho de sua cabeça é relativamente grande em comparação com o peso do corpo, a que as características sexuais secundárias não estão presentes. Encontramos a mesma tendência, de uma forma modificada, no adulto civilizado. O tipo superior de homem não é um gorila hirsuto, nem é o tipo superior de mulher um mamífero exagerado. A tendência da evolução na civilização é para uma aproximação do tipo entre os sexos no que diz respeito às características sexuais secundárias. Que porcentagem de varões civilizados poderia deixar crescer uma barba realmente patriarcal? O caráter sexual primário, contudo, precisa manter-se integralmente ou a raça perecerá rapidamente; a não temos razão alguma para acreditar que esse seja o caso, mesmo entre nossos mais modernos epicenos, que enchem as cortes de divórcio com abundantes evidências de sua transbordante filoprogenitividade.
  • Podemos entender melhor essas coisas se as “colocarmos sob a Árvore”. Os dois Pilares, o positivo sob Chokmah e o negativo sob Binah, correspondem, respectivamente, ao Ida a ao Pingala dos sistemas da ioga. Essas duas correntes magnéticas, que correm na aura paralelamente à espinha, chamam-se correntes do Sol a da Lua. Numa encarnação masculina, trabalhamos predominantemente com a corrente do Sol, a fertilizadora; numa encarnação feminina, trabalhamos predominantemente com as forças da Lua. Se desejamos operar com o tipo de força oposto àquele com que somos naturalmente dotados, temos de fazê-lo utilizando nosso modo natural como base de operação e, por assim dizer, fazê-lo “por tabela”. O homem que deseja utilizar as forças da Lua emprega algum artifício que lhe possibilite obter, por reflexo, a força lunar; e a mulher que deseja utilizar as forças solares emprega um artifício pelo qual é capaz de focalizá-las em si mesma a refleti-las. No plano físico, os sexos se unem, e o homem gera um filho na mulher, aproveitando-se dos poderes lunares de que esta dispõe. A mulher, por outro lado, desejando a criação a sendo incapaz de realizá-la por si própria, seduz o homem por meio de seus desejos, até que este lhe derrame sua força solar, fecundando-a.
  • Nas operações mágicas, o homem e a mulher que deseja operar com a força oposta à de seu veículo físico (e essa operação é parte integrante da rotina do treinamento oculto) eleva o nível de consciência para o piano no qual se acha a polaridade necessária a passa a operar desse plano. O sacerdote de Osíris emprega às vezes os espíritos elementais para suplementar sua polaridade, e a sacerdotisa de Ísis invoca as influências angélicas.
  • Como toda manifestação se produz por meio dos pares de opostos, o princípio da polaridade está implícito não apenas no macrocosmo, mas também no microcosmo. Compreendendo tal princípio a sabendo aproveitar as possibilidades por ele concedidas, seremos capazes de elevar nossos poderes naturais a um nível muito acima do normal; poderemos utilizar o meio ambiente como uma rampa de empuxo, descobrindo a poderosa força de Chokmah nos livros, em nossa tradição racial, em nossa religião, em nossos amigos a colegas; poderemos receber de todos eles o estímulo que nos fecunda a nos toma mental, emocional a dinamicamente criativos. Fazemos o nosso meio ambiente exercer o papel de Chokmah para nosso Binah. Da mesma maneira, podemos exercer o papel de Chokmah para o Binah do meio ambiente. Nos planos sutis, a polaridade não é fixa, mas relativa; o que é mais poderoso do que nós é positivo para nós, tomando-nos comparativamente negativo; o que é menos poderoso do que somos em qualquer aspecto é negativo para nós, a podemos assumir comparativamente o papel positivo. Essa polaridade fluídica, sutil a flutuante constitui um dos aspectos mais importantes dos trabalhos práticos; se a compreendermos a formos capazes de aproveitá-la, poderemos fazer coisas notáveis, estabelecendo nossas vidas a nossas relações com nosso meio ambiente em bases completamente diferentes.
  • Devemos aprender a discernir quando podemos funcionar como Chokmah a produzir feitos no mundo; a quando podemos atuar melhor como Binah, a fazer o nosso meio ambiente fertilizar-nos, de modo a nos tomarmos produtivos. Jamais devemos esquecer que a autofertilização envolve a esterilidade em poucas gerações, a que precisamos sempre ser fertilizados pelo meio no qual estamos trabalhando. É preciso haver um intercâmbio de polaridade entre nós a tudo o que nos propomos a fazer, a devemos estar sempre alerta para descobrir as influências polarizantes, seja na tradição, ou nos livros, seja nos colegas que operam no mesmo campo, ou mesmo na própria oposição a antagonismo dos inimigos; pois há tanta força polarizante num ódio sincero quanto no amor, quando sabemos utilizá-la. Precisamos ter estímulos se desejamos criar alguma coisa, mesmo que esta se resuma a viver uma vida útil. Chokmah é o estímulo cósmico. Tudo que estimula é atribuído a Chokmah, na classificação da Árvore. Os sedativos são atribuídos a Binah. Compreenderemos melhor esse princípio de polaridade cósmica quando estudarmos Binah, a Terceira Sephirah, pois é muito difícil compreender as implicações de Chokmah sem as relacionar ao seu oposto polarizante, com o qual ela sempre funciona. Por conseguinte, não prosseguiremos nosso estudo da polaridade no presente capítulo, concluindo nosso exame de Chokmah com o estudo das cartas que lhe são atribuídas no Tarô. Retomaremos nossa investigação sobre esse tema tão significativo quando Binah nos proporcionar mais dados.

III

  • Como observamos no capítulo sobre Kether, os quatro naipes do baralho do Tarô são atribuídos aos quatro elementos, a vimos que os quatro ases representavam as raízes dos poderes desses elementos. Os quatro dois são atribuídos a Chokmah, a representam o funcionamento polarizado desses elementos em equilíbrio harmônico; por conseguinte, um dois é sempre uma carta de harmonia.
  • O Dois de Paus, que é atribuído ao elemento Fogo, chama-se Senhor do Domínio. O pau é essencialmente um símbolo fálico masculino, e é atribuído a Chokmah, de modo que podemos interpretar essa carta como referência à polarização – o positivo que encontrou seu parceiro no negativo a está em equilíbrio. Não há antagonismo ou resistência ao Senhor do Domínio, a um reino contente aceita o seu governo; Binah, satisfeita, aceita seu parceiro.
  • O Dois de Copas (Agua) chama se Senhor do Amor; temos aqui, novamente, o conceito da polarização harmoniosa.
  • O Dois de Espadas (Ar) chama-se Senhor da Paz Restaurada, indicando que a força destrutiva das espadas está em equilrôrio temporário.
  • O Dois de Ouros (Terra) chama-se Senhor da Mudança Harmoniosa. Aqui, como nas Espadas, vemos a natureza essencial da força elemental modificada por seu oposto polarizante, indicando, assim, o equilíbrio. A força destrutiva de Espadas retoma à paz, e a inércia e a resistência da Terra tomam-se, quando polarizadas pela influência de Chokmah, um ritmo equilibrado.
  • Essas quatro cartas indicam a força Chokmah na polaridade, isto é, o equilíbrio essencial do poder, tal como este se manifesta nos Quatro Mundos dos cabalistas. Quando surgem na adivinhação, elas indicam poder em equilíbrio. Não traduzem, porém, uma força dinâmica, como se poderia esperar em relação a Chokmah, pois Chokmah, sendo uma das Sephiroth Supremas, apresenta força positiva nos planos sutis e, consequentemente, nos planos da forma. O aspecto negativo de uma força dinâmica é representado pelo equilíbrio – polaridade. O aspecto negativo de um poder negativo é representado pela destruição, como podemos observar no hieróglifo de Kali, a terrível consorte de Siva, cingida de crânios a dançando sobre o corpo de seu esposo.
  • Esse conceito dá-nos uma chave para outro dos muitos problemas da Árvore – a polaridade relativa das Sephiroth. Como já se observou anteriormente, cada Sephirah é negativa em sua relação com a Sephirah que lhe é superior a da qual recebe o influxo das emanações, a positiva em relação àquela que lhe é inferior, que procede dela, a em relação à qual representa o papel de emanadora. Alguns dos pares de Sephiroth têm, contudo, uma natureza mais definitivamente positiva ou mais definitivamente negativa. Por exemplo, Cholanah é Positiva positiva a Binah é Negativa positiva. Chesed é Positiva negativa, a Binah Negativa negativa. Netzach (Vênus) a Hod (Mercúrio) são hermafroditas. Yesod (Lua) é Negativa positiva a Malkuth (Terra) é Negativa negativa. Nem Kether nem Tiphareth são predominantemente masculinas ou femininas. Em Kether, os pares de opostos estão em estado de Iatência a ainda não se manifestaram; em Tiphareth, eles estão em perfeito equilíbrio.
  • Há dois meios pelos quais a transmutação pode ser efetuada na Árvore; a esses são indicados por dois dos hieróglifos que se superpõem sobre os Sephiroth; um deles é o feróglifo dos Três Pilares, e o outro é o Hieróglifo do Relâmpago Brilhante. Os Pilares já foram descritos; o Relâmpago Brilhante indica simplesmente a ordem de emanação das Sephiroth, que ziguezagueia de Chokmah a Binah a de Binah a Chesed, para a frente a para trás, através da Árvore. Se a transmutação ocorre de acordo com o Relâmpago Brilhante, a força altera seu tipo; se ocorre de acordo com os Pilares, ela permanece do mesmo tipo, mas num arco superior ou inferior, de acordo com o caso.
  • Esse ponto pode parecer muito complexo e abstrato, mas os exemplos servirão para demonstrar-lhe a simplicidade e a praticidade, quando o compreendemos bem. Tomemos o problema da sublimação da força sexual, que tanto preocupa os psicoterapeutas, e a respeito do qual, embora falando muito, eles dizem tão pouco. Em Malkuth, que no microcosmo é o corpo físico, a força do sexo se expressa em termos de óvulo a espermatozóide; em Yesod, que é o duplo etéreo, ela se expressa em termos de força magnética, a respeito da qual nada sabe a psicologia ortodoxa, mas sobre a qual temos muito a dizer sob o cabeçalho da Sephirah correspondente. Hod e Netzach estão no plano astral; em Hod a força do sexo se expressa em imagens visuais e, em Netzach, num tipo diverso de magnetismo, mais sutil, popularmente referido como “aquele algo”. Em Tiphareth, o Centro Cristológico, a força torna-se inspiração espiritual, iluminação, influxo oriundo da consciência superior. Se é de tipo positivo, ela se toma inspiração dionísica, inebriação divina; se é negativa, toma-se o amor cristão impessoal a harmonizador.
  • Quando a transmutação é operada nos Pilares, ficamos impressionados com a verdade da irônica frase francesa Plus ça change, plus c’est la Wme chose. Chokmah, dinamismo puro, estímulo puro sem expressão formada, toma-se, em Chesed, o aspecto ediflcador a organizador da evolução; anabolismo, em oposição ao catabolismo de Geburah. Em Chesed, a força Chokmah toma-se essa forma peculiarmente sutil de magnetismo que concede o poder de liderança e é a raiz da grandeza. Assim também, no Pilar Esquerdo, a força restritiva de Binah toma-se a força destrutiva de Geburah, e novamente a produtora de imagens mágicas, Mercúrio-Hermes-Thoth.
  • De tempos em tempos, os símbolos da ciência oculta transpiraram para o conhecimento popular, mas o não-iniciado não compreendeu o método de dispor esses símbolos num padrão como o da Árvore, nem soube aplicar-lhe os princípios alquímicos da transmutação a destilação, que é onde residem os segredos reais de sua utilização.

BINAH, A TERCEIRA SEPHIRAH

  • Título: Binah, Entendimento, (Em hebraico: Beth, Yod, Nun, Hé.)
  • Imagem Mágica: Uma mulher madura. Uma matrona.
  • Localização na Árvore: No topo do Pilar da Severidade, no Triângulo Supremo.
  • Texto Yetzirático: A Terceira Inteligência chama-se Inteligência Santificadora, Fundamento da Sabedoria Primordial; chama-se também Criadora da Fé, a suas raízes são o Amém. É a mãe da fé, a fonte de onde emana a fé.
  • Tftulos Conferidos a Binah: Ama, a Mãe estéril obscura. Aima, a Mãe fértil brilhante. Khorsia, o Trono. Marah, o Grande Mar.
  • NomeDivino: Jehovah Elohim.
  • Arcanjo: Tzaphkiei.
  • Coro Angélico: Aralim, Tronos.
  • Chakra Cósmico: Shabbathai, Saturno.
  • Experiência Espiritual: A visão da dor.
  • Virtude: O silêncio.
  • Yício: A avareza.
  • Correspondência no Microcosmo: O lado direito do rosto.
  • Stmbolos: O yoni. O Kteis. A Vesica Piscis. A taça ou o cálice. O Manto Extemo do Ocultamento.
  • Cartas do Taró: Os quatro três: 7Yês de Paus: força estabelecida; Três de Copas: abundância; Três de Espadas: dor; Três de Ouros: trabalhos materiais.
  • Cor em Atziluth: Carmesim. ,O• Cor em Briah: Negro.
  • Cor em Yetzirah: Marrom-escuro.
  • Cor em Assiah: Cinza salpicado de rosa.

I

  • Binah é o terceiro membro do Triângulo Supremo, e a tarefa de explicá-la será, ao mesmo tempo, extensa a simples, porquanto podemos estudá-la à luz de Cholcmah, que a equilibra no Pilar oposto da Árvore. Jamais poderemos entender uma Sephirah se a considerarmos em separado de sua posição na Árvore, uma vez que essa posição lhe indica as relações cósmicas; vemo-la em perspectiva, por assim dizer, a podemos deduzir donde provém e para onde vai, que influências intervêm em sua criação, a qual a sua contribuição para o esquema das coisas como um todo.
  • Binah representa a potência feminina do universo, assim como Chokmah representa a masculina. Como já observamos, são Positiva a Negativa; Força a Forma. Cada uma encabeça o seu Pilar, Chokmah no topo do Pilar da Misericórdia a Binah no topo do Pilar da Severidade. Poder-se-ia pensar que essa distribuição é antinatural; que a Mãe deveria presidir a misericórdia, e a força masculina do universo, a severidade. Mas não devemos sentimentalizar essas coisas. Estamos tratando de princípios cósmicos, não de personalidades; e mesmo os símbolos pelos quais eles são apresentados dão-nos boas indicações, se temos olhos para ver. Freud não teria discordado da atribuição de Binah ao topo do Pilar da Severidade, pois ele tinha muitas coisas a dizer sobre a imagem da Mãe Terrível.
  • Kether, Eheieh, Eu Sou, é puro ser, onipotente, mas não ativo; quando um fluxo de atividade emana dele, chamamos essa atividade de Chokrnah; é esse fluxo descendente de atividade pura que constitui a força dinâmica do universo, a toda força dinâmica pertence a essa categoria.
  • Devemos lembrar que as Sephiroth são estados, não lugares. Sempre que existe um estado de ser puro a incondicionado, sem partes ou atividades, esse estado se refere a Kether. Portanto é nesses dez escaninhos de nosso fichário metafísico que podemos classificar as ideias relativas a todo o universo manifesto, sem precisar remover qualquer objeto, tal como surge à nossa compreensão, do lugar que ocupa. Em outras palavras, sempre que tivermos energia pura em funcionamento, saberemos que a força subjacente pertence a áokmah; podemos ver, desse modo, a identidade intrínseca, quanto ao tipo, de todos esses fenômenos, os quais, à primeira vista, parecem não apresentar nenhum vínculo mútuo, pois aprendemos, graças ao método cabalístico, a referi-los, de acordo com o seu tipo, às diferentes Sephiroth, podendo assim correlacioná-los com todas as classes de ideias cognatas, de acordo com o sistema de correspondências já explicado anteriormente. Esse é o método que a mente subconsciente segue automaticamenie; cabe ao ocultista treinar sua mente consciente na utilização desse mesmo método. Podemos notar, a propósito, que esse método é sempre empregado quando os indivíduos operam diretamente do subconsciente, como ocorre no gênio artístico, no lunático, a durante os sonhos ou o trance.
  • Pode parecer estranho ao leitor que essa digressão a respeito de Chokmah seja incluída sob o cabeçalho de Binah, mas é apenas à luz de sua polaridade com Chokmah que podemos compreender Binah; e, igualmente, teríamos muito mais a acrescentar à nossa explicação de Chokmah agora que tomamos Binah para compará-la. Os membros dos pares de opostos se esclarecem mutuamente, a são incompreensíveis quando estudados em separado.
  • Mas voltemos a Binah. Os cabalistas afirmam que ela é emanada por Chokmah. Traduzamos essa afirmativa em outros termos. Reza uma máxima oculta – que é, como acredito, confirmada pelas pesquisas de Einstein, embora eu não tenha o conhecimento necessário para relacionar suas descobertas com as doutrinas esotéricas – que a força jamais se move numa linha reta, mas sempre numa curva tão vasta quanto o universo, retomando eventualmente, por conseguinte, ao ponto de onde proveio, mas num arco superior, visto que o universo progride continuamente. Segue-se, portanto, que a força que assim procede, dividindo-se a redividindo-se a movendo-se em ângulos tangenciais, chegará eventualmente a um estado de tensões equilibradas e a alguma forma de estabilidade – estabilidade que será outra vez perturbada no curso do tempo quando novas forças frescas emanarem na manifestação a introduzirem novos fatores para propiciar o necessário ajustamento.
  • É esse estado de estabilidade – produzido pelas forças inter atuantes quando agem a reagem a chegam a um equilíbrio – que é a base da forma, como é exemplificado no átomo, que é nada mais nada menos do que uma constelação de elétrons, cada um dos quais é um vórtice ou um remoinho. É a estabilidade assim obtida – a qual, note-se, é uma condição a não uma coisa em si – que os cabalistas chamam de Binah, a Terceira Sephirah. Sempre que existe um estado de tensões interatuantes que produzem a estabilidade, os cabalistas referem esse estado a Binah. Por exemplo, o átomo, sendo, para todos os propósitos práticos, a unidade estável do plano físico, é uma manifestação do tipo de força Binah. Todas as organizaçôes sociais sobre as quais pesa opresssivamente a mão morta da estagnação, tal como a civilização chinesa antes da revolução, ou nossas velhas universidades, estão sob a influência de Binah. A Binah atribui-se o deus grego Kronos (que não é outro senão o Pai do Tempo) e o deus humano Saturno. Observe-se a importância atribuída ao tempo, em outras palavras, à idade, nas instituições de Binah; só os cabelos grisalhos são dignos de reverência; a capacidade por si só conta muito pouco. Ou seja, apenas aqueles que são congeniais a Kronos podem obter sucesso em tal ambiente.
  • Binah, a Grande Mãe, chamada às vezes de Marah, o Grande Mar, é, naturalmente, a Mãe de Toda Vida. Ela é o útero arquetípico por meio do qual a vida vem à manifestação. Tudo que fornece uma força para servir a vida como um veículo provém dela. Devemos lembrar, contudo, que a vida confinada numa força, embora seja capaz de organizar-se a desenvolver-se, é muito menos livre do que era quando ilimitada (embora também desorganizada) em seu próprio plano. Incorporar-se numa forma é, por conseguinte, o início da morte da vida. É uma limitação a um encarceramento; uma sujeição a uma constrição. A forma limita a vida, aprisiona-a, mas, não obstante, permite-lhe organizar-se. Visto desse ponto de vista da força livre, o encarceramento numa forma é extinção. A forma disciplina a força com uma severidade sem misericórdia.
  • O espírito desencarnado é imortal; não há nada nele que possa envelhecer ou morrer. Mas o espírito encarnado vê a morte no horizonte tão logo o dia nasce. Podemos compreender, portanto, quão terrível deve parecer a Grande Mãe quando aprisiona a força livre na disciplina da forma. Ela é morte para a atividade dinâmica de Chokmah; a força Chokmah morre quando conflui para Binah. A forma é a disciplina da força; por conseguinte, é Binah a cabeça do Pilar da Severidade.
  • Podemos conceber, assim, que a primeira Noite Cósmica tenha ocorrido – primeiro Pralaya, ou submersão da manifestação no repouso quando o Triângulo Supremo encontrou estabilidade a equilíbrio de força na emanação a organização de Binah. Tudo era dinâmico antes, tudo era desenvolvimento a expansão; mas, com o início da manifestação do aspecto Binah, houve um entravamento a uma estabilização, e o antigo fluxo dinâmico a livre se deteve.
  • Que esse entravamento – e a consequente estabilização – era inevitável num universo cujas linhas de força sempre se movem em curvas, eis uma conclusão inevitável. Se compreendermos que o estado Binah era a consequência inevitável do estado Chokmah num universo curvilíneo, entenderemos por que o tempo deve passar por épocas nas quais ou Binah ou Chokmah tem o predomínio. Antes de as linhas de forças terem completado seu circuito no universo manifesto a começado a retomar sobre si mesmas a entrelaçar-se, tudo era Chokmah, dinamismo irrestrito. Depois que Binah e Chokmah, como primeiro par de opostos, encontraram o equilíbrio, tudo era Binah, e a estabilidade era imutável. Mas Kether, o Grande Emanador, continua a manifestar o Grande Imanifesto; a força flui no universo, aumentando a soma da força. Este fluxo de força rompe o equilíbrio a que se havia chegado quando Chokmah e Binah atuaram, reatuaram a se detiveram. A ação e a reação começam novamente, e a fase Chokmah, uma fase na qual predomina a força completa, se sobrepõe à condição estática que é Binah, e o ciclo prossegue novamente quando Kether, o emanador incessante, quebra o equilíbrio em favor do princípio cinético que se opõe ao princípio estático.
  • Vemos, assim, que, se Kether, a força de todos os seres, é concebida como o supremo bem, como de fato deve ser, a que, se a natureza de Kether é cinética, e a sua influência se inclina inevitavelmente para Chokmah, segue-se obrigatoriamente que Binah, o oposto de Chokmah, o opositor perpétuo dos impulsos dinâmicos, seja vista como o inimigo de Deus, o demônio. Saturno-Satã é uma transição fácil; assim como Tempo-Morte-Demônio. Nas religiões ascéticas como o Cristianismo e o Budismo, encontra-se implícita a ideia de que a mulher é a raiz de todo o mal, porque ela é a influência que sujeita o homem, por seus desejos, a uma vida de forma. A matéria constitui, para ambas as fés, a antinomia do espírito, numa dualidade eterna não-resolvida. O Cristianismo reconhece prontamente a natureza herética dessa crença quando ela lhe é apresentada sob a forma do Antinomianismo; mas não compreende que seus próprios ensinamentos a sua prática são igualmente anti nomianistas quando concebe a matéria como o inimigo do espírito, acreditando que, como tal, ela deve ser vencida a ultrapassada. Essa crença infeliz causou tantos sofrimentos humanos nos países cristãos quanto a guerra a as pestes.
  • A Cabala ensina uma doutrina mais sábia. Para ela, todas as Sephiroth são sagradas, tanto Malkuth quanto Kether, tanto Geburah, o destruidor, quanto Chesed, o preservador. Ela reconhece que o ritmo é a base da vida, não um progresso com um único movimento para a frente. Se compreendêssemos melhor esse aspecto, evitaríamos muitos sofrimentos, pois contemplaríamos as fases Chokmah a Binah como fases mutuamente sucessivas, tanto em nossas vidas como nas vidas das naçôes, a compreenderíamos o profundo significado das palavras de Shakespeare, quando diz:

“Lhere is a tide in lhe affairs of men

which taken at lhe flood leads on lhe fortune. “

[Existe uma maré nos assuntos dos homens

Que, se aproveitada quando sobe, conduz à ventura.]

  • Binah é a raiz primordial da matéria, mas o pleno desenvolvimento da matéria só pode ser obtido depois que alcançamos Malkuth, o universo material. Veremos repetidamente, no curso de nossos estudos, que as Três Supremas têm suas expressões especializadas num arco inferior em uma ou outra das seis Sephiroth que formam o Microprosopos. Essas Esferas têm suas raízes na Tríade Superior, ou são os reflexos delas, a essas pistas têm um significado profundo. Binah vincula-sea Malkuth como a raiz ao seu fruto. Isso é indicado no Texto Yetzirático de Malkuth, que diz: “Ela sentava-se no trono de Binah.” É impraticável, por essa razão, atribuir firme a seguramente os deuses de outros panteões às diferentes Sephiroth. Aspectos de Ísis encontram-se em Binah, Netzach, Yesod a Malkuth. Aspectos de Osíris encontram-se em Chokmah, Chesed a Tiphareth. Isso é muito claro na mitologia grega, em que se dão diferentes títulos descritivos aos deuses e deusas. Por exemplo, Diana, a divindade lunar, a caçadora virgem, era adorada em Éfeso como a deusa de muitos seios; Vênus, a deusa da beleza feminina a do amor, tinha um templo em que era adorada como a Vênus Barbada. Esses fatos ensinam-nos algumas verdades importantes, instando-nos a buscar o princípio atrás da manifestação multiforme, e a compreender que o mesmo princípio assume formas diferentes em níveis diferentes. A vida não é tão simples como o desinformado gostaria de acreditar.

II

  • O significado dos nomes hebraicos da segunda e da terceira Sephiroth são Sabedoria a Entendimento, a ambas as Esferas, curiosamente, opõem-se uma a outra, como se a distinção entre os termos fosse de importância fundamental. A Sabedoria sugere às nossas mentes a ideia do conhecimento acumulado, das séries infinitas de imagens na memória; mas o Entendimento comunica-nos a ideia da penetração de seu significado, o poder para perceber-lhes a essência e a inter-relação, o que não está necessariamente implícito na Sabedoria, tomada como conhecimento intelectual. Obtemos, assim, um conceito de uma série extensa, uma cadeia de ideias associadas, em relação a Chokmah, o que concorda pelo menos com o símbolo de Chokmah de uma linha reta. Mas, em relação ao Entendimento, temos a ideia da síntese, da percepção de significados que se produz quando as ideias são relacionadas umas às outras, a super impostas umas sobre as outras, em séries evolutivas do denso ao sutil. Isso sugere novamente a ideia do princípio unificador de Binah.
  • Estes são meios sutis da operação mental, a podem parecer fantásticos àqueles que não estão acostumados com o método de utilização mental do iniciado; mas o psicanalista os compreende a os aprecia em seu verdadeiro significado, assim como faz o poeta quando constrói suas torres nefelibatas de imagens.
  • O Texto Yetzirático destaca a ideia da fé, a fé que reside no entendimento, o qual, por sua vez, é filho de Binah. Esse é o único local em que a fé pode repousar adequadamente. Um cínico definiu a fé como o poder de acreditar naquilo que sabemos não ser verdade, a essa parece ser uma definição bastante exata das manifestações de fé tal como aparecem em muitas mentes não-instruídas, fruto da disciplina de seitas carentes de consciência mística. Mas à luz dessa consciência, podemos definir a fé como o resultado consciente da experiência superconsciente que não foi traduzida em termos de consciência cerebral, a da qual, por conseguinte, a personalidade normal não está diretamente consciente, embora, não obstante, sinta-lhe, possivelmente com grande intensidade, os efeitos, a suas reações emocionais são, dessa forma, modificadas fundamental a permanentemente.
  • À luz dessa definição, podemos ver como as raízes da fé podem de fato residir em Binah, Entendimento, o princípio sintético da consciência. Pois há um aspecto formal da consciência, assim como da substância, e consideraremos esse aspecto em detalhes quando estudarmos Hod, a Sephirah básica do Pilar da Severidade de Binah. Vemos, assim, mais uma vez, como as Sephiroth se inter-relacionam, propiciando o esclarecimento de suas vinculações mútuas.
  • A afirmação de que as raízes de Binah estão em Amém refere-se a Kether, pois um dos títulos de Kether é Amém. Isso indica claramente que, embora Chokmah emane Binah, não devemos nos deter aqui quando buscamos as origens, mas devemos remontar à fonte de tudo que brota do Imanifesto atrás dos Véus da Existência Negativa. Esse conceito é claramente formulado pelo Texto Yetzirático de Chesed, que, falando das forças espirituais, diz: “Elas emanam uma da outra, em virtude da emanação primordial, a coroa superior, Kether.”
  • Não devemos nos confundir ou nos enganar a esse respeito pelo fato de o Texto Yetzirático de Geburah declarar que Binah, o Entendimento, emana das profundezas primordiais de Chokmah, Sabedoria. Binah está em Kether, assim como em Chokmah, “mas de outra maneira”. No ser puro, informe a indiviso existem as possibilidades da força a da forma; pois, onde há um pólo positivo, há necessariamente o aspecto correlato de um pólo negativo. Kether está para sempre num estado de devir. Aliás, um cabalista judeu me disse que a tradução correta de Eheieh, o Nome divino de Kether, é “Eu serei”, não “Eu sou”. Esse devir constante não pode permanecer estático; ao contrário, precisa pôr-se em atividade; a essa atividade não pode permanecer para sempre sem correlações; ela precisa organizar-se; cumpre chegar a um modo de equilíbrio entre as correntes. Temos, assim, a potencialidade tanto de Chokmah quanto de Binah implícita em Kether, pois, é bom repetir, as Sephiroth Sagradas não são coisas, mas estados, e todas as coisas manifestas existem em um ou outro desses estados, a contêm uma mescla desses fatores em sua constituição, de modo que todo o universo manifesto pode ser classificado nos escaninhos apropriados de nossa mente quando o hieróglifo da Árvore é aí estabelecido. Na verdade, uma vez estabelecido a claramente formulado esse hieróglifo, a mente o utiliza automaticamente, a os complexos fenômenos de existência objetiva classificam-se em nosso entendimento. É por essa razão que o estudante de ocultismo que trabalha numa escola iniciática é instado a memorizar as principais correspondências das Dez Sephiroth Sagradas e a não depender das tabelas de referência. Muitas vezes já se objetou que isso é uma intolerável perch de tempo a energia, a que a referência às tabelas de correspondências, tais como a de 777, de Crowley, é muito melhor. Mas a experiência prova que esse não é o caso, a que o esoterista que se dedica a essa disciplina, e a repete diariamente, como o católico reza o seu rosário, é amplamente recompensado pela iluminação posterior que recebe quando sua mente classifica as inumeráveis mudanças a acasos da vida mundana na Árvore, revelando, assim, o seu significado espiritual. Deve-se ter sempre em mente que a utilização da Árvore da Vida não é apenas um exercício intelectual; é uma arte criativa, no sentido literal das palavras; a que as faculdades devem ser desenvolvidas na mente, assim como o escultor ou o músico adquire a sua habilidade manual.
  • O Texto Yetzirático refere-se especificamente a Binah como a Inteligência Santificadora. A santificação evoca a ideia do que é sagrado a posto à parte. A Virgem Maria está intimamente associada a Binah, a Grande Mãe, a dessa atribuição passamos à ideia daquilo que dá origem a tudo, mas retém a sua virgindade; em outras palavras, daquilo cuja criatividade, não o envolve na vida de sua criação, mas permanece à parte a atrás, como a base da manifestação, a substância-raiz de onde surge a matéria. Pois, embora a matéria tenha suas raízes em Binah, a matéria, não obstante, tal como a conhecemos, é de uma ordem de ser muito diferente da Sephirah Suprema em que reside sua essência. Binah, a influência primordial formativa, criadora de todas as formas, está atrás a além da substância manifesta; em outras palavras, é eternamente virgem. É a influência formativa que subjaz a toda edificação da forma, essa tendência de curvar as linhas de força para correlacionar a alcançar a estabilidade, que é Binah.
  • Essas duas Sephiroth básicas da Tríade Suprema são expressamente referidas como Pai a Mãe, Abba a Ama, a suas imagens mágicas são as de um homem barbado a de uma matrona, representando, assim, não a atração sexual de Netzach a Yesod – que são representados como donzela a adolescente -, mas os seres maduros que se uniram a reproduziram. Devemos sempre fazer uma distinção entre a atração sexual magnética e a reprodução, pois ambas são coisas muito diferentes, a não constituem níveis ou aspectos diferentes da mesma coisa. Aqui está uma importante verdade oculta que consideraremos no devido tempo.
  • Chokmah e Binah representam, portanto, a virilidade e a feminilidade essenciais em seus aspectos criadores. Como tal, não são imagens fálicas, mas nelas se acha a raiz de toda força vital. Jamais compreenderemos os aspectos mais profundos do esoterismo se não entendermos o verdadeiro significado do falicismo. Este nada tem a ver com as orgias nos templos de Afrodite, que desgraçaram a levaram à decadência a fé pagã dos antigos e causaram a sua queda; significa que tudo reside no princípio da estimulação do inerte, mas potencial pelo princípio dinâmico, que deriva sua energia diretamente da fonte de toda energia. Esse conceito abrange tremendas chaves de conhecimento, a constitui um dos pontos mais importantes dos Mistérios. É óbvio que o sexo representa um aspecto desse fator; é igualmente óbvio que há muitas outras aplicações concernentes a ele que não são sexuais. Não devemos de forma alguma permitir que nossos preconceitos sobre o sexo, ou uma atitude convencional para com esse grande a vital assunto, nos façam retroceder diante desse grande princípio da estimulação ou fecundação do inerte potencial pelo princípio ativo. Aquele que assim se inibe não está preparado para os Mistérios, sobre cujo portal estão escritas as seguintes palavras: “Conhece-te a ti mesmo.”
  • Esse conhecimento não conduz à impureza, pois a impureza implica uma perda do controle que permite às forças ultrapassarem os limites que a Natureza lhes impôs. Aquele que não controla seus próprios instintos e paixões não é mais apto para os Mistérios do que aquele que os inibe e dissocia. Fique bem claro, contudo, que os Mistérios não ensinam o ascetismo ou o celibato como um requisito, pois eles não concebem o espírito e a matéria como um par de antinomias irreconciliáveis, mas, antes, como níveis diferentes da mesma coisa. A pureza não consiste na emasculação, mas na manutenção de diferentes forças em seus níveis a lugares adequados, a no impedimento de invadirem a esfera alheia. Ela ensina que a frigidez e a impotência constituem defeitos tão sérios como qualquer outro, devendo ser consideradas como patologias sexuais, da mesma maneira que a luxúria, que destrói seu objeto e o degrada.
  • Todas as relações da existência manifesta implicam a ação dos princípios de Binah a Chokmah e, sendo o sexo uma perfeita representação de ambos, foi ele utilizado como tal pelos antigos, que não se perturbavam pela nossa timidez sobre o assunto, a tomavam suas metáforas do tema da reprodução da mesma maneira livre pela qual tomamos as nossas da Biôlia. Pois para eles a reprodução era um processo sagrado, a eles se referiam a ela, não com grosseria, a sim com reverência. Se desejamos compreendê-los, devemos nos aproximar de seus ensinamentos sobre a fonte da vida a da força vital com o mesmo espírito com que eles se aproximaram delas, a ninguém cujos olhos não estejam vendados pelo preconceito, ou que não permaneça nas trevas lançadas por seus próprios problemas irresolvidos, pode deixar de compreender que nossa atitude atual em face da vida seria mais saudável a agradável se tivesse como fermento o bom senso e o discernimento do paganismo.
  • Os princípios da masculinidade a da feminilidade manifestos em Chokmah a Binah representam mais do que mera polaridade positiva a negativa, atividade a passividade. Chokmah, o Pai Universal, é o veículo da força primordial, a manifestação imediata de Kether. É, na verdade, Kether em ação, pois as diferentes Sephiroth não representam diferentes coisas, mas diferentes funções da mesma coisa, isto é, força pura jorrando na manifestação, oriunda do Grande Imanifesto, que está atrás dos Véus Negativos da Existência. Chokmah é força pura, assim como a expansão da gasolina, quando esta se inflama na câmara de combustão de um motor, é força pura. Mas, assim como essa força expansiva se expandiria a se perderia se não houvesse um mecanismo para transmitir seu poder, da mesma forma a energia não-direcionada de Chokmah se irradiaria pelo espaço a se perderia se nada houvesse para receber seu impulso a utilizá-lo. Chokmah explode como a gasolina; Binah é a câmara de combustão; Gedulah a Geburah são os movimentos alternados do pistão.
  • A força expansiva fornecida pelo combustível é energia pura, mas náo poria um carro em movimento. A organização constritiva de Binah é potencialmente capaz de fazê-lo, mas ela não pode fazê-lo a não ser pondo-se em movimento pela expansão da energia acumulada do vapor da gasolina. Binah é potencialmente ilimitada, mas inerte. Chokmah é energia pura, ilimitada a incansável, mas incapaz de fazer qualquer coisa, exceto irradiar-se pelo espaço se nada houver que a detenha. Mas, quando Chokmah age sobre Binah, sua energia é reunida a utilizada. Quando Binah recebe o impulso de Chokmah, todas as suas capacidades latentes são vitalizadas. Em suma, Chokmah fornece a energia, a Binah fornece o motor.

III

  • Consideremos, agora, a masculinidade e a feminilidade desse par de opostos supremos, conforme se expressam no ato da geração. Os espermatozóides do macho têm uma vida brevíssima; eles são as unidades de energia mais simples possível; assim que essa energia se expande, eles se dissolvem. Mas o mecanismo reprodutor da fêmea, o útero que gera a os seios que alimentam, são capazes de conduzir essa vida transferida à sua própria vida independente; e, no entanto, todo esse complexo mecanismo deve ficar inerte até que o estímulo da força Chokmah o ponha em ação. A unidade reprodutora feminina é potencialmente ilimitada, mas inerte; a unidade reprodutora masculina é onipotente, mas incapaz de produzir um nascimento.
  • Muitas pessoas pensam que, sendo a masculinidade e a feminilidade, tal como as conhecem no plano físico, princípios fixos determinados pela estrutura, o potente e o potencial se limitam rigidamente aos seus respectivos mecanismos. Ora, isso é um erro. Existe uma contínua alternação de polaridade sobre todos os planos, exceto o físico. E, de fato, entre os tipos primitivos de vida animal, há também uma alternância de polaridade no plano físico. Entre os tipos superiores, especialmente entre os vertebrados, a polaridade é fixada pelo acaso do nascimento, salvo as anomalias hermafroditas, que só podem ser consideradas como patológicas, a em que apenas um sexo é sempre funcionalmente ativo, qualquer que seja o aparente desenvolvimento do outro aspecto. Um dos segredos mais importantes dos Mistérios consiste no conhecimento dessa contínua interação de polaridade. Não se trata, em absoluto, de homossexualidade, que é uma expressão pervertida a patológica desse aspecto, que surge como uma desordem de sentimento sexual quando a lei da polaridade alternante não é corretamente compreendida.
  • Em suma, embora o modo de reprodução no plano físico seja determinado em todos os indivíduos pela configuração de seu corpo, suas reações espirituais não são tão fixas, pois a alma é bissexual; em outras palavras, em toda relação de vida, somos às vezes positivos a às vezes negativos, conforme sejam as circunstâncias mais fortes do que nós, ou sejamos nós mais fortes do que as circunstâncias. Isso ressalta claramente do fato de que Netzach (Vênus-Afrodite) é a Sephirah basal do Pilar de Chokmah. Vemos, assim, que a natureza feminina apresenta uma polaridade diferente em níveis diferentes, pois em Netzach ela é tão positiva a dinâmica como em Binah é estática.
  • Tudo isso não é apenas desconcertante do ponto de vista intelectual, mas também muito confuso moralmente; e, mesmo sob risco de ser acusada de encorajar de todas as maneiras as anormalidades, devo tentar esclarecer o assunto, pois suas implicaçôes práticas são de grande alcance.
  • Afirmam os rabinos que toda Sephirah é negativa em relação à que lhe é superior a que a emanou, a positiva em relação à que lhe é inferior e por ela emanada. Aqui está a chave; somos negativos em nossas relações com o que apresenta um potencial superior ao nosso, a somos negativos em nossas relações com o que possui um potencial inferior. Essas relaçôes estão num perpétuo estado de futuação, o qual varia em cada ponto de nossos inúmeros contatos com o meio em que agimos.
  • Na maior parte dos casos, a relação entre um homem a uma mulher não é inteiramente satisfatória para nenhuma parte, a eles devem resignar-se a uma satisfação incompleta em suas relações sob a compulsão da pressão religiosa ou econômica, ou suprir de alguma forma a sua insatisfação, tendo como resultado a recorrência das condições anteriores, quando a novidade perdeu seu interesse. Deve-se observar que, sob tais circunstâncias, a cuhninação da satisfação sexual acha-se apenas na novidade, a esta é uma coisa que precisa ser constantemente renovada, com o conseqüente resultado desastroso para a economia sexual.
  • O problema reside no fato de que, embora o macho forneça o estímulo físico que leva à reprodução, não é ele capaz de compreender que, nos planos intemos, em virtude da lei da polaridade inversa, é negativo, dependendo, para sua consecução, do est,.mulo concedido pela fémea. Ele depende deia para a fertilidade emocional, como se pode ver claramente no caso de uma mente altamente criativa, como Wagner ou Shelley.
  • O matrimônio não é uma questâo de duas metades, mas de quatro quartos, que se unem numa harmonia equilibrada de fecundação recíproca. Binah e Chokmah são equilibrados por Hod a Netzach. O homem tem deuses a deusas para adorar. Boaz a Jakin são Pilares do Templo, a apenas quando unidos produzem a estabilidade. Uma religiáo sem deuses está a meio caminho do ateísmo. Na palavra Elohim encontramos a chave verdadeira. Elohim é traduzido por “Deus” tanto na Versão Autorizada quanto na Revisada das Sagradas Escrituras. Ela deveria ser traduzida, na verdade, por “Deus a Deusa”, pois é um substantivo feminino acrescido de uma terminação masculina de plural. Esse é um fato incontrovertível, em seu aspecto lingüístico pelo menos, e é de se presumir que os diversos autores dos livros da Bíblia conheciam seu significado, a que não utilizaram essa forma, única a peculiar, sem alguma boa razão. “E o espírito dos princípios masculino a feminino, conjunto, movia-se sobre a superfície do informe, e a manifestação teve lugar.” Se desejamos o equilrôrio, em lugar de nosso presente estado de tensôes desiguais, devemos adorar a Elohim, não a Jehovah.
  • A adoração de Jehovah, a não de Elohim, pode impedir-nos a “elevação aos planos”, isto é, a obtenção da consciência supranormal como parte de nosso equipamento normal, pois devemos estar preparados para mudar de polaridade enquanto mudamos de nível, pois o que é positivo no plano físico torna-se negativo no astral, a vice-versa. Além disso, como o trabalho oculto prático sempre invoca a utilização de mais de um plano, seja simultaneamente, como na invocação, ou sucessivamente, como quando correlacionamos os níveis de consciência segundo o trabalho psíquico, o fator negativo precisa sempre ter seu lugar em nossa obra, tanto subjetiva quanto objetivamente.
  • Isso nos abre novos aspectos do assunto. Quantas pessoas compreendem que suas próprias almas são literalmente bissexuais em si mesmas, e que os diferentes níveis de consciência agem como macho a fêmea em suas relações mútuas?
  • Freud declarou que a vida sexual determina o tipo de toda a vida. É provável, no entanto, que a vida como um todo determine o tipo da vida sexual; mas, para os propósitos práticos, sua maneira de esclarecer o fato é verdadeira, pois, embora não se possa endireitar uma vida sexual confusa operando-se sobre a vida como um todo – por exemplo, nem a riqueza nem a fama são uma compensação adequada para a repressão desse instinto fundamental -, pode-se endireitar todo o padrão vital, desemaranhando-se a vida sexual. Esse é um assunto de experiência prática a não precisa ser discutido a priori. É por essa razão, sem dúvida alguma (aprendida pela experiência prática das operações da consciência humana), que os antigos conferiam ao falicismo uma parte tão importante em seus ritos. Atualmente, ele é um ponto muito importante no aspecto cerimonial dos cultos modernos, mas o reconhecimento do significado dos símbolos empregados tradicionalmente foi reprimido pela consciência.
  • A psicologia freudiana fornece a chave para o falicismo a abre uma porta que conduz ao Adytum dos Mistérios. Não há como escapar a esse fato no ocultismo prático, por mais desagradável que possa parecer a muitos; a isso explica por que tantos empreendimentos mágicos são estéreis.
  • Esses assuntos constituem segredos recônditos dos Mistérios, dos quais os modernos perderam as chaves, mas a experiência da nova psicologia e a arte da psiquiatria provaram abundantemente a solidez da base com a qual os antigos fundamentaram sua adoração do princípio criativo a da fertWdade como parte importante de sua vida religiosa. É uma experiência já bem-estabelecida que a pessoa que dissociou seus sentimentos sexuais da consciência não pode agarrar-se à vida em qualquer nível. Esse fato é a base da moderna psicoterapia. No trabalho oculto, a pessoa inibida a reprimida tende para as formas desequilibradas de psiquismo a mediunidade, e é totalmente inútil para o trabalho mágico, onde o poder deve ser dirigido e manipulado pela vontade. Isso não significa que a total repressão ou a total expressão sejam necessária para o trabalho mágico, mas sim que a pessoa que se apartou de seus instintos, que sâo suas raízes na Mãe Terra, a em cuja consciência há, por conseguinte, um vazio, não pode abrir o canal através do qual a força, oriunda dos planos, possa ser trazida à manifestação no plano físico.
  • Não tenho dúvidas de que serei mal-interpretada por minha franqueza nesses assuntos; mas, se alguém não se adiantar a enfrentar o ódio por falar a verdade, como poderiam os verdadeiros investigadores descobrir seu caminho para os Mistérios? Deveríamos manter na loja oculta a mesma atitude vitoriana que foi abandonada por completo fora de seu recinto? Al. guém precisa quebrar esses falsos deuses feitos à imagem de Mrs. Grundy. Estou inclinada a pensar, contudo, que as perdas que poderíamos sofrer nesse assunto serão bem pequenas, pois não seria possível treinar ou cooperar com a espécie de pessoa que se assusta quando lhe falam claramente. Não se pense também que estou convidando quem quer que seja a participar comigo de orgias fálicas, como bem poderá alguém pensar. Assinalo apenas que a pessoa que não pode compreender o significado do culto fálico do ponto de vista psicológico não tem bastante inteligência para participar dos Mistérios.

IV

  • Tendo concedido um espaço considerável à elucidação do princípio de Binah em seu trabalho na polaridade com Chokmah, uma vez que não se pode compreendê-la de outra maneira, sendo ela essencialmente um princípio de polaridade, podemos considerar agora o significado do simbolismo atribuído à terceira Sephirah. Esse simbolismo apresenta dois aspectos – o aspecto da Grande Mãe e o aspecto de Saturno, pois ambas as atribuições são conferidas a. Binah. Ela é a poderosa Mãe de Todos os Viventes, e é também o princípio da morte, porquanto a forma precisa morrer quando cumpriu sua missáo. Nos planos da forma, morte a nascimento são duas faces da mesma moeda.
  • O aspecto maternal de Binah expressa-se no título de Marah, o Mar, que se lhe atribui. É um fato curioso que se represente Vénus-Afrodite nascendo da espuma do mar a que a Virgem Maria receba dos católicos o nome de Stella Mans, Estrela do Mar. A palavra Marah, que é a raiz de Maria, significa também “amargura”, e a experiência espiritual atribuída a Binah é a Visáo do Sofrimento. Uma visão que evoca a imagem da Virgem chorando aos pés da cruz, com o coração atravessado por sete punhais. Lembremos também o ensinamento de Buda, segundo o qual a vida é sofrimento. A ideia da submissão à dor e à morte está implícita na ideia da descida da vida aos planos da forma.
  • O Texto Yetzirático de Malkuth, já citado, fala do Trono de Binah. Um dos títulos conferidos à Terceira Sephirah é Khorsia, o Trono; a os anjos atribuídos a essa Sephirah chamam-se Aralim, palavra que significa também Tronos. Ora, um trono sugere essencialmente a ideia de uma base estável, um firme fundamento sobre o qual o exercitador do poder tem o seu assento a do qual não pode ser removido. É, na verdade, um bloco que suporta a ação do retrocesso de. uma força, da mesma maneira que o ombro do atirador suporta o recuo do rifle. Os grandes canhões, utilizados para disparos de longa distância, precisam ser fixados a estruturas de concreto que ofereçam resistência ao contragolpe da explosão da carga que impulsiona o projétil, pois é óbvio que a pressão na culatra do canhão deve ser igual à exercida na base do projétil quando se efetua o disparo. Essa é uma verdade que nossos credos religiosos idealizadores estão inclinados a ignorar, com o conseqüente enfraquecimento a debilitaçâo de seus ensinamentos. Binah, Marah, a matéria, é a estrutura que empresta à força vital dinámica uma base segura.
  • Da resistência à força espiritual, como já observamos, provém a ideia do mal implícito, que é tão injusta para com Binah. Isso se torna muito claro quando consideramos as ideias que surgem em associação com Saturno-Cronos. Saturno implica algo muito sinistro. Ele é o Grande Maléfico dos astrólogos, a todo aquele que encontra uma quadratura de Saturno em seu horóscopo considera-a como uma pesada aflição. Saturno é o resistente, mas, sendo um resistente, é também um estabilizador a um testador que não nos permite confiar nos’so peso àquilo que não o resistiria. É digno de nota que o Trigésimo Segundo Caminho – que conduz de Malkuth a Yesod e é o primeiro Caminho trilhado pela alma que se eleva – seja atribuído a Saturrio. Ele é o deus da forma mais antiga da matéria. O mito grego de C~os, que é simplesmente o nome grego para o mesmo princípio, considê’ia-o como um dos deuses mais velhos; ou seja, aqueles deuses que criaram os deuses. Ele é o pai de Júpiter-Zeus, o qual se salvou graças a um estratagema de sua máe, pois Saturno tinha o desagradável hábito de comer suas crianças. Encontramos nesse mito novamente a ideia do dador da vida e dá morte. Como já observamos, Saturno, com sua foice, converte-se facilmente na Morte. É muito interessante notar as reentráncias dessas cadeias de ideias associadas em relação a cada Sephirah, pois não podemos deixar de ver como as mesmas imagens afloram outra a outra vez em todas as cadeias de ideias que possuímos, mesmo quando partimos de ideias aparentemente muito divergentes como mãe, mar a tempo.
  • Cada planeta tem uma virtude a um vício; em outras palavras, cada planeta pode estar, nas palavras dos astrólogos, bem ou mal-aspectado, bem ou mal-exaltado. Não podemos passar pela vida sem notar que cada tipo de caráter tem os vícios de suas virtudes; isto é, suas virtudes, quando levadas ao extremo, tornam-se vícios. Ocorre o mesmo com as sete Sephiroth planetárias; elas têm seus bons a maus aspectos, de acordo com a proporção com que os apresentam; quando falta o equilrbrio, em razão da força desequilibrada de uma Sephirah particular, experimentamos as más influências dessa Sephirah; por exemplo, Saturno devorara seus filhosi A morte começa a destruir a vida antes que ela tenha cumprido suas funçôes. Nenhuma Sephirah, portanto, é totalmente má, nem mesmo Geburah, que é a destruição personificada. Todas são igualmente indispensáveis ao esquema das coisas como um todo, a suas boas a más influências relativas dependem do papel que desempenham, o qual não deve ser nem muito forte, nem muito débil, mas equilibrado. A pouca influência de uma dada Sephirah conduz ao desequilíbrio na Sephirah oposta. A influência em excesso torna-se uma influência positivamente má – uma dose excessiva de veneno.
  • A virtude de Binah é o Silêncio, a seu vício é a avareza. Vemos aqui, novamente, a influência de Saturno tomar-se presente. Keats fala do “Saturno de cabelos grisalhos, silencioso como uma pedra”, a nessas poucas palavras o poeta evoca uma imagem mágica da era a do silêncio primordial da influência satumiana. Saturno é de fato um dos velhos deuses a está relacionado ao aspecto mineral da Terra. Seu trono acha-se nas rochas mais antigas, onde não cresce planta alguma.
  • É costume dizer que o silêncio é uma das virtudes especialmente desejadas nas mulheres. Seja como for, a não há dúvida de que a língua é a sua arma mais perigosa, o silêncio indica receptividade. Se estamos calados, podemos ouvir, a assim aprender; mas, se estamos falando, as portas de entrada da mente estão fechadas. É a resistência e a receptividade de Binah que são seus poderes principais. E dessas virtudes provém o vício, que é constituído por seu excesso, a avareza, que nega em demasia a retém até o que é dispensável. Quando isso acontece, precisamos da generosa influência de Gedulah-Geburah, Júpiter-Marte, para destruir o velho deus, o devorador de seus filhos, a reinar em seu lugar.
  • Os símbolos mágicos de Binah são o Yoni e o Manto Exterior de Ocultamento. Esta é uma expressão gnóstica, a aquele, um termo indiano, que indica os genitals da mulher, a correspondência negativa do falo do homem. O termo Kteis, menos conhecido, é o termo europeu equivalente. Nos símbolos religiosos hindus, o yoni e o lingam surgem com muita freqüência, pois a ideia da força vital a da fertilidade são os motivos principais de sua fé.
  • A ideia da fertilidade é o motivo principal nos aspectos de Binah que se manifestam no mundo de Assiah, o nível material. A vida não apenas penetra a matéria para discipliná-la, mas também retira-se dela triunfahnente, aumentada a multiplicada. O aspecto da fertilidade, equilibrando o aspecto Tempo-Morte-Limitação, é essencial ao nosso conceito de Binah. O Tempo-Morte ceifa com sua foice o trigo de Ceres, a ambos são símbolos de Binah.
  • A ideia do Manto Exterior de Ocultamento sugere claramente a matéria, assim como o esplendor envolvente do Manto Interno de Glória do princípio vital. Ambas as ideias, reunidas, comunicam-nos o conceito do corpo animado pelo espírito; o Manto Interno ou Glória Espiritual oculto de todos os olhos pelo invólucro exterior da matéria densa. Mais a mais vezes, enquanto meditamos sobre esses mistérios, encontramos a iluminação dessa coleção aparentemente fortuita de símbolos atribuídos a cada Sepliirah. Já vimos em nosso estudo que nenhum símbolo está só, a que toda penetração da intuição a da imaginação serve para revelar as grandes linhas de relaçôes entre os símbolos.
  • Os quatro três do baralho do Tarô são as cartas atribuídas a Binah e, de fato, o número três está intimamente associado à ideia da manifestação na matéria. As duas forças opostas encontram expressão numa tercei. ra, o equilíbrio entre elas, que se manifesta num plano inferior ao de seus pais. O triângulo é um dos símbolos atribuídos a Saturno como deus da matéria mais densa, e o triãngulo de arte, como é chamado, é utilizado nas cerimônias mágicas quando o objetivo é evocar um espírito a fazê-to visível no plano da matéria; para outros modos de manifestação, utiliza-se o círculo.
  • O três de paus chama-se Senhor da Força Estabilizada. Temos novamente aqui a ideia do poder em equilíbrio, que é tâo característico de Binah. Lembremos que Paus representa a força dinâmica de Yod. Essa força, quando na esfera de Binah, cessa de ser dinâmica, consolidando-se.
  • Copas é, essencialmente, a forma feminina, pois a copa, ou o cálice, é um dos símbolos de Binah a está estreitamente relacionado com o yoni no simbolismo esotérico. O Três de Copas está, portanto, em casa em Binah, pois os dois grupos de simbolismo se completam mutuamente. O Três de Copas, que é corretamente chamado de Abundância, representa a fertilidade de Binah em seu aspecto de Ceres.
  • O Três de Espadas, contudo, chama-se Sofrimento, a seu símbolo no baralho de Tarô é um coração transpassado por três punhais. Nossos leitores lembrarão a referência ao coração apunhalado da Virgem Maria no simbolismo católico, a Maria equivale a Marah, a amargura, o Mar. Ave, Maria, stella marls!
  • As Espadas são, naturalmente, cartas de Geburah e, como tal, representam o aspecto destrutivo de Binah como Kali, a consorte de Siva, a deusa hindu da destruição.
  • Ouros são as cartas da Terra e, como tal, correspondem a Binah, a forma. O Três de Ouros, por conseguinte, é o Senhor dos Trabalhos Materials, ou atividade no plano da forma.
  • Notemos que, assim como os planetas têm sua influência rèforçada quando estão nos signos do Zodíaco que são suas próprias casas, também as cartas do Tarô, quando o significado da Sephirah coincide com o espírito do naipe, representam o aspecto ativo da influência; e, quando a Sephirah e o naipe representam influências diferentes, a carta é maléfica. Por exemplo, a carta ígnea de espadas é uma carta de mau augúrio quando se acha na Esfera de influência de Binah.
  • Alonguei-me bastante ao comentar Binah, porque com ela se completa a Tríade Suprema e o primeiro dos pares de opostos. Ela representa não apenas a si mesma, mas também aos pares funcionais, pois é impossível compreender qualquer unidade na Árvore, a não ser em referência às outras unidades com que interage a se equilibra. Chokmah sem Binah, a Binah sem Chokmah, são incompreensíveis, pois o par é a unidade funcional, a não qualquer uma das Sephiroth em separado.

CHESED, A QUARTA SEPHIRAH

  • Título: Chesed, Misericórdia. (Em hebraico, ‘Tan : Cheth, Samech, Daleth.).
  • Imagem: Um poderoso rei coroado, sentado em seu trono.
  • Localização na Ãrvore: No centro do Pilar da Misericórdia.
  • Texto Yetzirático: O Quarto Caminho chama-se Inteligência Coesiva ou Receptiva, porque contém todos os Poderes Sagrados, dele emanando as virtudes espirituais com as suas essências mais requintadas. Tais poderes emanam uns dos outros por virtude dá Emanação Primordial, a Coroa Mais Elevada, Kether.
  • Títulos Conferidos a Chesed: Gedulah. Amor. Majestade.
  • Nome Divino : El.
  • Arcanjq: Tzadkiel.
  • Coro Angélico: Chasmalin.
  • Chakra Cósmico: Tzedek, Júpiter.
  • Experiência Espiritual: Visão do amor.
  • Virtude: Obediência.
  • Vícios: Fanatismo.
  • Hiprocrisia. Gula.
  • Tirania.
  • Correspondência no Microcosmo: O braço esquerdo.
  • Simbolos: A figura sólida. O tetraedro. A pirâmide.
  • A cruz de braços iguais. O orbe. O bastão. O cetro. O cajado.
  • Cartas do Tarô: Todos os quatro: Quatro de Paus: obra perfeita; Quatro de Copas: prazer; Quatro de Espadas: repouso após a luta; Quatro de Ouros: poder terrestre.
  • Cor em Atziluth: Violeta-intenso.
  • Cor em Briah: Azul.
  • Cor em Yetzirah: Púrpura-intenso.
  • Cor em Assiah: Azul-intenso, salpicado de amarelo.

I

  • Entre as Três Supremas e o par seguinte de Sephiroth em equiliôrio na Árvore, acha-se um grande precipício, que os místicos chamam de Abismo. As seis Sephiroth seguintes, Chesed, Geburah, Tiphareth, Netzach, Hod e Yesod, constituem o que os cabalistas chamam de Microprosopos, o Rosto Menor, Adão Cadmo, o Rei. A Rainha, a Esposa do Rei, é Malkuth, o Plano Físico. Temos, então, o Pai (Kether), o Rei e a Esposa, a nessa configuração da Árvore há um profundo simbolismo de grande importância prática tanto para a filosofia como para a Magia.
  • O Abismo, o precipício que se localiza entre o Macroprosopos e o Microprosopos, assinala uma demarcação na natureza do ser, no tipo de existência que prevalece sobre os dois níveis. É nesse Abismo que Daath, a Sephirah Invisível, tem sua estação, a poderíamos chamá-la corretamente de Sephirah do Devir. Ela se chama também Conhecimento, termo que poderia ser interpretado, ademais, como Percepção, Apreensão, Consciência.
  • Esses dois tipos de existência, Macroprosopos e Microprosopos, indicam o potencial e o real. A manifestação real, como nossas mentes finitas podem concebê-la, tem início em Microprosopos; e o primeiro aspecto de Microprosopos a vir à existência é Chesed, a Quarta Sephirah, situada imediatamente sob Chokmah, o Pai, no Pilar da Misericórdia, do qual é a Sephirah central. Ela é equilibrada na Árvore por Geburah, a Severidade; a esse par, Geburah a Gedulah, forma “o Poder e a Glória” da invocação final do Pai Nosso, sendo o “Reino”, naturahnente, MaIkuth.
  • Como já vimos, podemos aprender muito com a posição de uma Sephirah no padrão da Árvore; pela posição de Chesed no Pilar da Misericórdia, vemos que ela é Chokmah num arco inferior. Chesed é emanada por Binah, Sephirah passiva, a emana, por sua vez, Geburah, Sephirah catabólica, cujo chakra cósmico é Marte, com todo o seu simbolismo bélico, que é Saturno num arco inferior.
  • Chesed é o pai amoroso, o protetor e o preservador, assim como Chokmah é o Engendrador de Tudo. Ela continua a obra de Chokmah, organizando a preservando aquilo que o Pai de Tudo gerou. Ela equilibra com a Misericórdia a Severidade de Geburah. É anabólica, ou ascendente, em oposição ao catabolismo descendente de Geburah.
  • Esses dois aspectos são muito bem expressos nas imagens mágtcas atribuídas a essas duas Sephiroth. Essas imagens mágicas são ambas de reis; a de Chesed é um rei em seu trono, e a de Geburah, um rei em seu carro; em outras palavras, os governantes do reino na paz a na guerra; um como legislador, outro como guerreiro.
  • A analogia fisiológica permite-nos uma clara compreensão do significado dessas duas Sephiroth. O metabolismo consiste em anabolismo, ou ingestão ou assimilação de alimento, e a deposição deste no tecido, a de catabolismo, ou transformação do tecido em obra ativa, a saída de energia. Os subprodutos do catabolismo são as toxinas da fadiga, que o sangue deve eliminar pelo repouso. O processo vital é uma assimilação a um sucumbir, e Geburah a Gedulah (outro nome para Chesed) representam esses dois processos no macrocosmo.
  • Chesed, sendo a primeira Sephirah do Microprosopos, o universo manifesto, representa a formulação da ideia arquetípica, a concretização do abstrato. Quando o princípio abstrato que forma a raiz de alguma nova atividade é formulado em nossas mentes, estamos operando na esfera de Chesed. Um exemplo esclarecerá esse ponto. Suponhamos que um explorador contemple, do alto de uma montanha, uma região recentemente descoberta e comprove que as planícies que se estendem para além da costa são férteis e que são cortadas por um rio que abre caminho até o mar através de um vale na cadeia de montanhas. Ele pensa na riqueza agrícola das planícies, nas facilidades de transporte que o rio oferece a imagina um porto no estuário, pois sabe que o escoadouro do rio forma, com toda certeza, um canal que permitiria a passagem dos navios. Em seu olho mental, ele vê os ancoradouros, os armazéns, as lojas a as habitações. Pergunta a si mesmo se as montanhas contêm minérios a imagina uma estrada de ferro ao longo do rio a com ramificações pelos vales. Vê a chegada dos colonizadores a deduz que eles terão necessidade de uma igreja, um hospital, um cárcere, o ubíquo botequim. Sua~imaginação traça a rua principal da cidade, a resolve adquirir os terrenos das esquinas para que possa prosperar, ele mesmo, com a prosperidade geral da nossa cidade. Ele vê tudo isso enquanto a floresta virgem cobre a costa a fecha as passagens da montanha. Mas, como sabe que as planícies são férteis a que o rio cruza as montanhas, ele contempla em termos de primeiros princípios os desenvolvimentos que se farão necessários. Enquanto sua mente assim opera, ele está funcionando na Esfera de Chesed, saiba-o ele ou não; a todos aqueles que podem também funcionar nor termos de Chesed, adiantando-se ao futuro, como o faz o explorador de nosso exemplo, vendo as coisas que devem surgir de causas dadas, muito antes de a primeira linha ser traçada no projeto ou o primeiro ladrilho ter sido assentado, têm o poder de possuir a valiosa terra onde os ancoradouros deverão ser construídos a por onde deverá correr a rua principal.
  • Todo trabalho criativo do mundo segue esse curso, graças às mentes que operam nos termos de Chesed, o rei sentado em seu trono, sustendo o cetro e o orbe, governando a guiando seu povo.
  • Em contraste com o que acabamos de expor, observamos que existem pessoas cujas mentes não podem funcionar acima do nível de Malkuth, a Esposa do Rei. São pessoas que não podem descobrir a madeira pela árvore. Pensam em termos de detalhes, carecendo de todo princípio sintético. Sua lógica é incapaz de remontar às origens, e é sempre materialista. São incapazes de discemir as causas sutis, a são vítimas do que chamam de caprichos do destino. São incapazes de discemir os estados mais sutis, e não conseguem operar na linha seguida pelos impulsos primários quando estes descem por si próprios ou são chamados à manifestação.
  • O ocultísta que não possui a iniciação de Chesed limitar-se-á, em sua operação, à Esfera de Yesod, o plano de Maia, a ilusão. Ele acredita que as imagens astrais refletidas no espelho mágico da subconsciência são realidades, a não fará nenhuma tentativa de traduzi-las em termos de um plano superior a aprender o que elas representam realmente. Ele permanecerá na Esfera da ilusão a será iludido pelos fantasmas de sua própria projeção inconsciente. Se fosse capaz de funcionar nor termos de Chesed, perceberia as ideias arquetípicas subjacentes, das quais essas imagens mágicas são apenas as sombras a as representações simbólicas, a poderia se tomar então um mestre do tesouro das imagens em vez de ser alucinado por elas. Seria dessa forma capaz de utilizar as imagens como um matemático utiliza símbolos algébricos a operaria a Magia como um adepto iniciado a não como um mago.
  • O místico que opera no Centro Cristológico de Tiphareth, se não dispuser das chaves de Chesed, será também alucinado, mar de uma maneira diferente a mais sutil. Nesse nível, ele saberá decifrar as imagens mágicas com bastante exatidão, referindo-as àquilo que representam a não lhes dando valor algum, exceto como sinais, como tão bem o demonstra Santa Teresa em seu O Castelo Interior. Ele cairia no erro, contudo, de pensar que as imagens que percebe a as experiências por que passa são o resultado de um contato direto a pessoal de Deus com sua alma, em vez de compreender que elas são estágios do Caminho. Descobrirá um Salvador pessoal no homemDeus a não na influência regeneradora da força cristológica. Adorará Jesus de Nazaré como Deus Pai, confundindo, assim, as pessoas.
  • Chesed, portanto, é a Esfera da formulação da ideia arquetípica, a compreensão pela consciência de um conceito abstrato que é subseqüentemente trazido aos planos a concentrado na luz da experiência da concretização de ideias abstratas análogas. Em seu aspecto macrocósmico, ela representa também uma fase correspondente do processo de criação. A ciência materialista acredita que os únicos conceitos abstratos são aqueles formulados pela mente do homem. A ciência esotérica ensina que a Mente Divina formulou ideias arquetípicas para que a substância pudesse tomar forma, a que, sem essas ideias arquetípicas, a substância seria informe a vazia, limo primordial aguardando o sopro de vida para organizar-se no cristal ou na célula. As pesquisas mais recentes da física revelaram que toda substância, sem exceção, tem urea estrutura cristalina a que as linhas de tensão que o sensitivo percebe como correntes etéreas foram reveladas pelos raios X.
  • Um papel muito importante a muito malcompreendido nos. Mistérios é o desempenho pelos seres chamados geralmente de Mestres. Escolas diferentes definem o termo de maneira diferente, a alguns incluem os adeptos vivos de alto grau entre os Mestres; mas consideramos conveniente fazer uma distinção entre os Irmãos Mais Velhos encarnados a desencarnados, pois suas missões a maneira de operar são totalmente diversas. O título de Mestre deveria, por conseguinte, ser conferido apenas àqueles que estão livres da rede do nascimento a morte. Na terminologia da tradição esotérica ocidental, o grau de Adeptus Exemptus é atribuído a Chesed, indicando o termo Exemptus, isto é, “isento”, essa libertação do karma que libera da Roda. Sei muito bem que outros podem atribuir um significado diferente ao título, e que há pessoas encarnadas que possuem esse grau. A esses respondo que tais pessoas, se o grau é um grau operante a não mera honra vazia, estão livres do Carma a náo reencamarâo. Tais pessoas podem muito bem ser chamadas de Mestres, pois sua consciência é do grau de um Mestre, mas como é necessário fazer a distinçáo entre adeptos encarnados a desencarnados, é conveniente antes precisar a classificação por essa distinção menor do que conceder aos humanos um prestígio que a natureza humana não está apta a manter. Enquanto um adepto estiver encarnado, estará sujeito, em algum grau, às debilidades humanas a às limitaçôes impostas pela velhice a pela saúde física. Até não se ter liberado da Roda a não funcionar como consciência Aura, não escapará por completo às limitaçôes humanas da hereditariedade e do meio ambiente; por conseguinte, não se pode ter nele a mesma confiança que se pode depositar nos verdadeiros Mestres desencarnados.
  • Uma parte muito importante do trabalho dos Mestres é a concretização das ideias abstratas concebidas pela Consciência Logoidal. O Logos, cuja meditação dá nascimento aos mundos a cuja consciência reveladora é evolução, concebe as ideias arquetípicas extraídas da substância do Imanifesto – para utilizar uma metáfora, já que a definição é impossível. Essas ideias permanecem na consciência cósmica do Logos assim como na flor, porque não há solo para a sua germinação. A Consciência Logoidal, enquanto ser puro, não pode, de seu próprio plano, fomecer o aspecto formativo necessário para a sua manifestação. Ensinam as tradições esotéricas que os Mestres, consciências desencarnadas disciplinadas pela forma, mas atualmente informes, em sua meditação sobre a divindade, são capazes de perceber telepaticamente essas ideias arquetípicas na mente de Deus e, compreendendo a aplicação prática destas aos planos da forma e a linha que esse desenvolvimento seguirá, produzir imagens concretas em sua própria consciência, que serve para trazer as ideias arquetípicas abstratas ao primeiro dos planos da forma, chamado pelos cabalistas de Briah.
  • Essa é, pois, a tarefa que os Mestres realizam em sua Esfera especial, a Esfera de Chesed, organizadora, construtiva a edificadora, no Pilar da Misericórdia. O trabalho dos Mestres Negros, que são completamente diferentes dos Adeptos Negros, é realizado na Esfera correspondente de Geburah, no Pilar da Severidade, a qual será considerada em seu devido tempo. O ponto de contato entre os Mestres a os seus discípulos humanos está em Hod, a Sephirah da Magia Cerimonial, conforme indica o Texto Yetzirático, que declara que a essência de Hoda emana de Gedulah, a Quarta Sephirah. Essas pistas, dadas nos Textos Yetzráticos a respeito das relações entre as Sephiroth individuais, são muito importantes no ocultismo prático. Hod, portanto, pode ser tomada como representante de Chokmah a Chesed num arco inferior, assim como Netzach representa Binah a Geburah. Explicaremos esse ponto em detalhes quando analisarmos essas Sephiroth, mas é preciso fazer-lhes uma breve referência para tomar inteligível a função de Chesed.
  • Chegamos a um ponto, no esquema da Árvore, em que o tipo de atividade é acessível ao âmbito da consciência humana. Em nosso estudo das Sephiroth precedentes, formulamos conceitos metafísicos. Esses conceitos, embora muito remotos da imediata aplicação à vida da forma, são extremamente importantes, pois a menos que estejam na base de nosso entendimento da ciência esotérica, incorreremos na superstição a utilizaremos a Magia como magos, não como adeptos; em outras palavras, seremos incapazes de transcender os limites dos planos da forma, ficando alucinados, a cairemos sob o domínio dos fantasmas evocados pela imaginação mágica, em vez de utilizá-la como as contas do ábaco em nossos cálculos, o que, para um engenheiro, equivaleria a utilizar uma régua comum em vez da régua de cálculos.
  • Chesed, portanto, reflete-se em Hod através do Centro Cristológico de Tiphareth, assim como Geburah se reflete em Netzach. Essa relação é muito instrutiva, pois indica que, para a consciência elevar-se da forma à força, a para a força descer à forma, ela precisa passar pelo Centro de Equilíbrio a Redenção, ao qual são atribuídos os Mistérios da Crucificação.
  • É à Esfera de Chesed que a consciência exaltada do adepto se eleva em suas manifestações ocultas; é aqui que ela recebe a inspiração com que trabalha nos planos da forma. É aqui que encontra os Mestres como influências espirituais, por meio de contatos telepáticos, sem qualquer mescla de personalidade. Esse é o modo verdadeiro a superior de entrar em contato com os Mestres, contato que se efetua de mente a mente em sua própria esfera de consciência exaltada. Quando, pela clarividência, vemos os Mestres como seres vestidos, cujos trajes indicam seu raio, são eles percebidos por meio da refração na Esfera de Yesod, que é o reino dos fantasmas e das alucinações. Pisamos um terreno muito inseguro quando encontramos os Mestres aqui. É aqui que a forma antropomórfica é conferida à inspiração espiritual que tanto desorienta os sensitivos que não conseguem elevar-se a Chesed. E é assim que o anúncio da volta ao mundo de um impulso espiritual é interpretado como o advento de um Instrutor Universal.

II

  • Quanto mais descemos na Árvore até as Esferas mais acessíveis à nossa compreensão, mais descobrimos que os símbolos associados a cada Sephirah se tomam cada vez mais eloquentes quando falam de nossa experiência, em vez de obrigar-nos a raciocionar pela analogia.
  • A imagem mágica que representa Chesed é um poderoso rei coroado, sentado em seu trono; essa posição indica que ele está estavelmente sentado num reino em paz, não em marcha em seu carro para a guerra, como o sugere a imagem mágica de Geburah. Os títulos adicionais de Chesed – Majestade, Amor – confirmam o conceito do rei benévolo, pai de seu povo; e a localização de Chesed no centro do Pilar da Misericórdia confirma, ademais, a ideia da lei estável, ordenada a misericordiosa, que govema para o bem dos governados. O título do coro angélico associado a Chesed – Chasmalim, ou Brilhantes – assinala a ideia do esplendor real de Gedulah, que é um título alternativo utilizado freqüentemente para Chesed. O chakra cósmico atribuído a Chesed – Júpiter, o grande benigno da Astrologia – confirma toda a cadeia de associaçôes.
  • No lado microcósmico ou subjetivo, descobrimos que a virtude atribuída a essa esfera de experiência é a da obediência. É apenas através da virtude da obediência que o sujeito pode aproveitar-se do sábio governo de Chesed. Temos de sacrificar muito de nossa independência a do egoísmo para partilhar das comodidades da vida social organizada. Não há escapatória desse sacrifício a dessa restrição. A força da gravidade resiste-nos, entre outras coisas. A liberdade poderia ser definida como o direito de escolher o próprio mestre, pois é preciso ter um guia em toda a vida associativa respeitável, caso contrário reinará o caos. Uma autoridade efetiva a inspirada, eis o que clama em coro o mundo atual, a país após país está buscando a descobrindo o guia que mais se aproxime de seu ideal nacional, a todos marcham como um só homem atrás desse guia. O único remédio para a enfermidade mundial é a influência benigna, organizadora a ordenante de Júpiter; quando isso ocorrer, as nações recobrarão seu equilíbrio a sua saúde física.
  • Inversamente, os vícios atribuídos a Chesed – fanatismo, hipocrisia a tirania – são todos vícios sociais. O fanatismo recusa-se a mover-se com os tempos ou encarar outro ponto de vista – ambos, vícios fatais nas relações raciais. A hipocrisia implica que não nos entregamos de todo coração à vida social, mas, como Ananias, guardamos o nosso quinhão. A gula expõe-nos à tentação de tomar mais do que nos cabe na partilha dos bens comuns, e é apenas outro nome para egoísmo. E a tirania é esse use errõneo da autoridade que surge quando a natureza se mancha de crueldade a vaidade.
  • A correspondência no microcosmo estabelece-se com o braço esquerdo, o que indica um modo menos dinâmico de funcionamento de poder do que o da mão direita, que levanta a espada na imagem mágica de Geburah. A mão esquerda segura o orbe, que significa a própria Terra, a mostra que tudo está em segurança na mão firme do governante. Chesed, de fato, denota antes a firmeza do que a força da energia dinámica.
  • O número místico de Chesed é o quatro, a este é amiúde representado como uma figura quadrilátera, ou tetraedro. Um talismã de Júpiter é sempre deposto sobre tal figura. Outro símbolo de Chesed é a figura sólida, tal como a entende a geometria. Compreenderemos a razão desse simbolismo se considerarmos as figuras geométricas atribuídas às Sephiroth que já estudamos. O ponto é atribuído a Kether; a linha, a Chokmah; o plano bidimensional, a Binah; conseqüentemente, o sólido tridimensional conceme, naturalmente, a Chesed.
  • Mas essas relações significam muito mais coisas do que unìa mera série de símbolos. O sólido representa essencialmente a manifestação, tal como o concebe a nossa consciência tridimensional. Não podemos conceber uma existência unidimensional ou bidimensional, salvo na matemática ou simbolicamente. Chesed, como já observamos, é a primeira das Sephiroth manifestas; por conseguinte, é muito natural que o símbolo da figura sólida integre o resto de seu simbolismo. A figura sólida utilizada para simbolizar Chesed é normalmente a pirâmide, que é uma figura de quatro lados, constituída de três faces a uma base, expressando, assim, a qualidade numerológica de Chesed.
  • Existem muitas outras formas de cruz que representam simbolicamente os Mistérios, além da cruz do Calvário no Mistério Cristão, a cada uma delas representa modos diferentes de funcionamento do poder espiritual, tal como as diferentes formas dos Nomes Sagrados de Deus. A forma da cruz associada a Chesed é a cruz de braços iguais, que simboliza os quatro elementos em equilíbrio, a implica o governo da natureza por uma influência sintetizadora que confere harmonia equilibrada a todas as coisas.
  • O orbe, o bastão, o cetro e o cajado, que são os símbolos atribuídos a essa Sephirah, expressam perfeitamente os diferentes aspectos do poder real benévolo de Chesed, de modo que não precisamos nos deter em seu estudo.
  • As quatro cartas do Tarô atribuída a Chesed quando se manipula o baralho para a adivinhação expressam a ideia que rege a correspondência. O Quatro de Paus simboliza a Obra Perfeita, representando, assim, admiravelmente, a realização do rei no tempo de paz em seu reino bem-governado. O Quatro de Copas chama-se Senhor do Prazer, a relaciona-se com o título de Esplendor atribuído a Chesed a com o fulgor de seu coro angélico. O Quatro de Espadas indica o Repouso após a luta, a concorda perfeitamente com o significado do monarca sentado. O Quatro de Ouros é o Senhor do Poder Terrestre, um simbolismo táo claro que não necessita esclarecimentos.
  • Deixamos para o fim deste estudo a análise do Texto Yetzirático, para evitar que a apresentação ordenada do simbolismo de Chesed se quebrasse. Além disso, esse texto contém tantos significados, que podemos compreendê-los melhor quando estamos mais bem equipados com o simbolismo que lhe corresponde. Muito do que se relaciona ao ensinamento contido nesse texto, contudo, já foi estudado quando o examinamos em relação às Sephiroth precedentes. Não nos repetiremos, pois, contentando-nos em remeter o estudante àquelas páginas em que os assuntos são estudados em detalhe, evitanto, assim, repetições desnecessárias – repetições, aliás, que são quase inevitáveis no estudo da drvore da Vida, em que os diferentes símbolos representam o mesmo poder em diferentes níveis de manifestação ou sob diferentes aspectos.
  • “O Quarto Caminho chama-se Inteligência Coesiva.” Podemos compreender claramente o sentido dessas palavras se consideramos Chesed através do símbolo do rei sentado em seu trono, organizando os recursos e prosperidade do reino a esforçando-se para que todas as coisas se equilibrem para o bem comum.
  • O Texto Yetzirático o chama também de Inteligência Receptiva, e isso se refere ao símbolo do braço esquerdo, que é atribuído a essa Sephirah no microcosmo.
  • Chesed “contém todos os Poderes Sagrados, dele emanando as virtudes espirituais com as suas essências mais requintadas”. O ensinamento implícito nessa sentença já foi elucidado na exegese anterior do conceito das ideias arquetípicas.
  • “Tais poderes emanam uns dos outros por virtude da Emanação Primordial, a Coroa Mais Elevada, Kether.” Esses conceitos já foram abordados a propósito da Segunda Sephirah, Chokmah, quando estudamos o transbordamento da força de Esfera a Esfera.

GEBURAH, A QUINTA SEPHIRAH

  • Título: Geburah, Força, Severidade. (Em hebraico, 77í1s1: Gimel, Beth, Vau, Resh, Hé.)
  • Imagem Mágica: Um poderoso guerreiro em seu carro.
  • Localização na Árvore: No centro do flar da Severidade.
  • Texto Yetzirático: O Quinto Caminho chama-se Inteligencia Radical, porque se assemelha à Unidade, unindo-se a Binah. Entendimento, que emana das profundidades primordiais de Chokmah, Sabedoria.
  • Títulos Conferidos a Geburah: Din (justiça); Pachad (medo).
  • Nome Divino: Elohim Gebor.
  • Arcanjo: Khamael.
  • Coro Angélico: Seraphim, Serpentes de Fogo.
  • Chakra Cósmico: Madim, Marte.
  • Experiência Espiritual: Visão do poder.
  • Virtude: Energia, coragem.
  • Vício: Crueldade, destruição.
  • Correspondência no Microcosmo: O braço direito.
  • Simbolos: O pentágono. A Rosa de Tudor de Cinco Pétalas. A espada. A lança. O açoite. A corrente.
  • Cartas do Tarô: Os quatro cincos: Cinco de Paus: luta; Cinco de Copas: perda no prazer; C1nco de Espadas: derrota; Cinco de Ouros: conflito terrestre.
  • Cor em Atziluth: Laranja.
  • Cor em Briah: Vermelho-escarlate.
  • Cor em Yetzirah: Escarlate-brilhante.
  • Cor em Assiah: Vermelho, salpicado de negro.

I

  • Um dos aspectos menos compreendidos da filosofia cristã é o problema do mal; a um dos assuntos menos abordados na ética cristã é o problema da força, ou severidade, em oposição à misericórdia e à doçura. Conseqüentemente, Geburah, a Quinta Sephirah, cujos títulos adicionais são Din (lustiça) a Pachad (Medo), é a Sephirah menos compreendida de todas as Esferas, sendo, portanto, uma das mais importantes. Se a doutrina cabalística não afirmasse explicitamente que todas as Dez Sephiroth são sagradas, muitos estariam inclinados a considerar Geburah como o aspecto maléfico da Árvore da Vida. E, de fato, o planeta Marte, cuja Esfera é o chakra cósmico de Geburah, é chamado na Astrologia de maléfico.
  • Contudo, aqueles que foram instruídos além da rude ilusão de uma filosofia enganosa, sabem que Geburah de maneira alguma é o Inimigo ou Adversário descrito nas Escrituras, mas sim o rei em seu carro que marcha para a guerra, cujo poderoso braço direito protege o seu povo com a espada da legalidade a assegura que a justiça será feita. Chesed, o rei sentado em seu trono, o pai de seu povo em tempos de paz, pode conquistar nosso amor; mas é Geburah, o rei em seu carro a caminho da guerra, que merece nosso respeito. Jamais se fez suficiente justiça ao papel exercido pelo sentimento de respeito na emoção do amor. Temos uma espécie de amor pela pessoa que pode nos inspirar o temor de Deus, apresentando-se a ocasião, que é de uma qualidade muito diferente; ele é muito mais estável a permanente e, curiosamente, muito mais satisfatório emocionalmente do que o amor no qual não existe nenhum quê de temor. É Geburah que fornece o elemento de temor, de medo do Senhor, que é o início da Sabedoria, a de um respeito saudável geral que nos ajuda a enfrentar o Caminho difícil a estreito a evoca a nossa melhor natureza, porque sabemos que nossos pecados serão postos à luz.
  • Esse é um fato ao qual a ética cristã, tal como é popularmente compreendida, não dá bastante importância; e, como o tom geral da sociedade cristã se inclina contra a Quinta Sephirah sagrada, será necessário considerar em detalhes o lugar que essa esfera ocupa na Árvore e o papel que exerce tanto na vida espiritual como na social, pois ela é malcompreendida, e essa ausência de compreensão do fator Geburah é a causa de muitas de nossas dificuldades na vida moderna.
  • Geburah ocupa a posição central do Pilar da Severidade; representa, por conseguinte, o aspecto catabólico ou destrutivo da força. O catabolismo, convém recordar, é aquele aspecto do metabolismo, ou do processo vital, que se relaciona com a liberação da força na atividade. Já se disse que o Bem é o que é construtivo a edificador, e o Mal é o que é destrutivo a demolidor. Podemos ver quão falsa é essa filosofia se tentamos classificar, de acordo com esse princípio, um câncer a um desinfetante. No ensinamento mais profundo a mais filosófico dos Mistérios, reconhecemos que o Bem e o Mal não são coisas em si, mas estados. O Mal é simplesmente uma força que não está sem lugar; se deslocada no tempo, fora de sua época, está tâo longe de sua meta que se toma inútil. Deslocada no espaço, se se manifesta no lugar errado, como, por exemplo, uma brasa no tapete da lareira ou a água do banheiro no forro da sala de estar. Se deslocada, quanto às proporçôes, um excesso de amor, por exemplo, nos toma tolos a sentimentais; já uma falta de amor nos toma cruéis a destrutivos. É em tais coisas que reside o Mal, não num demônio pessoal que age como um adversário.
  • Geburah, o Destruidor, o Senhor do Medo a da Severidade, é, portanto, tão necessário ao equiliõrio da Árvore como Chesed, o Senhor do Amor, a Netzach, a Senhora da Beleza. Geburah é o Cirurgião Celestial; é o cavaleiro de armadura brilhante, o matador de dragôes; belo como um noivo, em sua força, para a donzela ansiosa, embora, sem dúvida, o dragão preferisse um pouco mais de amor.
  • As iniciaçôes dos maléficos, Saturno, Marte e a enganosa Yesod lunar, sáo tão necessárias à evolução a ao desenvolvimento equilibrado da alma como o são os Mistérios da Crucificação atribuídos a Tiphareth. É o ponto de vista unilateral do Cristianismo que causa sua debilidade, sendo ele responsável por tudo que é patológico a malsáo tanto em nossas vidas privadas como em nossa vida social. Mas não devemos esquecer igualmente que o Cristiamsmo chegou como um remédio para o mundo pagão que estava moribundo por causa de suas próprias toxinas. Temos necessidade daquilo que o Cristianismo tem para dar; mas também, infelizmente, temos de ter em conta o que lhe falta. Consideremos, agora, a influência adstritiva a corretiva de Geburah.
  • A energia dinâmica é tão necessária ao bem-estar da sociedade quanto a doçura, a caridade e a paciência. Não devemos esquecer que a dieta eliminatória que restaura a saúde, na doença, produz a doença na saúde. Jamais deveríamos exaltar as qualidades que são necessárias para compensar um excesso de força como fins em si a como meios de salvação. Caridade em excesso é obra de um louco; paciência em excesso é o sinete de um covarde. Necessitamos de um equilíbrio justo a sábio, que contribui para a felicidade, a saúdé e a franca compreensão de que sacrifícios são necessários para obtê-las. Não podemos comer o bolo a conservá-lo, seja na esfera espiritual ou em qualquer outra.
  • Geburah é o sacerdote sacrificial dos Mistérios. O sacrifício não significa oferecer algo que nos é caro porque um Deus ciumento não suporta interesses rivais em Seus devotos a se regozija com o nosso sofrimento. Significa a escolha deliberada a vigilante de um bem maior, de preferência a um bem menor, assim como o atleta prefere a fadiga do exercício à facilidade da preguiça que o põe fora de condiçôes. O carvão queimado numa fornalha é sacrificado ao deus do poder do vapor. O sacrifício é realmente a transmutação da força; a energia latente no carvão, oferecida no altar sacrifical da fornalha, é transmutada na energia dinãmica do vapor por meio da maquinaria apropriada.
  • Existe uma maquinaria psicológica a cósmica de que podemos dispor a que se relaciona a todo ato de sacrifício que converte este ato em energia espiritual; a essa energia espiritual pode ser apiicada a outros mecanismos, reaparecendo nos planos da forma como um tipo inteiramente diferente de força do que aquela com que começou.
  • Por exemplo, um homem pode sacrificar as emoções em favor de sua carreira; ou uma mulher pode sacrificar a carreira às suas emoçôes. Se o ato é puro a sem arrependimentos, uma imensa quantidade de energia psíquica é liberada para a utilizaçâo no canal escolhido. Mas, se o desejo inferior é simplesmente expressão inibida a negada a não realmente deposto no altar do sacrifício como uma deliberada a livre oferenda, a vítima infortunada fez a pior escolha. É aqui que precisamos de Geburah para nos tornarmos como o sacerdote que arranca o sacrifício de nossas mãos, mesmo que seja o nosso primogênito, e o oferece a Deus com um golpe rápido, puro e mÍsericordioso. Pois, Geburah, no microcosmo, que é a alma do homem, é a coragem a resolução que nos liberta da nódoa da autopiedade.
  • Que falta nos fazem-as virtudes espartanas de Geburah nesta época de sentimentalismos e neuroses. Quantas quedas não poderíamos evitar se esse Cirurgião Celestial pudesse executar o corte limpo que tem chance de curar, evitando assim o compromisso fatal e a irresolução doentia, que é como uma ferida aberta a ameaçada de gangrenal
  • Além disso, se não houvesse uma mão forte a serviço do Bem no mundo, o Mal se multiplicaria. Se não é bom apagar um tição quando este ainda arde, é igualmente mau deixar a cinza acumular-se, evitando a utilização do atiçador. Há um momento em que a paciência se toma fraqueza, desperdiçando o tempo do melhor homem, a em que a misericórdia se toma uma loucura a expõe o inocente ao perigo. A política da não-resistência ao Mal só pode ser seguida satisfatoriamente numa sociedade bem vigiada; ela jamais foi tentada com sucesso sob condiçôes-limites. Pois a natureza, de dentes a garras vermelhas, exibe as cores de Geburah, ao passo que a civilização compensadora pertence a Chesed, Misericórdia, que modifica a força irrestrita e a destrutividade excessiva de tudo que está na fase Geburah de seu desenvolvimento. Mas, igualmente, devemos lembrar que a civilização repousa na natureza como um edifício repousa sobre suas fundações, onde está oculto o esgoto, tão necessário à saúde.
  • Onde quer que haja algo que tenha sobrevivido à sua utilidade, Geburah deve brandir a sua faca de poder; onde quer que haja egoísmo, este deve ser traspassado pela ponta da lança de Geburah; onde quer que exista violência contra a fraqueza, ou o use impiedoso da força, é a espada de Geburah, não o orbe de Chesed, que é o neutralizador mais eficaz; onde quer que haja preguiça a desonestidade, o flagelo sagrado de Geburah é necessário; a onde haja uma remoção das estacas colocadas para proteger-nos de nosso vizinho, é a cadeia de Geburah que deve intervir.
  • Essas coisas são tão necessárias à saúde da sociedade a do indivíduo como o amor fratemo; mas são muito raras em nossa época sentimental, que as utiliza medicinalmente a não vingativamente. Aquele que grita “Alto” ao agressor a “Saiam” àqueles que lhe bloqueiam o caminho, esse age como um sacerdote na Esfera da Quinta Sephirah Sagrada.

II

  • Se observarmos a vida, constataremos que o ritmo, não a estabilidade, é o princípio vital. A estabilidade que a existência manifesta alcança é a estabilidade de um homem sobre uma bicicleta, que se equilibra entre duas quedas opostas; ele pode cair para a direita ou para a esquerda, a manter o equiliôrio por meio de seu impulso.
  • Na vida dos indivíduos, no desenvolvimento de qualquer transaçáo, no tom de qualquer mente grupal disciplinada ou altamente organizada, vemos a constante altemância das influências de Geburah a Gedulah num balanço rítmico de um lado a outro. Todo aquele que é responsável pelo disciplinarrmento de um grupo organizado sabe conhecer a constante necessidade de apertar a afrouxar as rédeas; de estimular a refrear. Há uma sensação da necessidade de soltar a linha quando o grupo transborda com um impulso de interesse a entusiasmo, seguido pela necessidade de tomar a folga quando o impulso se perde. Se não se pega a folga com mão firme, o grupo mete-se nos laços a toma-se insubordinado. O sábio manipulador dos homens sabe qúando a reação se dissipou a chega o momento de estalar o látego de Geburah sobre os cavalos a fazé-los saltar no varal novamente quando o novo impulso dinámico se avoluma; mas ele sabe também que não deve estalá-to muito cedo, quando os cavalos estão tendo um descanso ou quando um dos mais inquietos tem uma perna enroscada.
  • Na vida nacional, especialmente, podemos nos dar conta dos ritmos altemantes de Geburah a Gedulah. Arrisco-me a profetizar que a nação inglesa está saindo de uma fase Gedulah a entrando numa fase Geburah. Em todas as partes vemos que a misericórdia, superestimada pelas imperfeiçôes da natureza humana, está sendo abolida em favor de uma severidade que restaurará o equilíbrio da justiça imparcial a impedirá que o mal se multiplique. O trabalho da polícia está sendo reorganizado; os juízes estão dando sentenças mais severas; a reforma penal experimentou um recuo; o humanitarismo não terá a última palavra. A alma grupal da raça está entrando na fase Geburah, a perdeu a paciência com as suas unidades imperfeitas.
  • No próximo ciclo, a tendéncia será descartar o incapaz a concentrar-se no esforço de conduzir o hábil ao seu desenvolvimento mais elevado. Geburah será o parceiro mais velho, a toda atenuação da severidade que Gedulah propõe terá de passar pelo escrutínio da justiça imparcial. Essa é uma reforma muito necessária, pois, no fim de uma fase, os extremos tendem a desenvolver-se, e o humanitarismo de Gedulah toma-se abusivo a ridículo, e seus refinamentos convertem-se em debilidade, perdendo o contato com as realidades.
  • Quando uma nova fase se inicia numa escala de mente grupal, é nos menos iluminados, nos de mente estreita, que sua influência é mais forte; os cultos tendem a manter-se longe dos extremos. Podemos constatá-to analisando a linha adotada pelos vários tipos de jornalismo. O jornalismo popular clama pela livre utilização do chicote como uma punição para o crime; pelo repúdio das dívidas a pactos intemacionais; em suma, pelos golpes germs com a espada de Geburah. Em todas as partes, cresce a tendência de não sofrer a estupidez de ninguém – tendência que toma as negociações extremamente difícies, pois Geburah é um péssimo negociante, a sua única contribuição à discussão é a do soldado grego que tomou a espada a cortou o nó.
  • Ora, o iniciado, sabendo que as fases se sucedem na altemáncia rítmica, não toma qualquer fase muito seriamente, nem pensa que está vivendo no fim do mundo ou no do milénio. Ele sabe que a vida seguirá seu curso, iniciando um corretivo valioso a necessário, a concluindo pelos extremos; mas, desde que haja visão suficiente entre os iluminados de uma raça, as pessoas não perecerão, pois o próprio fato de chegar-se aos extremos indica o fim da inclinação, e o pêndulo reverterá normalmente o seu movimento e começará a voltar em direção ao centro da estabilidade. É apenas quando o povo perde completamente a visão que o pêndulo se desequilibra a se autodestrói. Foi esse o caso de Roma, de Cartago e, mais recentemente, da Rússia. Mas, mesmo quando a organização social se quebra e o pêndulo se perde no espaço, o princípio do ritmo é inerente em toda a existência manifests, a se restabelece de imediato quando qualquer espécie de organização se forma depois do naufrágio.
  • A grande fragilidade do Cristianismo reside no fato de que ele ignora o ritmo. Ele equilibra Deus com o Demônio, em vez de Vishnu com Siva. Seus dualismos são antagônicos em lugar de equilibrantes e, por conseguinte, jamais podem resultar no três funcional, no qual o poder está em equilíbrio. Seu Deus é o mesmo de ontem, hoje a amanhã, a não progride com a criaçáo, mss entrega-se em um único espaço criativo, repousando depois sóbre seus louros. A experiência humans total, o conhecimento humano total é contra a verdade dessa concepção.
  • O conceito cristão, sendo estático a não-dinâmico, não pode entender que, quando uma coisa é boa, seu oposto não é necessariamente mau. Ele não tem nenhum sentido de proporção porque não compreende o princípio do equilíbrio no espaço a do ritmo no tempo. Conseqüentemente, para o ideal cristão, a parte é sempre maior do que o todo. A cordura, a misericórdia e o amor constituem o ideal do caráter cristão, e, como assinala com razão Nietzsche, essas são as virtudes do escravo. Deveríamos ter lugar em nosso ideal para as virtudes do governante a do líder – coragem, energia, justiça a integridade. O Cristianismo nada tem a dizer-nos sobre as virtudes dinâmicas; conseqüentemente, aqueles que empreendem o trabalho do mundo não podem seguir o ideal cristão por causa de suas limitações a de sua inaplicabilidade aos problemas que lhe dizem respeito. Eles não podem medir o certo e o errado por nenhum padrão, salvo o seu próprio auto-respeito. O resultado é o espetáculo ridículo de uma civilização dedicada a um ideal unilateral a forçada a manter seus ideais a sua honra em compartimentos separados.
  • Precisamos tanto do realismo de Geburah para equilibrar o idealismo de Gedulah, quanto precisamos da justiça para temperas a misericórdia. A experiência na educação das crianças nos ensina que a criança que nunca é contrariada é uma criança estragada; que o jovem carente da espora da competição pode tomar-se um jovem negligente, pois são muito poucos os que trabalham por amor ao trabalho. Ocorre o mesmo com as nações. O monopólio, na falta da espora da competição, sempre se revelou ineficaz; as profissões não-competitivas sofrem sempre de obesidade intelectual.
  • Geburah é o elemento dinâmico da vida que incita a vencer os obstáculos. O caráter a que faltam os aspectos marcianos nunca fará nada na vida. Aqueles que dependem de um arrimo de família não-Geburah sabem que o amor não é uma completa solução para os problemas da vida. Devemos aprender a amar o guerreiro armado de espada, assim como o Amor Divino, que nos dá o copo de água a nos diz “Vinde a mim os que estão cansados a carregados”.
  • Quando aprendermos a beijar a vara a compreendermos o valor das experiências constritivas, receberemos a primeira das iniciações de Geburah; e, quando aprendermos a perder nossas vidas a fim de salvá-las, teremos a segunda. Há um certo tipo de coragem que não teme a dissolução, pois ela sabe que todos os princípios espirituais são indestrutíveis e, na medida em que os arquétipos persistem, tudo pode ser reconstruído. Geburah só é destrutivo para aquilo que é temporal; é o servo daquilo que é eterno, pois, quando, por meio da atividade ácida de Geburah, tudo que é impermanente desaparecer, as realidades eternas a incorpóreas brilharão em toda a sua glória, deixando ver todos os seus detalhes.
  • Geburah é o melhor amigo que podemos ter, se somos honestos. A sinceridade não precisa temer suas atividades; na verdade, ela é a melhor proteção que podemos ter contra a insinceridade do próximo, pois nada há melhor do que a influência de Geburah para desmascarar tanto pessoas como pontos de vista.
  • Geburah e Gedulah precisam trabalhar juntas; jamais uma sem a outra. Devemos adorar o Deus das Batalhas assim como o Deus do Amor, para que o elemento combativo no universo renda homenagens ao Senhor Único, ao Eu Sou Aquele Que É. Não se deve maldizer a espada como um instrumento do Demônio, mss abençoá-la a consagrá-la para que jamais possa ser empunhada numa causa injusta. Jamais deveremos pô-la de lado devido a um pacificismo impraticável, mss brandi-la a serviço de Deus, de modo que, emitida a ordem para que não se sofra mais a coisa má, o poderoso Khamael, o Arcanjo de Geburah, possa conduzir os Serafins à batalha, não numa raiva destrutiva, mss sóbria a impessoalmente a serviço de Deus, no intuito de esclarecer o Mal a fazer o Bem prevalecer.

III

  • Já falamos tanto a respeito da natureza de Geburah, que não nos resta muita coisa a dizer sobre as suas atribuições.
  • O Texto Yetzirático nos diz que o Quinto Caminho chama-se Inteligência Radical porque se assemelha à Unidade. Ora, a Unidade é apenas um dos títulos atribuídos a Kether; por conseguinte, podemos dizer que Geburah é correlata de Kether num arco inferior. Há várias Sephiroth que são assim referidas na Sepher Yetzirah, a essas referências são muito importantes quando se procura penetrar-lhes a natureza. Afirma-se que Chokmah é o Esplendor da Unidade a seu igual, a que as raízes de Binah estão em Amém, que é também um título de Kether.
  • Geburah é uma Sephirah altamente dinâmica, a sua energia, transbordando no mundo da forma a vitalizando-o, estabelece uma analogia estreita com a força transbordante de Kether, que é a base de toda manifestação.
  • O Texto Yetzirático afirma também que Geburah se une a Binah, o Entendimento. Quando lembramos que, na Astrologia, Saturno, o chakra cósniico de Binah, a Marte, o chakra cósmico de Geburah, chamam-se os Maléficos Major a Menor, vemos que deve haver mais do que uma relação superficial entre os dois.
  • Binah é a causa da morte porque é o dador de forma à força primordial, tomando-a, desse modo, estática; Geburah chama-se Destruidor porque a ígnea força de Marte quebra as formas a as destrói. Vemos, assim, que Binah está etemamente ocupada em encerrar a força na forma, e Geburah em quebrar a destruir perpetuamente todas as formas com a sua energia desagregadora.
  • Mas devemos perceber igualmente que é apenas quando a influência protetora a preservativa de Chesed está ausente que as influências destrutivas de Geburah sáo capazes de operar sobre as formas edificadas por Binah, pois o Caminho das Emanações entre Binah a Geburah passa por Chesed. Geburah é o corretivo essencial de Binah, sem o qual Binah prenderia toda a criação na rigidez. Binah, por sua vez, como assinala o Texto Yetzirático, emana das profundezas primordiais de Chokmah, a Sabedoria. Vemos assim que existe um aspecto dinâmico mesmo em Binah. Nenhuma Sephirah confina-se exclusivamente a um único tipo de força, pois cada Sephirah emana de uma Esfera do tipo oposto de polaridade, a por sua vez emana uma Sephirah de polaridade oposta. O que realmente temos no Relâmpago Brilhante são fases sucessivas no desenvolvimento de uma única força; e, como estas emanam sucessivamente, não se superpondo umas às outras, elas permanecem como planos de manifestação a tipos de organização.
  • Essas fases a planos sucessivos de manifestação podem ser comparados às sucessivas fases de um rio. Este começa como uma corrente montanhosa; depois, toma-se um plácido ribeiro entre os prados; e, finalmente, o grande caminho de água entre as docas por onde passam os navios. Os diferentes trechos do rio permanecem constantes; o tipo de água em cada um é constante; claro a brilhante nos trechos superiores, cheia de aluviões entre os ribeiros dos prados, suja a enegrecida abaixo das docas. Mas, ao mesmo tempo, a água em si não é constante, pois ela não fica estagnada em qualquer ponto, estando em comunicação ininterrupta; as águas “emanam” umas das outras, para utilizar a linguagem da Cabala. Mas a água transforma sua natureza enquanto progride, pois algo se acrescenta a ela pelas experiências por que passa; solo de aluvião dos ribeiros dos prados; a sujeira da cidade nas docas.
  • Da mesma maneira, a emanação primordial de Kether modifica-se em cada trecho sephirótico do rio cósmico; os trechos, ou Esferas sephiróticas, permanecem constantes; as emanações fluem, sofrendo modificações em cada esfera.
  • Os títulos atribuídos a Geburah, tais como Força, Justiça, Severidade a Medo, falam por si mesmos a indicam os aspectos duais dessa Sephirah. A medida que descemos na Árvore em direção aos planos da forma, vemos mais a mais claramente que toda Sephirah é dupla a que seu excesso tende à força desequilibrada.
  • A imagem mágica de um guerreiro poderoso em seu carro, coroado a armado, indica a natureza dinâmica da força Geburah. O chakra cósmico do ígneo Marte expressa ainda mais claramente a mesma ideia.
  • A experiência espiritual evocada pela iniciação na Esfera de Geburah é a visão do poder. É apenas quando um homem a recebe que se toma um Adeptus Major. A manipulação correta do poder é um dos maiores testes que podem ser impostos a qualquer ser humano. Até esse ponto de seu Progresso nos graus, o iniciado aprende as lições da disciplina, controle a estabilidade; ele adquire, de fato, o que Nietzsche chama de moralidade do escravo – uma disciplina muito necessária para a natureza humana impenitente, tão orgulhosa de seu próprio conceito. Com o grau de Adeptus Major, contudo, ele deve adquirir as virtudes do super-homem, a aprender a utilizar o poder em vez de submeter-se a ele. Mas, mesmo assim, ele não é a lei, a sim o servo do poder que utiliza, devendo seguir-lhe os propósitos a não servir aos seus. Embora não mais responsável perante seus colegas, ele é ainda responsável perante o Criador do céu a da terra, a deverá render-lhe conta de sua administração.
  • Cabe-lhe uma grande liberdade; mas também um grande esforço. Ele pode pronunciar a palavra de poder que desencadeia o vento, mas deve estar preparado para cavalgar o turbilhão decorrente. Eis um aspecto que o mago amador nem sempre compreende.
  • A energia e a coragem, que são as virtudes de Marte, e a crueldade e a destruição, que são seus vícios quando tais qualidades se tomam excessivas, dispensam comentários, pois são auto-explicativas.
  • Os símbolos atribuídos a Marte-Geburah precisam de algum esclarecimento, contudo, pois seu significado nem sempre transparece à primeira vista.
  • As figuras planas com um número variável de lados são atribuídas aos diferentes planetas e, na magia cerimonial, ou talismánica, são utilizadas como o esquema de qualquer forma associada a uma força planetária. A Saturno, o mais antigo planeta, o primeiro a desenvolver-se no tempo evolutivo, atribui-se a figura bidimensional mais simples, o triângulo. A estabilidade equilibrada de Chesed tem a figura de quatro lados, o quadrado. E, à terceira Sephirah planetária, Marte, atribui-se uma figura de cinco lados, e o cinco é considerado no sistema cabalístico como o número de Marte. Conseqüentemente, o Pentágono, a figura de cinco lados, é o símbolo de Marte, e todo altar a Marte deverá ser pentagonal ou de cinco lados, assim como todo talismã. A Rosa Tudor, de cinco pétalas, que é outro símbolo de Marte, requer mais explicações, mas, quando lembramos a íntima associação entre Marte a Vênus na mitologia, a que a rosa é a flor de Vênus, temos uma chave do significado simbólico correspondente. As linhas de força que cruzam a Árvore vão de Geburah-Marte a Netzach-Vênus, através de Tiphareth, o Lugar do Redentor, o centro do equiliôrio, da mesma maneira que Chesed e Hod se vinculam, como se indica claramente no Texto Yetzirático, que diz que Hod tem sua raiz nos locais ocultos de Gedulah, a quarta Sephirah.
  • Compreendendo, portanto, a íntima relação entre os pares diagonais que formam os quadrantes-do quadrado central da Árvore, entendemos o relacionamento indicado pela forma da rosa com suas cinco pétalas.
  • A espada, a lança, o açoite e a corrente são armas tão características de Marte que dispensam qualquer comentário.
  • Os quatro cincos do baralho do Tart são cartas maléficas, cada uma de acordo com o seu tipo. De fato, todo o naipe de espadas, que está sob o govemo de-Marte, representa a litigiosidade, pois seus melhores aspectos são “Descanso da luta” a “Sucesso após a batalha” e, quando uma carta de Espadas é associada a uma Sephirah cujo chakra cósmico é um dos maléficos astrológicos, o resultado é desastroso, a descobrimos os Senhores da Derrota a da Ruína nesse naipe.
  • Nossa habilidade para receber a iniciação de Geburah depende de nossa disposição para com as forças marcianas, a só podemos determiná-la pelo grau de autodisciplina a estabilidade que atingimos em nossas próprias naturezas.
  • Geburah é a mais dinámica a violenta de todas as Sephiroth, mas é também a mais altamente disciplinada. Na verdade, a disciplina militar, regida pelo deus da Guerra, é um sinônimo da mais rigorosa espécie de controle que pode ser imposto sobre os seres humanos. A disciplina de Geburah precisa adequar-se exatamente a essa energia; em outras palavras, os freios de um carro devem ter uma relação direta com a potência do motor se queremos dirigir a salvo na estrada. É essa tremenda disciplina de Geburah que é um dos pontos de teste dos Mistérios. Empregamos a expressão “disciplina de ferro” a ferro é o metal de Marte.
  • O iniciado de Geburah é uma pessoa muito dinâmica a severa, mas é também uma pessoa muito controlada. Suas virtudes características são a calma e a paciência sob a provocação. No campo esportivo, que é o aspecto lúdico do deus da Guerra, sabe-se que a perda da paciéncia implica a derrota. Todo boxeador sabe que, se a cólera se apoderar dele instigando-o a lutar em vez de boxear, as vantagens estarão contra ele. O iniciado de Marte é essencialmente o Guerreiro Feliz, o iniciado que passou pelo grau de Tiphareth e conquistou o equilíbrio.
  • Ele luta sem malícia; perdoa o fraco e o ferido; não combate para destruir a lei, mas para que ela seja corretamente respeitada. É o restaurador do equilíbrio e, como tal, é sempre o defensor dos fracos a dos oprimidos. Nunca é um deus que se encontra do lado dos grandes exércitos, embora diga: “Com os obstinados, mostro-me obstinado.” Ele agarra o gigante de duas cabeças das Qliphoth, Thaumiel, as Duas Forças Oponentes, bate-lhes as cabeças a diz: “Maldição para as tuas casas! Fica na paz de Deus ou te arrependerásl”
  • Quando uma alma está naquele estágio de desenvolvimento em que o único caminho pelo qual se pode desenvolver é o da experiéncia, Geburah não o desaponta, a cuida para que ela encontre o que está procurando. Geburah é o Grande Iniciador dos presunçosos.

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