Deuses Greco-Romanos – Parte 06

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Deuses Greco-Romanos – Parte 06

Arquemoro

Durante o caminho, faltou-lhes água, e o exército começou a sofrer devoradora sede. Encontraram então uma criatura que tinha um filhinho, e perguntaram-lhe se não havia no país uma fonte. Chamava-se o menino Ofeltes e era filho do rei Neméia. A mulher era Hipsipila, outrora rainha de Lemnos, mas que, tendo sido vendida posteriormente como escrava, estava ao serviço do rei de Neméia que lhe confiara a tutela do filho. Hipsipila pousou a criança sobre umas folhas de aipo e conduziu os sete chefes a uma fonte das proximidades. Durante a curta ausência, porém, uma serpente envolveu nas espiras a criança abandonada e sufocou-a. Ao regressarem os chefes apressaram-se em matar a serpente e tomaram aos seus cuidados Hipsipila, para livra-la da ira do rei de Neméia. Deram à criança o nome de Arquemoro, realizaram-lhe um magnífico funeral e instituíam em sua honra os jogos de Neméia nos quais os vencedores se cobriam de luto e se coroavam de aipo.

Combate dos Dois Irmãos

Anfiaraus viu naquilo péssimo presságio. Mas era preciso partir, e assim chegaram todos a Tebas. Uma terrível batalha se feriu sob os muros da cidade, que Etéoclo não pretendia entregar. Como o sangue escorresse por toda parte, Etéoclo subiu a uma torre, mandou que se fizesse silêncio, e disse aos exércitos:

Generais da Grécia, chefes dos argivos que a guerra atrai para estes páramos, e vós, povo de Cadmo, não arrisqueis mais a vida nem por Polinice, nem por mim. Quero eu, sozinho, enfrentar o perigo, e desejo lutar contra meu irmão, de homem para homem. Se o matar, governarei sozinho, se for vencido, entregar-Ihe-ei a cidade. Vós, portanto, abandonai o combate, voltai para Argos, não venhais mais aqui perder a vida; o povo tebano não deseja outras mortes. (Eurípedes)

Feriu-se, então, entre os dois irmãos um combate singular no qual foram mortos ambos. Os deuses haviam ouvido as derradeiras imprecações de Édipo. Esse combate figura num grandíssimo número de baixos-relevos antigos. O exército sitiante foi vencido, e todos os chefes pereceram com exceção de Adrasto, que deveu a vida à rapidez do seu cavalo. Assim, realizou-se a profecia de Anfiaraus.

Funerais de Etéoclo e de Polinice

O senado de Tebas, que tomara partido pelos sitiados, decidiu que Etéoclo seria sepultado com honra, mas que seu irmão Polinice seria, em virtude da traição, deixado sem sepultura para que o devorassem os cães e os abutres. Antígona quis enterrar o irmão, apesar das ordens dadas e, decidida a desobedecer, disse aos chefes do povo:

Pois bem! Eis o que respondo eu aos chefes dos de Cadmos. Se não há quem queira, comigo, enterra-lo, hei de conseguir sozinha, e assumirei toda a responsabilidade. Não vejo vergonha nenhuma em sepultar meu irmão, nem que para isso devesse, rebelada, ir de encontro aos desejos da cidade. É coisa grave termos caído das mesmas entranhas, termos tido a mesma mãe, uma infeliz, o mesmo pai, outro infeliz. Sim, deliberadamente, hei de continuar irmã deste morto. Ah, não se fartarão da sua carne os lobos de ventre faminto. Hei de sozinha, apesar de mulher, incumbir-me de remover a terra e preparar uma cova. Trarei o pó nas dobras desta tela, e eu pr6pria a recobrirei com ele o cadáver. Ninguém objetará! Terei essa coragem, e, o que é mais, terei ao meu lado todos os recursos de uma alma que quer conseguir. (Ésquilo ).

Pausânias, na narração das suas viagens, diz que viu o túmulo dos filhos de Édipo.

Não assisti aos sacrifícios que ali se realizam, mas pessoas dignas de fé me asseguraram que nas ocasiões em que se assam as vitimas imoladas aos dois irmãos irreconciliáveis, a chama e a fumaça se dividem visivelmente por eles.

Creonte, rei de Tebas, sabendo que, não obstante a proibição, Antígona sepultara o irmão, pergunta-lhe se conhecia o decreto. A jovem não nega:

Não pensei, responde, que as leis dos mortais tivessem bastante força para superar as leis não escritas, obra imutável dos deuses. Para mim, o traspasse não tem nada de doloroso, mas se tivesse deixado sem sepultura o filho de minha mãe, teria sido infeliz; quanto à morte que me aguarda em nada me assusta.

Creonte, conformando-se à lei, ordenou a morte de Antígona e as suas ordens foram executadas; ao mesmo tempo, porém, soube da morte de seu filho único Hemon, que amava Antígona, e que se ferira mortalmente. Sua mulher morreu também ao saber da morte do filho, e Creonte ficou sozinho com toda a amargura. Assim terminou, a família de Laio.

Minerva

Minerva e Encéades

Minerva participou da guerra dos deuses contra os gigantes e contribuiu poderosamente para a vtória de Júpiter. Entre os inimigos por ela vencidos, o mais importante é Encéades. A força desse gigante era tal que, sozinho, poderia ter lutado contra todos os deuses juntos. Num momento em que Minerva se achava distante dos companheiros de armas, Encéades percebendo que ela estava sozinha, dá um salto e posta-se-lhe na frente. A deusa sem empalidecer reúne todas as forças e pegando com ambas as mãos a SicHia, atira-a sobre o gigante que fica esmagado sob a enorme massa. A queda de Encéades termina a guerra dos gigantes: às vezes tenta ele remexer-se, e é o que produz os tremores de terra da região. A sua cabeça está situada sob o monte Etna, por onde vomita chamas. O tanque de Encéades em Versalhes mostra o gigante do qual somente vemos a cabeça e os gigantescos braços no meio dos fragmentos de rochedos. Mas a luta de Minerva contra esse gigante, tal qual a descreveu a mitologia, tem sido raramente representada, por não ser do domínio público.

Minerva e Tiréias

Virgem essencialmente casta, Minerva sempre vestida, e se os artistas dos últimos séculos a representam por vezes despida, notadamente no julgamento de Pais, é pela ignorância em que se encontram quase sempre dos caracteres distintivos da deusa. Um único homem, o tebano Teréias, observou um dia Minerva no banho, e foi imediatamente ferido de cegueira, ou, segundo outros, metamorfoseado em mulher .

A Estória de Ulisses

Ulisses (também chamado de Odisseu) sabia antes de ir a Tróia que decorreriam vinte anos para o seu retorno à sua ilha rochosa de Ítaca, seu filho Telêmaco e sua esposa Penélope. Permaneceu em Tróia por dez anos e por outros dez singrou os oceanos, naufragou, acabando por ficar desprovido de todos os seus companheiros, freqüentemente com a vida por um fio, até que no vigésimo ano chegou mais uma vez às praias de sua ilha natal.

O Ciclope

Ao deixar Tróia, Ulisses e seus companheiros primeiramente encontraram os Cicônios, cuja cidade eles saquearam, mas em cujas mãos sofreram pesadas baixas. Estiveram em perigo de perder mais elementos para os Comedores de Loto, hedonistas que nada faziam além de ficarem sentados e comendo as saborosas frutas que os faziam esquecer todos os cuidados e responsabilidades. Ulisses teve que arrastar a força de volta ao navio aqueles que, entre os seus homens, provaram o loto. Mal tinham se recobrado da aventura quando enfrentaram a seguinte, o encontro com o Ciclope Polifemo.

Os ciclopes eram uma raça de fortes gigantes de um só olho que ocupavam uma fértil região onde o solo gerava abundantes plantações por conta própria, fornecendo um pasto farto para as gordas ovelhas e bodes. Ansioso para encontrar os habitantes de tal terra, Ulisses direcionou um navio para o porto e, desembarcando, se dirigiu juntamente com a tripulação à caverna do Ciclope Polifemo, um filho de Possídon. Polifemo estava fora cuidando de suas ovelhas, assim Ulisses e a tripulação ficaram à vontade, até que ele retornou com o seu rebanho ao crepúsculo.

O Ciclope era forte. monstruoso e terrível e após algumas poucas perguntas sobre a origem e o que desejavam seus hóspedes inesperados, agarrou dois deles e fez seus miolos saltarem ao chão antes de devora-los. A seguir o Ciclope sentiu-se sonolento; Ulisses considerou esfaqueá-lo até a morte, mas desistiu da idéia quando percebeu que a fuga seria Impossível, pois a entrada da caverna tinha sido bloqueada com uma grande rocha, a qual o Ciclope podia erguer com uma só mão, mas seria impossível de mover mesmo com a força combinada de Ulisses e seus companheiros. O Ciclope comeu mais dois homens de Ulisses como refeição matinal e então saiu, tomando o cuidado de recolocar a grande pedra na entrada da caverna. O inteligente Ulisses não demorou a montar um plano de ação. Ele aguçou a ponta de uma grande estaca de madeira que havia no chão da caverna e endureceu sua ponta ao fogo.

Ao cair da tarde quando Polifemo retomou à caverna, Ulisses ofereceu-lhe uma tigela de forte vinho para acompanhar sua ração de marinheiros gregos. O Ciclope bebeu o vinho com entusiasmo e pediu para que a tigela fosse reenchida três vezes. Então, num estupor de embriaguez, deitou-se para dormir. Antes de dormir, perguntou o nome de seu hóspede, e Ulisses respondeu que era. Outis, ou seja, ninguém em grego; o Ciclope prometeu que em retribuição pelo vinho comeria ninguém por último. Assim que o monstro dormiu, Ulisses aqueceu a ponta da estaca ao fogo; quando ela ficou em brasa ele e quatro de seus melhores homens enterraram a ponta no olho único do Ciclope.

O olho emitiu um chiado, semelhante o alto silvo que sai de um grande machado ou enxó quando o ferreiro coloca a peça dentro da água para conferir-lhes têmpera e dar força ao ferro. O Ciclope, rudemente acordado pela dor terrível, urrou e rugiu, chamando seus vizinhos, os outros Ciclopes, para que viessem ajuda-lo. Mas quando estes se agruparam do lado de fora de sua caverna e perguntaram quem o estava incomodando, quem o tinha ferido, sua única resposta foi que ninguém o incomodava e ninguém o estava ferindo; assim eles acabaram perdendo o interesse e se retiraram.

Ao amanhecer, Ulisses e seus homens se preparam para fugir da caverna; cada homem foi amarrado embaixo de três grandes ovelhas, enquanto Ulisses alojou-se sob o líder do rebanho, um grande carneiro com magnífica lã. O Ciclope cego afastou a pedra e sentou-se à entrada da caverna, tentando agarrar a tripulação de Ulisses que estava saindo juntamente com as ovelhas, mas estes passaram a salvo por suas mãos, Ulisses por último. Guiando as ovelhas para o seu navio, eles trataram de zarpar rapidamente, apesar que Ulisses não resistiu zombar do Ciclope, que respondeu atirando pedaços de penhascos na direção de sua voz, alguns chegando a cair mulo próximos do barco. Assim, Ulisses reuniu-se ao restante da esquadra e, enquanto os marinheiros pranteavam os companheiros perdidos, consolaram-se com as próprias ovelhas que tinham auxiliado sua fuga da caverna.

Eólia

Da ilha do Ciclope, Ulisses velejou até que chegou à ilha flutuante de Eólia, cujo rei, Éolo, tinha recebido de Zeus o poder sobre todos os ventos. Éolo e sua grande família receberam Ulisses e sua tripulação de maneira hospitaleira, e, ao chegar a hora da partida, Éolo deu a Ulisses uma bolsa de couro na qual tinha aprisionado todos os ventos tempestuosos; a seguir invocou uma boa brisa para o oeste que levaria os navios a salvo para casa, em Ítaca. Eles velejaram no curso por dez dias e estavam à vista de Ítaca quando o desastre os atingiu. Ulisses, que tinha ficado acordado toda a jornada segurando o leme do barco, caiu num sono exausto, e sua tripulação não sabendo o que havia na bolsa de couro, começou a suspeitar que continha um valioso tesouro que Éolo teria dado a Ulisses.

Ficaram enciumados, sentindo que tinham enfrentado as situações difíceis com Ulisses, devendo também compartilhar suas recompensas: acabaram por abrir a bolsa e acidentalmente libertaram os ventos. Ulisses acordou no meio de uma medonha tempestade, que soprou o navio de volta a Eólia. Desta vez a recepção dada a Ulisses e a seus companheiros foi bastante diferente. Eles pediram que Éolo lhes desse uma nova chance, mas, este declarando que Ulisses devia ser um homem odiado pelos deuses, negou-se terminantemente a ajuda-los, mandando embora Ulisses e seus companheiros.

Circe

Na sua seguinte chegada à terra, Lestrigônia, todos os navios, com exceção o de Ulisses, foram perdidos num calamitoso encontro com os monstruosos habitantes; assim foi num estado considerável de pesar e depressão que Ulisses e seus camaradas sobreviventes viram-se na ilha de Aca.

Desembarcando, permaneceram deitados dois dias e duas noites na praia, completamente exaustos pelos seus esforços e desmoralizados pelos horrores que tinham passado. No terceiro dia, Ulisses levantou-se para explorar a ilha, e a partir de um outeiro percebeu fumaça saindo de uma habitação na floresta. Decidindo prudentemente a não fazer um reconhecimento imediato, retomou ao barco para contar a novidade aos companheiros. Previsivelmente ficaram amedrontados, lembrando dos Lestrigões e do Ciclope, mas, como Ulisses estava determinado a explorar, dividiu sua companhia em dois grupos, um comandado por ele próprio e o outro por um homem chamado Euriloco.

Os dois grupos tinham a sorte e a tarefa da exploração recaiu em Euriloco, enquanto Ulisses permaneceu no navio. O grupo de Euriloco acabou chegando à casa na floresta. Do lado de fora existiam lobos e leões, que cabriolavam e faziam festas aos homens; eram de fato seres humanos que tinham sido transformados em animais pela feiticeira Circe, cujo lindo canto podia ser escutado no interior da casa. Quando os marinheiros gritaram para chamar sua atenção, saiu e os convidou a entrar; apenas Euriloco, suspeitando de algum truque, permaneceu do lado de fora. Circe ofereceu comida aos homens, no qual continha uma droga que os faria esquecer de sua terra natal; quando terminaram de comer, os tocou com sua varinha e os conduziu ao chiqueiro, pois agora possuíam a forma externa de porcos, apesar de infelizmente lembrarem quem realmente eram.

Em pânico, Euriloco voltou correndo ao navio para relatar o desaparecimento de seus companheiros. Ulisses ordenou que o levasse de volta à casa de Circe, e quando se recusou, partiu só para o resgate. No seu caminho através da ilha, encontrou Hermes, disfarçado como um jovem; o deus deu-lhe uma planta mágica, a qual, misturada com a comida de Circe, seria um antídoto para sua droga; também o instruiu como lidar com a feiticeira: quando Circe o tocasse com sua varinha, deveria avançar sobre ela como se para mata-la; ela então recuaria com medo e o convidaria a compartilhar de sua cama. Deveria concordar com isso, mas deveria faze-la jurar solenemente a não tentar truques enquanto estivesse vulnerável.

Os fatos se passaram como Hermes tinha previsto. Após terem ido para a cama, Circe banhou Ulisses e o vestiu com roupas finas e lhe preparou um suntuoso banquete, mas Ulisses sentou-se numa abstração silenciosa, recusando toda a atenção. Circe acabou lhe perguntando o que estava errado, e disse-lhe que ela não poderia esperar que estivesse de corpo e alma na festa enquanto metade de sua tripulação estava chafurdando no chiqueiro. Então Circe libertou os novos porcos de seu confinamento e os untou com ungüento mágico. Seus pêlos rijos caíram e se tornaram novamente homens, porém mais jovens e mais bonitos do que tinham sido antes. Ulisses e seus homens choraram com alívio e alegria e pararam apenas quando Circe sugeriu que deveriam chamar o restante de sua companhia para que se juntassem à celebração. Ficaram com Circe por todo um ano, comendo, bebendo e se divertindo, esquecendo os percalços que tinham passado.

Circe II

Livro “Poções Mágicas” de Gerina Dunwich.

Dizem que Circe era uma linda feiticeira loura e filha de Hécate, a Deusa grega protetora de todas as bruxas e das artes mágicas. (No entanto outras fontes a colocam como filha do Deus Sol e de sua consorte Perse). Ela residia num palácio que ficava em uma ilha encantada chamada Aeaea (que significa lamento), e era de lá que irradiava o seu canto mavioso. Dizem ainda que ela transformou todos os companheiros de Odisseu em porcos, fazendo uso de uma fortíssima poção produzida com o sumo da mandrágora, a planta mágica mais venenosa de que se tem notícia (embora a receita exata ainda nos seja desconhecida).

Odisseu era um protegido de Hermes e deste havia recebido uma erva chama mole, para se proteger dos poderes de Circe e resguardar-se da agonia de se ver transformado em um animal de 4 patas, bufão e barulhento. (Apesar de não saber até hoje o que era na verdade a tal mole, alguns pesquisadores já sugeriram que o amuleto de ervas ostentado por Odisseu era feito com alho silvestre).

Assim, empunhando a espada em uma das mãos e carregando na outra os poderes de proteção da erva que Hermes havia lhe dado, Odisseu exigiu que Circe devolvesse a forma humana aos seus companheiros. E o fato é que ela obedeceu e ainda por cima lhes ofereceu honrarias e prazeres.

Circe (Grécia): “Falcão Fêmea”; deusa da Lua Nova; tecelã do destino.

Chamada de a ave-da-morte (kirkos ou falcão). Como o círculo, ela era a tecelã dos destinos. Antigos escritores gregos citavam-na como Circe das Madeixas Trançadas, pois podia manipular as forças de criação e destruição através de nós e tranças de seus cabelos. A ilha de Aeaea era um santuário funeral para ela; diz-se que seu nome vem do grito de angústia. Era a deusa do amor físico, feitiçaria, encantamentos, sonhos precognitivos, maldições, vingança, magia, bruxaria, caldeirões.

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