Xamanismo – Poder Pessoal

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Xamanismo – Poder Pessoal

Devido à sua origem, que remonta a aproximadamente 35 mil anos, é o xamanismo a prática espiritual e médica mais antiga de que se tem notícia. Nos dias de hoje, é cada vez maior o número de pessoas de crenças, raças, sexo ou profissões diferentes que buscam estudar e aplicar o xamanismo em seu dia a dia. É uma prática atrativa pelos seus rápidos resultados através de visões, autoconhecimento, busca do poder pessoal ou ainda pelo contato com os mistérios da natureza. Isso se dá por ser o xamanismo a raiz de nossas crenças, e sua prática nos permite entrar em contato não só com outros planos de consciência, como com nosso mais profundo ser, onde obtemos de forma consciente o conhecimento, o poder, o equilíbrio e a saúde de nosso corpo. A figura do xamã corresponde ao mago, curandeiro, médico, terapeuta, conselheiro, líder espiritual, enfim, ao conhecedor da consciência humana. Tem consciência de seus limites, mas mesmo assim busca, a todo o momento, expandir seus limites ao receber seu chamado interior que o induz ao crescimento constante, à busca de um bem maior. Possui como recursos as chamadas visões ou as vivências, que proporcionam transformações em sua existência. Essas transformações reúnem o homem à natureza, à energia, à luz.

É considerado um Caminho Sagrado por auxiliar na travessia de portais, não só da mente, como também dos sentimentos, do corpo e do espírito. Há a descoberta interior, onde se aprende que tudo se encontra dentro de nós mesmos, e temos que nos harmonizar com nossa essência se desejamos viver plenamente. Descobrimos como realmente somos e nossa ligação com o Universo. De uma forma pessoal, descobrimos o que viemos fazer nesse planeta, derrubando as barreiras que se apresentam diante de nós (e que muitas vezes foram impostas por nós mesmos). Devido à sua dinâmica, esse caminho nos faz ter uma visão diferente do que realmente é a vida, onde não existem limites para as possibilidades, nem tampouco espaço para o medo. Isso se dá quando conseguimos, através das práticas, harmonizar coração e mente, limpando-nos de sentimentos e pensamentos que podem, de alguma forma, nos segurar o crescimento.

Quando descobrimos o caminho de nosso espírito, sentimos nosso verdadeiro eu vir à tona e entramos em uma fase de transformação pessoal mais rápida. Basta induzirmos o verdadeiro Amor em nosso coração para que despertemos nossos poderes mais profundos – O Amor e a Luz que podemos gerar em nossos corações. Para despertar nossa consciência, utilizamos alguns recursos a fim de facilitar nossos estados de meditação e vivências:

  • Tambores;
  • Canções;
  • Meditações;
  • Instrumentos de poder;
  • Danças;
  • Respirações;
  • Visualizações;
  • Estórias;
  • Vivências;
  • E amor.

Esses recursos vêm acompanhados de vivências como práticas onde se busca adquirir força para se religar ao Ser Supremo, aos Seres da Natureza ou à Mãe Terra. A palavra xamã tem sua origem na linguagem Tungue saman muito parecido com o Sânscrito sramana e com o Pali samana significando homem inspirado pelos espíritos. Isso se deve pelo reencontro com os ancestrais e a própria natureza que está em cada um.

Conta uma antiga lenda que no início, quando o homem começou a viver em sociedade, existia um verdadeiro caos interior e exterior, onde a doença, a fome e a morte eram consideradas como espíritos malignos. Cansados de sofrer, o líder do grupo pede auxilio ao Ser Supremo. Esse manda uma Águia em auxílio, mas por ser considerada somente um pássaro, acaba sendo rejeitada. Novamente enviada, desta vez carregada por um Poder Supremo, tem a incumbência de delegar esse mesmo poder ao primeiro ser humano que encontrasse. Vê então uma bela mulher, com quem copula e engravida, nascendo assim o primeiro xamã, filho do conhecimento representado pela Águia e de uma energia amorosa feminina, representada pela mulher (A mulher representa a Liberdade). Assim sendo, descobre-se xamã através da consciência e da liberdade.

Na terapia holística o que diferencia o xamã é a forma de trabalhar, utilizando sempre um estado alterado de consciência – o êxtase. Isso se dá através de uma memória arquetípica onde se vivencia os poderes de cura da natureza, como o animal, o vegetal e o mineral, sem, contudo, perder a lucidez, tendo controle completo de si mesmo. Possui ainda um ou mais animais protetores que os auxiliam com energia e proteção. A terapia se desenvolve com os recursos já citados acima, onde o xamã conduz o paciente a penetrar em seu subconsciente, controlando suas ações e direcionando as viagens e vivências para a solução de um problema. Essas vivências têm como objetivo principal a cura, mas pode ser também utilizado para o desenvolvimento do próprio conhecimento, a restauração de algum propósito como a revitalização do corpo e da alma.

Como primeiro contato deve-se levar o paciente em uma jornada através do portal para o mundo profundo onde serão determinadas pelo xamã as defesas, angústias e resistências. A partir desse ponto traça-se uma linha de trabalho através das vivências buscando quebras os bloqueios e barreiras encontradas, restaurando o equilíbrio energético do paciente. Com seu campo energético já em equilíbrio, o paciente encontra-se frente a frente com seu Poder, onde aprende a canção do coração interior e trabalhar com os quatro elementos: Ar, Fogo, Água e Terra. São os elementos a fonte da vida e da eterna juventude.

O principal requisito para se trabalhar com cura xamânica, é o elemento , onde o xamã tem que ser acima de tudo confiável, ou seja, fazer com que o paciente acredite no que está sendo feito e na pessoa que está fazendo. Deve-se lembrar que o trabalho terapêutico busca, antes de qualquer coisa, a parte perdida da alma, e os dois juntos buscam sua recuperação. A confiança do paciente no xamã é necessária pois se está trabalhando para mergulhar no inconsciente coletivo onde se buscam novas percepções e atitudes. Torna-se, assim, a figura do Xamã um Curador da Alma, onde é refeita ligação do paciente com o eu interior, tornando o paciente seu próprio curador.

Para ilustrar o que foi escrito acima, temos a história de Sereptie, um esquimó comum atingido por uma doença mortal (para os esquimós), a varíola. Estava agonizando, já em coma, com sua consciência viajando no além, quando encontrou uma mulher vermelha. Travando uma amizade pura com a mulher, descobriu que ela era a Deusa da Varíola, que pela amizade recém conquistada curou Sereptie fazendo com que saísse do coma que se encontrava. Tornava-se assim um Xamã, pois era uma pessoa que morreu e ressuscitou, conhecendo o caminho do além, de ida e de volta. Assim, quando alguém ficava doente, Sereptie invocava a mulher vermelha e o doente se curava.

As iniciações xamânicas costumam ser praticadas com rituais de morte e ressurreição. Nada mais é do que a abertura de portais onde descobrimos os segredos que seriam revelados somente na hora da morte. Os caminhos do além são mostrados em uma viajem astral onde entramos no consciente e no subconsciente, chamada por Karl G. Jung de imaginação ativa. É um voltar às origens para vivenciar o significado da vida. Para tanto não são necessárias as drogas ou a violência contra nosso próprio corpo. Basta ter plena consciência de nós mesmos.

Alterar o estado de consciência não significa somente entrar em transe. Envolve também a imaginação que nos permite empreender a uma viagem onde encontramos os espíritos dos animais, das plantas, dos Guardiões ou dos Antepassados Xamãs para recebermos imagens ou insight para a cura necessária. Êxtase, nagual, nirvana, alfa, transe, consciência cósmica, não importa o nome dado, todos possuem a mesma finalidade que é a de nos conectarmos com nosso interior, com nossos símbolos ou mitos, para expandir nossa percepção para nossos próprios mistérios. Descobrindo nosso interior, percebemos que não há segredos em nosso corpo e que os nossos próprios pensamentos, independentemente de seu grau, promovem mudanças em nosso comportamento.

Um dos trabalhos do xamã é descobrir a ligação de cada um entre a alma, a mente e o corpo, de uma forma espiritualizada. Em seguida fazer um trabalho terapêutico direto induzindo o paciente a um estado alterado em busca de sua autocura. Para isso, o xamã cria imagens de sentimentos positivos para o paciente, fazendo com que ele próprio busque aprender a combater as doenças aumentando, de forma considerável, a capacidade de seu sistema imunológico. Para se estar bem de saúde, deve-se estar em perfeita harmonia com o mundo, com o Universo e todas as vibrações que podem vir a surgir daí.

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