Resgate do Sagrado Feminino

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Resgate do Sagrado Feminino

As mulheres honram o seu caminho sagrado quando se dão conta do conhecimento e intuitivamente a sua natureza receptiva…

No passado a divindade possuía o seu duplo polar o que eliminava o conceito de supremacia do poder absoluto. Tanto o masculino como o feminino eram igualmente sagrados e tinham o mesmo valor e a mesma importância em qualquer aspecto. Tudo era harmonia, tudo era equilíbrio. O tempo foi-se atualizando e junto com ele a polarização dos conceitos e a masculinização do divino. Assim tudo se perdeu. Os homens passaram a ver a mãe de uma forma pura pela maternidade, e as demais mulheres como símbolos de prazer. As mulheres acabaram por se convencer que eram objetos de sedução e perderam o valor e a essência. Perdeu-se assim o contato com o divino, a centelha do amor que nos anima e que existe em cada um de nós. Em nossa realidade buscamos a energia da Deusa, perdida em algum lugar do Universo. Nesse caminho perdemos a força e adquirimos a malicia, perdemos o respeito e adquirimos a desarmonização, perdemos a noção do uno com a Criadora e adquirimos o Eu, o ego. Intensificou-se as desgraças coletivas e pessoais, multiplicaram-se as impaciências, as intolerâncias, as supremacias e a verdadeira essência foi-se degenerando.

A Mulher só conseguirá resgatar o respeito que merece ao se ajustar, expandindo seu equilíbrio interior e sua mente, trazendo à tona para si mesma tudo aquilo que faz com que ela cresça. Deve conquistar e trazer para sua vida a sua Isis, sua Deusa, que faz com que se sinta completa e bem consigo mesma. Somente assim, se vendo e sentindo como Mulher realmente completa, trazendo para seu coração o Amor Incondicional, vai fazer com que o Homem resgate o respeito pela Mulher como companheira e parceira para a vida. A partir do momento que a Mulher se respeitar o Homem deixará de vê-la como simples objeto de prazer e satisfação.

É a partir dessa busca que o ser humano vem novamente se reaproximando do sagrado, entrando em sintonia com a Natureza, reverenciando seus ciclos, suas estações, assim como faziam nossos ancestrais. As mulheres honravam seus períodos menstruais, seus rituais, e sua maior dádiva que era a de gerar a vida através do ventre, que era seu templo sagrado. E os Homens as reverenciavam por isso. A menstruação era vista como um dom dado pela Deusa para que as mulheres pudessem perpetuar a própria vida. A sintonia do ciclo menstrual com o ciclo lunar refletia a cumplicidade e o vínculo que existia entre a mulher e a Deusa. A mulher guardava em seu ventre o mistério da vida, e seu corpo tinha o poder de tornar real o potencial da criação. O sangue menstrual era sagrado, imantado com o poder que a ligava com a fonte primordial da vida.

Mas os tempos mudaram. Com a transição para o patriarcado a imagem da mulher se denegriu e o sagrado da menstruação passou a ser visto como um poder maligno, como uma marca do mal dado a Eva pela transgressão às regras de submissão e obediência. As mulheres que eram consideradas antes como sábias, ao oferecerem seu sangue menstrual como uma oferenda à Deusa para fazer suas profecias, eram tidas como compactuadas com o diabo e punidas e perseguidas como bruxas. Durante a Inquisição até mesmo o sangue que era perdido pela mulher durante e pós-parto era visto como demoníaco. Durante o período de supremacia e domínio patriarcal, as mulheres se viram despojadas de seu poder, negando até mesmo seu valor como criadoras e nutridoras da vida.

Foram reduzidas a meras reprodutoras e proporcionadoras de prazer ou de mão de obra barata. Foram tratadas e consideradas incompetentes, incapazes, desprovidas de qualquer valor. Essa ideia se concretizou na mente do Homem quando Santo Agostinho (354 a 430) escreveu em seu livro ‘A Cidade de Deus’ (traduzido para o português pela Editora Vozes em 1990) que a mulher é “um homem deformado”, e que “A mulher é menos qualificada do que o homem para um comportamento ético (isto é; tem maior tendência para a imoralidade); o motivo disto é que a mulher contém mais líquido (sic) do que o homem e a propriedade dos líquidos é moverem-se com facilidade”. Assim criou-se o conceito que perdura até os dias de hoje que o sangue menstrual e o pós-parto são vergonhosos e devem ser vistos com repulsão. Esses fatos levaram a Mulher a manter o silêncio sobre ‘aqueles dias’, trazendo para sua vida estados depressivos ou explosivos, mudanças bruscas de humor causadas pela TPM. Hoje, mesmo com o avanço da medicina, a TPM ainda é tratada como algo mórbido pelas informações deturpadas que foram passadas para a mulher.

O Resgate do Sagrado Feminino busca trazer do passado a concepção da mulher de seus Dias de Poder, ou seja, seu ciclo menstrual. Faz com que a mulher se sinta novamente Mulher e venha a aproveitar suas diversas fases de poder. Os ritos de passagem, como a Menarca (do grego men significando Lua, e arkhe significando início = a primeira menstruação), ou os ritos da Menopausa devem se vistos não como um caminho para a decadência ou velhice. Quando a mulher deixa de sangrar e passa a guardar seu sangue (menopausa), a mulher não fica mais sujeita às alterações hormonais ou às influências ambientais, podendo, dessa forma, se manter equilibrada entre o rico potencial interior e a capacidade de manifestar esse mesmo potencial de forma criativa. É à partir desse momento que a mulher se torna a representação da Deusa em sua forma de sábia e criadora. Torna-se Sacerdotisa e Profetisa, tendo um acesso contínuo para a dimensão oculta do mundo. Deve encarar esse Resgate do Sagrado Feminino como um renascimento e aproveitar a atual tecnologia, que expandiu os meios de comunicação facilitando a busca de informações, para recuperar conscientemente sua própria sacralidade.

Relembrar e recuperar seu antigo papel e poder no mundo atual pode ser uma tarefa difícil, principalmente pelo poder do patriarcado que ainda vigora. Mas compreender os verdadeiros arquétipos, os mitos e sua natureza lunar, reconhecendo que seu corpo e seu ventre é a sua verdadeira conecção com a Deusa, mostra a uma sociedade tecnológica e industrializada, que prega o modismo e o cinismo como parte do dia a dia, o quanto é carente da Magia da Vida.

Resgatar a verdadeira essência da Mulher faz com que a vida se torne mais plena, mais mágica e, principalmente, mais feliz.

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